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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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GALIZA CELEBRA DIA DAS LETRAS GALEGAS

A Galiza celebra-se hoje o Dia das Letras Galegas. Este dia assinala a data da publicação da primeira edição de “Cantares Galegos”, da poetisa Rosalía de Castro.

Todos os anos, este dia é dedicado a um escritor que possua obra relevante escrita em galego, tenha falecido há pelo menos uma década e, para o efeito, conte com o apoio de pelo menos três membros da Real Academia Galega. Neste ano, o Dia das Letras Galegas é dedicado a Valentín Paz-Andrade.

Natural de Pontevedra, Valentín Paz-Andrade foi jornalista, poeta, escritor e jurista.

Entre a sua vasta obra destacamos “Pranto matricial”, “Sementeira do vento”, “Castelao na luz e na sombra” e ”Galiza lavra a sua imagem” do qual extraímos o poema que a seguir reproduzimos.

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O QUE TODO GALEGO CHORARIA

 

CHORA, TERRA, teu pranto

das águas e dos eidos, e dos ares,

as vivas páreas cósmicas da raça

em mantelo de brêtemas envoltas,

que o nosso fim à nossa origem ligam.

 

Deita nas áureas leiras do horizonte

lavradas de sol-pores e de abrentes,

em adoas de luz a debulhar-se,

as sementes feridas da tua dor.

Harpa de nobres cordas esquecidas,

ceiva teu som no coração retido,

e faz acordes em total latejo

almas, pássaros, rios e paisagens.

 

Chora, Terra,

teu pranto generoso.

O que todo galego choraria,

em roda de multânime silêncio

e olhares abatidos,

rente do longo corpo derrubado

que fora vivo mastro em luta nua;

perto daqueles beiços,

seca fonte

da verba nunca dantes mais belida;

do peito petrucial,

reflorescido
de mapoulas pampeiras,

que invejam a nascença das chorimas;

junto das postas mãos voltas ao gelo,

onde a eito agromaram da sua arte,

no cerne da galega patronia,

viçosas primaveras.

 

Chora, Terra,

teu pranto matricial.

O que todo galego choraria,

se inda chorar pudera,

até cobrir de lágrimas o mar.

Valentín Paz-Andrade