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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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MÁSCARAS TRADICIONAIS DE PORTUGAL E ESPANHA DESFILAM EM LISBOA

Termina amanhã em Lisboa mais a VII edição do Festival Internacional Máscara Ibérica. Entre a Praça do Município e o Rossio, desfilaram hoje 24 grupos oriundos do Norte e Centro de Portugal, Galiza, León, Zamora, Cáceres, Astúrias, País Basco e Salamanca, pela primeira vez presente no desfile a par de Ílhavo, Piornal e Montehermoso de Cáceres.

A Mostra das Regiões apresentou-se mais uma vez em Lisboa, transformando-a durante quatro dias consecutivos numa montra de produtos regionais, artesanato e destinos turísticos. Os visitantes tiveram oportunidade de descobrir e adquirir algumas das mais tradicionais iguarias como o fumeiro, a doçaria regional e peças artesanais nacionais e espanholas, espalhadas por 25 espaços. Zamora e Cáceres (Patronatos de Turismo) são algumas das províncias de Espanha que trouxeram à capital os seus produtos típicos, a que se junta o espólio gastronómico, vinícola e artesanal da Serra da Estrela, Nordeste da Beira, Beira Interior Sul, Região Centro, Baião, Mirandela, Vales do Sousa e Tâmega, entre outras regiões.

O Rossio contou ainda com animação de rua, música e danças tradicionais, artesanato ao vivo, provas de produtos e, para os mais pequenos, um cantinho infantil, que inclui workshops de máscaras.

A organização aposta na componente musical. Concertos de música folk de raiz tradicional europeia com elementos de fusão entre o ska, reggae e rock. A animação de rua foi assegurada pela La Bandina e los Sidros de Valdesoto provenientes das Astúrias, as portuguesas Tradballs, Vaidecaja e Escola de ritmos Dumdumba, Altsasuko Inauteria do País Basco e Folión de Viana do Bolo da Galiza.

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A tradição pagã dos rituais da máscara, raramente vistos fora dos seus contextos de origem, tem por objetivo a divulgação de um dos elementos mais característicos do folclore dos povos, concretamente as máscaras tradicionais, ajudando a compreender todo o ritual que lhe está associado, desde as suas origens pagãs às festividades do Entrudo tradicional. O costume da máscara é comum a todos os povos e a todas as regiões, embora em muitos casos tenha caído no esquecimento. A título de exemplo, no Minho perdura ainda a tradição dos cabeçudos e gigantones, fazendo-se acompanhar pelas arruadas dos zés-pereiras, dando alegria e colorido às romarias.

A utilização tradicional das máscaras está associada à religiosidade primitiva que encarava o ciclo da vida e dos vegetais num perpétuo renascimento. O rito celebra o mito e assegura a interrupção do ciclo da natureza e da vida. Assim, como á morte sucede a vida, também ao Inverno e à morte dos vegetais sucede invariavelmente o seu renascimento. Ao Inverno estão associados um conjunto de rituais que se iniciam com o culto dos mortos em Novembro, na crença de que estes podem interferir favoravelmente no ciclo da natureza, culminando com a Serração da Velha a anunciar o regresso da Primavera. Pelo meio fica o Entrudo celebrado com as suas máscaras e os seus instrumentos ruidosos como as sarroncas e os zaquelitraques com vista a expulsar os demónios do Inverno.

Toda a representação se destina a exorcizar os maus espíritos do Inverno e incidem no universo rural, desde a representação de figuras demoníacas aos animais que fazem parte do quotidiano do lavrador. As máscaras são construídas a partir dos materiais disponíveis no espaço rural e concebidas com base no imaginário popular.

Os chocalhos prendidos à cinta do careto, símbolo da virilidade e da posse demoníaca, destinam-se a chocalhar as raparigas que se perdem pelos caminhos da aldeia. Os mascarados estão autorizados a invadir as casas e tomar para si alvíssaras, em regra uma peça do fumeiro.

Estas tradições eram comuns a todas as regiões do país e o Minho não constituía uma exceção. Cabe às associações culturais, mormente aos ranchos folclóricos, pesquisar, recolher e divulgar tais tradições como meio de as preservar.

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