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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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VIANA DO CASTELO: CORTEJO ETNOGRÁFICO É UMA DAS MAIORES ATRAÇÕES DA ROMARIA DA SENHORA D’AGONIA

O imponente cortejo etnográfico é, juntamente com o desfile da mordomia e os espetáculos de pirotecnia, um dos eventos mais apreciados no âmbito dos festejos da Romaria da Senhora d’Agonia. Todos os anos, milhares de pessoas afluem propositadamente a Viana do Castelo para assistirem ao desfile pelas ruas da cidade.

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Os diversos quadros etnográficos reproduzindo as mais diversas tradições do concelho vianense e da região, intercalados com a atuação de ranchos folclóricos e os grupos de música tradicional, as rusgas com as suas concertinas, os bombos e os zés-pereiras, tudo contribui para criar o ambiente de uma festa autenticamente minhota.

O colorido dos trajes das lavradeiras e o rufar dos bombos, o sorriso cativante das moças e a grandeza e criatividade dos carros alegóricos fazem do cortejo etnográfico da Romaria de Nossa Senhora d’Agonia um espetáculo ímpar de arte e beleza que fica para sempre gravado no coração e na memória de quem visita Viana do Castelo.

Fotos: António de Almeida Duarte, em: https://www.facebook.com/PhoenixOcean

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CAMINHA: MINHOTOS FAZEM ROMARIA A S. JOÃO D’ARGA

Milhares de romeiros rumaram a Arga de S. João para cumprir promessas a S. João ou pedir-lhe ajuda para arranjarem casamento ou cura de verrugas, quistos, doenças de pele e infertilidade. Muitos ainda vêm em ranchos como antigamente, subindo a pé o monte, cantarolando aqui e merendando acolá. Pelo caminho, o “penedo do casamento” é sítio obrigatório de paragem no percurso dos romeiros. Os solteiros atiram-lhe uma pedra para que esta fique em cima dele, dependendo o tempo de espera do casamento das tentativas feitas até o conseguir. Reza a lenda que o penedo “arranja testo para qualquer panela”… porém, como os tempos estão difíceis, vão ouvindo-se com frequência cantar os seguintes versos:

          Ó meu Senhor S. João

          Casai-me que bem podeis

          Já tenho teias de aranha

          Naquilo que bem sabeis

Uma vez chegado ao local do santuário, situado a cerca de 800 metros de altitude, os peregrinos dão três voltas à capela findas as vão dar uma esmola ao santo… e outra ao diabo!

Cumprida a devoção, a romaria dá lugar ao folguedo. Juntam-se os tocadores de concertina e abrem-se as goelas para os cantares ao desafio. Canta-se e dança-se no terreiro até ao amanhecer. Come-se e bebe-se nas tasquinhas à volta do santuário ou nas lojas dos “quarteis” onde também existe alojamento para pernoitar pois, caso contrário, terá de ser feito ao relento, na área envolvente do mosteiro. Apesar de ainda ser Verão, as noites são frias e, como agasalho, recomenda-se um copito de aguardente com mel, uma especialidade típica da Serra d’Arga.

Mal despontam os primeiros raios de sol, é chegada a altura de regressar a casa. A aldeia regressa à sua habitual pacatez e o silêncio volta à serra. Apenas uma escassa centena de almas habita as pouco mais de duas dezenas de habitações que compõem Arga de S. João, abrangendo uma extensão de treze quilómetros quadrados.

- S. João d’Arga é uma das mais genuínas romarias minhotas. Para o ano lá voltaremos! 

Fotos: https://www.facebook.com/#!/pages/Sao-Joao-DArga/258411130846875

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POESIA TROVADORESCA: CANTIGAS DE ESCÁRNIO E MALDIZER

                        Foi um dia Lopo jograr

                        a casa duü infançon cantar,

                        e mandou-lhe ele por don dar

                        três couces na garganta,

                        e foi-lhe escasso, a meu cuidar,

                        segundo como el canta

           

                        Escasso foi o infançon

                        en seus couces partir' enton,

                        ca non deu a Lopo enton

                        mais de três na garganta,

                        e mais merece o jograron,

                        segundo como el canta.

Martin Soares

SÃO BARTOLOMEU EM PONTE DA BARCA É UMA DAS MAIORES ROMARIAS DO ALTO MINHO

A Romaria de São Bartolomeu, em Ponte da Barca, adquire a cada ano maior brilho e notoriedade, atraindo àquela vila minhota milhares de forasteiros da região e vizinha Galiza. As rusgas de concertinas levam os foliões a percorrer as ruas em alegre estúrdia, fazendo ouvir as mais alegres rapsódias do nosso folclore. O povo canta e dança, dando largas à sua alegria esfusiante. São Bartolomeu é festa, estúrdia e arraial – Ponte da Barca é terra minhota!

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Durante seis dias consecutivos de intensa folia, tiveram lugar o desfile etnográfico alusivo ao “pão e vinho”, cantares ao desafio, feira de tasquinhas e artesanato, festival de folclore e a feira do linho, além naturalmente da procissão solene e demais celebrações religiosas que constituem a principal razão de ser das festividades em honra de São Bartolomeu.

Para além das referidas iniciativas, decorreu ainda a festa da Rádio Barca e as comemorações de mais um aniversário dos Bombeiros Voluntários de Ponte da Barca. E, como não podia deixar de acontecer em festa minhota, realizou-se uma grandiosa sessão de pirotecnia que constituiu uma verdadeira explosão de luz e cor que transformou os céus da Terra da Nóbrega numa autêntica tela de cores exuberantes repletas de esplendor.

Fotos: Município de Ponte da Barca

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AS FESTAS DE NOSSA SENHORA D’AGONIA EM 1914

AS FESTAS DA AGONIA

Viana Do Castelo, a formosa cidade do Lima, esteve há pouco em festa.

Grupo de camponesas

As festas da Agonia, que todos os anos chamam a Viana extraordinária concorrência, mercê dos seus atrativos e das belezas naturaes da terra que são o enlevo dos olhos que as contemplam tiveram este ano desusado brilho.

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O cavaleiro amador João Marcelino d’Azevedo toureando

Como em todas as romarias minhotas, a alegria esfuziou n’esses curtos dias em que o bom povo minhoto dá largas ao seu espirito folgazão e as lindas moças d’essa região privilegiada exibem as suas características galas e o esplendor da sua formosura.

Fonte: Ilustração Portugueza, 14 de setembro de 1914

(“Clichés” do distinto fotografi Manuel Carvalho Vieira)

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Aspeto da assistência à tourada

EM 1956, MENDES CORREIA, DEPUTADO À ASSEMBLEIA NACIONAL, EXALTOU AS QUALIDADES DO NOSSO FOLCLORE

Na sessão de 29 de junho de 1956 da VI Legislatura da Assembleia Nacional, o deputado Mendes Correia falou sobre o Congresso de Etnografia e Folclore que se realizou em Braga naquele ano, exaltando as suas virtualidades e qualidades artísticas. A sessão foi presidida por Albino dos Reis Júnior e secretariada por José Paulo Rodrigues e Alberto Pacheco Jorge.

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António Augusto Esteves Mendes Correia de seu nome completo era natural do Porto. Doutorado em Medicina, exerceu a profissão de Professor Catedrático na Universidade do Porto. Foi Procurador à Câmara Corporativa na I e II Legislaturas e Presidente da Câmara Municipal do Porto entre 1936 e 1942. Porém, o conhecimento dos costumes do Homem sempre exerceu em si uma especial atração. Em 1912, introduz o estudo da Antropologia, em 1919 torna-se Professor ordinário de Geografia e Etnologia da efémera Faculdade de Letras da Universidade do Porto; em 1921 é nomeado Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto da qual viria a ser Diretor; em 1923 é Diretor do Instituto de Investigação Científica de Antropologia da Universidade do Porto; Diretor da Escola Superior Colonial em 1946 e Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa em 1951. Foi por três vezes eleito deputado à Assembleia Nacional pelo círculo do Porto tendo integrado a Comissão de Educação Nacional, Cultura Popular e Interesses Espirituais e Morais.

Transcreve-se a sua intervenção, respeitando-se a grafia da época.

 

O Sr. Mendes Correia: - Sr. Presidente: na sessão de ontem o nosso colega Dr. Alberto Cruz referiu-se, a propósito das impressões que teriam deixado a terra e a gente bracarenses e o Minho em geral nos membros do recente Congresso de Etnografia e Folclore, realizado em Braga, as tradições regionais de hospitalidade e à necessidade de se apoiar o desenvolvimento do turismo naquela província.

Não precisa o nosso colega da minha solidariedade nas aspirações que formulou, e que naturalmente perfilho sem restrições, mas pedi a palavra para, ainda com um mandato que me permite traduzir o sentir de todos os congressistas, sublinhar a hospitalidade e a cortesia que todos encontrámos em Braga e na boa gente do Minho, aproveitando este ensejo para, mais uma vez, salientar o significado nacional e político da assembleia realizada e a importância - nos mesmos aspectos, além do cientifico- de muitas matérias nela versadas e de muitos dos votos finais ali adoptados.

Vozes: - Muito bem!

O Orador:-Não trago, evidentemente, a esta Câmara um relato pormenorizado do que foi o Congresso e do que ele representa na vida cultural e social do Pais.

Mas acentuarei que a sua magnitude decorre do tema dos seus relatórios e das suas duzentas comunicações. Esse tema é o povo português, a sua psicologia, as suas tradições, a sua arte, os seus anseios, as suas tendências e as suas capacidades.

Tema que é hoje versado cientificamente, com métodos e técnicas adequadas, de maneira sistemática, imparcial e objectiva, e não ao modo antigo, por colecionadores a esmo, por simples amadores sem preparação, por devaneadores e fantasistas, com maior ou menor brilho literário, maior ou menor sentimento e entusiasmo, mas numa ausência total, ou quase, de espirito científico. Há ainda quem suponha que etnografia e folclore são puras colectâneas amenas de temas pitorescos da vida popular.

Ora, o último Congresso definiu posições nítidas e úteis quanto à natureza dos objectos dessas disciplinas e quanto à maneira de os tratar e utilizar. Pôs em evidência o interesse de certas investigações. Salientou as ligações entre o âmbito das ditas disciplinas e a história, a filosofia, a religião, a arte, a sociologia, a política, a economia, etc. Pôs sobretudo em relevo o valor nacional daqueles estudos.

E a todos foi grato verificar que, a par das contribuições mais singelas sobre um ou outro facto local ou regional, surgiram naquela assembleia teses de conjunto ou de carácter genérico e doutrinário, como as de metafísica, do folclore e da ética dos provérbios populares, tratados pelos reverendos Drs. Bacelar e Oliveira e Craveiro da Silva, da Faculdade Pontifícia de Filosofia, de Braga.

Não faltaram outros elementos universitários e académicos, participantes do Brasil, Espanha e México, os temas mais variados. Mas desejo aqui congratular-me, sobretudo, com o apoio e interesse manifestados ao Congresso, não só por corpos administrativos, como as Camarás Municipais de Braga -a autora da iniciativa e sua grande realizadora-, Viana do Castelo, Santo Tirso e Porto, e algumas juntas de província, mas também por organizações como o Secretariado Nacional da Informação e Cultura Popular, a Mocidade Portuguesa, a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho, etc.

O Governo da Nação, o Governo de Salazar, dispensou ao Congresso o apoio mais expressivo, sendo notáveis os discursos proferidos no mesmo pelos ilustres Ministro das Corporações e Subsecretário de Estado da Educação Nacional.

Verificou-se, assim, este facto altamente consolador: é que de sectores os mais variados da vida nacional, de todos os planos hierárquicos, dos domínios directamente ligados ao assunto como de outros, do Governo ao próprio povo - como o de Braga e como o que participou nos festivais folclóricos então realizados-, houve geral concordância no reconhecimento do vasto e profundo significado da bela iniciativa da Câmara de Braga, e especialmente do seu extraordinário presidente.

Como ó oportuna e confortante tal verificação, precisamente quando nesta Assembleia se está discutindo o Plano de Formação Social e Corporativa, marcando-se o desejo de, abrindo os braços a todos os progressos reais e fecundos, conservar as melhores e mais sãs tradições nacionais!

O Congresso emitiu numerosos votos, como em matéria de ensino, investigação, propaganda, museus, protecção, etc., de assuntos etnográficos e folclóricos. Sublinharei apenas, neste instante, os que dizem respeito às actividades ultramarinas nesse domínio e à recusa ao fado do título, tão correntemente usado, de canção nacional por excelência.

O estudo da etnografia e folclore das populações ultramarinas mereceu ao Congresso uma atenção especial, salientando-se a necessidade dessa matéria nos centros de estudos sociais e políticos e nos novos institutos de investigação científica de Luanda e Lourenço Marques, entre as ciências humanas ou sociais.

Quanto ao fado, proclamou-se o inconveniente nacional e folclórico da sua difusão excessiva, quer pela sua proveniência, quer pelo pessimismo e desanimo que traduz, em contradição com as fontes e as manifestações mais autênticas e construtivas da inspiração popular. O fado lembra as guitarras plangentes de Alcácer, não um brado de vitória ou de fé.

Não pretendo negar a beleza de alguns fados, das toadas mais melancólicas, de versos profundamente tristes. Mas não se chame canção nacional por excelência a uma canção folclòricamente tão discutível e tão distinta, em tudo, das belas, joviais e empolgantes canções de que é felizmente tão rico. O autêntico folclore nacional.

Vozes: - Muito bem!

O Orador:-Vi um dia, num festival folclórico, no Porto, centenas de visitantes estrangeiros, como um só homem, perante uma exibição de ranchos de Viana, erguerem-se a aplaudir e a gritar: «Viva Portugal»! Em vez do fado depressivo, como não hão-de ser estimulantes e gratas para nós, Portugueses, essas manifestações da nossa música popular que tom assim o dom de arrebatar os próprios estrangeiros?

Sem recusar a possibilidade de introdução e adopção de factos novos, ou seja do processo chamado de aculturação pelos etnógrafos e sociólogos, o Congresso pronunciou-se pela definição do facto etnográfico e folclórico como caracterizado por serem tradicionais e de origem espontânea e anónima na alma popular.

A aculturação só pode dar-se quando esta alma lhe é favorável, quando nesta encontra eco, aceitação, concordância psicológica. Nos nossos territórios ultramarinos é do maior interesse o estudo da aculturação das populações nativas sob a influência da cultura que tenho chamado luso-cristã.

Por estas singelas considerações creio ter dado uma ideia da importância nacional e científica do Congresso de Braga. Mas o que sobretudo desejei sublinhar, usando da palavra, foi a gratíssima impressão que congressistas nacionais e estrangeiros trouxeram do convívio, da hospitalidade, da afabilidade, da cortesia, do trato, da doçura, do irradiante poder de simpatia, da boa gente de Braga e do Minho, daquele admirável povo em que se conservam e florescem tantas virtudes tradicionais de suavidade de alma, de bondade, de apego ao lar, de dedicação pelo trabalho, de amor pelo seu berço e de fidelidade aos altos valores espirituais que garantem a perenidade da Pátria e da civilização.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador:-Posso depor com firmeza que na multidão que em avalancha jovial festejava o S. João, na noite de 23, em Braga, não vi senão atitudes simpáticas e dignas. Quem dava involuntariamente um encontrão pedia desculpa.

Ausência de palavrões, de qualquer grosseria, de brutalidade. Bom povo, admirável povo, que a dissolução tendenciosa de outros meios ainda não inquinou nem perverteu.

Tenho a certeza de que a acção de organizações como as que citei manterá indemnes a sua alma e as suas tradições sãs contra a vaga cosmopolita ou exótica de materialismo pretensamente científico e humano que ameaça subverter o que há de melhor e mais luminoso no património moral da nossa civilização. Bom povo de Portugal, porque creio em ti e nos valores espirituais que te animam, creio na eternidade da Pátria.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

PAREDES DE COURA: ANDOR DE S. MARÇAL PASSA A SER TRANSPORTADO EM OMBROS PELOS BOMBEIROS

Por sugestão do capelão da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Paredes de Coura e pároco de Santa Maria de Paredes (Vila), Padre Eurico Silva Pinto, a imagem de São Marçal, padroeiro e protetor dos Bombeiros, pertencente a essa instituição foi transportada pela primeira vez pelos soldados da paz na procissão das festas do concelho, no passado dia 12 de Agosto de 2012. Doravante, após deliberação da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Paredes de Coura (AHBVPC), o andor de São Marçal será levado pelos Bombeiros nesse cortejo religioso.

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São Marçal viveu na Gália no século III e foi o primeiro bispo de Limoges. Venerado por católicos, ortodoxos e anglicanos, atribui-se-lhe o milagre de ter operado uma ressurreição ainda em vida, tendo para o efeito utilizado um cajado que S. Pedro lhe havia oferecido e, com ele, curou paralíticos e apagou incêndios, razão pela qual foi consagrado como o patrono dos bombeiros.

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EM 1956, CONGRESSO DE ETNOGRAFIA E FOLCLORE DE BRAGA FOI ANALISADO PELOS DEPUTADOS DA ASSEMBLEIA NACIONAL

Em 1956, o conceituado antropólogo António Augusto Esteves Mendes Correia, docente da Faculdade de Ciências do Porto e deputado à Assembleia Nacional, na sessão de 29 de Junho daquele ano, sob a presidência de Albino dos Reis Júnior, pronunciou um brilhante discurso acerca do Congresso de Etnografia e Folclore realizado em Braga, o qual foi feito na sequência da intervenção feita na sessão do dia anterior, pelo deputado Alberto Cruz, a respeito do mesmo tema.

As intervenções então proferidas ajudam-nos a compreender o enquadramento do folclore na política cultural do Estado Novo. Pelo seu interesse, nomeadamente do posto de vista histórico, transcrevemos seguidamente a intervenção do deputado Alberto Cruz, na Sessão nº. 159, da VI Legislatura da Assembleia Nacional realizada no dia 28 de Junho. Amanhã publicaremos a intervenção do deputado Mendes Correia.

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Alberto Cruz era natural de Braga e médico de profissão. Foi Presidente da Comissão Distrital de Braga da União Nacional, Médico-chefe dos Serviços de Saúde da Mocidade Portuguesa do Minho e Governador Civil substituto.

Sr. Presidente: acaba de realizar-se na minha terra, na capital desse alegre Minho, e em época de festas e romarias, mais um congresso, que chamou a Braga um seleccionado e numeroso grupo de cultores do folclore e da etnografia e onde também se exibiram ranchos folclóricos da França, Espanha e Portugal continental e insular.

Esse congresso, presidido pelo nosso colega nesta Câmara Sr. Prof. Mendes Correia, teve a honrá-lo a presença de dois membros do Governo, quo presidiram às sessões de abertura e encerramento, o Sr. Ministro das Corporações e Previdência Social e o Subsecretário de Estado da Educação Nacional, que tiveram ensejo de proferir notáveis e muito apreciadas orações.

Foram apresentadas e discutidas teses do mais alto valor e foram emitidos votos, que serão apreciados por quem de direito e pura os quais me permito chamar a esclarecida atenção das entidades competentes.

Sr. Presidente: ouvi tecer hinos de louvor às belezas incomparáveis das terras minhotas, mas muito especialmente à estância paradisíaca do Bom Jesus do Monte, enquadrada nos pequenos campos de cultura que a rodeiam, semelhantes a canteiros de floridos jardins, amorosamente tratados e onde, a cantar e a rezar, aquele bom povo semeia, planta e colhe o pão e o vinho necessários à sua sustentação.

Ouvi ainda louvores também à hospitalidade dos seus habitantes e fiquei com a certeza de que todos os congressistas farão nas suas terras a propaganda do que os seus olhos viram, e que deve traduzir-se em desenvolvimento crescente da quase única indústria que nos resta - o turismo. Mas, para isso, é indispensável que o Governo, pelo seu departamento de propaganda e turismo, auxilie aquela terra, pletórica de encantos naturais, mas pobre de recursos materiais, a apetrechar-se de tudo que é necessário para atrair e fixar aqueles que futuramente podem vir a ser factores da sua riqueza e que pelo Mundo andam à procura de repouso para o espírito e deslumbramento para os olhos!

A natureza prodigalizou-nos belezas sem par, mas temos de dar u quem nos visita o conforto que quase por completo nos falta. A estância do Bom Jesus do Monte necessita de hotéis condignos, e, a exemplo do que se tem dado, e muito bem, a outras terras, eu peço também, e com a maior urgência, o estudo, seguido da realização, de tudo o que possa contribuir para o desenvolvimento do turismo, indústria de que Braga pode, por mercê de Deus, que lhe deu excepcionais condições, tirar os maiores proveitos.

Atrevo-me a continuar a pedir ao Governo, pelos departamentos competentes, auxilio para as suas indústrias, e, se puder ser, no próximo plano de fomento industrial, a criação doutras novas também, para dar ocupação a tantos braços que dia a dia vão surgindo para a labuta da vida e ao mesmo tempo contribuir para o engrandecimento desta Pátria, a que tanto queremos e pela qual tudo sacrificaremos.

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A imagem regista o almoço realizado em Viana do Castelo no âmbito do Congresso de Etnografia e Folclore de Braga. Identificam-se o Coronel Mário Cardozo e Alberto Vieira Braga, respetivamente o segundo e o quarto a contar da esquerda. (Foto: Casa de Sarmento – Centro de Estudos do Património)

ASSOCIAÇÕES ANTI-TOURADAS TAMBÉM QUEREM PROIBIR A PESCA

Rita Silva, Presidente da Associação “Animal” e uma das promotoras da recente manifestação contra a realização da tourada em Viana do Castelo, deu recentemente uma entrevista ao jornal “Diário de Notícias” na qual se declarou contra a atividade piscatória por se tratar de um desrespeito pela fauna marinha. Resta-nos saber se, a exemplo do que se verifica em relação à tourada, vai a Câmara Municipal de Viana do Castelo impedir os pescadores vianenses de irem à pesca?

Transcreve-se a referida entrevista:

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"Um recurso extraordinário"

Ativista pelos direitos dos animais, Rita Silva afirma que o mar é um "recurso extraordinário" do qual "nada se deve retirar", devendo-se sim beneficiar-se daquilo que ele pode oferecer ao ser humano, essencialmente "benefícios pessoais", como o bem-estar físico e mental.

Assim, considera que explorar o mar não passa pelas pescas, já que é uma atividade que implica o desrespeito pela fauna marinha, mas acredita que "é possível potenciar a economia sem retirar vidas a animais". Está confiante de que a crise traz coisas boas como "a criatividade", aquilo que "os portugueses precisam" para poder avançar sem "prejudicar ninguém, humano ou não humano". Por ter vivido grande parte da sua infância junto ao mar, garante que este elemento a tornou "uma pessoa mais resistente".

Fonte: http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2676498

RIO MOURO NA PONTE DE MOURO EM MONÇÃO

Postal editado pelo Secretariado Nacional da Informação (SNI), inserido na Colecção “Panorama” e impresso na Bertrand (Irmãos), Ldª. No verso apresenta o preço de 1$50 e a referência "M/R18".

O SNI foi um organismo do Estado Novo que existiu com esta denominação entre 1945 e 1968, destinado a fazer nomeadamente a divulgação política, cultural, turística do país e do regime, tendo desenvolvido uma importante actividade no âmbito da promoção do folclore, cinema, teatro e artes plásticas.

TOURADAS EM VIANA DO CASTELO: DURA LEX SED LEX!

Carlos Gomes

in jornal "NOVO PANORAMA", nº. 75, de 23 de agosto de 2012

A polémica em torno da realização de uma corrida de touros em Viana do Castelo por ocasião das Festas de Nossa Senhora d’Agonia em nada beneficiou a cidade nem os seus munícipes, decerto mais preocupados com outros problemas a resolver na área do concelho, nomeadamente de índole social num momento de crise económica particularmente gravosa.

Colocando de lado a questão a saber da validade dos argumentos daqueles que se declaram aficionados do espetáculo tauromáquico e dos que a ele se opõem, importa antes saber qual é a função de uma autarquia no âmbito da organização do Estado e a natureza do mandato que cumpre aos eleitos pelos respetivos munícipes.

De acordo com o princípio da repartição de poderes – legislativo, executivo e judicial – cabe à Assembleia da República produzir as leis que deverão ser uniformemente aplicadas em todo o país e, aos Tribunais, a administração da Justiça em nome do povo e no estrito cumprimento da Lei, incumbindo a estes “assegurar a defesa dos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos, reprimir a violação da legalidade democrática e dirimir os conflitos de interesses públicos e privados”, conforme o artigo 202º, nº 2 da Constituição da República Portuguesa. Por seu turno e de acordo com o nº. 2 do artigo 235º, “As autarquias locais são pessoas coletivas territoriais dotadas de órgãos representativos, que visam a prossecução de interesses próprios das populações respetivas”. Ainda, de acordo com o artigo 241º, “As autarquias locais dispõem de poder regulamentar próprio nos limites da Constituição, das leis e dos regulamentos emanados das autarquias de grau superior ou das autoridades com poder tutelar”.

Por conseguinte, do que acima se infere, não cumpre aos municípios legislar, devendo os mesmos atuar em função dos interesses dos respetivos munícipes. Quer isto dizer que, no caso vertente, ao “decretar” a proibição do espetáculo taurino, o Município de Viana do Castelo procurou substituir-se à Assembleia da República na competência que a esta cabe de legislar. Acresce a isto o fato de, ao invocar os milhares de mensagens recebidas provenientes nomeadamente do estrangeiro, a Autarquia subtrai-se à função que lhe é conferida pelo nº 2 do artigo 235º da Constituição da República Portuguesa. Por outras palavras, os autarcas vianenses não foram eleitos pelos seus munícipes para fazerem leis e, muito menos, para administrarem a Autarquia em função dos e-mails recebidos do estrangeiro. Pela mesma ordem de ideias, a proposta de referendo à população também não se coloca porquanto isso equivaleria a referendar a própria Lei.

Pior ainda, face à deliberação do Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga, a forma como a sua decisão foi recebida não foi a mais correta porquanto, sem prejuízo dos instrumentos legais que o Município tem à sua disposição para recorrer da decisão, a legitimidade das instituições não deve ser colocada em causa e as suas decisões devem ser acatadas. As autarquias locais, à semelhança das demais instituições e órgãos da administração central, regional e local, não podem ser utilizados como “correias de transmissão” de movimentos políticos sejam de que natureza for, colocando-se em confronto com os demais órgãos de soberania.

Trata-se, naturalmente, de uma situação incómoda herdada da anterior vereação e que parece mais motivada por razões de natureza ideológica pois, caso contrário, a autarquia vianense deveria proibir de forma idêntica a utilização da carne na gastronomia, a atividade cinegética, piscatória e mesmo os carros de tração animal que os nossos agricultores utilizam nos trabalhos agrícolas. Mas, pelos vistos, em vez da observância da Lei, optou-se pelo confronto, transformando-se Viana do Castelo numa autêntica arena na qual foi dado aos vianenses assistir a um espetáculo deplorável, àquilo a que depreciativamente se pode designar uma verdadeira tourada!

Relativamente à eventual proibição do espetáculo taurino, deixemos que a Assembleia da República, entidade a quem efetivamente compete legislar, decida o que fazer da petição recentemente apresentada por um grupo de cidadãos que solicitou àquele órgão no sentido de acabar com as corridas de touros em Portugal.

- Dura Lex, Sed Lex!

PS: A Assembleia da República debateu a referida petição. A mesma não foi submetido a qualquer votação nem foi até ao momento produzida qualquer legislação como pretendido.

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GUIMARÃES: AS GUALTERIANAS E A SOCIEDADE MARTINS SARMENTO EM 1908

A revista Ilustração Portugueza, de 24 de agosto de 1908, dedicou algumas das suas páginas às Festas de S. Gualter, em Guimarães, e também ao Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento. Cento e quatro anos decorridos dos referidos festejos, transcrevemos a reportagem na parte respeitante às Gualterianas.

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Janelas ornamentadas: a tourada

S. Gualter tem, como se sabe, o seu solar festivo em Guimarães, que, n’uma das quatorze capellas da sua egreja de S. Francisco, lhe conserva os ossos venerandos.

Cada anno as festas gualterianas, afamadas desde longe, attrahem, à velha cidade gloriosa, chusma de forasteiros, que enchem de ruído e movimento desusados as suas ruas engalanadas, e todos os anos as festas tradicionais vimaranenses se transformam, transigindo com as ideias inovadoras do tempo, modificando constantemente o seu antigo feitio, mas não arrefece o enthusiasmo da sua celebração. Emquanto Guimarães existir, ufanando-se de ter sido o berço da monarchia, não deixará de comemorar o santo seu predilecto, que constitue também um timbre do seu brazão.

Janelas ornamentadas: o moleiro

Os chronistas seráficos da provincia de Portugal relatam que tendo vindo S. Francisco de Assis a este reino na companhia do seu discípulo S. Gualter, e partindo ambos d’aqui em romaria a S. Thiago de Compostella – que quem não realisou em vida, terá de fazer na morte, – na sua passagem por Villa Verde, junto de Guimarães, o patriarca franciscano fundou n’esse sítio uma casa de oração, na qual deixou o seu companheiro, a quem depois se aggregaram outros religiosos, constituindo-se em comunidade. O facto ter-se-hia passado, no dizer dos auctorisados narradores, pelos anos de 1216, no reinado de D. Affonso II. Oitenta anos volvidos, aquelle destacamento mendicante não cabia no estreito quartel, que o seu general construira, e foi então resolvido edificar um novo convento, mais amplo, mudando-o, porém, n’essa ocasião, para dentro dos muros de Guimarães. Collocaram-no effectivamente junto da cerca de muralhas da villa, e d’esta circumstancia resultou o ser mandado demolir pelo rei D. Diniz após o cerco que o filho rebelde, mais tarde D. Affonso VI, pôz a Guimarães.

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Cortejo dos excursionistas

Os frades trataram logo de arranjar nova casa e construíram o seu terceiro convento, que se concluiu no primeiro quartel do seculo XIV, e que é o que ainda existe e conserva algumas das suas feições primitivas, apesar das varias reparações e reconstrucções posteriores. Tal é a história d’este S. Gualter, que Guimarães festeja com tanta devoção e enthusiasmo popular.

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A chegada dos excursionistas ao largo do Município

O Agiologio do padre Cardoso fala de um S. Gualter, que era portuguez e foi leigo do convento de S. Francisco do Monte, em Vianna, onde morreu no ultimo quartel do seculo XVI. Está de ver, porém, que não pode ser este o mesmo santo tão estimado em Guimarães e que devia ter dado entrada já desde há muito tempo na côrte celestial quando este seu homonymo foi nado em terras portuguezas. Assim, foi por engano que lhe attribuimos, o anno passado, quando então nos occupámos também das festas gualterianas de Guimarães, a honra de ser o seu heroe. Aqui fica feita a rectificação, porque nem aos santos se deve tirar o que a cada um pertence. As tradicionais festas vimaranenses celebraram-se este anno com esplendor em nada inferior ao dos antecedentes, e pelas photographias, que reproduzimos d’ellas, farão os nossos leitores uma idéia do que ellas foram. A concorrência de forasteiros foi verdadeiramente excepcional e raros foram os que não aproveitaram o ensejo da excursão para visitar o museu archeologico da Sociedade Martins Sarmento, ao qual se referem também algumas das photographias que inserimos.

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Um grupo de excursionistas (caixeiros portuenses)

Não é tão conhecida, como tinha direito a sel-o, entre o grande publico, esta bella sociedade provinciana, que tão relevantes serviços tem prestado á instrucção e ao estudo do paiz, que possue uma excelente biblioteca, um museu local interessantíssimo, e publica uma Revista que tem sido collaborada por alguns dos nossos mais distinctos homens de sciencia e tem inserido trabalhos de alta erudição. Deve-se a iniciativa da sua fundação a um dos homens mais beneméritos, dos que na obscuridade do seu trabalho indefesso e valiosíssimo passaram sempre indiferentes á popularidade, que nobremente desdenharam, mas que foram, apezar d’isso, dos mais altos servidores da sciencia e de Portugal – Francisco Martins Sarmento, cujo nome é a gloriosa égide do ilustre grémio.

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O côro de raparigas

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A ornamentação no Toural

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Janellas ornamentadas: o namoro

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Janellas ornamentadas: o almirante e o Zé Povinho – “Onde irá isto parar?”

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Vista geral do Museu de Archeologia

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Parte lateral do edifício da Sociedade Martins Sarmento

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Um aspecto do Museu de Archeologia da Sociedade

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Vista geral do Museu de Archeologia

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Uma galeria do Museu

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Cortejo dos excursionistas do Porto

 

(Clichés do sterkoscopio portuguez de Aurelio da Paz dos Reis)

 

EM 1970, GONÇALVES DE PROENÇA, DEPUTADO À ASSEMBLEIA NACIONAL ABORDA VÁRIOS ASPETOS DA ECONOMIA DO ALTO MINHO

Na sessão de 30 de abril da X Legislatura da Assembleia Nacional, o deputado Gonçalves de Proença fez um balanço da atividade daquele órgão durante a sessão legislativa e referiu-se a vários aspetos da economia do Alto Minho. A sessão foi presidida por Carlos Amaral Netto e secretariada por João Silva Pereira e João Bosco Mota Amaral.

João José Gonçalves de Proença de seu nome completo era natural da Guarda e foi por duas vezes eleito deputado pelo círculo de Castelo Branco. Filiado no Centro Académico de Democracia Cristã (CADC), exerceu entre outros os cargos de Secretário da 1.ª Secção no III Congresso da União Nacional, em Coimbra (1951); Diretor do Centro Universitário da Mocidade Portuguesa em Coimbra; Diretor do Instituto de Formação Social e Corporativa (1959); membro da Comissão da Reforma Fiscal e do Gabinete de Estudos e Documentação da Direcção-Geral das Contribuições e Impostos; Diretor do Centro de Estudos Sociais e Corporativos; Vogal do Centro de Estudos Fiscais do Conselho Superior de Previdência e de Habitação Económica do Ministério as Corporações e Previdência Social e Ministro das Corporações e Previdência Social (1961).

Pelo interesse que apresenta, transcreve-se o conteúdo da sua intervenção, respeitando-se a grafia da época.

 

 

O Sr. Gonçalves de Proença: - Sr. Presidente: Estejam os meus ilustres pares tranquilos.

Não repetirei hoje o abuso de há dias, prendendo a atenção da Assembleia por muito tempo. Não usaria mesmo da palavra se não fora a circunstância de nos encontrarmos em ablativo de encerramento de sessão, o que joga com a oportunidade do que me proponho dizer.

Antes de mais, uma nota de congratulação e de esperança, que para alguns terá o acento tónico na primeira, para outros valerá sobretudo pela segunda.

Congratulação pela intensa actividade desenvolvida pela Assembleia nesta primeira sessão da X Legislatura. Trabalhou-se muito, embora em alguns de nós aqui dentro, e quiçá em muitos mais lá fora, tenha ficado a sensação de que nem todo o trabalho feito teve a mesma utilidade.

Não surpreende que assim tivesse acontecido, dado o condicionalismo especial que ú vida parlamentar sempre imprime o facto de se tratar de um começo de legislatura, com uma Câmara quase inteiramente renovada.

Mas aqui um aceno de justiça se impõe fazer, dirigido por um lado do Governo e por outro à própria Câmara.

Foi notória a preocupação que o Governo teve de alimentar a actividade parlamentar com iniciativas legais, o que só não produziu inteiramente os seus frutos pela natural complexidade dessa actividade, levando à menor selectividade de algumas iniciativas no período inicial e à sua concentração excessiva na ponta final da sessão.

Digna de referência foi também a colaboração prestada à Assembleia por alguns dos nossos colegas, oferecendo-lhe matéria válida de ponderação e apreciação, que muito valorizaram os trabalhos parlamentares, quer pelos projectos de textos legais apresentados, quer pêlos assuntos suscitados em intervenções ou avisos prévios. E a este respeito ninguém me levará a mal que sublinhe de modo particular a actividade desenvolvida pêlos Deputados engenheiros Araújo Correia, e Camilo de Mendonça e pelo Prof. Miller Guerra, reportando-me, como é lógico, apenas ao período da sessão que me foi dado acompanhar com direito de assento nesta Casa.

A. nota de congratulação segue-se, justificando-a, a nota de esperança.

Esperança numa progressiva valorização dos trabalhou da Cumaru na próxima sessão, para o que certamente muito poderá contribuir o tempo de preparação e estudo que o intervalo parlamentar a todos vai conferir: o Governo e Deputados. O Governo já nos deu parte das suas intenções.

Com o tempo disponível e u experiência adquirida, natural é que todo esse esforço se traduza em resultado útil e oportuno, permitindo uma válida programação da actividade parlamentar sem improvisações, sobressaltos e estrangulamentos legislativos e ainda com a disponibilidade saudável confiada ao imprevisto da própria sequência normal dos acontecimentos nacionais.

Este último aspecto o digo porque sou dos que entendem que o trabalho da Assembleia não deve espartilhar-se na lufa-lufa rígida de um programa preestabelecido, que não nos permita levantar os olhos para o dia a dia, e trazê-lo aqui com os seus problemas e aspirações - que a vida de um povo não tem apenas espelho nos grandes e sonoros acontecimentos ou reformas, mas é também o somatório dramático ou feliz dos pequenos acontecimentos de cada hora: o preço dos produtos ou dos serviços, o salário, o horário do trabalhador ou dos alunos, a competência dos que trabalham, dirigem ou ensinam, o trânsito, a água, a luz, a escola, o caminho, a Universidade ... que sei eu!

Toda a questão está em que a visão da floresta não oculte as árvores, nem o encantamento de cada uma destas faça esquecer o conjunto.

Mas isso já é uma questão de bom senso.

Não sou felizmente dos que partilham a sensação melodramática de que graves coisas se passaram nas sessões pretéritas, nem tão-pouco daqueles, sobretudo exteriores a Assembleia, que ingénua ou interessadamente exigem maior vivacidade e agressividade no trabalho parlamentar.

A minha modesta opinião posso-a resumir neste simples voto: o que é indispensável é que os homens se entendam e reciprocamente se respeitem, ainda que, por vezes, não ajoelhem ú mesma mesa da integral comunhão ideológica

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Numa palavra: como dizia um meu velho professor, que foi grande ornamento desta Casa e a quem aproveito n oportunidade para prestar sentida homenagem de gratidão e saudade - o Prof. Mário de Figueiredo: "Se não puderem entender-se em tudo, zanguem-se as ideias, mas não se zanguem os homens."

Tanto mais que foi a comunidade nas ideias fundamentais que a todos aqui nos congregou, pelo que nunca poderá ser grande o contraste que, por via delas, nos desentenda.

Sr. Presidente e Srs. Deputados: Deste modo passarei à outra palavra que por razões de oportunidade não desejo deixar atardar.

Dirige-se ela no meu circula do Alto Minho, na sequência de um diálogo que vem a manter-se desde o convívio intenso da campanha eleitoral, para acentuar, como merece, o júbilo que :i todos tem proporcionado o interesse crescente e manifesto pelas coisas, anseios e aspirações da nossa região.

Por experiência própria, não ignoro que tal, por si só, não basta para desde já nos considerarmos satisfeitos e tranquilos quanto ao futuro, tantas e tão grandes são as nossas esperanças e as nossas necessidades, lá em cima no Alto Minho.

Mas temos também a consciência de que é tão gritante a justiça que em muitos casos nos assiste e tão evidentes as nossas potencialidades que o seu simples conhecimento facilmente poderá conduzir a solução daqueles e ao melhor aproveitamento destas.

Haja em vista, por exemplo, o caso do turismo, que há dias foi objecto de utilíssimo colóquio regional, com a presença interessada e útil do mais alto responsável sector.

Durante a campanha eleitoral afirmaram os candidatos que o povo trouxe à Assembleia ser sua intenção pugnar pela defesa e valorização do turismo minhoto, chamando para ele a atenção de nacionais e estrangeiros em ordem à abertura no Alto Minho de uma segunda frente do turismo nacional.

Alguns foram os que sorriam perante essa pretensão, que outros, simplesmente, consideraram utópica.

Perante uns e outros importa esclarecer que ao falar de tal jeito não tínhamos em mente nenhum espírito de competição com qualquer região, desejando apenas traduzir a convicção de que pelo seu valor, o turismo minhoto pudera ser um importante factor de valorização do turismo nacional, enriquecendo-o com as virtualidades da sua natureza impar e todo o potencial histórico e sociológico do seu passado e da sua gente, com características que talvez em nenhuma outra parte do território nacional se possam encontrar e que de tão certo agrado são para nacionais e estrangeiros que nos visitam.

Revertendo ao colóquio acima referido, grande foi satisfação que a todos causou o esforço que a própria região está a fazer no sentido da sua autovalorização, expressa em iniciativas particulares do maior interesse, quer no domínio da prospecção dos valores; turísticos locais, no da inventariação das suas belezas e potencialidades, no da valorização do seu património histórico, no do aproveitamento rio seu manancial folclórico, no da comercialização e aperfeiçoamento do seu artesanato, ou no da instalação das necessárias infra-estruturas hoteleiras.

Tudo está em que tal esforço e entusiasmo se não percam, estiolando à míngua de apoio e compreensão, que muitos vezes nem sequer exigem para seu alimento capitais avultados ou concessões excessivas, moa apenas boa vontade e isenção de julgamento.

E como num filme de policromia a moda do Minho, pelo nosso espírito perpassam algumas das iniciativas expostas, que, pelo seu significado nacional, não fica mal trazer também ao conhecimento desta Casa:

1) O aproveitamento para estalagens e pousadas de alguns dos palácios e casas solarengas em que o Minho é tão rico, criando assim uma rede hoteleira da maior beleza o valor cultural, ao mesmo tempo que assegurada fica a conservação de tão valioso património artístico, de outro modo condenado no abandono.

E quem, por este simples apontamento, não fica desde logo a sonhar com o circuito turístico da Ribeira-Lima, do vale do Vez ou da corda costeira de Viana a Melgaço passando por Caminha, Cerveira, Valença e Monção?!

Não basta, porém, sonhar. É necessário que o sonho se converta em realidade, para o que afinal bem pouco é preciso: algum apoio financeiro, algum incentivo fiscal. imaginação e um pouco de arrojo, o que tudo talvez se pudesse reunir na iniciativa de constituição de uma sociedade de economia mista a quem fosse confiada tão aliciante tarefa de aproveitamento turístico regional, onde a iniciativa individual não pudesse chegar.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - No que, de resto, mais não faríamos do que seguir frutuosos exemplos de iniciativas estrangeiras de intenção paralela, como na Sabóia Francesa e na serra Nevada, em Espanha.

2) A valorização do artesanato, tanto no seu aspecto comercial (apresentação, amostragem, garantia de qualidade) como no aspecto industrial (aperfeiçoamento, difusão, etc.), foi outra das aspirações defendidas, com fundamento justificado de uma riqueza ímpar na qualidade e variedade: a cerâmica, os bordados, a tecelagem, os trabalhos de madeira e metal e tantos outros produtos que a inventiva da gente do Alinho sabe criar em competição com as belezas naturais que lhe servem de berço. ambiente e sudário.

Aqui o sonho é já hoje uma realidade que importa, no entanto, aumentar ainda mais, convertendo-a em riqueza capaz de preencher na economia regional o lugar de outras riquezas que o tempo e n técnica foram deteriorando e dispersando. E quem sabe se no artesanato estará também um dos mais fortes esteios para reter na terra a gente válida que além-fronteiras procura melhores condições de trabalho e de vida.

Grande e significativa esperança, por isso, nas ficou na promessa que o ilustre Secretário de Estado da Informação e Turismo fez da próxima criação em Viana de um centro regional de artesanato, a que não faltará o apoio financeiro e técnico daquela Secretaria.

3) A regulamentação e melhor exploração das possibilidades piscatórias e cinegéticas de águas naturais da costa interior, bem como dos montados e florestas, é outra perspectiva que ao turismo regional e nacional se abre com francos horizontes e largas possibilidades ainda não inteiramente conhecidas e aproveitadas, na sequência também de uma tradição de abundância e variedade que vem de longe. Quem não conhece o salmão e a lampreia do Minho, o sável do Lima, as trutas do C ou rã e do Âncora, ou os cabritos da serra de Arga e as perdizes do Suajo.

E também grandes esperanças se depositam na técnica moderna de exploração coutada, tão do agrado dos turistas de estação ou de especialidade.

4) A valorização desportiva dos recursos naturais de rio e mar e da natural propensão e vigor físico da juventude é outra obrigação que o melhor aproveitamento das possibilidades locais a todos impõe, não apenas para fins turísticos, mas também, e sobretudo, com os olhos postos 110 fortalecimento e vigor da raça. Assim o esperamos todos, recordados ainda de grandezas e belezas passadas, quando o grandioso estuário do Lima era cenário das maiores competições desportivas nacionais de vela, remo e notação e no Minho se treinava a gloriosa equipa do Caminhense. Eu próprio, na minha juventude, nadei, reinei e velejei nas águas do Lima e a mim próprio pergunto por que se despovoaram essas águas e a quem cabe a responsabilidade desse abandono, já que a juventude continua a ser a mesma, na virilidade e na dignidade com que aceita o esforço físico. Que o digam os nossos soldados, que em Angola se batem pela integridade da Nação e no resto do ultramar defendem a integridade da Pátria.

5) Ventilada foi também, na reunião a que nos estamos a reportar, a necessidade de abrir novas vias de acesso ao conhecimento das riquezas locais, quer melhorando a rede rodoviária interior, quer dotando a região com um novo aeroporto (que pelo ar chega o melhor turismo), quer valorizando os portos e as vias fluviais, quer, finalmente, abrindo novas portas à penetração fronteiriça de divisas e estrangeiros.

Sabemos que também aqui, não obstante o muito que ainda importa fazer, muito já se fez e está actualmente em curso.

E a valorização do porto de Viana, em que cão empenhado se encontra o Ministério dos Obras Públicas, como ressalta da recente viagem ao Minho feita pelo seu ilustre titular; é a regularização do leito do rio Lima. cujo estudo se encontra em adiantado estado de preparação: é a melhoria constante da rede de estradas, designadamente nos perímetros florestais; é a construção do aeroporto de Viana, em que se encontra empenhada a Direcção-Geral da Aeronáutica Civil.

O Sr. Júlio Evangelista: - V. Ex.ª dá-me licença?

O Orador: - Com todo o gosto!

O Sr. Júlio Evangelista: - Não queria perder esta oportunidade na sequência das considerações de V. Ex.ª de deixar expresso no Diário das Sessões um particular sublinhado. Trata-se de uma palavra da mais sentida homenagem e do maior respeito para S. Ex.ª o Ministro das Obras Públicas e das Comunicações, engenheiro Rui Sanches, que eu sei. e V. Ex.ª sabe, como todos os Deputados pelo círculo sabem, que neste momento vive com o mais intenso interesse, com o mais particular desejo de resolver, os graves problemas do nosso distrito que afectam os dois Ministérios que lhe estão confiados, designadamente as Comunicações e as Obras Públicas.

O Sr Baptista da Silva: - Muito bem!

O Sr Júlio Evangelista: - E nesse aspecto, e nesse interesse de S. Ex.ª o Ministro das Obras Públicas, quero salientar aquele que respeita, como V. Ex.ª disse, ao porto de Viana do Castelo, que é um problema vital e fundamental de todo o Alto Minho.

Vozes: - Muito bem!

O Sr. Júlio Evangelista: - Aquele que respeita às rodovias do nosso distrito, designadamente de Valença para Melgaço, que precisam necessitadamente de uma revisão e de um arranjo; e ainda ao Hospital de Viana do Castelo e u ampliação do pavilhão cirúrgico.

O Sr. António de Lacerda: - Muito bem, muito bem!

O Sr. Júlio Evangelista: - Não queria que no Diário das Sessões deixasse de ficar esta palavra que V. Ex.ª já disse, mas que em nome de todos os Srs. Deputados pelo círculo merece o engenheiro Bui Sanches.

Vozes: - Muito bem!

O Sr. Júlio Evangelista: - Não só pelo que fez e faz pelo distrito, pela altíssima categoria com que se tem revelado nos Ministérios que lhe têm sido confiados e que dele nos dão a imagem de um verdadeiro, de um real, de um grande estadista.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Muito obrigado, Sr. Deputado. Associo-me inteiramente às suas palavras, que uma vez mais vieram enriquecer a minha intervenção.

Importa, no entanto, prosseguir, por vezes com pequenos obras ou iniciativas que localmente têm, no entanto, o maior interesse, como a reconstrução do pontão sobre o rio Âncora, de que depende em grande porte o futuro da praia (cujo projecto sabemos estar muito adiantado), a eventual construção de uma nova ponte sobre o Minho a montante de Valença e, principalmente, a abertura de novos postos fronteiriços que possam dar escoamento natural ao turismo e comércio de vizinhança, como é designadamente, o caso do Lindoso, grande aspiração dos concelhos de .Ponte da Barca e de Arcos de Valdevez, bem como das regiões limítrofes de Espanha.

6) E que dizer do hábil aproveitamento da riqueza folclórica da região, com suas romarias e cantores, seus trajes e costumes, talvez únicos no Mundo pela sua alacridade e beleza?

Com que encantamento não acorrerão todos quantos dessa riqueza tenham conhecimento através de uma bem organizada propaganda, uma conveniente programação de festivais e ciclos festivos baseados nas romarias em que tão animado é o Minho durante quase todo o ano!...

Que o diga o êxito com que sempre se repete a festa do traje na romaria maior de Viana, o festival da Meadela ou as feiras novas de Ponte de Lima. E que o diga também a propaganda de Portugal que a toda a parte tem levado o Rancho de Santa Marta de Portuzelo.

7) Seja-me consentida, por último, uma alusão, embora rápida, ao valor turístico da magnífica e variada gastronomia do Alto Minho, com as suas especialidades e os seus aliciantes vinhos, desde o verde tinto encorpado de Feire até ao leve, pálido e aristocrático Alvarinho de Monção.

Nas cozinhas sofisticadas e snobs da época actual, a suculenta e requintada culinária minhota não deixará de constituir justificado motivo de atracção para nacionais e estrangeiros, que, assim, recompostos dos incómodos da viagem, melhor poderão ainda apreciar tis belezas naturais e as subtilezas do espírito da boa gente nortenha.

Mas também, para isso, cuidado processo de actuação se impõe, evitando improvisações, abusos e falsos comercializações.

Outro aspecto este, onde a larga experiência da Secretaria de Estado da Informação e Turismo poderá desempenhar papel de grande relevo, que todos aceitaremos auspiciosamente, como, de resto, nos foi prometido através da deslocação ao Alto Minho de um grupo especializado de técnicos que connosco estudem o melhor aproveitamento dias possibilidades turísticas locais.

Ficamos à espera, Sr. Secretário de Estado da Informação e Turismo.

Mas o Alto Minho não bem apenas turismo para oferecer. As suas potencialidades económico-sociais são mais vastas, embora algumas delas menos conhecidas ou aproveitadas.

Assim, entendemos que um melhor futuro se pode dor a região em todos os demais sectores da actividade económica, quer se trate da agricultura, da indústria ou dos serviços.

Sem levar muito longe esta apreciação que reservaremos para melhor oportunidade, somas, por exemplo, dos que protestam contra o conceito de crise em que a cultura minhota se deixou cair. Aceitamos que muitas culturas actuais não serão as mais indicadas, nem métodos usados os mais apropriados, mas nada nos pugna reconhecer que essa crise possa ser e deva ser de lada com uma válida reorganização e uma mais ampla difusão de novas técnicas.

Daí o apelo que fazemos aos departamentos agrar, para que atentem na situação e procurem ensinar o lavrador minhoto quanto ao modo como poderá vencer crise em que se debate, como aproveitar os terrenos q a falta de mão-de-obra leva a abandonar, como cultivar que ainda ficam ao seu alcance e a que produtos e qua findes deve recorrer, nos cereais, na vinha, na pecuária e nas frutas.

Vale a pena esse esforço, pois não conhecemos trabalhador mais sacrificado, nem mais capaz de aprender pagar com juros os ensinamentos recebidos. E que tua isso se faça rapidamente, antes que seja tarde de mais. ...

Também na indústria há que prosseguir no esforço j encetado, procurando levar para a região novas unidade que nela encontrem ambiente satisfatório.

Que aos estaleiros de Viana, às cerâmicas, às serrações e à celulose outras indústrias venham em breve juntar-se para o que importa lhes sejam concedidas as necessárias facilidades que melhor assegurem a sua rentabilidade. Tenha-se em vista, além do mais, a óptima qualidade de versatilidade do trabalhador minhoto, de que afinal outros países têm aproveitado mais do que nós, conhecida, como é. A tendência desse trabalhador para emigrar.

Sei que não basta desejar para realizar, mas não ignoro também a capacidade que a moderna técnica da programação regional possui em ordem ao desenvolvimento harmónico e equilibrado de todo o território nacional, ainda que para tanto haja que recorrer a incentivos fiscais, à constituição de sociedades de economia mista, à protecção regional de actividades, à melhoria das comunicações e transportes, às facilidades de comercialização, etc.

O Alto Minho espera e confia, predispondo-se mesmo, nalguns casos, a correr todos os riscos, desde que para as suas iniciativas encontre compreensão e apoio.

Meus Senhores: Apenas das actividades económicas falei, porque continuo fiel ao principio de que no progresso da economia está a base do bem-estar social dos povos.

Oportunamente falarei de política social, de política cultural, da habitação e dos mais aspectos que importam à vida colectiva da população minhota. Mas perante VV. Ex.ªs deixarei o quadro álacre da nossa perspectiva. Convidamo-los u visitarem-nos; porque, se o vosso interesse se juntar ao nosso, teremos conseguido o resultado que desejaremos.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

VIANA DO CASTELO VIU DESFILAR AS MORDOMAS DA ROMARIA DA SENHORA D’AGONIA

Perto de quatro centenas de raparigas vianenses desfilaram em Viana do Castelo por ocasião da Romaria da Senhora d’Agonia. Vieram de quase todas as freguesias do Concelho e trouxeram consigo as joias de família, fazendo do cortejo uma verdadeira mostra da rica ourivesaria minhota. A cidade engalanou-se para ver passar as suas moças, jovens e belas, no seu trajar garrido de lavradeira. É o Minho em todo o seu esplendor!

Fotos: António de Almeida Duarte, em http://www.facebook.com/PhoenixOcean

Havemos de ir a Viana

 

Entre sombras misteriosas

em rompendo ao longe estrelas

trocaremos nossas rosas

para depois esquecê-las.

 

Se o meu sangue não me engana

como engana a fantasia

havemos de ir a Viana

ó meu amor de algum dia

ó meu amor de algum dia

havemos de ir a Viana

se o meu sangue não me engana

havemos de ir a Viana.

 

Partamos de flor ao peito

que o amor é como o vento

quem pára perde-lhe o jeito

e morre a todo o momento.

 

Se o meu sangue não me engana

como engana a fantasia

havemos de ir a Viana

ó meu amor de algum dia

ó meu amor de algum dia

havemos de ir a Viana

se o meu sangue não me engana

havemos de ir a Viana.

 

Ciganos, verdes ciganos

deixai-me com esta crença

os pecados têm vinte anos

os remorsos têm oitenta.

Pedro Homem de Mello

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Eu sou de Viana cidade.

Eu sou de Viana que é vila.

Sou de Viana e sou da aldeia

Sou do monte e sou do mar.

A minha terra é Viana!

Quem diz Viana, diz Cerveira,

— Só dou o nome de terra

Onde o da minha chegar!

 

Dancei a Gota em Carreço,

O Verde Gaio em Afife

(Dancei-o devagarinho

Como a lai manda bailar!)

Dancei em Vile a Tirana

E dancei em todo o Minho

E quem diz Minho, diz Viana

Pedro Homem de Mello

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A CASCATA DE LEONTE NA SERRA DO GERÊS

Situada perto de Caldas do Gerês, na freguesia de Vilar da Veiga, em Terras de Bouro, a Cascata de Leonte é uma queda de água que se forma a partir de uma alta penedia, sendo as suas águas provenientes do rio Homem. Uma vez despenhadas as águas, a cascata forma uma lagoa que constitui um dos locais aprazíveis mais procurados na região do Gerês, com acesso assinalado pela Portela do Homem.

Fonte: http://www.trivago.pt/

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BISPO DE VIANA DO CASTELO ELOGIA FESTAS DE NOSSA SENHORA D’AGONIA

D. Anacleto Oliveira destaca importância da religiosidade popular na fé e na cultura

O bispo de Viana do Castelo enalteceu o esforço dedicado à preparação das festas de Nossa Senhora da Agonia, iniciadas esta sexta-feira e que hoje terminam na cidade minhota.

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“Cresce a admiração que tenho não só pela romaria em si como pelo empenho com que as pessoas se entregam à realização destas festas, nomeadamente as mais ligadas à Confraria da Senhora da Agonia”, afirmou D. Anacleto Oliveira ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC), em declarações publicadas este domingo.

O prelado considera que “a religiosidade popular, que tem nas romarias uma manifestação privilegiada, é qualquer coisa de muito profundo e que impressiona, motivada por razões de ordem humanas e culturais – no fundo, existenciais”.

“Vem gente de todo o mundo. É impressionante a multidão de pessoas que encontramos aqui, mesmo nestes tempos de crise”, disse, a respeito das festas da Senhora da Agonia, frisando que “a relação profunda com Deus faz parte da identidade desta gente, mesmo que não tenha formação cristã muito forte”.

D. Anacleto Oliveira, presidente da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade, defende que “não há oposição” entre as celebrações oficiais católicas e a piedade popular: “Pelo contrário, é nestas que encontramos um terreno fértil para que as propostas da Igreja sejam acolhidas e vividas”.

Após a missa que se inicia hoje às 14h30, o bispo de Viana do Castelo vai presidir também à procissão marítima protagonizada pelos pescadores, numa cidade onde o feminino impõe a sua força: “Notamos com mais intensidade a presença das senhoras nas festas, embora os homens tenham todo o gosto de transportar a imagem de Nossa Senhora da Agonia ou outras”.

O responsável salienta que é nas “expressões culturais que reside a busca da vida”: “É do mais humano que encontramos, e é nesta raiz humana que se deve lançar o Evangelho”.

"Há um ano publiquei a minha primeira Carta Pastoral, que incide sobre as expressões humanas e culturais. Tentaremos no futuro, nomeadamente no próximo Ano da Fé [outubro de 2012 a novembro de 2013] construir um conjunto de atividades que se enquadre nessa perspetiva", adiantou.

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/

EM 1909, CÂMARA DOS DEPUTADOS ADMITIU PROJETO-LEI AUTORIZANDO A CÂMARA MUNICIPAL DE PONTE DE LIMA A ADQUIQIR OS ANTIGOS QUARTEIS

Em 28 de julho de 1909, o deputado Araújo Lima apresentou na “Câmara dos Senhores Deputados” um projeto-lei autorizando a Câmara Municipal de Ponte de Lima a adquirir o prédio denominado de S. João de Deus ou seja, os antigos quarteis junto à Igreja Matriz. Transcreve-se o texto do referido projeto-lei respeitando-se a grafia da época.

Projecto de lei

Senhores.- A Camara Municipal de Ponte de Lima tinha, em 1899, na Caixa Geral de Depositos, o fundo de 1:921$293. réis, com destino á construcção de uma cadeia comarca, de harmonia com a lei de 1 de julho de 1867.

Mas em 1899, grassando no Porto uma grave epidemia por muitos classificada de peste bubonica, foi a mesma camara autorizada, por decreto de 7 de setembro do mesmo anno, a applicar á referida quantia ao saneamento e hygiene da villa e concelho.

A camara levantou o deposito em 26 do mesmo mês e anno; e, tendo gasto naquelles serviços apenas a Bomma de 476$870 réis, voltou a depositar na referida Caixa Geralfa quantia restante - 1:444$423 réis.

E essa importancia que a Camara Municipal de Ponte de Lima pretende gastar na compra do prédio denominado de S. João de Deus, antigos quartéis, pertencente á Misericordia da mesma villa e que tem de ser posto em praça, em virtude da lei de desamortização.

É dá maior justiça tal pretensão, porque aquelle edificio, situado nas barreiras da villa, pode, pela sua amplitude, ser destinado a varios serviços municjpaes, a cadeia e alojamento de tropas; pelo que submetto ao vosso esclarecido criterio o seguinte projecto de lei:

Artigo 1.° E autorizada a Camara Municipal de Ponte do Lima a applicar á compra do predio denominado de S. João de Deus, pertencente á Misericordia da mesma villa, a quantia de 1:444$423 réis, que tem em deposito, para os effeitos do artigo 55.° da lei de 1 de julho de 1867.

Art. 2.° Se da quantia, referida restar algum saldo será este applicado ás modificações e reparações a fazer no mesmo predio.

Art. 3.° Fica revogada a legislação em contrario.

Camara dos Senhores Deputados, 26 de julho de 1909.= João I. de Araujo Lima.

Foi admittido e enviado á commissão de administração publica.

TOURADA EM VIANA DO CASTELO TEVE PRAÇA CHEIA

A praça de touros de Viana do Castelo teve esta tarde lotação quase esgota para assistir à anunciada corrida de touros em que participaram, entre outros, os cavaleiros António Ribeiro Telles, Luís Rouxinol, Pedro Salvador, Duarte Pinto e João Ribeiro Telles. A assistência, calculada em mais de 2.300, pessoas viveu com emoção o desenrolar das faenas, revelando um entusiamo redobrado pelo regresso do espetáculo tauromáquico a Viana do Castelo. Entretanto, a organização anunciou a realização em 2013 da próxima corrida de touros em Viana do Castelo.

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Não conformados com a decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga que autorizou a sua realização, cerca de três centenas de pessoas manifestaram-se nas proximidades do local onde se encontra montada a praça de touros, na Areosa, contra a tourada, tendo a PSP assegurado a manutenção da ordem pública e evitado confrontos entre os manifestantes e as pessoas que se dirigiam à praça para poder assistir ao espetáculo.

Fotos: https://www.facebook.com/#!/PROTOIRO e http://www.dn.pt/

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VIANA DO CASTELO VAI CONSTRUIR MUSEU DA CIÊNCIA VIVA NO REDONDEL DA ARGAÇOSA

A Câmara Municipal de Viana do Castelo adquiriu há quatro anos a antiga praça de touros daquela cidade para construir no local o Museu da Ciência Viva. A compra foi feita por 5127,74 euros, um valor considerado simbólico, e visa criar um espaço complementar ao parque ecológico urbano, com um Centro de Ciência Viva, semelhante ao Museu do Homem, na Corunha, em Espanha.

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Aproveitando a proximidade do parque urbano, onde funciona o Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental, a Câmara Municipal de Viana do Castelo pretende estabelecer um roteiro de polos museológicos onde se inclui ainda o navio-museu Gil Eannes, especialmente destinado a visitas de estudo subordinadas às temáticas ligadas à ecologia e biologia humana. Porém, não decidiu ainda se o projeto passa pela demolição ou pela renovação daquele equipamento.

MORDOMAS DESFILAM NA ROMARIA DE NOSSA SENHORA D’AGONIA EM VIANA DO CASTELO

Perto de meio milhar de mordomas desfilaram pelas ruas de Viana do Castelo no tradicional desfile da mordomia. Trajadas a rigor, exibindo garbosos os seus adornos em ouro, emprestaram à cidade um colorido muito peculiar e um ambiente de festa bem caraterísticos das romarias da nossa região.

Às mordomas da Romaria de Nossa Senhora d’Agonia cabe a responsabilidade maior pelo êxito da festa pelas inúmeras tarefas que realizam na sua preparação. Sem as mordomas, a festa jamais teria o brilho e a alegria que a tornam única entre todas as romarias de Portugal e fazem com que Viana do Castelo seja especialmente por esta ocasião visitada por muitos milhares de turistas nacionais e estrangeiros.

Sejamos de Braga ou de Guimarães, de Barcelos ou Ponte de Lima, de Caminha ou dos Arcos de Valdevez, em dia de Romaria a Nossa Senhora d’Agonia somos todos de Viana – somos todos vianenses!

VIANA TAURINO CLUB FOI A PRIMEIRA DELEGAÇÃO DO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL

O Viana Taurino Club foi fundado a 10 de Agosto de 1910, e foi a primeira Delegação do Sporting Clube de Portugal, o que vem claramente referido no Boletim do Sporting de 15 de Julho de 1923. No entanto, em boletins posteriores, dos anos 1930, não há referência a este clube, e o Glória Futebol Clube é referido como a delegação nº 1, estatuto que ainda hoje preserva. Não se conhece a história por detrás disto, mas o Viana Taurino Clube ainda hoje existe, em Viana do Castelo.

Fonte: http://www.forumscp.com/wiki/index.php?title=Wiki_Sporting

ASSOCIAÇÕES ANIMALISTAS QUEREM PROIBIR VACA DAS CORDAS EM PONTE DE LIMA

Vaca das Cordas

As associações animalistas também reputam de “bárbaro” o costume da corrida da Vaca das Cordas que se realiza em Ponte de Lima, na véspera da festa do Corpo de Deus. Pelo menos, há perto de vinte anos, tentaram impedir a sua realização depois de o terem feito, com êxito, relativamente a uma demonstração levada a efeito em Lisboa por iniciativa da Casa do Concelho de Ponte de Lima.

Para além da Vaca das Cordas, existem outras tradições na nossa região que poderão de igual modo ser considerados espetáculos “bárbaros” como é o caso das tradicionais chegas de bois que se realizam mormente em Cabeceiras de Basto.

VIANA DO CASTELO E O CAVALEIRO TAUROMÁQUICO FRANCISCO BARREIRA, VULGO “MORGADO DE COVAS”

Francisco de Lima da Costa Barreira, natural de Vila Nova de Cerveira, filho de Manuel Domingos da Costa Barreira e de D. Rosa Franco Lima (ele da Casa do Cruzeiro, em Sopo, e ela da Casa do Engenho, ambas também da referida vila) cavaleiro tauromáquico e que, feito profissional, toureou por diferentes vezes com D. Telmo de Menezes Montenegro, da Casa de Romarigães, Paredes de Coura, figura quase lendária do Alto Minho.

O Morgado de Covas, como era conhecido aquele que (no dizer do saudoso historiador vianense Dr. Francisco Cirne de Castro (in “Roteiro de Viana”, Ano II, Agosto de 1960. Edição de Camilo Pastori), “farpeava como ninguém, em selim raso”, nasceu em 1876 e casou em 1904, com a senhora D. maria das Dores de Barros Mimoso de Alpuim, da Casa da Seara, Ponte de Lima.

Nas touradas em Viana, contrariando a praxe, não oferecia, como os demais cavaleiros, os seus primeiros ferros ao Inteligente ou à Suprema Autoridade, mas sim ao grande aficionado vianense Rodolfo Vieitas, e, postando-se na sua frente, de cabeça descoberta, (conforme no-lo transmite o cronista vianense, já no outro mundo, Arnaldo Passos, no artigo “Touros e Touradas”, publicado no “Serão”) exclamava:

- “Ao Exmo Senhor Rodolfo Vieitas, amante do toureio e meu protector, ofereço esta sorte como prova de muita gratidão”

Fartos aplausos do público sublinhavam o gesto!

O seu segundo ferro oferecia-o aos “Rapazes do Taurino” (leia-se Sócios do Viana Taurino Clube) que se apinhavam num sector da bancada do sol.

COSTA, Amadeu. O Morgado de Covas – saudoso morador da Seara. Anunciador das Feiras Novas, nº 8, Ponte de Lima,1991

O biografado, Francisco de Lima da Costa Barreira, que tanto se distinguiu na “Arte de Marialva” – melhor identificareis se referenciado por Morgado de Covas.

Esse homem franzino, com “raça”, tornou-se figura de invulgar destaque nas touradas da dita Romaria da Senhora d’Agonia – em que, com seus desplantes suicidas, punha as bancadas em pé no mais rubro delírio.

COSTA, Amadeu. O Morgado de Covas – saudoso morador da Seara. Anunciador das Feiras Novas, nº 11, Ponte de Lima,1994

EM 1981, DEPUTADO ROLEIRA MARINHO DEFENDEU NO PARLAMENTO A CONTRUÇÃO DE UM PORTO DE MAR EM VIANA DO CASTELO

Na reunião plenária da Assembleia da República ocorrida em 26 de fevereiro de 1981, António Roleira Marinho, deputado pelo PSD, teceu considerações sobre a necessidade de construção de um porto de mar em Viana do Castelo. Transcrevemos a sua intervenção.

O Sr. Roleira Marinho (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Viana do Castelo, quando pensada em termos nacionais, não deixa de ter ligado a si o folclore, as festas populares, encimadas pela internacionalizada Festa de Nossa Senhora da Agonia, a beleza da sua paisagem, que emoldura a ternura e franqueza das suas gentes... enfim, uma cidade, capital de um distrito, para quem os Portugueses olham como se de uma criança se tratasse!...

Uma voz do PSD: - Muito bem!

O Orador - Mas cãs crianças crescem, as suas ambições evoluem e, como tal, Viana do Castelo, cidade e distrito, embora pretendendo manter vivas as suas tradições, manter o seu encanto e beleza, não pode parar, tem de projectar-se no futuro e garantir para os seus habitantes melhores condições de vida e bem-estar social, precisando para tal das infra-estruturas indispensáveis que, necessariamente, hão-de emanar das suas vocações próprias.

Sr. Presidente, Srs. Deputados: Viana do Castelo é uma cidade marinheira. Dela rumaram frotas na época dos descobrimentos e aí existiu assinalável frota de pesca do bacalhau que a conjuntura nacional e internacional, e as condições do porto, reduziram a quase nada, mantendo-se, contudo, uma ainda significativa frota de pesca costeira!...

Nestas circunstâncias, e pesados os diversos factores - sobretudo turístico-paisagísticos -, houve que pensar na reestruturação e dinamização das actividades ligadas ao mar, lançando-se a reconstrução ou, melhor dizendo, a autêntica construção de um novo porto de mar em Viana do Castelo, com despacho inicial do Governo datado de 2 de Setembro de 1976.

Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Governo da Aliança Democrática, atento ao problema do desenvolvimento regional, tem dado a melhor atenção a esta obra e, por despacho do Sr. Primeiro-Ministro de 14 de Março de 1980, foi dotada a verba de 1280000 contos, como reforço da verba inicial, que era de 440 000 contos, não só correspondendo ao inerente agravamento dos preços da empreitada por alteração das circunstâncias económicas e sua revisão nos termos contratuais, mas também do aumento do volume dos trabalhos previstos na primeira fase, tais como o prolongamento da regularização da margem norte para montante, em cerca de 1000 m, a construção de uma pequena doca para embarcações de recreio e a ampliação do cais comercial na margem sul em cerca de 240 m.

Prosseguem em bom ritmo as obras do Porto de Viana do Castelo e, será caso para dizê-lo, podem constituir exemplo de como deveriam ser geridas e processadas as obras públicas em Portugal, tudo levando a crer que os prazos previstos para a sua conclusão, o terceiro trimestre de 1982, serão cumpridos. São inumeráveis os benefícios que as novas condições do porto trarão à cidade de Viana do Castelo, ao distrito, à província do Minho e à economia do País, desde a possibilidade de expansão das actividades piscatória e comercial do porto, ao alargamento dos horizontes da construção naval, com o peso que aí têm os estaleiros navais de Viana do Castelo - hoje perfeitamente lançados na exportação-, bastando dizer que, nos últimos seis anos, os estaleiros cobraram do estrangeiro qualquer coisa parecida com 106 milhões de dólares.

Os próprios Estaleiros de Viana passam por uma fase de modernização, mas a sua projecção como unidade rentável está intimamente ligada à existência de um porto de mar capaz, o que decerto também é ambição dos 2000 trabalhadores aí em serviço. Outro tanto se poderá dizer da zona industrial que está a nascer nos arredores da cidade e que, por certo, será tanto mais desenvolvida quanto melhores forem as condições do porto, não esquecendo as indústrias e as actividades que existem no interior da província do Minho, nomeadamente em Braga e Guimarães, que muito poderão aproveitar deste pólo de ligação à Europa e ao mundo.

Sr. Presidente, Srs. Deputados: Os órgãos autárquicos locais têm noção do valor que esta obra representa para a região, a qual tem sido analisada nos seus mais variados aspectos, e a conclusão a que se chegou é a de que os benefícios que se colham ultra» passam em muito os pequenos prejuízos circunstanciais, bastando para tanto debruçarmo-nos um pouco sobre os números.

O porto de Viana do Castelo verá, previsivelmente, a sua capacidade de tráfego comercial triplicar - de 200 000 t/ano para 600 000 t/ano e o movimento do seu porto de pesca poderá quadruplicar, passando de 3800 t/ano para 15 000 t/ano. O porto disporá, na primeira fase, de uma área de apoio da ordem dos 15 ha, zona onde se instalarão parques de contentores e camiões TIR, parque de mercadorias, armazéns de separação, armazéns de carga geral, edifícios de apoio e outros.

Todo o investimento referente a esta primeira fase alargada tem sido suportado pelo Orçamento Geral do Estado.

Sr. Presidente, Srs. Deputados: Importa ter em conta que as verbas em causa representam um grande esforço, impedindo outras acções que são também urgentes e que as populações reclamam. Mas a verdade é que a Região do Alto Minho merece que o governo da Aliança Democrática contribua para o arranque sócio-económico daquelas populações e, por isso, o investimento é perfeitamente justificável e merece o apoio do Partido Social-Democrata, porque vai ao encontro da vontade generalizada da população. E a minha intervenção nesta Assembleia tem por fim justificar o alcance e valor desta obra, mas também alertar o Governo para o interesse que há em prever, desde já, a segunda fase que compreenderia a dragagem geral do porto, o cais de turismo, as infra-estruturas terrestres, as redes de abastecimento e esgotos, os acessos rodoviário e ferroviário e o equipamento de exploração portuário, tanto mais que parece existir a hipótese de um financiamento alemão a aplicar na conclusão deste empreendimento, que não poderá deixar de dispor das condições desejáveis.

Srs. Presidente, Srs. Deputados: Aqui deixamos, perante a Assembleia da República, perante os Portugueses, o testemunho público do empenhamento político do Partido Social-Democrata em ver concretizado, a curto prazo, sonho de séculos das gentes de Viana na certeza de que estamos a lutar peio engrandecimento de uma região e do País e pela melhoria das condições de vida de gente simples e trabalhadora que da cruz do dia-a-dia faz a sua bandeira - os pescadores, os trabalhadores da construção naval, os homens do campo, que também se preparam para competir na exportação, os trabalhadores das mais diversas indústrias, todos, enfim, irmanados no mesmo desejo, de verem finalmente a sua cidade e o seu distrito tidos no conceito que merecem no conjunto das cidades e dos distritos de Portugal. Todos, dizia, esperam que o porto de mar de Viana do Castelo seja a nova porta que há-de relançar a região para os grandes desafios que o futuro nos reserva.

VIANA DO CASTELO MERECE MELHOR!

Em tempo de festa de Nossa Senhora da ‘Agonia, Viana do Castelo pode vir a tornar-se palco de lamentáveis incidentes que poderiam ser evitados e ser objeto de notícia na comunicação social pelos piores motivos.

Não conformados com a decisão judicial que autoriza a montagem do espetáculo taurino, os movimentos que se opõem à sua realização têm vindo através das redes sociais a convocar uma “manifestação viral” para o próximo dia 19 de agosto, em Viana do Castelo, contra a realização da anunciada corrida de touros. De acordo com as mensagens que circulam na internet, “está confirmada pela Câmara com notificação da polícia, a Manifestação anti-touradas, pacífica, dia 19 de agosto, entre as 16h00 e as 21h00, junto ao castelo velho da areosa”. “Vamos a Viana! Pelos touros e cavalos!” e “Na Romaria d’Agonia, vermelho só nos trajes!”, são as palavras de ordem do “Viana Anti-touradas”.

Por seu turno, também os defensores do espetáculo tauromáquico, identificados como “Viana Pró-touradas” convocaram uma manifestação para a mesma hora e local. A realização das duas manifestações faz temer pelos seus resultados, pese embora os propósitos pacíficos dos seus promotores.

BOMBEIROS DE VIANA DO CASTELO ESTÃO EM GREVE

Após a realização de várias reuniões infrutíferas entre o SNBP e a Câmara Municipal de Viana do Castelo, os bombeiros municipais de Viana do Castelo vão estar em greve nos dias 17, 18, 19 e 20 de Agosto.

Nos dias da paralisação não serão feitos serviços, tais como prevenções, vistorias, serviços não urgentes e reforço de pessoal de folga para prevenção da cidade no quartel.

Os profissionais estão contra:

1- A utilização abusiva da disponibilidade permanente para colmatar a falta de pessoal (ao que acresce o facto destas horas não serem pagas nem em tempo, nem em dinheiro);

2- Horário de trabalho sem folgas;

3- Escala de reforço de pessoal com 24 horas, ou seja, mais doze do que o previsto na lei, e também sem que sejam pagas;

4- Prolongamento de serviços sem direito a remuneração, com base na disponibilidade permanente;

5- Falta de pagamento do dia de greve (24/11/2011);

6- Dualidade de critérios nos processos disciplinares;

7- Perseguição aos bombeiros.

O Sindicato Nacional dos Bombeiros Profissionais, indicou como “serviços mínimos” o serviço correspondente ao conteúdo funcional dos Bombeiros Profissionais da Administração Local:

  • A prevenção e o combate a incêndios;
  • Socorro às populações, em caso de incêndios, inundações, desabamentos e, e de um modo geral, em todos os acidentes;
  • O socorro a náufragos e buscas subaquáticas;
  • O socorro e transporte de acidentados, incluindo a urgência pré-hospitalar, no âmbito do sistema integrado de emergência médica;
  • A abertura de portas com fogão ligado, com panela ao lume, com pessoas que não respondem a chamada, com pessoa ou criança no interior;
  • A abertura de elevadores com pessoa dentro;
  • A lavagem de estrada desde que esteja em causa a segurança de pessoas.

No dia 13 de Agosto, realizou-se uma reunião entre o Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo Eng. José Maria Costa Cunha e os Representantes do SNBP com o objetivo de dar resposta a estes assuntos. Mais uma vez, desta reunião não se verificaram resultados.

Perante a irredutibilidade por parte da Autarquia de Viana do Castelo em resolver os vários assuntos acima enumerados, resta ao SNBP a manutenção da Greve anunciada.

Fonte: http://www.anbp.pt/

Foto: http://www.caminha2000.com/

O REDONDEL DA ARGAÇOSA E OS ESPETÁCULOS TAUROMÁQUICOS EM VIANA DO CASTELO

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A imagem regista a construção da praça de touros de Viana do Castelo em finais da década de quarenta do século passado

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Fachada principal do Redondel da Argaçosa

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Fotografia aérea mostrando a praça de touros em Viana do Castelo

A revista "Ilustração Portugueza" de 19 de outubro de 1908 regista uma corrida de touros realizada em Viana do Castelo

VIANA DO CASTELO: MONTAGEM DA PRAÇA DE TOUROS ESTÁ QUASE CONCLUÍDA

A montagem da praça de touros na localidade da Areosa encontra-se quase concluída e, a não ser que o Tribunal venha amanhã a decidir favoravelmente o recurso apresentado pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, o espetáculo tauromáquico vai mesmo realizar-se. 

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Em declaração à TVI, a autarquia “aguarda uma decisão sobre o recurso durante o dia de sexta-feira. Se tal não acontecer, a corrida de touros poderá mesmo realizar-se, tendo em conta a autorização, de 10 de agosto, emitida pelo mesmo tribunal, que aceitou a providência cautelar da “Prótoiro”. Esta posição revela uma certa alteração da atitude irredutível anteriormente tomada que garantia que “não haverá tourada”…

A corrida de touros está marcada para o próximo dia 19 de agosto.

http://diariotaurino.blogspot.pt/

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ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE MUNICÍPIOS PORTUGUESES QUER TAUROMAQUIA RECONHECIDA COMO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL

A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), entidade em relação à qual pretende a Câmara Municipal de Viana do Castelo propor a criação de uma secção de municípios “contra as touradas”, ironicamente já dispõe de uma “Secção de Municípios com Atividade Taurina” da qual fazem parte nada menos do que quarenta autarquias.

Entre várias iniciativas, esta Secção vem promovendo a declaração da tauromaquia como Património Cultural Imaterial, com vista ao seu posterior reconhecimento oficial à semelhança do que já se verifica em Espanha e França. A declaração que tem vindo a propor aos municípios para aprovação tem o seguinte teor.

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DECLARAÇÃO DA TAUROMAQUIA COMO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL

Considerando que:

1.   A Unesco - Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura aprovou, em 2003, a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, que foi ratificada pela República Portuguesa em 26 de Março de 2008 e cujo objectivo é salvaguardar o património cultural imaterial e fomentar o respeito pelo património cultural imaterial das comunidades, dos grupos e dos indivíduos.

2.   A Convenção reconhece que as comunidades, os grupos e os indivíduos desempenham um papel importante na produção, salvaguarda, manutenção e recriação do património cultural imaterial, contribuindo, desse modo, para o enriquecimento da diversidade cultural e da criatividade humana.

3.   Por outro lado, a Constituição da República Portuguesa dispõe, no seu artigo 78.°, que incumbe ao Estado promover a salvaguarda e a valorização do património cultural, tornando-o elemento vivifícador da identidade cultural comum.

4.   Com efeito, é tarefa mas também dever do poder central e local reconhecer, salvaguardar e valorizar as diferentes expressões culturais existentes por todo o País, não se confundindo tal tarefa ou dever com a criação, por parte do Estado de novas ou diferentes manifestações culturais, nem com imposições de umas em detrimento de outras.

5.   A Tauromaquia é, indiscutivelmente e nas suas diversas manifestações, parte integrante do património da cultura imaterial portuguesa, remontando as suas origens bem para lá das origens da portugalidade.

6.   Em particular, a Tauromaquia assume, no município de _____, uma muito relevante importância cultural, social e económica.

7.   É inegável que, em ____, as tauromaquias populares e de praça fazem parte dos costumes das gentes, sendo que as Festas da Cidade, das quais é indissociável o Toiro de Lide e tudo o que o rodeia, constituem a maior manifestação de comunidade e dos laços inter-pessoais e geracionais que a constituem, contribuindo assim para a criação e para a manutenção de um elemento vivificador comum.

8.   Por outro lado, a Tauromaquia fomenta, de sobremaneira, o desenvolvimento turístico do Município de ______, permitindo difundir a cultura, promover valores, costumes e tradições, adquirindo assim um inestimável valor para os Munícipes. Na verdade, graças à Tauromaquia, concentram-se em _____ milhares de pessoas, com o consequente efeito de disseminação das nossas mais-valias enquanto concelho que, uma vez conhecidas, sofrem um efeito multiplicador apreciável.

9.   Ademais, a Tauromaquia gera, para o Município e para os Munícipes de ____, importantes benefícios económicos, traduzidos num forte e intenso intercâmbio comercial que dinamiza de toda a região.

10. Finalmente, e não menos importante, a Tauromaquia, em particular a criação do Toiro de Lide e do Cavalo Lusitano, contribuem para um desenvolvimento ambiental sustentável, resguardando relevantes áreas naturais da expansão urbana e da agricultura intensiva, permitindo assim que nesses espaços se desenvolvam também, e de forma protegida, inúmeras espécies de fauna e flora. Deste modo, o ecossistema do Toiro e do Cavalo constitui assim um exemplo a seguir e um dos últimos redutos onde o interesse do Homem é consonante com o interesse ambiental.

A Câmara Municipal de ____, reunida em __ de Abril de 2012 e em conformidade com o supra exposto, decide aprovar a seguinte declaração:

A Tauromaquia, nas suas mais diversas manifestações, engloba um conjunto de tradições e expressões orais, de artes do espectáculo, de práticas sociais, rituais e eventos festivos, de conhecimentos e práticas relacionadas com a natureza e de aptidões ligadas ao artesanato tradicional que se encontram, desde há séculos, presentes e vivos no Município de ______. Como tal, e em conformidade com a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, ratificada por Portugal em 26 de Março de 2008 e com o disposto no artigo 78.° da Constituição da República Portuguesa, decide a Câmara Municipal de _____ reconhecer e declarar a Tauromaquia património cultural imaterial deste município.

AUTARCAS ALENTEJANOS CONTESTAM PROPOSTA DE VIANA DO CASTELO CONTRA AS TOURADAS

Autarcas alentejanos contestaram hoje a tomada de posição da Câmara de Viana do Castelo, que anunciou que vai propor à Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) a criação de uma secção de municípios «contra as touradas».

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«É uma situação que não terá ‘pés nem cabeça’. Não vivemos num país para o andarmos a dividir entre os que gostam de uma coisa e os que gostam de outra», afirmou o presidente do Município de Monforte, Miguel Rasquinho, em declarações à agência Lusa.

Por sua vez, o presidente da Comunidade Intermunicipal do Norte Alentejano (CIMAA), Armando Varela, considerou que a ideia avançada pelo município de Viana do Castelo passa à margem do trabalho desenvolvido pela ANMP, uma vez que a associação «serve para construir e não para destruir».

«A ANMP é uma organização que procura fazer qualquer coisa e não destruir qualquer coisa. Ao longo dos anos, foram construídas secções na ANMP para construir e não para destruir», sublinhou hoje à Lusa Armando Varela.

A Câmara de Viana do Castelo quer propor à ANMP a criação de uma secção de municípios «contra as touradas», que terá como objectivo a «erradicação» deste tipo de evento.

O anúncio foi feito hoje à Lusa por José Maria Costa, autarca de Viana do Castelo, município que se tornou, em 2009, o primeiro a declarar-se «antitouradas» e que tenta impedir a realização de uma corrida de touros na cidade, agendada para o próximo domingo.

Esta futura secção de municípios contra as touradas, que já está em estudo, servirá para «dar voz àqueles que, no país, se querem manifestar contra este tipo de tratamento aos animais».

«Poderá ser através de uma secção da ANMP contra as touradas, um grupo que possa levar à erradicação, à libertação do país das touradas, como no passado aconteceu com a escravatura», explicou José Maria Costa.

A ANMP conta há vários anos com a secção dos municípios com actividade taurina, departamento que congrega várias dezenas de concelhos de norte a sul do país.

Através desta secção, a grande maioria já declarou a tauromaquia Património Cultural e Imaterial de Interesse Municipal.

«Estou convencido, como diz o povo e bem, que ‘presunção e água benta cada um toma a que quer’ e estou convencido de que essa ideia do colega de Viana do Castelo não passa», afiançou Armando Varela.

Embora considere a proposta do município de Viana do Castelo «legítima», Armando Varela, que é também presidente do Município de Sousel, argumentou que o «grande desafio» do país passa por «criar condições para potenciar o desenvolvimento económico e combater o desemprego».

Também o autarca de Monforte disse respeitar a proposta do seu colega de Viana do Castelo, mas lembrou que a tauromaquia é uma actividade com «uma importância fundamental» em muitas regiões do país, pois, também «promove emprego de forma directa e indirecta».

Miguel Rasquinho, que se assumiu «defensor da cultura de cada região», sublinhou ainda acreditar que «todos os outros também respeitarão a entidade cultural de cada um, uma vez que a tauromaquia está um pouco difundida por todo o país».

Fonte: http://sol.sapo.pt/

MUNICÍPIO VIANENSE OPÕE-SE À DECISÃO DO TRIBUNAL

Segundo a Agência Lusa, a Câmara de Viana do Castelo vai propor à Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) a criação de uma secção de municípios “contra as touradas” que terá como objetivo a “erradicação” deste género de eventos. Curiosamente, aquela entidade possui uma secção de municípios que visam o reconhecimento do espetáculo tauromáquico como Património Cultural Imaterial, aliás à semelhança do que já se verifica em Espanha e França.

Transcrevemos a notícia da agência LUSA: “Em causa está o facto de o Tribunal Administrativo de Braga ter autorizado, apesar da recusa do município, a montagem de uma praça de touros amovível, no concelho de Viana do Castelo, para uma corrida a realizar a 19 de agosto.

Esta futura associação de municípios contra as touradas, que já está em estudo, servirá para "dar voz àqueles que no país se querem manifestar contra este tipo de tratamento aos animais".

O autarca garante que têm sido "às centenas" as mensagens de apoio à intenção de impedir a realização da tourada do próximo domingo em Viana do Castelo, oriundas de todo o país, de Espanha e de países da América Latina como México, Argentina, Costa Rica, Peru, Colômbia e Brasil.

Também foram recebidas mensagens de apoio do Movimento Internacional Antitouradas e da direção da Fundação Franz Weber, alemã e uma das mais ativas na defesa dos direitos dos animais.

A providência cautelar para a montagem da arena foi interposta pela Prótoiro, federação que reúne as várias associações do setor tauromáquico em Portugal, e que assim pretende "acabar com o regime de censura cultural" que diz existir no concelho há mais de três anos.

O presidente da autarquia, José Maria Costa, afirmou, no entanto, estar "seguro que não haverá tourada" em Viana do Castelo.

A instalação da arena arrancou na quarta-feira e terá capacidade para 2.800 pessoas, mas a autarquia ainda espera reverter judicialmente a realização da tourada.

Os terrenos onde está montado o recinto, na freguesia de Areosa, cidade de Viana do Castelo, estão classificados como Reserva Agrícola Nacional (RAN) e Reserva Ecológica Nacional (REN) e como tal não podem receber qualquer instalação do género, à luz do PDM, aprovado em 2008.

Para a direção da "Prótoiro", a decisão do tribunal, de permitir a instalação da arena - o evento em si já está licenciado pela Inspeção-Geral das Atividades Culturais e Sociedade Portuguesa de Autores -, foi tomada "já com conhecimento" dos motivos invocados pelo município para o indeferimento.”

TOURADAS PODEM REGRESSAR A BRAGA

A decisão judicial que autoriza a realização da tourada em Viana do Castelo no próximo dia 19 de agosto poderá vir a ter como consequência uma situação idêntica na cidade de Braga. Refira-se que, à semelhança do que se verifica em Viana do Castelo, também a autarquia bracarense, presidida pelo Eng.º Mesquita Machado, decidiu em 2009 proibir a realização de uma corrida de touros que se encontrava prevista para o dia 20 de junho daquele ano, por ocasião das festas de S. João, naquela cidade.

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Por conseguinte, caso venha a ser declarada nula a deliberação camarária que declara Viana do Castelo livre de touradas, tal decisão poderá também vir a constituir uma machadada na proibição do espetáculo tauromáquico em Braga.

Fotos: http://alfarrabiosdebraga.blogspot.pt/

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As imagens mostram uma tourada realizada em Braga, em 1913, organizada pelo empresário bracarense Abel Quintela

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SANTUÁRIO DO SAMEIRO É O SEGUNDO MAIOR CENTRO DE DEVOÇÃO MARIANO EM PORTUGAL

Situado em Braga, o Santuário do Sameiro é o maior centro de devoção mariana em Portugal, depois de Fátima. A sua construção teve início em 1863, por iniciativa do padre Martinho Pereira da Silva, à época vigário de Braga, o qual mandou colocar no cimo do monte uma imagem de Nossa Senhora da Conceição.

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A construção do monumento à Imaculada Conceição no Monte do Sameiro levou à criação de uma comissão encarregada de angariar fundos para essas mesmas obras. A comissão tratou, também, da construção de uma capela comemorativa do primeiro Concilio Vaticano e da definição dogmática da infalibilidade do Papa. Porém, a necessidade de se criar uma organização mais estável levou à criação em 1877, da Confraria da Imaculada Conceição do Monte Sameiro, a qual veio a receber do Rei D. Luís o título de Real.

Em forma de cruz latina, a Basílica do Sameiro apresenta uma arquitetura de estilo neoclássico, dela sobressaindo o zimbório e duas torres que contêm o carrilhão de sinos. No seu interior, o altar-mor em granito branco polido, o magnífico sacrário revestido a prata cinzelada e a imagem da Senhora do Sameiro atraem a atenção dos visitantes. Defronte do templo, situa-se o grandioso escadório e, sobre dois imponentes pilares, as estátuas da Virgem Maria e do Sagrado Coração de Jesus.

Sob o lema “Com Maria, Professamos a Nossa Fé”, realiza-se no próximo domingo, dia 19 de agosto, a peregrinação ao Santuário do Sameiro.

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ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA DEBATE PETIÇÃO CONTRA AS TOURADAS

Na reunião plenária da Assembleia da República realizada no passado dia 19 de janeiro, deu entrada uma petição solicitando àquele órgão que legisle no sentido de acabar com as corridas de touros em Portugal. Na ocasião, intervieram no debate os deputados Isilda Aguincha (PSD), Gabriela Canavilhas (PS), Teresa Anjinho (CDS-PP), Paulo Sá (PCP), Heloísa Apolónia (Os Verdes) e Catarina Martins (BE). A sessão foi presidida por Assunção Esteves e secretariada por Duarte Pacheco, Rosa Albernaz e Abel Baptista.

Pela atualidade que o tema se reveste em face da polémica em torno da anunciada tourada em Viana do Castelo, o BLOGUE DO MINHO publica o conteúdo das intervenções então efetuadas na Assembleia da República.

A Sr.ª Isilda Aguincha (PSD): — Sr.ª Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Permitam-me que, em nome da bancada do Partido Social Democrata e enquanto relatora da petição n.º 2/XII (1.ª), da iniciativa do Sr. Mário Jorge Silva Amorim, que solicita o fim das corridas de touros em Portugal, cumprimente os Srs. Peticionários aqui presentes.

A petição ora em discussão reflete o uso de um direito dos cidadãos, consignado na lei de exercício do direito de petição, que apraz registar, enquanto forma de cidadania ativa, a que todos temos direito.

Dando-se cumprimento aos trâmites da petição, e porque a mesma é subscrita por mais de 4000 peticionários, ela é hoje presente a Plenário, após a audição dos representantes dos peticionários na Comissão de Educação, Ciência e Cultura, e demais diligências que incluíram: uma informação relativa à petição, por parte de S. Ex.ª o Sr. Secretário de Estado da Cultura, a audição da PRÓTOIRO (Federação Portuguesa das Associações Taurinas), a visita ao campo para ver o toiro e seu ecossistema e a ida a uma corrida de touros, a convite desta última entidade.

Face às diligências efetuadas e à documentação consultada, refere-se que as atividades em torno da tauromaquia constituem uma importante cadeia que envolve um grande número de pessoas, que protegem e fazem viver ecossistemas, que participam da nossa afirmação enquanto povo.

A ligação do toiro ao campo, à agricultura e às comunidades agrícolas é uma realidade que não podemos escamotear.

Sendo a tauromaquia «parte integrante da cultura portuguesa», nos termos do Decreto-Lei n.º 306/91, de 17 de Agosto, historicamente reconhecida como uma arte, tem um elevado número de espetadores no nosso País.

Sr.as e Srs. Deputados, os aficionados e todos aqueles que vivem em torno das corridas de toiros, tal com os peticionários, não serão insensíveis. Respeitam os animais, de um modo diferente do dos peticionários, é certo,»

O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): — Muito bem!

A Sr.ª Isilda Aguincha (PSD): — » mas respeitam-nos, tal como respeitam o direito que cada um tem de acolher, ou não, a arte, a cultura e a tradição.

O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): — Muito bem!

A Sr.ª Isilda Aguincha (PSD): — Não pode, nem deve, ser imposto que todos gostem de corridas de toiros, tal como não pode, nem deve, ser imposto o contrário. Sr.as e Srs. Deputados, é matéria que respeita à liberdade de cada um.

Faz sentido apelar à tolerância de todos sobre uma matéria que não pretende ser fraturante, num País em que a união é hoje, mais do que nunca, essencial.

Vozes do PSD: — Muito bem!

A Sr.ª Isilda Aguincha (PSD): — Sr.as e Srs. Deputados, a nossa liberdade termina onde começa a liberdade dos outros, mas a liberdade dos outros não deve, não pode, ser uma imposição para cada um de nós. Também nesta matéria faz sentido que possamos continuar a ter o direito de assumir a nossa liberdade individual, com tolerância e consideração pelas convicções de todos.

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): — Muito bem!

A Sr.ª Isilda Aguincha (PSD): — Aprendemos a respeitar, a conhecer e a reconhecer a arte e a cultura, tal como se espera que nesta Casa e no nosso País continuemos a respeitar o direito de todos e de cada um.

Aplausos do PSD.

A Sr.ª Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada Gabriela Canavilhas.

A Sr.ª Gabriela Canavilhas (PS): — Sr.ª Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Liberdade e tolerância — estes são valores referenciais para o Partido Socialista, dos quais nos orgulhamos e de que não abdicamos.

Liberdade nas nossas escolhas e tolerância nas escolhas dos outros.

É também com estas duas palavras que saúdo os autores da petição que hoje aqui debatemos, permitindo, assim, que o Parlamento, mais uma vez, reflita sobre este assunto.

A cultura mediterrânica do sul da Europa, herdeira da civilização greco-latina, tem uma génese comum que se difundiu nos países do sul, civilização esta que deixou manifestações antropológicas e culturais que na Península Ibérica se mantiveram através dos séculos em torno e mercê da sobrevivência de uma espécie animal, o touro, tão associado desde a Antiguidade a estes cultos pagãos greco-latinos. Resumidamente, esta será a origem de uma manifestação inequivocamente cultural que se mantém viva e continua a ser hoje parte integrante da nossa tradição, a tauromaquia.

O património cultural imaterial e natural é o principal gerador da diversidade cultural, tal como é salientado, de resto, pela Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural da UNESCO, de 2001. Aliás, todas as convenções internacionais e documentos de referência, dos quais destaco, desde já, a Convenção de Faro, de 2005, subscrita por todos os ministros da cultura da União Europeia, defendem a diversidade cultural como garante de riqueza patrimonial, por oposição aos efeitos negativos da globalização.

As razões históricas, sociais, económicas, ambientais e estéticas que levam, anualmente, 900 000 pessoas às praças de toiros e atraem cerca de três milhões de participantes nas festas taurinas, de norte a sul do País, incluindo a ilha Terceira, são profundas, não foram instituídas nem por decreto nem por despacho e não devem ser abolidas nem por decreto nem por despacho.

As corridas de toiros só acabarão quando deixarem de ter a importância social que têm hoje para as comunidades que as praticam; são as comunidades que deverão determinar a orientação da legislação, que, nesta matéria, apenas legitima aquilo que advém de práticas tradicionais e históricas.

Falamos de mais de 100 municípios, onde se realizam corridas de toiros, e de 1440 moços de forcados, uma tradição exclusivamente portuguesa; falamos de uma atividade que é verdadeiramente transversal à sociedade portuguesa, atravessando estratos sociais, ideologias políticas, género ou idades; falamos de uma atividade totalmente independente financeiramente do Estado, que assenta numa rede estrutural de suporte com considerável importância económica para o nosso País; falamos ainda de uma atividade que assenta num ecossistema ambiental específico, a que estão associadas espçcies de fauna e flora,»

O Sr. Marcos Perestrello (PS): — Bem lembrado!

A Sr.ª Gabriela Canavilhas (PS): — » do montado á criação de cavalos, incluindo o cavalo lusitano; falamos de um mundo rural que é profundamente português e que evoca a relação do homem com a natureza, nas suas múltiplas formas de afirmação.

Falamos, em suma, de uma manifestação profundamente arreigada no nosso País, cuja abolição é hoje solicitada pelos peticionários. Do debate político que suscita aqui resultará, certamente, o reconhecimento da sua legitimidade, porque assim o exige o respeito pela vontade das populações que envolve e o respeito pela liberdade que se espera de uma sociedade diversa, inclusiva e tolerante.

Aplausos do PS, do PSD e do CDS-PP.

A Sr.ª Presidente: — Tem a palavra a Sr.ª Deputada Teresa Anjinho, para uma intervenção.

A Sr.ª Teresa Anjinho (CDS-PP): — Sr.ª Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Permitam-me começar por saudar os peticionários que se dirigiram a esta Assembleia, exercendo assim um tão importante direito de participação política.

Discutimos hoje a petição pública pelo fim das corridas de touros em Portugal, dinamizada pela Campanha Anti-Tourada Portugal.

Contestam os peticionários a existência de touradas, entendendo que estas põem em causa os direitos dos animais, sendo tradições ética e moralmente inaceitáveis. Pretendem, assim, que a Assembleia debata os espetáculos tauromáquicos, bem como que legisle no sentido de acabar com as corridas de touros em Portugal.

Sr.as e Srs. Deputados, a tauromaquia é parte integrante da cultura popular portuguesa,»

O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): — Muito bem!

A Sr.ª Teresa Anjinho (CDS-PP): — » sendo este um facto indiscutível, afirmado e reafirmado por diversas vezes nesta Casa, sempre que é instada a pronunciar-se nesta matéria. Somos, assim, inevitavelmente reconduzidos para uma questão de cultura e de expressão cultural.

Naturalmente que a tauromaquia, como outras expressões culturais tradicionais, não reúne o apoio de todos, e esta petição assim o atesta. Todavia, trata-se claramente de direitos culturais, de direitos que dão consistência e conteúdo a palavras como liberdade — liberdade de pensamento, liberdade de expressão no quadro de uma vida cultural. E vou mais longe: os direitos culturais são centrais à vida contemporânea, centralidade que, de facto, apresenta uma enorme complexidade, levantando muitas questões de respostas nada fáceis e evidentes, mas há, neste tema, diretrizes para nós muito claras.

Primeiro: a vida cultural dá pleno sentido à liberdade, retirando-se daqui aquilo que consideramos ser a essência do direito cultural, ou seja, o direito a participar da vida cultural. Cabe ao Estado preservar a vida cultural que existe, não criar uma, produzir uma ou proibir uma.

Os direitos culturais referem-se essencialmente a indivíduos, pelo que só os indivíduos podem definir, no exercício dos seus direitos, as necessidades da sua própria identidade cultural pessoal. A proibição das touradas contraria qualquer uma destas convicções.

Mais: a tauromaquia, em Portugal, vai além da sua faceta artística, como muito bem já foi referido, sendo igualmente uma atividade de relevante importância económica.

Assim sendo, por tudo o que ficou dito, no plano do direito e da economia, no mais inteiro respeito pela diversidade de opiniões que caracteriza um Estado democrático e plural, exatamente em nome destes valores, não nos parece razoável defender esta proibição. Democraticamente, há que aceitar e reconhecer que a tauromaquia é uma atividade com muitos adeptos, muitos espectadores, muitos aficionados, que por esta via de proibição veriam restringidos e retirados direitos — bem como deveres, refira-se — que lhes são atualmente reconhecidos e atribuídos por lei.

Dizem os peticionários que esta é uma tradição ética e moralmente inaceitável. Sr.as e Srs. Deputados, a questão aqui não é de moral mas, sim, de direito, e, neste tema, ponderados os valores e interesses que se colocam, o direito de fazer ou não fazer alguma coisa em cultura deve prevalecer sempre sobre a construção de uma moral coletiva, com a qual não concordamos.

Aplausos do CDS-PP e do PSD.

A Sr.ª Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado Paulo Sá, para uma intervenção.

O Sr. Paulo Sá (PCP): — Sr.ª Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Gostaria de começar por saudar os 7217 subscritores da presente petição, os quais, fazendo uso deste instrumento de participação política democrática, solicitam à Assembleia da República que legisle no sentido de pôr fim às corridas de touros em Portugal.

Já por diversas vezes, em anteriores legislaturas, deram entrada na Assembleia da República petições sobre esta temática. Contudo, por se considerar não haver identidade total de objeto e pretensão entre essas petições e a atual, e ainda por se considerar haver novos elementos de apreciação, nomeadamente o facto de se ter registado a nível internacional um aumento de campanhas anti-tourada, entendeu a Comissão de Educação, Ciência e Cultura, por unanimidade, admitir a presente petição.

As corridas de touros em particular, e os espetáculos tauromáquicos em geral, são uma questão que divide a sociedade portuguesa. Por um lado, diversos movimentos de defesa dos animais consideram a tourada como um espetáculo degradante, bárbaro e cruel, indigno de uma sociedade moderna e civilizada, na qual se inflige aos touros um sofrimento atroz para gáudio da assistência.

Por outro lado, a Federação Portuguesa das Associações Taurinas considera «a festa brava como um espetáculo artístico, pleno de rituais e de simbologias, que a transformam numa escola de virtudes e num dos poucos lugares onde se pode admirar a ligação entre o homem e a natureza e a forma como, através da razão, o homem cria beleza e arte».

Esta profunda discrepância na caraterização das corridas de touros como espetáculo de riqueza estética inestimável, por um lado, e como tortura em nome do entretenimento, por outro, encontra eco num estudo de opinião sobre a atividade taurina em Portugal, levado a cabo por uma empresa especializada em Março do ano passado e do qual foi dado conhecimento à Assembleia da República pela Secretaria de Estado da Cultura. Este estudo revela que, num universo de 1133 inquiridos, 24,5% são de opinião que a realização de atividades com touros devia ser restringida ou proibida, enquanto 56,5% concordam com a legislação existente sobre espetáculos tauromáquicos.

O PCP reconhece o apego de muitos portugueses e de muitas comunidades do nosso País à tauromaquia, considerada parte integrante da cultura popular portuguesa pela legislação vigente, não ignorando, contudo, as opiniões contrárias de outros setores da sociedade. Tal divisão de opiniões e extremar de posições aconselha uma profunda reflexão sobre o tema levantado pela petição hoje em discussão. Por isso, entendemos não ser acertado qualquer tipo de proibição por via legal das touradas no nosso País.

O Grupo Parlamentar do PCP manifesta-se disponível para esta reflexão e, tal como no passado, continua empenhado numa ação persistente no sentido de melhorar a proteção dos animais e de estabelecer uma relação mais saudável, mais humana, entre os seres humanos e os animais.

Aplausos do PCP.

A Sr.ª Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada Heloísa Apolónia.

A Sr.ª Heloísa Apolónia (Os Verdes): — Sr.ª Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Queria também começar por saudar, em nome do Grupo Parlamentar «Os Verdes», os mais de 7200 peticionários.

Antes de mais, gostaria de dar uma pequeníssima resposta à Sr.ª Deputada Gabriela Canavilhas. Sr.ª Deputada, desde que vi responsáveis pela cultura defenderem barragens em sítios paradisíacos em nome, até, de valores ambientais, já acredito que me deem argumentos de ordem ambiental para tudo, até para isto!

Risos da Deputada do PS Gabriela Canavilhas.

Sr.as e Srs. Deputados, as touradas têm, inegavelmente, uma vertente cultural — sejamos sérios! É verdade! É mesmo! Mas aquilo que temos de questionar é se essa vertente cultural, dada a caraterística do espetáculo, valerá por si própria. Para muitos, não vale, para muitos, o que consideram ser a própria barbaridade e violência do espetáculo faz com que essa vertente cultural não possa valer por si só. É uma posição sobre a qual temos de refletir.

Por outro lado, quando argumentamos com vertentes e valores culturais partimos do princípio de que esses valores culturais nunca podem evoluir? Ou seja, a sociedade pode evoluir nos seus mais diversos aspetos, mas não pode evoluir em determinados segmentos culturais? Pode! E a sociedade deve fazer reflexões, porque essas reflexões vão ajudando também a cimentar consciências e a que as pessoas possam aperceber-se de coisas de que anteriormente não se apercebiam. Portanto, as discussões são extraordinariamente importantes e julgo que, relativamente a esta matéria, ninguém nega discussões.

Tenho para mim, sem estar sustentada em estudos — e já percebi que, em Portugal, há estudos para todos os gostos — , que há cada vez há mais pessoas indiferentes às touradas. Tenho, para mim, esta convicção e admito que haja Srs. Deputados que não a tenham. Mas gostava de colocar uma questão para perceber se mesmo aqueles que veem beleza no espetáculo tauromáquico assumem ou não alguma característica de violência no próprio espetáculo. É porque já ouvi aqui, noutra anterior discussão, uma Deputada do CDS admitir esse estatuto de violência no espetáculo. Então, se calhar, era importante também fazermos esta reflexão: quando o espetáculo é apresentado, designadamente, ao público, em grande massa, por exemplo, na televisão, deve ou não ser assumido como um espetáculo violento e ter lá o símbolo da violência que é normal nos programas televisivos?

O Sr. Altino Bessa (CDS-PP): — A bolinha vermelha!

A Sr.ª Heloísa Apolónia (Os Verdes): — Sim, é verdade, Sr. Deputado, a conhecida «a bolinha vermelha», exatamente.

Portanto, acho que há várias reflexões que devemos fazer.

Entretanto, temos aqui uma novidade, que foi a proibição das touradas na Catalunha, mas também temos de compreender porque é que essa preocupação vingou na Catalunha.
Bom, há aqui um conjunto de dados sobre os quais julgamos ser importante refletir, e também consideramos importante a entrada desta petição e a sua discussão na Assembleia da República, porque nos permite, justamente, lançar argumentos, fazer esta discussão coletiva e, se calhar, perceber que esta discussão se deve alargar. Provavelmente, a sua presença permanente na sociedade, no debate, fará com que haja alguma evolução que, provavelmente também, satisfará, daqui a uns tempos — não se sabe quando — os peticionários, que podem dar um contributo na consciencialização da população em especial e, fundamentalmente, na própria caraterização do espetáculo.

Julgo que é por aí que talvez devamos começar, porque penso que até pode haver unanimidade no sentido da caracterização do próprio espetáculo, assumindo que, de facto, há uma componente de violência que deve ser assumida.

A Sr.ª Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada Catarina Martins.

A Sr.ª Catarina Martins (BE): — Sr.ª Presidente, Srs. Deputados: Agradeço, em nome do Bloco de Esquerda, às mais de 7000 pessoas que assinaram esta petição, pedindo o fim das corridas de touros em Portugal.

O BE saúda os movimentos de defesa dos direitos dos animais que, com a sua luta, têm ajudado a sociedade a avançar no sentido da modernidade. Sabemos hoje — a ciência comprova-o — que, numa tourada, os animais sentem ansiedade, angústia, stress, medo, dor. O sofrimento provocado aos animais é brutal e bárbaro e é importante que não haja dúvidas sobre este ponto. Sabemos que esta é uma questão polémica, onde há muitas visões e muitas opiniões, inclusivamente dentro do Bloco de Esquerda, mas sabemos também que os partidos políticos são chamados a fazer escolhas, devem fazê-las e assumi-las e não podem fugir a esta questão.

O BE não foge à questão e afirma que é contra os espetáculos tauromáquicos, porque não podemos aceitar a violência contra os animais.

Vozes do BE: — Muito bem!

A Sr.ª Catarina Martins (BE): — Desde o dia 1 de Janeiro deste ano que na Catalunha, aqui, na vizinha Espanha, as touradas são proibidas, na sequência de uma iniciativa legislativa popular que recolheu mais de 180 000 assinaturas. Também aqui foi a força viva dos movimentos cívicos pelos direitos dos animais que fez o avanço para uma sociedade mais aberta, moderna e respeitadora de princípios éticos.

O BE acompanha a pretensão das mais de 7000 pessoas que apresentaram a petição, afirmando a exigência do fim das corridas de touros, que é uma exigência de modernidade, que é uma exigência ética.

Aplausos do BE.

A Sr.ª Presidente: — Srs. Deputados, terminamos aqui o debate sobre a petição n.º 2/XII (1.ª) — Apresentada por Mário Jorge Silva Amorim e outros, solicitando à Assembleia da República que legisle no sentido de acabar com as corridas de touros em Portugal e assim terminamos a ordem do dia de hoje.

 

CRISE PREJUDICA TURISMO E HOTELARIA EM VILA PRAIA DE ÂNCORA

É notória a diminuição da afluência turística a Vila Praia de Âncora durante este Verão. E não são apenas os portugueses que se deslocam em menor número e procuram alojamento naquela estância balnear do Alto Minho mas também os habituais turistas provenientes da Galiza e de outros países europeus. Apesar disso, a localidade não deixa de ser visitada sobretudo por muitos emigrantes de férias no nosso país.

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O Município de Caminha multiplica-se em iniciativas que visam proporcionar muita animação aos visitantes, destacando-se este ano o Festival do Mexilhão e a Festa do Emigrante e da Gastronomia Nacional. Espera-se que a realização das tradicionais festas em honra de Nossa Senhora da Bonança que vão ter lugar entre os próximos dias 6 a 9 de setembro constitua um motivo de grande atração turística e religiosa.

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A ROMARIA DA SENHORA D'AGONIA EM VIANA DO CASTELO HÁ 86 ANOS!

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A revista “Ilustração” de 16 de Setembro de 1926 publicou um conjunto de fotografias alusivas à Romaria da Senhora da Agonia, realizada naquele ano, em Viana do Castelo. Mostram-nos o Bispo de Braga presidindo à peregrinação, um grupo de quatro lavradeiras premiadas num certame de trajes, os cabeçudos e gigantones, a parada agrícola, um ajuntamento de pessoas aguardando a passagem da procissão, a peregrinação a Santa Luzia e a venda de água fresca. Aspectos característicos de uma festa realizada há 86 anos!

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VIANA DO CASTELO: OPOSITORES ÀS TOURADAS PREPARAM MANIFESTAÇÃO DE PROTESTO

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Os opositores aos espetáculos tauromáquicos estão através das redes sociais a convocar uma “manifestação viral” para o próximo dia 19 de agosto, em Viana do Castelo, contra a realização da anunciada corrida de touros.

“Vamos a Viana! Pelos touros e cavalos!” e “Na Romaria d’Agonia, vermelho só nos trajes!” são as palavras de ordem dos manifestantes.

VIANA DO CASTELO ARRISCA OUTRO PROCESSO JUDICIAL POR CAUSA DA TOURADA

Empresário impedido de organizar garraiada com anões promete ir para tribunal se for aceite a tourada da Prótoiro.

O dono da empresa "Razão - Produções", responsável pela tourada com anões que a Câmara Municipal de Viana indeferiu o mês passado garante que se a corrida de touros prevista para domingo for mesmo avante irá recorrer ao tribunal para ser ressarcido dos prejuízos que estima em cerca de dois mil euros. 

Em declarações ao PÚBLICO, José Razão adiantou que irá mover o processo judicial "logo que tenha a certeza da realização da tourada", que a Prótoiro quer promover no domingo, durante as Festas da Agonia. O empresário afirmou ainda que, caso se concretize a possibilidade de recurso aos tribunais, contará com o apoio jurídico "dos advogados da Prótoiro", disponibilizado, "logo após o indeferimento da corrida com anões", que a "Razão - Produções" chegou a anunciar para o passado dia 22 na freguesia de Mazarefes, na margem esquerda do rio Lima.

"Eles contactaram-me logo que a câmara recusou o nosso pedido para a instalação de uma praça amovível. Disseram-me que podia avançar para tribunal que eles estariam lá para me defender", explicou José Razão. O responsável da empresa, com sede em Barcelos desde 2001, afirmou que "alguém terá que pagar os prejuízos" tanto mais, argumentou, que "não se tratava de uma tourada tradicional" mas apenas uma "garraiada" para "pura diversão" e "para fazer rir o público".

É mais uma acha para a polémica instalada nos últimos dias em Viana e que poderá ganhar outros contornos com a instalação, prevista para hoje, da praça amovível, com 3300 lugares, que a Prótoiro quer montar na veiga de Areosa. A Federação Portuguesa das Associações Taurinas diz ter autorização do Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga, apesar da Câmara já ter remetido um recurso, com carácter de urgência na tentativa de travar a providência cautelar que suspendeu o indeferimento municipal.

"Estamos em crer que a instalação deverá arrancar esta quarta-feira e se estivermos num Estado de Direito, no dia 19 de Agosto há corrida de touros em Viana do Castelo", afirmou Diogo Costa Monteiro.

Para o presidente da comissão executiva da Prótoiro, o argumento invocado pela Câmara, a alegada violação do PDM, "só vem provar que a autarquia têm consciência da ilicitude da deliberação que declarou o município antitouradas", tendo chamado "associações animalistas de Lisboa para o ajudarem".

Diogo Monteiro diz que a Prótoiro "continua sem saber que normas é que a Federação violou" dos vários instrumentos de ordenamento do território que o município diz estarem a ser colocados em causa. "É questão para perguntar: se a corrida for noutro terreno, será autorizada? É que nós temos outros terrenos", adiantou. Para este responsável, o autarca socialista José Maria Costa "está completamente desgovernado e desorientado, num histerismo inacreditável. Um presidente de Câmara não tem mais nada que fazer senão proibir touradas?", questionou.

A controvérsia política e social que a abolição de touradas gerou em Viana em 2009, quando a maioria socialista, então liderada por Defensor Moura, aprovou a declaração antitouradas, renasceu agora. E o CDS quer mesmo que a questão seja esclarecida em referendo municipal. Aristides Sousa admitiu que o momento que o país atravessa "não é o ideal" para "andar a desperdiçar dinheiro", mas neste caso "fala mais alto" o "negar de uma tradição com atitudes unilaterais". Tal como em 2009, Sousa reiterou o direito de escolha dos aficionados do concelho.

Na altura, os vereadores do PSD votaram contra a deliberação por, além de ser "demagógica" era "inconstitucional". Passados três anos, o social-democrata António Carvalho Martins reafirma o que afirmou na altura: "é uma decisão que extravasava as competências do executivo". O social-democrata que já foi Governador Civil lamentou a "tourada em que está envolvida a cidade" que, nota, por estes dias, deveria ser notícia na comunicação social apenas por causa das Festas da Agonia.

Autor: Andrea Cruz

Fonte: http://www.publico.pt/

OS 100 ANOS DE VIDA DO “VIANA TAURINO CLUBE”, EM LIVRO

 “Tratando-se de um clube animado pelo voluntarismo e dedicação dos seus associados, transformado num grupo empenhado de cidadãos que tem demonstrado uma grande capacidade para dinamizar actividades, cem anos depois da fundação, o Taurino é uma das mais prestigiosas colectividades da cidade”

Os Autores (Rui A. Faria Viana / Amândio Passos Silva)

Por mantermos, há mais de trinta anos, uma certa cumplicidade com o actual director (Avelino Castro) deste centenário órgão de comunicação social (Cardeal Saraiva) e com as gentes de Ponte de Lima – e não são poucos os coniventes –, não resistimos à tentação, em jeito de desafio, de passarmos a deambular, com mais assiduidade, pelas páginas do “Cardeal Saraiva”. Aproveitando o ensejo de este mesmo jornal ter sido fundado a 15 de Fevereiro de 1910 – ano marcadamente memoriável para alguns (muitos), pelo facto de assistirmos à implantação da República –, queríamos trazer à memória de todos aqueles que se prezam em ser limianos (tendo em conta a nossa ancestralidade e de todos nós bebermos da água do Lethes), que em 10 de Agosto desse mesmo ano era fundado, em Viana do Castelo, o «Viana Taurino Clube», embrionariamente nascido de um grupo de aficionados da tauromaquia, fortemente estimulados pelo famoso cavaleiro tauromáquico Francisco de Lima da Costa Barreira, conhecido por Morgado de Covas (1878-1919). Foram fundadores deste mesmo clube: Alfredo Plácido Leitão de Castro, Amadeu Petropolitano Leitão de Castro, António Alberto Lopes Guimarães, António Albino Pimenta de Queirós Lacerda, António da Silva Pereira, Ernesto Sardinha, Henrique Couto Viana, João d’Alpuim d’Agorreta de Sá Coutinho, João Alves Cerqueira, José d’Alpuim d’Agorreta de Sá Coutinho, José António Couto Viana Ferreira, José Domingos Vivo, José Martins Xavier, José Viana Carvalho, Luís Filipe Ferreira d’Eça e Leiva e Luís Vieira do Rego Viana.

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É evidente que não é nosso propósito, neste pequeno apontamento, discorrer pelo percurso existencial deste prestigiado clube centenário, mas “anunciar” o positivo arauto de todo esse percurso ter sido dado à estampa (em Abril de 2012) num bem elaborado e meticuloso trabalho editorial, da autoria de Rui Alberto Faria Viana, actual director da Biblioteca Pública Municipal de Viana do Castelo e responsável editorial dos Cadernos Vianenses, licenciado em História e Ciências Sociais pela Universidade do Minho e Pós-graduado em Ciências Documentais pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, autor de diversos trabalhos sobre a história local e responsável por dezenas de entradas sobre autores vianenses no Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, editado pelas Publicações Europa-América; e Amândio Passos Silva, antigo gerente bancário, com forte ligação ao associativismo – tendo presidido aos destinos do S. C. Vianense e do próprio Viana Taurino Clube –, sendo actualmente Vice-Presidente da delegação de Viana do Castelo da Cruz Vermelha Portuguesa e Membro da Assembleia Municipal de Viana do Castelo. Apesar dos autores deste maravilhoso – porque, como acima referimos, bem elaborado – trabalho afirmarem (demonstrando uma certa humildade, que só os intelectualmente bem formados possuem) que o mesmo foi elaborado “de modo sucinto e desapaixonado, sem grandes conjecturas e análise”, temos que reconhecer que todo um potencial de memórias acumulado num século de vida – face à informação disponível (em algumas situações sabemo-la, circunstancialmente inexistente) –, não poderia ser feito doutra maneira. Aplaudimos a metodologia seguida e “subscrevemos” a sensação do dever cumprido, quando reforçam que “o cruzamento de toda esta informação permitiu-nos reconstituir os momentos mais significativos do percurso do Taurino ao longo de um século de vida, reflectidos aqui, por razões metodológicas, no espaço temporal correspondente à vigência de cada presidência”. Perpassam pelas suas 228 páginas, as presidências de João d’Alpuim d’Agorreta (1910-1911); José d’Alpuim d’Agorreta (1912); Miguel d’Alpuim d’Agorreta (1913-1925); Salvato Feijó (1926-1927); Miguel d’Alpuim d’Agorreta (1928-1929); Ernesto Sardinha (1930-1931); João Vítor Martins Viana (1932-1933); José Maria Mendes Carneiro (1934); João Vítor Martins Viana (1935-1936); Henrique Couto Viana (1937-1938); José Júlio de Magalhães e Vasconcelos (1939-1944); Henrique Couto Viana (1945-1946); Ernesto Sardinha (1947); José de Carvalho Vieira (1947); António Pacheco (1948-1949); José Júlio de Magalhães e Vasconcelos (1950); Eugénio Pinheiro (1951-1963); António Martins de Araújo (1964-1965); Norberto Gonçalves (1966-1968); António Martins de Araújo (1969-1970); Arnaldo Passos (1971); João de Pinho Viana (1972-1974); Armando Rodrigo Soares Pereira (1975); Justino Carvalho (1976); João Augusto Azevedo Santos (1977-1978); João José Roriz Martins Carneiro (1979-1980); João Augusto Azevedo Santos (1981); João Duarte (1981-1982); Romeu Fernando Martins de Sousa (1983-1988); Amândio Araújo Passos Silva (1989-1990); Carlos José Machado (1991-1992); Romeu Fernando Martins de Sousa (1993-1996); Graciano Afonso Quesado (1997-2002); Carlos Manuel Moreira Pereira Gomes (2003-2008); e, Ricardo Viana Felgueiras (2009-2010). Muitas destas personalidades tiveram uma acção preponderante no desenvolvimento cultural e político da nossa região, mais concretamente o Alto Minho.

Nota máxima para o «Viana Taurino Clube: 100 Anos de Vida» e para os seus autores. Esta é, a partir de agora, uma obra de referência na bibliografia regional!

Autor: Porfírio Silva

Fonte: http://muxicongo.blogspot.pt/

VEREADOR ARISTIDES SOUSA (CDS) CONCORDA COM A REALIZAÇÃO DA TOURADA EM VIANA DO CASTELO

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“Viana do Castelo merece mais do que um Presidente de Câmara que teima em não respeitar quem pensa diferente. Esgrimir regulamentos e planos contra direitos fundamentais, como do direito à cultura, é tão castrador quanto faccioso, como faz o Presidente da Câmara Municipal José Maria Costa.

Para dissipar reservas mentais, faço a declaração de interesses.

Não sou aficionado nem frequentador do espetáculo tauromáquico. No entanto, enquanto eleito da Câmara Municipal, defendo o coletivo e o bem comum, concorde ou não, goste ou nem por isso, sobrepondo os direitos fundamentais a regulamentos específicos.

Assim, reitero a posição que o CDS defendeu na Assembleia Municipal de Viana do Castelo, realizada a 29 de abril de 2009. Então, como agora, reitero que assiste aos aficionados de Viana do Castelo o direito a ter na sua terra expressão da cultura e das tradições.

Viana do Castelo é uma cidade com tradição tauromáquica secular, ainda reconhecida e aceite por muitos, sendo que a Praça de Touros se assumiu desde a primeira metade do século passado enquanto referência dos aficionados, situação cimentada ao longo de décadas.

Investir contra essa realidade é tão violento quanto absurdo. As Festas da Senhora d’Agonia são a manifestação da arte e das tradições em que os Vianenses se reveem, exibindo e participando ao mundo o que nos identifica. A tourada faz parte dessa identidade, onde a arte do toureio se evidencia.

Lamento que em Viana do Castelo se tenha criado esta cisão que faz conflituar argumentos onde a humanidade se perde e se confunde, e o acometimento dos mais assanhados chocam e violentam o bom senso.

Foi um erro nascido da teimosia acabar com esta manifestação popular em Viana do Castelo, cidade, concelho e distrito plural e com fortes tradições rurais.

Claro que há quem não goste, há quem julgue a lide dos touros uma violência, uma incultura. O CDS não censura os que assim pensam, mas também não nos deixamos enlear por falsos argumentos daqueles que ficam menos ofendidos com a agressão à dignidade da condição humana do que com a arte da lide tauromáquica.

Não somos masoquistas nem antropófagos.

Não somos os confusos cidadãos púdicos defensores dos animais que têm hábitos alimentares carnívoros que rasgam entre dentes carne à mesa e ou ao balcão para saciar apetites. Não consta que os Vianenses sejam herbívoros nem que desconheçam, mesmo que superficialmente, a cadeia alimentar e os hábitos culturais e gastronómicos da sua terra. Não subestimamos os direitos dos animais nem confundimos os direitos e deveres dos Homens, menos ainda negligenciamos estes em prol de quaisquer outros.

É tempo de dizer basta à hipocrisia! Permitir que a arte do toureio se faça em Viana do Castelo é afirmar a liberdade de escolha, é exercer a democracia e promover a igualdade de oportunidades. Esta é a atitude que se espera de um presidente de câmara!

Quem ama, vai! Quem não gosta, fica longe, respeitando o seu gosto e paixão dos outros, a tradição e a cultura.

Viana do Castelo, 14 de agosto de 2012

Aristides Sousa

Vereador da Câmara Municipal de Viana do Castelo eleito pelo CDS-PP”

CASA DO MINHO EM NEWARK COMEMORA ANIVERSÁRIO DOS SEUS RANCHOS FOLCLÓRICOS

A Casa do Minho em Newark, nos Estados Unidos da América, vai no próximo dia 20 de outubro comemorar o aniversário dos seus ranchos folclóricos, o adulto e o infantil. Trata-se de uma iniciativa que mobiliza a comunidade minhota radicada no Estado de New Jersey e, de uma maneira geral, os nossos compatriotas que ali vivem independentemente da sua região de origem.

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A Casa do Minho em Newark é uma associação jovem onde se respira alegria e dinamismo, congregando à sua volta milhares de minhotos e marcando forte presença nas comemorações do Dia de Portugal. O BLOGUE DO MINHO já teve a oportunidade de dar a conhecer aos seus leitores as suas principais atividades e o espírito que ali se vive.

Para além da atuação dos dois ranchos folclóricos – adulto e infantil – as comemorações dos seus aniversários contam ainda, pela primeira vez nos Estados Unidos da América, com a participação da maravilhosa Cláudia Martins e Walter de Ponte da Barca. E. como não podia deixar de acontecer em festa minhota, haverá cantares ao desafio!

Em relação ao repasto, a ementa consta de coctkail variado, caldo verde, bacalhau à lagareiro e lombo assado, certamente regado com os melhores vinhos verdes da nossa região. Mas não faltarão as águas, cerveja, sumos, café e chá para quem apreciar e, à sobremesa, haverá variedade de doces e uma mesa repleta de frutas. Até à mesa o Minho carateriza-se pela sua exuberância!

Fotos: Isabel Pereira

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NOTA DE IMPRENSA DO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE VIANA DO CASTELO ACERCA DA DECISÃO JUDICIAL QUE AUTORIZA A REALIZAÇÃO DA TOURADA

Vamos Indeferir o Licenciamento das Touradas

Foi requerida pela Prótoiro a suspensão provisória da  eficácia da deliberação da Câmara de 27 de Fevereiro de 2009 – Viana do Castelo anti-touradas;

Suspensão provisória da eficácia dos despachos de 26 de Julho e 2 de Agosto, do indeferimento da instalação de uma praça de touros ambulante;

Estranhamente, o Tribunal antes da decisão, não ouviu a Câmara Municipal, por entender ser de extrema urgência este assunto.

Face a estes pontos o Município:

  1. Vai deduzir oposição deste decretamento provisório do TAF, pois esta iniciativa desrespeita o ambiente e o ordenamento do território.
  2. O Município tem por função nas suas decisões respeitar e fazer respeitar a legislação e planos de ordenamento do território aprovada quer pelo município, quer nacional, quer comunitária.
  3. Neste caso, esta instalação da tourada, no sítio que está prevista, viola o Plano Diretor Municipal, viola o Regime da Reserva Ecológica Nacional e viola a Reserva Agrícola Nacional ( espaço de elevada sensibilidade ambiental e paisagística), para além de não estar previsto este uso no Plano De Ordenamento da Orla Costeira Caminha/Espinho.

Para a realização deste evento naquele local, teriam de ser ouvidas previamente entidades como a Comissão de Coordenação da Região Norte (regime da REN), ARH Norte ( Regime do POOC),  e o Instituto da Conservação da Natureza (REN e POOC).

O Tribunal, como sabem, não se pode substituir ás entidades licenciadoras.

As nossas razões do indeferimento mantêm-se e vamos dar nota delas no recurso ao Tribunal.

Gostaria de referir que Viana do Castelo assumiu em 2009 ser uma cidade sem touradas, e mantemos esta determinação, para a qual temos tido o apoio de inúmeras Associações Internacionais e Nacionais.

A Plataforma Nacional Anti Touradas, deslocou-se a Viana do Castelo para nos apoiar.

Viana do Castelo e Portugal estão de acordo com a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, aprovada pela Unesco em 1978.

A Sociedade Portuguesa, felizmente tem tido um avanço civilizacional e libertou-se de algumas algemas de tradições do passado, tal como outros países, e efetuou um progresso cultural e civilizacional.

A escravatura no passado também foi abolida. As manifestações taurinas também já foram abolidas em vários concelhos portugueses, na vizinha Espanha (Catalunha, Canárias e muitos municípios, no Brasil, no Chile, na Argentina.).

Viana do Castelo, 13 de Agosto de 2012.

O MINHO NA “REVISTA DE TURISMO” DE 1916

A “Revista de Turismo” de 5 de agosto de 1916, publicou um interessante artigo da autoria do jornalista e escritor Guerra Maio que faz uma descrição algo poética da paisagem e dos costumes minhotos, o qual a seguir se transcreve.

José da Guerra Maio de seu nome completo, colaborou nos jornais “Comércio do Porto” e “Diário de Lisboa”, tendo ainda sido redator da “Gazeta dos Caminhos de Ferro”. Dirigiu mais tarde, em Paris, a Agência de Turismo da Sociedade de Propaganda de Portugal.

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PAISAGENS PORTUGUEZAS. O MINHO

Terra de encanto, em que a videira abraça

Com terna graça o castanheiro em flor

Eu adoro o Minho. E quem não o adora? Quem nunca o viu.

Quem nunca ficou estasiado ante a vista admiravel e soberba do Monte de Santa Luzia, e quem não se sentiu poeta entre o murmurar lento do Ave, quem nunca lhe deu vontade de saltar para o folguedo de uma romaria minhota? Quem não sente vibrar-lhe uma alma de portuguez.

Minho, terra de romarias, paisagens verdes e fragantes para noivos e sonhadores; rios encantados para poetas e sentimentalistas.

Todo o Minho é um sonho.

Braga. Bom Jesus do Monte

A paisagem que nos deslumbra a vista, o perfume suave e doce que nos embalsama a alma, o canto vibrante do melro saltando entre as ramarias, onde a uva pende da videira quasi secular, e ainda o canto melancholico do rouxinol sacudindo os salgueiraes, nas noites em que a lua cheia reflete, sobre a terra bemdita, uma claridade de sol d’Agosto.

Eu fui um dia de longada por esse Minho das romarias, e ao regressar senti que dentro de mim brotara uma alma nova.

Mas não foi no comboio veloz e poeirento que a Natureza se me espelhou na alma. Foi nas jornadas nos char-à-bancs por essas estradas agrinaldadas de verdura, entre terras de fartos milharaes; ora transportando-me de Guimarães para Braga, ou indo em paciente longada até Lanhoso, ao Gerez, aos Arcos, a Monsão, ora descendo ao lado do rio Lima, que as sebes compactas, toldam de u verde bronze, onde ás vezes nos parece surgir aquelas minphas de que nos falam a lenda e os poetas.

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Uma feira no Minho

No Minho, tudo nos arrebata e comove. Na romaria, desejamos vestir uma jaleca e empunhar um cacete, saltar para o meio da folia, cantar á desgarrada com as raparigas de tranças cahidas e de peitos a arfar, mais de amor que de volupia.

Se subirmos ao Bom Jesus, mordesse-nos o beiço de inveja ao ver passar os cedros seculares, noivos sorrindo e sonhando com felicidades futuras; mas ao lado o coração comprime-se nos de dôr, ao ver passar os penitentes subindo de joelhos, em lances angustiosos, a escadaria do santuário n’um fervoroso voto de reconhecimento.

Mais além no Sameiro, a virgem na solidão, convida-nos a admirar um dos mais belos panoramas do Mundo. Bemdita jornada, consolado sacrifício de tão grande subida. Ali, junto á sua capela para qualquer lado que a vista se alargue, uma intensa alegria e uma expansão de grandeza, embriaga-nos o espirito da mais candida suavidade.

Os cerros vestidos de castanheiros e de vinhedos, com a capelinha branca no alto dando uma nota de piedade, descem para os vales ubérrimos, onde casaes de lavradores, com o seu eirado das descamisadas e dos castos beijos amorosos, nos dão a impressão de um capitulo das Pupilas do sr. Reitor.

Todo esse ambiente de bucolismo sentimental, é cortado pelas aguas do Ave, que em brandas curvas vae correndo mansamente e beijando com amor as lavadeiras e as mulheres da rega dos milharaes.

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Guimarães. O castelo

Mas se descermos a Guimarães, temos que nos curvar ante o seu castelo, onde a tradição tem em cada pedra uma pagina da historia pátria.

Mais abaixo, a Natureza, esqueceu-se do resto do Mundo para nos deixar essa encantadora Vizela, onde a par das suas aguas milagrosas, armou um toldo de verdura que o sol de agosto não consegue descer.

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Vizela. Um trecho do rio

O rio Vizela, com a sua ilha dos Amoras onde tantos sentimentais teem ido noivar, parece um Eden, para a gente se esquecer da vida.

A falta do caminho de ferro que nos leve ao Alto Minho não tem permitido ensejo para se admirar essas vilas esquecidas entre as verduras; como sejam: Arcos de Val-de-Vez, Ponte da Barca e Ponte de Lima, d’esta ultima disse um poeta de raça, que era a mais linda vila de Portugal, também lá fomos e não tivemos vontade de contradizer tão balizada opinião.

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Ponte de Lima

Se formos a Viana dos Castelo, ao apearmos na sua estação, janota e elegante, e se ao olharmos para o escabroso monte de Santa Luzia, não nos fica a impressão da sublime e extasiante paisagem que de lá se disfruta, mirando o Rio Lima que n’uma doce alegria se vae juntar ao oceano, depois de fecundar as fartas planícies que o comprimem, e cuja terra forte e creadora é revolvida por charruas colossaes.

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Mulher de Viana

E a mulher minhota? Encantadora e meiga; dizem que a de Viana é linda, é-o certamente, mas para seu mal, vae-se vestindo pelo figurino de importação, e razão não lhe falta, pois a graça do seu vestido, em cuja cinta se lê a palavra Amor ou Saudade, entrou na cidade fazendo o ridículo e hediondo papel de figurino carnavalesco.

Garrida e candida mulher de Viana, rasga o teu vestido, e despresa esta raça de snobistas, que te trouxeram para os bailes desgraciosos de Carnaval.

Gerra Maio

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