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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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GUIMARÃES: A SOCIEDADE ELEGANTE NAS CALDAS DAS TAIPAS EM 1922

As Caldas das Taipas, em Caldelas, no Concelho de Guimarães, foi desde os finais do século XIX o destino de eleição da “sociedade elegante” da época ou seja, da burguesia emergente que procurava sobretudo nas estâncias termais local privilegiado de convívio social.

A revista “Ilustração Portugueza”, destinada a um público letrado e com determinado nível social ao qual procurava chegar com as novas ideias republicanas, também nos dava conta do seu modo de vida, um tanto ao jeito do que atualmente se designa por “imprensa cor-de-rosa”. Com o título “Um Arraial Minhoto – Festa de beleza e bondade”, aquela publicação dá-nos conta, na sua edição de 2 de Setembro de 1922, de uma festa social então ocorrida em Caldas das Taipas, identificando muitos dos seus organizadores entre os quais reconhecemos diversos nomes que ainda perduram na sociedade minhota.

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(Senhoras organisadoras da festa) – Em pé; (Da esquerda para a direita): D. Maria Augusta Costa e Silva, D. Maria Correia, D. Irene Monteiro de Azevedo, D. Luiza Costa e Silva, D. Celeste de Azevedo Fernandes, D. Antónia Costa e Silva, D. Irene Coimbra, D. Laurinda Soares, D. Judit Coimbra, D. Maria Helena Freitas Ribeiro, D. Maria Aydée Reis, D. Clarinda Pinheiro, D. Berta Moreira da Silva, D. Otília Soares, D. Branca Valente Perfeito, D. Maria Camila Valente Perfeito e D. Gracinda Barros.

Sentadas: - D. Maria Amélia Ferreira, D. Alda Regina Santos, D. Ema Freitas Ribeiro, D. Maria Emília Pinto Fernandes, D. Amália Nunes da Costa, D. Emília Costa e Silva, D. Maria Amália Fernandes Borges, D. Maria Julia Coimbra, D. Maria Alice Freitas Ribeiro, D. Alcina Quintela, D. Odete Ribeiro, D. Ester Guimarães, D. Alda Coimbra, D. Dinorah Branco e D. Maria do Céu Cupertina de Miranda.

UM ARRAIAL MINHOTO

Festa de Beleza e Bondade

O lisboeta decerto, não conhece esse florido recanto minhoto que se denomina Caldas das Taipas, e de que tanto se enamorou Camilo que o recorda e descreve em muitas das suas obras, fazendo-o teatro dum dos seus mais belos romances. É uma pequena estância de águas, a meio caminho de Braga e de Guimarães, e a que a falta de comunicações dificulta o acesso, como acontece, de resto, a Caldelas, ao Gerez e a tantas outras estações de cura e repouso.

Não obstante, nas Caldas das Taipas, fervilha agora uma colónia densa de damas e cavalheiros que do Porto e outras povoações do Norte ali acodem, na esperança de recompor o organismo e retemperar o espírito. E conseguem geralmente realisar esse “desideratum”, não sabemos se por virtude das águas, se pela pureza dos ares, ou até por se deliciarem, pous que lá devem aparecer bons apreciadores, com a ingestão do mais saboroso vinho verde que se produz em terras do Minho.

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Namorados – a srª D. Branca Valente Perfeito e seu esposo, sr. Salviano Valente Perfeito

Não há ali, porém, outras distracções que não sejam os longos passeios por montes e vales, deleitando a vista com paisagens de magia e panoramas de encantamento, ou as festas e reuniões familiares que organizam grupos de aquistas, como esse “arraial minhoto” há dias realisado, e que revestiu um brilhantismo extraordinário.

Inspirou-o uma ideia nobilitante e humanitária: socorrer a pobreza local. E os resultados corresponderam plenamente à expectativa, reunindo-se alguns milhares de escudos que foram minorar a desventura de algumas dezenas de infelizes.

O que se deu, de resto, nas Caldas das Taipas, acontece em muitas praias e termas portuguesas onde se costuma reunir nesta época a gente mais abastada. Entre os prazeres que se proporcionam todos aqueles a quem a fortuna bafeja, não costumam esquecer as rudes necessidades que atravessam os desprotegidos da sorte. Fazem-no por snobismo, por vaidade, para ostentação da sua riqueza? Não acreditamos. Longe dos ares empestados da cidade, fóra do âmbito estreito em que se degladiam as paixões políticas, na alma d’essa gente, fundamentalmente boa e caritativa, brota a flôr pubera de sensibilidade, espargindo por toda a parte aromas de beleza e de bem-estar.

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Barraca de Caldo Verde, servido pelas srªs D. Ester Guimarães, D. Maria Amália Fernandes Braga, D. Otília Rocha Gomes e D. Maria Julia Coimbra

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Venda de bombons

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O buffete dirigido pela srª D. Maria do Ceu Cupertino de Miranda

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(Cavalheiros organizadores da festa). – Em pé: (Da esquerda para a direita): - Salviano Valente Perfeito, Francisco Viana, Fernando Guimarães, João Valente Perfeito, Raul Pereira da Costa e Antonio Sardinha. Sentados: - Armando Branco, Joaquim Moreira da Silva, Filipe Fernandes Braga, Amadeu Coimbra, Abílio Figueiredo, Jorge de Macedo, Adolfo Sardinha e Artur Cupertino de Miranda.