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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

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CASA DO MINHO DO RIO DE JANEIRO É O CORDÃO UMBILICAL QUE LIGA OS MINHOTOS NO BRASIL À SUA TERRA NATAL

A Festa de Fados e a comemoração do Dia da Mãe foram duas das muitas iniciativas que a Casa do Minho do Rio de Janeiro vem levando a efeito ao longo do corrente ano e que conta com grande adesão da comunidade minhota radicada no Brasil. O BLOGUE DO MINHO agradece à Casa do Minho do Rio de Janeiro a cedência das fotos que publica com o propósito de dar a conhecer as suas iniciativas, estabelecendo desta forma um elo de ligação entre todos os minhotos espalhados pelo mundo.

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Constituída há mais de 88 anos, a Casa do Minho no Rio de Janeiro foi criada com o propósito de estabelecer solidariedade e prestar auxílio aos nossos compatriotas que, nos anos difíceis do começo do século XX, se viram desamparados pela sorte e à beira da miséria, muitos dos quais tiveram então de ser expatriados, a Casa do Minho viria a constituir-se num baluarte do regionalismo minhoto e da afirmação do patriotismo dos portugueses em terras de Vera Cruz, precisamente a que ostenta no seu próprio emblema.

Ultrapassadas as dificuldades iniciais com que os nossos conterrâneos se debateram para conseguirem uma vida mais digna, as gentes minhotas deram à Casa do Minho uma nova missão que consiste na preservação da sua identidade, mormente através das mais variadas manifestações culturais, tertúlias literárias, manifestações religiosas, divulgação do folclore e, sobretudo, da união e convívio familiar dos seus associados.

Desde a sua fundação, a Casa do Minho no Rio de Janeiro é obra de muitos homens e mulheres que ao longo de oitenta e oito anos de existência souberam erguer uma grandiosa instituição que dignifica a comunidade minhota radicada no Brasil e prestigia o nosso país.

Localizada na rua Cosme Velho, na zona sul do Rio de Janeiro, a Sede social da Casa do Minho dispõe para além das instalações propriamente ditas, de uma grande arborizada, parque de estacionamento e dois magníficos recintos desportivos.

De entre as suas principais finalidades, cumpre-nos destacar a promoção da fraternidade Luso-Brasileira; o desenvolvimento da prática de atividades desportivas, recreativas, culturais e sociais; a difusão do culto à Comunidade Lusíada; a luta pelos interesses do do Minho tornando conhecidas sua história, belezas naturais, gastronomia e o seu folclore.

Fotos: Casa do Minho do Rio de Janeiro

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AUTARCAS MINHOTOS PROTESTAM EM LISBOA CONTRA ENCERRAMENTO DOS TRIBUNAIS EM MELGAÇO E PAREDES DE COURA

Face à recusa da Ministra em receber os autarcas, os municípios portugueses podem cortar relações institucionais com o Ministério da Justiça

Perto de um mil autarcas de mais de cinquenta municípios vieram hoje a Lisboa protestar contra o encerramento dos tribunais nos seus concelhos. Entre eles encontravam-se os autarcas dos municípios de Melgaço e Paredes de Coura. A concentração, em frente ao Ministério da Justiça, foi convocada pela Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) e, de acordo com os seus promotores, visa a “defesa da Justiça em todo o território nacional”.

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Após as intervenções efetuadas, uma delegação encabeçada pelo Presidente da Câmara Municipal de Melgaço, Solheiro, dirigiu-se ao Ministério da Justiça para entregar um documento redigido pela ANMP intitulado “Linhas Estratégicas para a Reforma da Organização Judiciária”. Porém, a ministra da Justiça, Drª Paula Teixeira da Cruz, recusou-se a receber a delegação de autarcas, o que causou indignação geral traduzida em apupos e assobios.

Perante esta situação que consideram de lamentável desconsideração em relação ao poder local, Rui Solheiro afirmou à comunicação social em conferência de imprensa improvisada à porta do Ministério da Justiça que vai propor à ANMP um corte de relações institucionais entre esta entidade e o Ministério da Justiça.

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Até ao momento, os municípios apenas têm conhecimento das intenções do governo através dos órgãos de comunicação social. Porém, logo que tenham conhecimento do documento que determinará a extinção dos tribunais, os municípios abrangidos vão renunciar às suas competências relativamente aos julgados de paz e ainda denunciar os contratos celebrados com o governo na área da Educação, devolvendo as suas competências ao poder central.

Entretanto, a ANMP vai tentar impugnar junto dos tribunais europeus a decisão do governo de mandar encerrar mais de meia centena de tribunais em todo o país, mormente no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e no Tribunal de Justiça da União Europeia. Os autarcas consideram ser a “última réstia de soberania que vai deixar de existir num sexto dos municípios portugueses”.

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ESCRITORA JUDITE DA CRUZ APRESENTA O SEU LIVRO “AS TRADIÇÕES PORTUGUESAS EM FRANÇA”

A editora Tradisom Produções Culturais acaba de publicar o livro “As tradições portuguesas em França – A história do Folclore Português em Terras de França”, da autoria de Judite da Cruz. O livro será apresentado ao público no Consulado-Geral de Portugal em Paris, em sessão a ter lugar no próximo dia 29 de junho, a partir das 18 horas.

Entretanto, a escritora é hoje a convidada do programa “Alfa 19”, da Rádio ALFA, coordenado e apresentado por Artur Silva e a transmitir a partir das 19 horas (hora de França) dos seus estúdios nos arredores de Paris. A emissão pode ser seguida em direto através do seu site em http://www.radioalfa986.net/

 

MINHOTOS FAZEM ARRAIAL EM OLIVAL BASTO, NO CONCELHO DE ODIVELAS

Os minhotos que vivem na região de Lisboa rumaram até Olival Basto, às portas da cidade. Esta localidade viveu hoje o ambiente alegre e colorido das romarias minhotas. A abrir a festa, o Grupo de Bombos Amarantinos da Casa de Amarante e o Grupo de Gaiteiros da Freiria, de Torres Vedras fizeram a arruada e abriram o desfile etnográfico que percorreu as artérias daquela vila do Concelho de Odivelas.

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Seguiram-se o anfitrião Grupo Folclórico e Etnográfico Danças e Cantares ”Verde Minho”, o Grupo Folclórico e Etnográfico Danças e Cantares do Minho, o Rancho Folclórico Vale Flores, Feijó e o Grupo de Danças e Cantares Besclore. A apresentação do espetáculo em palco esteve a cargo de Arlindo Gomes dos Santos, conhecido crítico do folclore.

Este Encontro Cultural foi organizado pelo Grupo Folclórico e Etnográfico “Verde Minho” em colaboração com a Junta de Freguesia local constitui uma das iniciativas mais salientes no âmbito da cultura tradicional portuguesa que se realiza nesta região, constituindo simultaneamente um momento privilegiado de confraternização entre pessoas provenientes de diferentes regiões do país, tendo como palco uma localidade que se insere na região porventura mais característica e representativa da cultura saloia – a Vila de Olival de Basto, no Concelho de Odivelas.

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Na sua intervenção, o Presidente do Grupo Folclórico e Etnográfico “Verde Minho”, sr. Teotónio Gonçalves salientou precisamente a presença da comunidade minhotas e a sua capacidade de integração social nesta região. Registamos aqui as suas palavras:

“Às portas de Lisboa, Odivelas é uma das localidades que, do ponto de vista geo-etnográfico, faz parte da região saloia. Terra de gente laboriosa que, segundo os estudiosos, descende dos çalaios ou mouros forros que se dedicaram à agricultura e vieram a ocupar uma vasta área da província da Estremadura, desde Alenquer e Torres Vedras até Mafra, Sintra e Odivelas.

Mas, a partir de meados do século passado, com a deslocação de populações para a periferia de Lisboa. Olival de Basto e o Concelho de Odivelas em geral, passaram também a ser região de encontro de culturas de muitas e variadas gentes. Aqui se fixaram pessoas das mais diversas proveniências, do Minho ao Algarve e, mais recentemente, dos países de expressão portuguesa e inclusive de outras partes do mundo. Que o diga o próprio Presidente da Junta de Freguesia de Olival de Basto, natural do Concelho de Alvaiázere, considerada a “capital do chícharo”, uma leguminosa que é pretexto para a realização de uma festa que todos os anos leva àquela terra milhares de visitantes.

Entre as gentes que aqui se fixaram, sobressaem naturalmente os minhotos, facilmente reconhecidos por se tratar de gente pacífica e trabalhadora, alegre e participativa. Eis a razão por que à sua maneira também participa nas festas de Olival de Basto, trazendo a estas a alegria e o colorido das festas e romarias do Minho.

O Grupo Folclórico e Etnográfico Verde Minho é um pedaço do Minho nesta região. Esta “Tarde Minhota” é a forma dos minhotos mostrarem a sua alegria e gratidão à terra que tão generosamente os acolhe. As nossas concertinas convidavam-vos a partilharem connosco das festas que são de todos vós – as festas de Olival de Basto!”

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De referir que o Grupo Folclórico e Etnográfico “Verde Minho” realiza os seus ensaios todos os sábados á noite no Pavilhão Multiusos cedido pela Junta de Freguesia de Olival Basto e é uma associação cultural constituída por minhotos e amigos que vivem na região de Lisboa e concelhos limítrofes, os quais procuram manter vivas as suas raízes culturais e as tradições da sua região de origem. Tal como disse um dia o escritor transmontano Miguel Torga, “…no Minho tudo é verde, o caldo é verde, o vinho é verde…” – não podiam, pois, os minhotos que vivem neste local, deixar de tomar para si a identificação cromática que caracteriza a sua região.

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SÃO JOÃO E O SOLSTÍCIO DE VERÃO

Entrámos em Junho com ele no solstício do Verão. Salta-se a fogueira pelo S.João, brinca-se com alcachofras e martelinhos, tréculas e zaquelitraques, canta-se e dança-se. Pela calada da noite, invadem-se os quinteiros, assaltam-se as eiras e roubam-se vasos com plantas, carroças e carros de bois para seguidamente os levar para o centro da povoação. São as festas são-joaninas, assim designadas em virtude da Igreja Católica ter atribuído a esta data o nascimento de S. João Baptista, uma reminiscência de antiquíssimos rituais pagãos relacionados com o Solstício de Verão e ainda com a adoração do fogo. De resto, o fogo adquiriu desde sempre um carácter sagrado ao ponto de ter sido deificado.

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No Porto e em Braga, as suas gentes vivem as festas são-joaninas com particular intensidade. O Barredo e a Ribeira no Porto enchem-se de povo e a alegria e animação dura até de madrugada. Em Lisboa, as festas solsticiais abrangem todo o mês de Junho, associando S.Pedro e S.António aos festejos de S.João. O nascimento de S. António em Lisboa deve ter contribuído para que os festejos lhe tenham sido dedicados, popularizado ao ponto de muitas pessoas pensarem erradamente ser ele o patrono desta cidade.

Desde tempos remotos, o homem celebrava a chegada do Verão acendendo enormes fogueiras, cantando e dançando em seu redor. É a chegada do lume novo, um rito cuja sacralidade original se foi perdendo e que chegou até nós, transmitido de geração em geração, assegurada pela própria tradição.

Entre os gregos e os romanos, competia às Vestais - sacerdotisas dos templos dedicados a Vesta - a tarefa de preservar aceso o fogo sagrado. Entre nós, persiste o costume de acender o lenho na noite de Natal ou na passagem do ano e o círio pela Páscoa. Manda a tradição católica que, à beira da pia batismal, os padrinhos transportam a vela acesa quando o batizado não o pode fazer se ainda for demasiado jovem. Mas, fá-lo-á quando chegar a altura de confirmar o seu batismo cristão. É que o fogo é a luz que nos ilumina e mostra a Verdade e a Vida. É ainda o fogo que nos aquece e afaga a nossa rude existência, elemento purificador que constitui um dos quatro elementos - os outros são a Terra, o Ar e a Água.

Mas o fogo é também festa. Desde a sua descoberta, aprendeu o Homem aprendeu a produzi-lo e manipular ao ponto de conseguir iluminar os céus e a terra com uma verdadeira constelação de alegria, salpicando-o de lágrimas e girândolas de cores e formas variadas, compondo na abóboda celestial um autêntico hino ao Criador. Afinal de contas, foi Ele quem pela primeira vez nos enviou o fogo sob a forma de um raio ou cuspiu das entranhas de um vulcão - eis o gesto primordial da criação que é ritualizado pelo homem desde os tempos em que Adão e Eva foram expulsos do paraíso por um anjo que empunhava uma espada de fogo.

É tempo de proceder à ceifa do trigo, do centeio e da cevada, de sachar o milho, sulfatar a vinha e crestar o mel das colmeias. Mas também é altura de festejar o S. João e saltar a fogueira. Desde o solstício de Verão até ao equinócio do Outono, é tempo de festa, de estúrdia e de arraial. E, a fazer jus à fama da pirotecnia, não há verdadeiramente festa sem o luminoso colorido do fogo-de-artifício e o estardalhaço dos foguetes. O folclore do nosso povo conserva raízes que nos transportam à origem da própria civilização humana

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com

OLIVAL BASTO (ODIVELAS) VIRA ARRAIAL MINHOTO!

O Grupo Folclórico e Etnográfico “Verde Minho” vai realizar no próximo dia 24 de junho, uma “Tarde Minhota” em Olival de Basto, integrada nas festas daquela vila do Concelho de Odivelas, às portas de Lisboa. A iniciativa, conta ainda com a participação de diversos agrupamentos folclóricos e de música tradicional portuguesa, representativos de várias regiões do país e tem como palco o Ringue da Junta de Freguesia de Olival de Basto.

À semelhança dos anos anteriores, está programada para as 15,30 a realização de um desfile etnográfico pelas ruas da Freguesia a que se seguirá pelas 17 Horas a atuação dos grupos participantes no referido ringue junto á Sede da Freguesia. A abrir o desfile, o Grupo de Gaiteiros da Freiria, de Torres Vedras e o Grupo de Bombos Amarantinos da Casa de Amarante, vão rufar os bombos, emprestando um ambiente de festa muito ao jeito das alegres romarias do norte de Portugal.

Este Encontro Cultural denominado “Tarde Minhota” que, ano após ano tem vindo a adquirir cada vez maior notoriedade, conta na presente edição com a participação do Grupo Folclórico e Etnográfico Danças e Cantares do Minho, Rancho Folclórico Vale Flores, Feijó, Grupo de Danças e Cantares Besclore, Grupo de Gaiteiros da Freiria, Grupo de Bombos Amarantinos, e naturalmente o anfitrião Grupo Folclórico e Etnográfico Danças e Cantares ”Verde Minho”, além dos referidos grupos de bombos. A apresentação está a cargo de, Arlindo Gomes dos Santos, conhecido crítico do folclore.

O espetáculo propriamente dito será antecedido pela cerimónia de imposição de insígnias nos estandartes dos grupos participantes.

De referir que o Grupo Folclórico e Etnográfico “Verde Minho” faz os seus ensaios todos os sábados á noite no Pavilhão Multiusos cedido pela Junta de Freguesia de Olival Basto e é uma associação cultural constituída por minhotos e amigos que vivem na região de Lisboa e concelhos limítrofes, os quais procuram manter vivas as suas raízes culturais e as tradições da sua região de origem. Tal como disse um dia o escritor transmontano Miguel Torga, “…no Minho tudo é verde, o caldo é verde, o vinho é verde…” – não podiam, pois, os minhotos que vivem neste local, deixar de tomar para si a identificação cromática que caracteriza a sua região.

Este Encontro Cultural, organizado pelo Grupo Folclórico e Etnográfico “Verde Minho”, em colaboração com a Junta de Freguesia local, constitui uma das iniciativas mais salientes no âmbito da cultura tradicional portuguesa que se realiza nesta região ás portas de Lisboa, constituindo simultaneamente um momento privilegiado de confraternização entre pessoas provenientes de diferentes regiões do país, tendo como palco uma localidade que se insere na região porventura mais característica e representativa da cultura saloia – a Vila de Olival de Basto, no Concelho de Odivelas!

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BEATO FRANCISCO PACHECO FOI MARTIRIZADO NO JAPÃO HÁ 386 ANOS!

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Em 20 de Junho de 1626, em Nagasáqui, o padre Francisco Pacheco foi martirizado a fogo lento juntamente com dezassete companheiros da Companhia de Jesus.

Francisco Pacheco era natural de Ponte de Lima e procedia de nobre linhagem. Era filho de Garcia Lopes Pacheco e Maria Borges de Mesquita.

Em 1585, ingressou na Companhia de Jesus e, dois anos depois, partiu para a Índia, de onde passou ao Japão. Sobreveio às perseguições ocorridas em 1614, tendo sido desterrado para Macau, após o que, mudando o trajo, introduziu-se disfarçadamente no Japão, tendo sido nomeado governador do bispado e Superior dos religiosos da Companhia de Jesus que prosseguiam clandestinamente a sua actividade missionária no Japão.

Em 1625, na sequência de denúncia, foi preso e encarcerado em Timabara, tendo posteriormente sido conduzido a Nagasáqui onde foi queimado vivo. Pio IX procedeu à sua beatificação em 7 de Julho de 1867.

CENTRO DE MONITORIZAÇÃO E INTERPRETAÇÃO AMBIENTAL (CMIA) DE VIANA DO CASTELO COMPLETA 5 ANOS DE ATIVIDADE

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“VENHA CONHECER O NOSSO HERBÁRIO”

Exposição de flora de espécies existentes no Parque Ecológico Urbano

Até 30 de Junho de 2012, entrada livre

“EMBARCAÇÕES AO MAR”

Exposição de réplicas de embarcações do vianense Luis Vale

Junho de 2012, entrada livre

“DUNAS, MAIS DO QUE MONTES DE AREIA”

Oficina de aprendizagem de observação e identificação de fauna e flora dos ecossistemas dunares

30 de Junho de 2012 (9H00 – 13H00), requer inscrição prévia

“QUÍMICA EM AÇÃO!”

Oficina de aprendizagem para pais e filhos

30 de Junho de 2012 (10H00 – 13H00), requer inscrição prévia

Para crianças dos 6 aos 12 anos de idade

O MINHO NA INTERNET: ASPA DEFENDE PATRIMÓNIO DA NOSSA REGIÃO

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A Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural (ASPA) tem vindo a destacar-se na defesa do património da nossa região, mormente no que respeita à cidade romana de Bracara Augusta, a reintegração do Mosteiro de Tibães no património nacional e a classificação e salvaguarda do Complexo das Setes Fontes, em Braga.

Possui na Internet um site oficial no endereço http://aspa35anos.blogspot.pt/ cuja visita recomendamos vivamente.

O TEATRO NO FOLCLORE

Pela sua própria natureza, os ranchos folclóricos desempenham uma importante missão de salvaguarda dos mais variados registos que dizem respeito à nossa cultura tradicional. Não se inserindo já no domínio da etnografia de salvaguarda, eles cumprem a função de um museu vivo através do qual se procura preservar a memória e a identidade cultural do povo. Neste domínio, os grupos etnográficos, vulgo ranchos folclóricos, não devem limitar-se a serem meros grupos de danças e cantares envergando uma farpela colorida e atraente.

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Atuando no domínio da etnografia, a ação dos grupos folclóricos não se confunde porém com a ação do etnólogo nem tão pouco do antropólogo. De resto, há muito tempo que o trabalho de recolha deixou de ser feito diretamente no terreno junto das pessoas mais idosas porque estas já não viveram a época que constitui o nosso objeto de estudo. As fontes de pesquisa passaram a centrar-se noutras fontes documentais, mormente nas peças de vestuário, na fotografia e na literatura, constituindo os arquivos e os museus da especialidade autênticos lugares de memória.

O estudo, porém, deve ser criterioso e não limitar-se a uma mera cópia do trabalho feito por grupos mais antigos por mais prestigiados que eles sejam. A análise dos costumes deve observar a evolução histórica dos costumes e das mentalidades, dos materiais e da própria sociedade. A exibição de botões e outros assessórios em plástico constitui um anacronismo quando se pretende representar um traje dos finais do século XIX uma vez que se trata de um material que apenas surgiu em meados do século XX. Da mesma forma que não fará o menor sentido uma peça de vestuário cujo corte não permitia cumprir a função para a qual foi criada porque entretanto alguém resolveu introduzir-lhe um efeito decorativo.

Os ranchos folclóricos destinam-se também a proporcionar um espetáculo a quem assiste à sua atuação, constituindo esta uma das suas principais vertentes. Mas, sem pretender desvalorizar esta função diminuindo a qualidade da sua representação, esta jamais deve sacrificar a verdade e o rigor etnográfico sob pena de se descaraterizar enquanto rancho folclórico e prestar um mau serviço à cultura tradicional. A preocupação em agradar ao público não deve levar à invenção de novas coreografias, à alteração dos ritmos das danças e à modificação dos trajes.

Mais recentemente, a fim de despertarem o interesse do público, alguns ranchos folclóricos passaram a incluir nas suas atuações a representação de rábulas, vulgo quadros etnográficos, intercalando com a exibição das danças e cantares. Trata-se de representações teatrais que ajudam o espetador a melhor compreender a razão de ser de algumas danças tradicionais. De resto, constitui uma feliz combinação de teatro, dança e canto. Sucede, porém, que muitas das vezes tais representações pecam pela sua evidente falta de qualidade e até pela ligeireza dos temas escolhidos. Na ânsia de dar nas vistas, alguns grupos não se inibem em representar as cenas mais grotescas, dando uma péssima imagem de si mesmos. Porém, o mais grave é que tal mania tem vindo a propagar-se de uma forma tão avassaladora e imaginativa que ameaça ridicularizar toda e qualquer representação de folclore!

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/

A FLORA DO ALTO MINHO: UM LIVRO DE JOÃO GONÇALVES DA COSTA

“A Flora do Alto Minho – Suas Aplicações na Medicina e Gastronomia Locais” é o título de um interessante livro da autoria do Dr. João Gonçalves da Costa, editado em 1995 pela Casa do Concelho de Ponte de Lima.

Trata-se da publicação do teor de um conferência então realizada naquela associação na qual o autor explanou acerca das virtualidades das mais diversas espécies vegetais, referindo as suas propriedades farmacológicas e as suas virtudes na cozinha tradicional.

A preservação do conhecimento relacionado com as espécies botânicas constitui uma das componentes da defesa da nossa etnografia e das vertentes da culinária e da medicina tradicional, constituindo um património de valor incalculável de necessita de ser preservado.

MINHOTOS NO BRASIL FESTEJAM DIA DE PORTUGAL EM SANTOS, NO ESTADO DE SÃO PAULO

A comunidade portuguesa radicada na cidade de Santos participou nos festejos do Dia de Portugal que hoje tiveram lugar naquela cidade do Estado de São Paulo, no Brasil. As comemorações tiveram lugar na Praça Mauá, no centro histórico da cidade.

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Música, dança, culinária, artesanato e folclore preencheram o programa do Dia de Portugal onde a comunidade minhota marcou a sua presença e levou a sua alegria e o folclore a uma festa bem portuguesa em terras de Vera Cruz. O Rancho Folclórico Vasco da Gama, o Rancho Folclórico Verde Gaio, o Grupo Folclórico Cruz de Malta animaram os festejos.

De acordo com a organização, “o objetivo principal da festa é resgatar a cultura portuguesa na região e valorizar a forte influência de Portugal na formação do povo e da cultura santista”.

Fotos: Organização do Dia de Portugal

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ÚLTIMO DIA DE AULAS NO PROJETO “GIRO” ASSINALADO COM RECICLAGEM CRIATIVA NA VILA DE PRADO, EM VILA VERDE

No dia 15 de junho realizou-se um workshop de reciclagem criativa com o tema “Ultimo dia de aulas”, ministrado pela designer Sílvia Abreu.

Em colaboração com o Projeto “GIRO”, com os Workshops de Reciclagem Criativa fui à escola no dia 15 de junho, com o tema “Ultimo Dia de Aulas”, no Centro Comunitário da Vila de Prado da Cruz Vermelha Portuguesa.

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As crianças participaram em diversas atividades relacionadas com o ultimo dia de aulas, recorrendo a materiais recicláveis. Foram criadas verdadeiras obras de arte com “lixo”, onde a estrela maior foi o fantoche construído com pacotes de leite, cartão, tampinhas, restos de tecidos, entre outros materiais que certamente iriam parar numa lixeira.

Este projeto pretende a sensibilização de todos e em especial das crianças para a importância da reciclagem. Temos de construir um mundo mais limpo, onde a amizade e o amor possam existir livres de coisas que os “sujam” e poluem o nosso planeta! Os jovens participantes são os responsáveis pela recolha dos matérias para as criações artísticas que serão elaboradas, num ambiente de alegria, festa, entreajuda e muita amizade.

O projeto GIRO está de parabéns pelo excelente trabalho que desenvolve na comunidade onde está inserido. Os Workshops de Reciclagem Criativa “dão-se” muito bem com este tipo de projetos integradores da sociedade! 

Blogue oficial: http://workshopreciclagemcriativa.blogspot.pt/

Fotos: Designer Sílvia Abreu

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COMUNIDADE MINHOTA EM FRANÇA PARTICIPA NA FESTA DA RÁDIO ALFA

Os minhotos radicados na região de Paris, em França, participaram hoje na Festa dos Santos Populares que a Rádio Alfa organizou na Base de Loisirs de Créteil, nos arredores da capital francesa. Trata-se de um evento anual organizado pela conhecida estação radiofónica da comunidade portuguesa em França e que constitui um dos mais importantes elos de ligação dos nossos compatriotas entre si e com Portugal.

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A presença dos minhotos na região parisiense é bastante significativa, razão pela qual a sua presença na Festa dos Santos Populares da Rádio Alfa constitui sempre um momento marcante de alegria, invariavelmente caraterizado pela atuação de ranchos folclóricos e grupos de zés pereiras como as fotos documentam.

Fotos: Rádio Alfa

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BRASIL: COMUNIDADE PORTUGUESA CELEBRA DIA DE PORTUGAL EM SANTOS, NO ESTADO DE SÃO PAULO

A comunidade portuguesa radicada na cidade de Santos, no estado de São Paulo, no Brasil, vai no próximo dia 17 de junho festejar o Dia de Portugal. As comemorações vão ter lugar na Praça Mauá, no centro histórico daquela cidade. De acordo com a organização, “o objetivo principal da festa é resgatar a cultura portuguesa na região e valorizar a forte influência de Portugal na formação do povo e da cultura santista”.

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Música, dança, culinária, artesanato e folclore vão preencher o programa do Dia de Portugal onde não vai faltar a numerosa comunidade minhota que ali vive. O Rancho Folclórico Vasco da Gama, o Rancho Folclórico Verde Gaio, o Grupo Folclórico Cruz de Malta são apenas alguns dos grupos folclóricos que vão animar os festejos.

“SECOS E MOLHADOS”: MENTOR DA BANDA NASCEU EM PONTE DE LIMA

Corria o ano de 1973 quando um verdadeiro meteorito atravessou o panorama musical brasileiro, repercutindo-se nos dois lados do Atlântico e provocando uma reação do público mista de perplexidade e admiração. Tratou-se do aparecimento da banda musical brasileira que deu pelo nome “Secos & Molhados” e do seu primeiro álbum com o mesmo nome, o qual continha música que, mais de três décadas decorridas, continuam a fazer enorme sucesso, como “O Vira”, “Rosa de Hiroshima”, “O patrão nosso de cada dia” e “Sangue latino”. O sucesso foi imediato e as suas melodias persistem nos ouvidos de muita gente.

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À primeira vista, tratava-se de um grupo de malucos que procuravam transgredir todos os padrões estéticos e comportamentais então vigentes, apresentando-se em público com um visual extravagante e recorrendo a maquilhagens exuberantes, um tanto à maneira de David Bowie, T. Rex e New York Dolls. Aliás, é David Bowie considerado o iniciador deste tipo de exibição quando, em 1972, lançou o disco “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars”, exibindo uma cabeleira cor-de-laranja e indumentária feminina. A propósito, Ney Matogrosso que foi um dos componentes do “Secos & Molhados” continua a interpretar muitos dos sucessos daquele grupo que fez furor nos anos setenta.

Apesar do êxito alcançado, inclusive no nosso próprio país, o que muitos limianos desconhecem é o fato do principal mentor do “Secos & Molhados” chamar-se João Ricardo Carneiro Teixeira Pinto, conhecido no meio musical apenas por João Ricardo, e nasceu no concelho de Ponte de Lima, mais concretamente na freguesia de Arcozelo, em 21 de novembro de 1949. É filho do poeta João Apolinário e, juntamente com a família, rumou ao Brasil em 1964, contava então apenas quinze anos de idade. Antes de iniciar a carreira musical, trabalhou como jornalista em diversos jornais e na Rede Globo de Televisão.

Com efeito, o grupo “Secos & Molhados” foi criado em 1971 pelo compositor João Ricardo que também se veio a revelar um excelente cantor, violinista e poeta. Estávamos numa época em que Alceu Valença, a Barca do Sol e Rita Lee & Tutti Frutti faziam grande sucesso. Na primeira formação do grupo do qual faziam parte Fred e António Carlos, João Ricardo tocava o violão de doze cordas e gaita.

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Entretanto, os companheiros decidem prosseguir uma carreira a solo e João Ricardo procura um vocalista para integrar a banda e acaba por conhecer Ney de Sousa Pereira que haveria de adotar o nome de Ney Matogrosso e Gerson Conrad que, aliás, era seu vizinho. É precisamente esta formação que em 1973 grava o primeiro disco e, num ápice vende mais de um milhão de cópias, conseguindo mesmo arrebatar os recordes até então alcançados pelo próprio “rei” Roberto Carlos. Aliás, o seu êxito dentro e fora do Brasil foi de tal ordem que, a propósito, conta-se o seguinte episódio cuja autenticidade não está assegurada: após o lançamento do primeiro disco, os “Secos & Molhados” receberam de um empresário americano uma proposta para efetuarem um lançamento semelhante nos Estados Unidos da América, ao que eles recusaram. Alguns anos decorridos, o público veria aparecer na cena mundial a banda Kiss, ostentando um visual em tudo semelhante aos “Secos & Molhados”…

O reportório da banda era constituída por um misto de canções políticas e performances teatrais a que alguns identificam como rock progressivo, uma simbiose de estilos que passam pelo jazz, o folk, o rock progressivo e ainda a chamada musica popular brasileira, marcando uma época pós-hippie na defesa do pacifismo e da libertação sexual. Aliás, quem não se recorda ainda da “Rosa de Hiroshima”, poema de Vinicius de Moraes musicado por Gerson Conrad que fez furor no espetáculo que realizaram em 1974, no Maracanãzinho do Rio de Janeiro.

A maior parte das letras do seu primeiro álbum foi da autoria de João Ricardo, incluindo também poemas de João Apolinário e Vinicius de Moraes. De resto, o “Secos & Molhados” inspira-se em acordes e melodias do folclore português bem patentes n’O Vira, procurando ao mesmo tempo fundir a música dos Beatles com a poesia de Fernando Pessoa, Oswald de Andrade, Vinicius de Moraes e João Apolinário entre outros autores. Certamente não existe quem não se recorde dos seguintes verssos:

                                      O gato preto cruzou a estrada,

                                      Passou por debaixo da escada

                                      E lá do fundo azul na noite da floresta

                                      A lua iluminou, a dança, a roda a festa

 

                                      Vira, vira, vira

                                      Vira, vira, vira homem

                                      Vira, vira

                                      Vira, vira lobisomem

 

                                      Bailam corujas e pirilampos

                                      Entre os jardins e as fadas

                                      E lá do fundo azul na noite da floresta

                                      A lua iluminou, a dança, a roda a festa

 

                                      Vira, vira, vira

                                      Vira, vira, vira homem

                                      Vira, vira

                                      Vira, vira lobisomem

 

Entretanto, como quase sempre acontece com a generalidade das bandas musicais que alcançam bastante sucesso, também os “Secos & Molhados” acabaram por se desintegrar em consequência dos conflitos de personalidade existentes entre os vários componentes do grupo. João Ricardo ainda tenta ressurgir a banda por duas vezes mas sem grande sucesso. É assim que surge em 1977 com a edição e um novo disco e, mais tarde, em 1980. Em 1981 é editado ainda um último disco de caráter mais revivalista, o qual apresenta gravações dos começos do grupo, altura em que realizam o concerto no Maracanãzinho. Uma vez dissolvido o grupo, João Ricardo prossegue a sua carreira a solo.

Carlos Gomes, in “Anunciador das Feiras Novas”, XXV, Ponte de Lima, 2008.

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VILA VERDE: “ÚLTIMO DIA DE AULAS” É O TEMA DO PRÓXIMO WORKSHOP DE RECICLAGEM CRIATIVA

Ultimo dia de aulas no Projeto “GIRO” com Reciclagem Criativa em Vila Verde

Dia 15 de junho realiza-se um workshop de reciclagem criativa com o tema “Ultimo dia de aulas”, ministrado pela designer Sílvia Abreu.

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O projeto de workshops de reciclagem criativa da designer Sílvia Abreu, em colaboração com o Projeto “GIRO” - gentes identidades, respostas e opções, vai à escola no dia 15 de junho, das 10h às 12h, no Centro Comunitário de Prado da Cruz Vermelha Portuguesa.

As crianças que compõem este projeto serão brindadas com atividades diretamente relacionadas com o ultimo dia de aulas, recorrendo a materiais recicláveis.

Este projeto continua a pretender a sensibilização de todos e em especial das crianças para a importância da reciclagem. Temos de construir um mundo mais limpo, onde a amizade e o amor possam existir livres de coisas que os “sujam” e poluem o nosso planeta! Os jovens participantes são os responsáveis pela recolha dos matérias para as criações artísticas que serão elaboradas, num ambiente de alegria, festa, entreajuda e muita amizade.

Blogue oficial: http://workshopreciclagemcriativa.blogspot.pt/

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Site Projeto “GIRO”: http://giro.programaescolhas.pt/

O Projeto “GIRO” - gentes identidades, respostas e opções, no âmbito do Programa Escolhas, visa promover a inclusão social de crianças e jovens provenientes de contextos socioeconómicos vulneráveis, particularmente os descendentes de emigrantes e minorias étnicas, tendo em vista a igualdade de oportunidades e a coesão social. Intervêm com cerca de 60 crianças e jovens em situação de pobreza extrema e com necessidades especiais.

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DIA DE PORTUGAL: MINHOTOS DESFILAM EM ELIZABETH (NEW JERSEY), NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

Em Elizabeth também se celebrou o Dia de Portugal. Naquela cidade do Condado de Union, do Estado de New Jersey, a comunidade portuguesa realizou a sua parada. E, como não podia deixar de acontecer, os minhotos saíram à rua com as suas concertinas e os seus trajes de lavradeira. E, os ranchos folclóricos não faltaram à chamada.

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De referir que o Estado de New Jersey é porventura aquele onde se regista uma presença mais saliente da comunidade portuguesa radicada nos Estados Unidos da América. As comemorações do Dia de Portugal constituem um dos traços de união dos portugueses e das suas associações, bem assim de toda a comunidade lusófona.

Deixamos aqui um registo da participação das gentes minhotas no referido desfile com a publicação de algumas fotos da autoria do jornal “24 Horas”, um semanário que mantém uma forte presença junto da nossa comunidade naquele país.

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PAREDES DE COURA PROTESTA CONTRA O EVENTUAL ENCERRAMENTO DO TRIBUNAL DA COMARCA

CONCENTRAÇÃO CONTRA O EVENTUAL ENCERRAMENTO DO TRIBUNAL DE PAREDES DE COURA

18 DE JUNHO (SEGUNDA-FEIRA), ÀS 18 HORAS

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Nota de Imprensa

Câmara Municipal de Paredes de Coura

A Reforma da Organização judiciária

A Reorganização da Estrutura Judiciária propõe uma eventual extinção do Tribunal de Paredes de Coura com base em critérios, definidos no próprio documento, que não encontram correspondência na realidade. A Moção, em anexo, que foi aprovada por unanimidade em Assembleia Municipal contraria, ponto por ponto, todos os argumentos estatísticos apresentados pela mencionada reorganização que revelam imprecisão bem como desconhecimento, dos seus recursos e a melhor forma de os optimizar e rentabilizar.

O Governo descobriu, ninguém sabe por que razão, que o grande atraso do país se deve aos tribunais. Acredita que após a extinção institucional do interior, o país caminhará, finalmente, na senda do progresso. Até ao presente ainda ninguém apresentou um estudo que mostre, de facto, as vantagens ou a poupança da extinção dos tribunais. É comum ouvirmos um discurso governamental de amor pela terra e pelo mundo rural. Só que na verdade este não corresponde à realidade. O que tem acontecido nos últimos tempos é precisamente o inverso. Esvaziam as localidades de competências e de serviços, ao mesmo tempo que exaltam as virtudes do mundo rural.

Assim, na segunda-feira, dia 18 de Junho, pelas 18.00h, todos os autarcas de Paredes de Coura, Assembleia Municipal, Juntas de Freguesia e a população do município, vão juntar-se em frente ao tribunal da comarca em defesa da manutenção desta estrutura.

António Pereira Júnior

Presidente

VIANA DO CASTELO REVIVE FEIRA MEDIEVAL

Cartaz Feira Medieval 2012

Sexta 15 de Junho

22h00 Cortejo de Abertura

Estação

Avenida

Rua da Picota

Centro Dramático de Viana e Grupos Participantes

Praça da República

“Chegada D ’El Rei D. Dinis”

00h00 Queimada Galega com Esconjuro

G. D. C. Perre

Praça da Erva

Participantes

Centro Dramático de Viana

Oficina de Teatro Lucilo Valdez C.C.A.M.

À Margem - Armazém Teatral

Fundação Maestro José Pedro

Casa dos Rapazes

Grupo S. Paulo de Barroselas

Grupo Danças e Cantares de Perre

Cantadeiras do Vale do Neiva

Hinoportuna

Gaiteiros de São Tiago de Cardielos

Grupo de Bombos de Tregosa

Grupo Folclórico de Viana do Castelo

Escola Secundária de Monserrate

Escola Secundária Santa Maria Maior

Grupo Folclórico de Chafé

Grupo Folclórico Danças e Cantares de Carreço

Escuteiros Agrupamento 85 de Barroselas

Escuteiros Agrupamento S. Tiago de Anha

Associação Musical de Vila Nova de Anha

Exposição

“Nos 500 Anos do Foral Manuelino…”

Antigos Paços do Concelho (1ºandar)

Casa dos Nichos

De 15 a 18 de Junho

19h30 e 23h00

Projeção do documentário fotográfico da lagarada medieval realizada em Subportela em Setembro de 2011, seguida de prova de vinho verde tinto da casta “Vinhão”.

12h30, 14h30, 18h30 e 21h30

Projeção de visita virtual 3d ao Mosteiro Rupestre (Eremitério) Medieval de Sabariz, Vila Fria.

Funcionamento contínuo de acordo com o horário da feira

Ateliês infantis construção de capacetes, espadas, escudos, coroas, tiaras e ceptros em materiais recicláveis.

Organização VianaFestas

Apoio Câmara Municipal de Viana dos Castelo

Coordenação da animação Centro Dramático de Viana

Tema “1286: Reinado de D. Dinis”

Textos “Crónica da Visita d’ El Rei D. Dinis a Viana da Foz do Lima em 1286” de Ricardo Simões

Consultoria histórica Maranhão Peixoto

Produção e encenação Elisabete Pinto; Ana Perfeito;

Ricardo Simões

Contrarrega Narciso Afonso

Adereços Porfírio Barbosa

Sabado 16 de Junho

10h00 Jogos Medievais

Escuteiros Barroselas

Praça da República

11h00 Gaiteiros

Gaiteiros Cardielos

Rua da Bandeira

12h00 “Romance da Carta de Feira”

CDV/FMJP

Praça da República

13h00 Torneio Apeado

Club de Snowboard

Praça da República

14h00 “Inquirições e Tabelionado”

CDV/OTLV/AMAT

Praça da República

15h00 Danças Medievais

Esc. Sec. Sta Mª Maior

Praça da República

15h30 Dança do Ventre

Karina&Vanessa Free Alya

Casa dos Nichos

16h00 “Lenda Viana”-

Marionetas

Esc. Sec. Sta Mª Maior

Pátio das Artes

16h30 Exibição de Falcoaria Real

Falcon Fly

Praça da República

17h00 “Bênção dos Peregrinos”

CDV/OCLV/AMAT

Praça da República

17h30 Torneio Apeado

Club de Snowboard

Jardim Marginal

18h00 Bombos da Corte

Casa dos Rapazes

Rua da Bandeira

18h30 Cantigas de Amigo

G.D.C. Perre

Casa dos Nichos

19h00 Estica-me as Peles

Bombos de Tregosa

Passeio das Mordomas

19h30 Jogo do Pau

G. Folclórico de Chafé

Rua S. Pedro

20h00 Musica Medieval

Escuteiros S.Tiago de Anha

Ass. Musical Vila Nova de Anha

Largo Tomás da Costa

20h30 “Conde Iano”

S. Paulo de Barroselas

Praça da República

21h00 Danças Medievais

S. Paulo de Barroselas

Praça da República

21h30 Gaiteiros

F.M.J. Pedro

Rua da Picota

22h00 Donzelas da Vila

Trovadores

Jogo do Pau

Esc. Secundária de Monserrate

Hinoportuna

Grupo Fol. Chafé

Praça da República

22h30 Cantigas de Amigo

G.D.C. Perre

Rua da Picota

23h00 Cantiga Profana

Cantadeiras do Vale do Neiva

Praça da República

23h30 Bombos da Corte

Casa dos Rapazes

Rua da Bandeira

Estica-me as Peles

Grupo de Bombos de Tregosa

Casa dos Nichos

00h00 Queimada Galega com Esconjuro

G. D. C. Perre

Praça da Erva

Domingo 17 de Junho

12h00 Gaiteiros

F.M.J. Pedro

Casa dos Nichos

13h00 Exibição de Falcoaria Real

Falcon Fly

Praça da República

14h00 Bombos da Corte

Casa dos Rapazes

Rua da Bandeira

15h00 “Apelação ao Rei”

CDV/OTLV/AMAT

Praça da República

16h00 Danças Medievais

Esc. Sta Mª Maior

Praça da República

16h30 Malabaristas

Club de Snowboard – Jogos

Medievais

Praça da República

17h00 “Lenda Viana”- Marionetas

Esc. Sta Mª Maior

Pátio das Artes

17h00 Danças Medievais

S. Paulo de Barroselas

Praça da República

18h00 Cantigas de Amigo

G.D.C. Perre

Rua da Picota

18h30 “Milagre das Rosas”

Centro Dramático de Viana

Praça da República

19h00 Dança do Ventre

Karina&Vanessa Free Alya

Praça da República

19h30 Bombos da Corte

Casa dos Rapazes

Rua da Bandeira

20h00 Donzelas da Vila

Trovadores

Jogo do Pau

Esc. Secundária de Monserrate

Hinoportuna

Grupo Folclórico de Chafé

Praça da República

20h30 Cantiga Profana

Cantadeiras do Vale do Neiva

Praça da República

21h00 “Conde Iano”

S. Paulo de Barroselas

Praça da República

21h30 Cuspidores de Fogo

Club de Snowboard -Jogos Medievais

Jardim Marginal

Bênção dos Peregrinos

CDV/OCLV/AMAT

Praça da República

22h00 Cantigas de Amigo

G.D.C. Perre

Praça da República

22h30 “Romance da Carta de Feira”

Centro Dramático de Viana

F.M.J. Pedro

Praça da República

23h00 Cuspidores de Fogo

Club de Snowboard- Jogos Medievais

Praça da República

23h30 Bombos da Corte

Bombos Casa dos Rapazes

Rua da Bandeira

Estica-me as Peles

Grupo de Bombos de Tregosa

Rua da Picota

00h00 Queimada Galega com Esconjuro

G. D. C. Perre

Praça da Erva

Segunda 18 de Junho

11h00 Bombos da Corte

Casa dos Rapazes

Rua da Bandeira

14h00 Dança do Ventre

Karina&Vanessa Free Alya

Praça da República

15h00 “Milagre das Rosas”

Centro Dramático de Viana

Praça da República

16h00 Exibição de Falcoaria Real

Falcon Fly

Praça da República

17h00 Danças Medievais

Esc. Sec. Sta Mª Maior

Praça da República

17h30 Bombos da Corte

Casa dos Rapazes

Casa dos Nichos

18h00 “Lenda de Viana” - Marionetas

Esc. Sta Mª Maior

Pátio das Artes

19h00 “Romance da Carta de Feira”

Centro Dramático de Viana

F.M.J. Pedro

Praça da República

19h30 “Bênção dos Peregrinos”

CDV/OCLV/AMAT

Praça da República

20h00 “Inquirições e Tabelionado”

CDV/OCLV/AMAT

Praça da República

20h30 “Apelação ao Rei”

CDV/OCLV/AMAT

Praça da República

21h00 Bombos da Corte

Casa dos Rapazes

Praça da República

21h30 Espetáculo de Encerramento

Praça da República

Centro Dramático de Viana e Grupos

Participantes

“Despedida D’El Rei D. Dinis”

Homenagem a seu pai D. Afonso III pela atribuição do Foral a Viana do Castelo

Gaiteiros da Fundação Maestro José Pedro

Feira Medieval VC 2010 [2]

O FOLCLORE E AS MARCHAS POPULARES: O ESTADO NOVO E AS TRADIÇÕES SÃO-JOANINAS

A celebração do Solstício de Verão que ocorre no dia 21 de Junho marca as tradições são-joaninas – ou juninas – que levam o povo a festejar os chamados “santos populares”. Nas regiões mais a norte, os festejos são predominantemente dedicados a São João enquanto as comunidades piscatórias, por afinidade de ofício, celebram a São Pedro. Em Lisboa, terra onde nasceu Fernando de Bulhões que haveria de ficar consagrado como Santo António, a devoção popular adquiriu tal dimensão que S. Vicente, padroeiro da cidade, acabou por ser remetido ao esquecimento.

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As marchas populares de Lisboa, tal como atualmente as conhecemos, datam a sua origem de 1932, altura em que desfilaram na avenida da Liberdade os primeiros “ranchos” como então se diziam. Porém, pelo menos desde o século XVIII que as mesmas se realizavam, inserindo-se nas tradições são-joaninas que têm lugar um pouco por todo o país, com as suas características fogueiras e festões, manjericos e alho-porro. À semelhança de outras festividades que ocorrem noutras épocas do ano, a escolha do dia 24 para celebrar o S. João é devido ao calendário juliano.

As marchas populares foram naturalmente influenciadas pelas quadrilhas que geralmente tinham lugar por ocasião dos festejos a Santo António e que se formavam de pequenos grupos constituídos por cerca de quarenta participantes que percorriam as ruas da cidade e se detinham em frente aos palácios aristocráticos ou de outras famílias abastadas onde, ao som do apito do marcador, se exibiam de forma ruidosa e sem grandes preocupações em relação à coreografia. Este ritual que também nos remete para a “marche aux flambeaux” ou seja, a marcha dos archotes que ocorria em França, foi levado pelos portugueses para o Brasil onde, sobretudo nas regiões do nordeste, se popularizou e veio a misturar com as danças brasileiras já existentes à época

São precisamente as quadrilhas que, de um modo geral, com as modificações que lhe foram introduzidas, acabariam por dar a forma às marchas populares e aos próprios corsos carnavalescos que antecedem a chegada da Primavera. Caracterizada originalmente como uma dança a quatro pares, a quadrilha constituiu uma adaptação da countrydance inglesa, impropriamente traduzida para o francês como “contredance” e, finalmente, vertida para a Língua portuguesa como “contradança”.

No entanto, tais celebrações possuem origens bem mais remotas e perdem-se nos confins dos tempos. Desde sempre, o Homem procurou celebrar através do rito a acção criadora dos deuses, constituindo um ritual mágico destinado a perpetuar o gesto primordial da sua criação. Desse modo, ao celebrar a chegada do Verão por altura do solstício, o Homem assegurava que o ciclo da Natureza jamais seria interrompido, dando continuidade à vida num perpétuo ciclo de constante renascimento. E, à semelhança do que sucedia com a generalidade das celebrações pagãs, esta constitui a essência das festividades solsticiais que entretanto foram cristianizadas e, nesse contexto, dedicadas a São João Baptista.

Conta uma velha lenda cristã que, por comum acordo das primas Maria e Isabel, esta terá acendido uma enorme fogueira sobre um monte para avisar Maria do nascimento de São João Baptista e, desse modo, obter a sua ajuda por ocasião do parto. E, assim, pode a tradicional fogueira que os povos pagãos da Europa acendiam nomeadamente por ocasião do solstício de Verão ser assimilada pela nova religião então emergente. Na realidade, era também habitual acender fogueiras por altura da Páscoa e do Natal, tendo dado origem ao madeiro que se queima no largo da aldeia e ao círio pascal, bem assim às numerosas representações feitas nomeadamente na doçaria tradicional.

É ainda nas fogueiras de São João que têm origem as exuberantes exibições de fogo-de-artifício e os balões iluminados com que se enfeitam as ruas dos bairros e se penduram nos arcos festivos que são levados pelos marchantes que desfilam na noite de Santo António. Era ainda usual, na noite de São João, atarem-se aos balões, antes de os elevarem nos céus, pequenos papéis contendo desejos e pedidos, à semelhança das quadras feitas a Santo António que se colocam sobre os vasos de manjericos, tradição que remete para rituais ancestrais ligados à fertilidade e à vida. Estes festejos celebram-se também em diversos países europeus e, por influência da cultura portuguesa, no nordeste brasileiro onde tem lugar o casamento fictício no baile da quadrilha. Entre nós, este costume veio em 1958 a dar origem aos chamados “casamentos de Santo António”.

De um modo geral, pelo simbolismo que as caracterizam e a coreografia a que estão associadas, as festas solsticiais estão ligadas às chamadas “danças de roda” representadas desde a mais remota antiguidade. Perfilando-se geralmente em torno da fogueira ou do mastro de São João, a mocidade dá as mãos, canta e dança em seu redor, num ritual que denuncia o seu misticismo primordial. Esta constitui, aliás, uma das tradições mais arreigadas entre os povos germânicos e, sobretudo, na Suécia onde chega a ser considerada a sua maior festa nacional. O hábito de inicialmente nele se suspenderem coroas ou ramos de flores veio a dar origem a outros divertimentos como o pau ensebado no cimo do qual é colocado uma folha de bacalhau para premiar aquele que o consiga alcançar.

À semelhança do que se verificou com outras manifestações da nossa cultura tradicional, também os festejos são-joaninos da cidade de Lisboa registaram a intervenção dos teóricos do Estado Novo e vieram a adquirir formas estilizadas, mais de acordo com o género da revista à portuguesa que já então animava os teatros do Parque Mayer. Foi então que, sob a batuta de Leitão de Barros e Norberto de Araújo, passou em Lisboa a realizar-se o concurso das denominadas “marchas populares”. Envergando o traje à vianesa, o bairro de Campo de Ourique foi o vencedor da primeira edição, facto que o levou a repetir o tema em 1997.

Organizados pelas coletividades de cultura e recreio, as “marchas populares” passaram a escolher preferencialmente temas relacionados com os aspetos pitorescos e a História dos seus bairros, dando ênfase a uma vivência predominantemente urbana e associada ao ambiente boémio e fadista. Nalguns casos, porém, era dado um particular realce ao elemento etnográfico como sucedia com as tradições saloias dos bairros de Benfica e Olivais ou então, ao carácter peculiar da colónia ovarina que habita o pitoresco bairro da Madragoa. Em relação à coreografia e à indumentária, caracterizam-se invariavelmente pela fantasia e a teatralidade, não revelando em qualquer dos casos quaisquer preocupações de natureza folclórica e etnográfica, pelo menos na sua perspectiva museológica ou seja, de preservação da sua autenticidade.

Possuindo as suas raízes mais próximas nas tradições joaninas, as “marchas populares” depressa obtiveram a adesão popular. Em 1936, quatro anos após o primeiro desfile organizado em Lisboa, saíram à rua na cidade de Setúbal para, com o decorrer dos anos, iniciativas semelhantes se estenderem a todo o país

Em Lisboa, a “marcha popular” é constituída por vinte e quatro pares de marchantes a que se juntam quatro aguadeiros e um “cavalinho” composto por oito elementos, tocando um clarinete, um saxofone alto, dois trompetes, um trombone, um bombardino, um contrabaixo e uma caixa. Para além daqueles, podem ainda ser incorporados o porta-estandarte, duas crianças como mascotes, um par de padrinhos e dois ensaiadores. Todas as marchas devem incluir o festão e o balão ou o manjerico e exibir o “Trono de Santo António” ou o “Arraial”.

Constituindo o folclore o saber do povo, é este que cria a sua própria festa e constrói o saber à maneira do seu carácter, à sua feição e modo de entender o mundo que o rodeia, adaptando-o sempre a novas realidades. Embora influenciado através da intervenção feita em determinadas épocas históricas, a criação popular não cristaliza porquanto o povo ainda não constitui um objeto fossilizado – ela renasce sempre que reacende a fogueira de São João!

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/

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Fotos: Arquivo Municipal de Lisboa

ETNOGRAFIA E ARTES GRÁFICAS

Não existe praticamente festa ou romaria, feira tradicional ou festival folclórico que não tenha o seu próprio cartaz a anunciar o evento e a divulgar o respectivo programa. Desde os mais simples aos melhores elaborados do ponto de vista gráfico, todos revelam uma preocupação de natureza publicitária que consiste em dar a conhecer a iniciativa e garantir o seu êxito em termos de participação do público. Alguns, porém, acrescentam também a inclusão de uma elevada quantidade de anúncios como forma de garantir os patrocínios que vão suportar as despesas da realização da festa.

Para além do cartaz propriamente dito, existem organizações que produzem outros suportes publicitários em papel como folhetos e pequenos opúsculos contendo o programa dos festejos. Toda esta divulgação deve ser ponderada do ponto estético como financeiro a fim de que possam corresponder da melhor forma aos objectivos pretendidos.

Antes de mais, deve atender-se a que o cartaz, destinado a ser afixado em locais públicos, para além de constituir um meio de publicidade visual, possui um valor estético e artístico, adquirindo por essa via também interesse histórico. Ele traduz formas de representação que têm a ver com as formas artísticas de cada época, traduzindo a visão do artista acerca do objecto publicitário e da própria comunicação ao exprimir ideias e sensações através da representação gráfica. Como exemplo, inúmeros cartazes produzidos em meados do século XX alusivos ao turismo ou a determinadas festas e romarias que contavam com um especial patrocínio do Estado Novo, revelam uma notória preferência pelas formas geométricas que caracterizaram o modernismo.

Nos casos em que o excesso de publicidade e a falta de bom gosto prejudicam a concepção gráfica da publicidade, é o próprio evento que sai desfavorecido ao ser transmitida uma imagem de uma iniciativa que em nada o valoriza. Em tais situações, para além de prejudicial, a divulgação que é feita apenas se traduz em encargos financeiros que a organização tem de suportar e que nem sempre são compensados com os patrocínios. Por outro lado, a sua afixação indiscriminada apenas resulta em poluição visual a contribuir para a degradação da localidade onde tal forma de divulgação ocorre.

Em regra, a produção gráfica é feita por meios litográficos ou seja, através de offset. Este meio de impressão possui custos fixos com fotocomposição, revelação de películas, montagem e transporte para a chapa e os respectivos materiais pelo que os seus custos apenas diminuem na medida em que as tiragens são mais elevadas. A isto acresce o facto da generalidade do material publicitário ser feito a cores, o que implica a selecção de cores – ciao, amarelo, magenta e preto – e a sua impressão em quadricomia, o que aumenta consideravelmente os seus custos globais. Não considerando eventuais casos de inclusão das designadas “cores directas” ou “suplementares” que mais não fazem do que onerar os seus custos. Por conseguinte, este meio de produção gráfica apenas é vantajoso para grandes tiragens, o que em muitos casos representa um desperdício e um gasto desnecessário.

Como alternativa, a impressão digital possui maior interesse para a produção de tiragens reduzidas, como convém a pequenas localidades onde a impressão de uma ou duas centenas de cartazes se revela suficiente. Neste caso, os custos são constantes e, não existindo custos fixos à priori, apenas entram em desvantagem em relação à impressão em offset a partir dos trezentos exemplares aproximadamente. Trata-se, como é evidente, de um processo de produção que mais convém a organizações que não necessitam de recorrer à utilização de grandes quantidades de publicidade em suporte de papel, tanto mais que é cada vez mais recorrente a utilização da Internet para o efeito.

Outro dos aspectos que nem sempre é tido em consideração reside no tipo de papel que é escolhido para o meio de divulgação pretendido, tanto no que respeita às suas características como à própria gramagem. É frequente depararmos com os mais variados géneros, alguns dos quais claramente não favorecem a divulgação que é feita enquanto, noutros casos, traduzem-se em esbanjamento e gastos desnecessários em material mais dispendioso. Procurando um ponto de equilíbrio entre critérios de qualidade e economia, o tipo de papel geralmente mais adequado na produção de cartazes para divulgação de festivais de folclore ou de romarias é o couché brilhante, com 115grs/m2, podendo eventualmente ser substituído pelo couché mate, aconselhando-se neste caso a aplicação de verniz de máquina que, para além do realce, contribui para a fixação das cores.

No que respeita às dimensões do cartaz, ele não deve ser definido de uma forma aleatória sob pena de perder a sua utilidade ou constituir uma maneira de esbanjar verbas que seguramente fazem falta à organização. Assim, importa antes de mais ter presente os locais públicos onde os cartazes vão ser afixados, existindo espaços que não se coadunam com cartazes de grandes dimensões. Por outro lado, deve ter-se em consideração as medidas padronizadas do papel uma vez que estas respeitam as dimensões das máquinas de impressão concebidas pelos fabricantes. Qualquer pequena diferença nos formatos pretendidos pode representar a duplicação dos custos em consequência do desperdício de matérias-primas.

A produção em separado de programas sob um formato de caderno possui como vantagens, além da inclusão da publicidade dos patrocinadores, a divulgação de conteúdos de natureza cultural relacionados com a localidade ou o evento, possibilitando que os mesmos sejam guardados como outra publicação de interesse.

Em regra, as organizações tendem a adoptar um modelo gráfico ou seja, um determinado estilo que as identifica nomeadamente pelas cores empregues, o tipo de letra e eventuais logótipos ou dísticos emblemáticos. O grafismo usado na divulgação em suporte de papel deve ser tanto quanto possível semelhante ao que é utilizado através da Internet, traduzindo-se em uniformidade e economia de meios e gastos.

Por fim, as organizações de eventos culturais que de alguma forma se identificam com a preservação do património cultural ou dos valores de uma determinada região, jamais devem contribuir para uma imagem de degradação da terra e de si mesmos, transformando-se em elementos repulsivos e indesejáveis a essa mesma causa que alegadamente dizem defender.

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/

O FOLCLORE E OS PERIGOS DA INTERNET

O país que em regra a televisão transmite aos seus telespetadores é completamente distinto do país que a maioria dos portugueses conhece – o país onde se trabalha, reza, canta e dança apesar das dificuldades que o povo atravessa. Aquilo que é genuinamente português e tem a ver como a vida do povo não aparece no ecrã televisivo. As imagens que nos entram nos nossos lares são fabricadas em estúdio e mais não correspondem do que a um país fictício feito de política medíocre, intriga, fantasia e sobretudo lavagens ao cérebro fornecidas em doses maciças. E, o que é reconhecido nos vários canais televisivos, públicos e privados, é de igual forma válido para os demais órgãos de comunicação social.

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Entretanto, a Internet abriu novas oportunidades nomeadamente à divulgação da nossa cultura tradicional, constituindo um excelente meio para os grupos folclóricos se promoverem e estabelecerem ligação entre si, qualquer que seja o local do mundo onde se encontrem. Entre as ferramentas que a Internet disponibiliza conta-se a possibilidade de efetuar-se transmissão televisiva e radiofónica. O aparecimento de pequenos estúdios televisivos a transmitir através da Internet já levou inclusive alguns operadores de televisão por cabo a disponibilizarem o sinal, abrindo espaço aos canais temáticos, alguns de dimensão quase doméstica.

Porém, a questão da imagem que se pretende difundir coloca-nos perante um dilema que em situação alguma deve ser escamoteada. Dependendo do ângulo e da qualidade daquilo que se transmite, os meios audiovisuais tanto constituem uma excelente divulgação como, ao invés, podem representar uma forma de denegrir a imagem do artista ou do grupo que alegadamente visa promover, transmitir uma imagem deformada e até aniquilá-lo de forma definitiva. O ruído provocado por deficientes condições técnicas ou a péssima qualidade do sinal televisivo traduzem-se em elementos corrosivos da imagem do artista, apenas contribuindo para a sua destruição, afastando dele os telespetadores e o público em geral.

O aparecimento de pretensos canais televisivos na Internet está ainda associado à produção de gravações ilegais, ao jeito das cassetes piratas que infestam as feiras e são sempre alvo da ação das autoridades nas suas operações de fiscalização. No meio folclórico existe quem se dedique à produção caseira de dvd’s com as atuações de ranchos folclóricos, de qualidade duvidosa e distribuição ilegal. À parte as questões de ordem moral e legal, os grupos folclóricos que recorrem a tais circuitos de divulgação apenas dão de si uma imagem negativa, quer da qualidade do produto que é apresentado como ainda da forma pouco edificante como procuram dar-se a conhecer ao público.

Um grupo folclórico que se esforça por se apresentar com seriedade, dando a conhecer as suas tradições com o maior rigor, cuidando para que o seu trabalho seja reconhecido como algo da maior validade para a preservação da nossa cultura tradicional jamais pode desbaratar a sua credibilidade através de uma gestão inconsciente e irresponsável da sua própria imagem. Ela é tão importante quanto o seu próprio trabalho de representação folclórica e etnográfica!

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/

ARQUIVO MUNICIPAL REVELA CÓNEGO CHOUZAL

A exposição está patente ao público em Paredes de Coura 

O Arquivo Municipal de Paredes de Coura tem patente ao público, na sala de leitura, a sua mais recente mostra documental “Cónego Chouzal: o orador e o seu tempo”. Com esta exposição, inaugurada pelo Presidente da edilidade, António Pereira Júnior, no passado dia 1 de junho, o Arquivo Municipal pretende dar a conhecer a vida e obra do ilustre courense (1873-1935), que, graças à sua veia oratória, percorreu os púlpitos de prestígio do país e ficou conhecido para as gerações vindouras como o “orador sagrado”.

A mostra, concebida a partir do espólio do arquivo privado de Bernardo José Álvares Chouzal, que já se encontra à guarda do Arquivo Municipal, inclui painéis explicativos, com textos da autoria de Maria de Fátima Silva Cabodeira e de Vitor Paulo Pereira, documentos originais nunca antes mostrados, sendo complementada por espólio emblemático.

A título de contextualização, refira-se que o Cónego Chouzal nasceu na vila de Paredes de Coura em 1873 e faleceu, em Figueiró dos Vinhos, Leiria, em 1935. Para além de uma ascensional carreira eclesiástica, de que se destaca o cargo de Cónego da Sé de Évora, dedicou-se ao jornalismo e à política.

Quem visitar a exposição, terá a oportunidade de revisitar as várias facetas de uma das personalidades mais reputadas do concelho de Paredes de Coura.

A Autarquia courense já convidou oficialmente os estabelecimentos de ensino locais para se deslocarem ao Arquivo Municipal, no sentido de visitarem a mostra documental, que estará exposta até dezembro do ano em curso.

A iniciativa insere-se no âmbito das atividades de dinamização cultural do Arquivo Municipal, direcionadas a um vasto leque de utilizadores, a que subjaz uma vertente formativa.

Situado na Rua Conselheiro Miguel Dantas, no centro da vila, o Arquivo Municipal de Paredes de Coura abriu ao público no dia 5 de Maio de 2008.

O MINHO NA INTERNET: CONSELHO TÉCNICO DA FEDERAÇÃO DO FOLCLORE PORTUGUÊS FAZ RECOMENDAÇÕES AOS RANCHOS MINHOTOS

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O Conselho Técnico de Entre Douro e Minho da Federação do Folclore Português possui um site na Internet através do qual transmite informação e recomendações úteis para muitos grupos folclóricos da nossa região.

Trata-se de uma iniciativa louvável que aproxima aquela entidade também da generalidade dos grupos folclóricos, ajudando-os desta merma a melhorar a sua apresentação. Sem o necessário aconselhamento técnico, de nada valem as observações que por vezes são feitas em relação ao deficiente trabalho desenvolvido por alguns grupos folclóricos.

Mas, uma vez que o Conselho Técnico de Entre Douro e Minho da Federação do Folclore Português já deu um sinal positivo, disponibilizando alguma informação que pode ainda ser desenvolvida e acrescentada, cabe aos grupos folclóricos aceitarem com humildade as observações que são feitas, o que não significa que o devam fazer sem questionar e compreender a sua razão e significado. Curiosamente, muitas das recomendações que ali são apresentadas aplicam-se de igual modo a muitos ranchos folclóricos que granjeiam de bastante prestígio, quiçá mesmo grupos federados.

O site do Conselho Técnico de Entre Douro e Minho da Federação do Folclore Português pode ser acedido no endereço http://entredouroeminho.home.sapo.pt/index.htm

COMO ERA O SOAJO E CASTRO LABOREIRO HÁ CEM ANOS?

Há cerca de cem anos, mais precisamente em 1911, um jornalista do jornal “O Século” viajou até as montanhas agrestes da Peneda e do Soajo e contatou de perto com as populações locais, mormente Soajo e Castro Laboreiro. Dessa digressão, Bruno Buchenbacher deixou-nos um registo na revista “Illustração Portugueza”, publicação ligada àquele periódico republicano dirigido por Magalhães Lima.

Na realidade, não foi a curiosidade do etnólogo que motivou a deslocação do jornalista a esta região. Ele próprio o confessa: “Não era simples curiosidade de touriste nem tão pouco um espírito de aventura, que me conduziu, n’estes dias caniculares do sol inclemente, áquellas serras abandonadas e desconhecidas, mas sim o dever jornalístico”.

O dever jornalístico consistia em acompanhar os esforços das forças republicanas, do Exército e da Carbonária, numa zona fronteiriça que tinha sido transposta pelas forças realistas sob o comando de Paiva Couceiro ou seja, as chamadas incursões monárquicas. Mas, fiquemo-nos com o registo e com as suas impressões, sobretudo em relação às gentes do Soajo.

COMO EU VISITEI AS SERRAS DO SUAJO E DA PENEDA

Os motivos que me levaram a visitar as regiões do norte de Portugal, compreende-se facilmente.

Não era simples curiosidade de touriste nem tão pouco um espírito de aventura, que me conduziu, n’estes dias caniculares do sol inclemente, áquellas serras abandonadas e desconhecidas, mas sim o dever jornalístico.

Antes de entrar no assumpto, cumpre-me o dever de agradecer publicamente a todas as auctoridades civis e militares a deferência e amabilidade que dispensaram ao visitante, nem sempre commodo e agradável.

Constatei, igualmente, com grande surpresa e satisfação, a hospitalidade carinhosa que quasi sempre me foi dispensada.

A região que percorri, fica afastada dos meios de conducção geralmente empregados. Não há estradas, e os próprios caminhos, são, na verdade, simples caminhos de cabras, onde unicamente estas e a mula, ponney da montanha, transitam com relativa segurança.

A primeira parte da excursão, levou-me de Melgaço a Alcobaça e Castro Laboreiro.

Em todo o caminho, até ás alturas de Alcobaça, perto do Cruzeiro que representa a gravura vêem-se as montanhas pedregosas da Galliza, pobremente arborizadas, manchadas aqui e álem de pequenos núcleos de pastagens e matto.

O cruzeiro de Alcobaça, no Suajo, a 500 metros da Fronteira

O nome Alcobaça, faz-nos recordar as luctas sangrentas travadas entre os fundadores da monarchia e os mouros.

Pelos vestígios que se encontram espalhados pela região vê-se que os combates não pararam n’estas serras quasi inacessíveis. Perto de Alcobaça, existe um logar que o povo chama Lamas de Moiros; a etymologia da palavra indica-nos facilmente como lagrimas de moiros, dando-nos uma prova lendária de sangue derramado – ad majorum dei Gloriam.

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A “praia” em Castro Laboreiro

Chegado a Castro Laboreiro, divaga o pensamento por tempos mais remotos, tempos em que um povo glorioso conquistou á força de armas toda a orbe, até que a onda implacável do destino o afogou no mar do esquecimento.

Mas, a tradição do nome romano Castram Laborarum, quer dizer acampamento de trabalhadores, ficou como característico da povoação. São os seus habitantes trabalhadores incansáveis, existindo n’esta aldeia serrana, até o gérmen de uma industria que me causou pasmo e admiração.

Encontram-se no Crato, como os habitantes chamam á sua aldeia, duas fábricas de chocolate! E, em verdade, direi que já encontrei nas minhas viagens, qualidades muito peores n’este artigo de alimentação.

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Uma serrana de Castro Laboreiro

A fabricação é, principalmente, para exportação, ramo de negócio muito difícil e até perigoso, atendendo à falta de meios de transporte e á dificuldade de transito pela raia secca.

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O “leão das montanhas”: Comendador Mathias de Sousa Lobato, professor oficial de instrucção primaria

Devido á amavel recomendação do administrador do concelho de Melgaço, fui recebido com fidalga hospitalidade pelo sr. Comendador e cavaleiro fidaldo, Mathias de Sousa Lobato, professor oficial de instrucção primaria.

Este cavaleiro, que sacrificou 28 annos da sua vida ao bem estar d’este povo, merece bem, pelo seu aspecto venerando, o cognome de rei das montanhas, que lhe foi conferido pelo falecido Hintze Ribeiro.

Os serviços relevantes prestados ultimamente ao novo regímen, levaram o sr. Dr. Alfredo de Magalhães a transformar a antiga designação autocrática, na mais popular denominação, de Leão das Montanhas. Mas, mesmo assim, sempre rei…

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O comício em Castro Laboreiro, em que falou ao povo o jornalista Hermano Neves

N’uma pyramide de rocha que se eleva a pouco mais ou menos a 1:200 metros acima do mar, encontramos, por assim dizer, um livro de historia.

Sobre fundamentos inegáveis de origem romana, elevam-se as ruínas de um castello moiro, de grande área.

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A porta das ruínas do Castello dos Mouros em Castro Laboreiro

Foi conquistado e destruído por D. Affonso Henriques, e reedificado por D. Sancho I, o povoador, como indica a inscripção ilegível de uma lapide, que a muito custo foi decifrada pelo comendador Mathias.

As ruínas conservam ainda s suas duas entradas, destinadas a peões e cavalleiros.

Uma terceira porta de comunicação, foi destruída há pouco pelos castrejos, persuadidos que encontrariam um tesouro entre os escombros.

A ex-séde de concelho, de há meio seculo, distingue-se também por dois característicos notáveis: lindas cachopas e formidáveis cães, ambos de recear…

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Casas em Castro Laboreiro

Ancioso por continuar a excursão pela serra, conseguiu-me o meu hospitaleiro amigo, uma desembaraçada \Castreja, que simplesmente justificou a segunda das afirmações contidas no período precedente.

Apenas sahido da aldeia, perde-se o caminho entre as penedias da serra.

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Um grupo de castrejas

Mas a Castreja conhece os recônditos da montanha, e, ora subindo, ora descendo, por sítios em que um passo em falso da montanha representava a morte certa para o cavaleiro, fômo-nos aproximando da parte peor do caminho, o “Peito do Sagasta”.

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A descida do Peito do Lagarto, a caminho da Penêda

Ali, o caminho é constituído por pedras quasi polidas, n’um declive tão acentuado que a cavalgadura mais patina do que anda. É impossível ficar sobre o selim. Mal tinha descido, quando o macho escorregou e cahiu, batendo com a espadua nos rochedos, o que veiu confirmar a minha previdência.

O único logar onde encontrei uma recepção pouco amavel foi em Penêda. Este povo selvagem e intratável, vê em todos os desconhecidos um inimigo, e cconstitue-se na obrigação de d’elle se desembaraçar.

Não sei se eles me tomaram por conspirador ou por carbonário; nem tenho desejo em sabel’o.

Basta-me o facto de me terem preparado uma cilada, onde o menos que poderia perder era a vida.

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O regedor da Penêda, com sua filha

Devido á chegada, no momento psychologico, de Domingos Avelino Lourenço, regedor da freguesia, consegui escapar d’esta vez.

O certo, é que eu não conto voltar á serra da Penêda, emquanto não tiver obtido a certeza de que se modificaram os sentimentos fraternaes d’aquelle povo.

O sr. Avelino Lourenço e sua exmª família, prepararam uma recepção hospitaleira, que foi verdadeiramente um raio de luz nas trevas da montanha. Penêda, é o logar mais selvagem que encontrei na minha expedição. Afastada léguas dos centros civilizados, falta á população todo o sentimento de cultura. Não se compreende como o grandioso santuário de Nossa Senhora, se perdeu por aqui. Se os romeiros são recebidos com a mesma gentileza e atenção que nos dispensaram, duvido que algum estranho á terra, volte a estas paragens.

Se tivesse alguma duvida ácêrca da gravidade da minha situação, o sr. Avelino afastou-as no dia seguinte, acompanhando-me durante duas léguas, e dizendo-me na despedida agora é que v. exª está salvo.

Durante o trajecto, tive ocasião de experimentar a eficácia de um instrumento desconhecido a incultos povos. N’uma d’estas aldeias, cujo nome não me ocorre, tirei da algibeira um copo de viagem de alumínio, forma de telescopio que causou o espanto de toda a povoação, e que frequentemente tive de fechar e abrir sob este sol abrasador, para satisfazer a curiosidade ingenua d’esta pobre gente, antes de pode beber uma gota de agua, tão necessária á minha garganta ressequida.

Estou convencido de que, ainda por muito tempo, será o copo do estrangeiro, o thema da conversação dos aldeãos, a maior parte dos quaes desconhece estradas de macadame ou mesmo um caminho de ferro.

O caminho segue sempre entre serras selvagens, talhadas para servirem bem n’uma guerra de guerrilhas; todavia será necessário que os contendores conheçam bem o terreno para evitar qualquer surpresa. Infeliz d’aquelle que cahisse n’uma cilada n’estes abysmos tenebrosos! De longe, n’um planalto rodeado de altos montes, depara-se á vista uma aldeia maior, é o Suajo, estação intermédia entre Penêda e Arcos de Val-de-Vez.

Uma rua no Suajo

Aqui, o meu salvo-conducto, assingnado pelo ilustre ministro do interior, valeu-me uma grande manifestação de sympathia; era um bom republicano que chegava, visto que só como tal poderia o dr. António José d’Almeida, conceder a um estrangeiro a protecção incondicional garantida no documento referido. O povo do Suajo é relativamente culto.

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O interior de uma habitação no Suajo. A casa do Juiz de Paz

A maior parte dos homens conhecem Lisboa, por ser tradicional a sua emigração para esta cidade, onde se empregam, de preferência, no mister de moços de padaria. O aspecto da povoação é estranhamente pitoresco.

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Typo de casa no Suajo

Na praça principal, ergue-se um antigo pelourinho, encimado por uma horrenda carranca, que faz lembrar, pela sua factura primitiva e ingenua, qualquer trabalho gentílico. Infelizmente, o sol ardente, opunha-se a immortalisar a tal obra na pellicula photographica, bem como os curiosos palheiros, construídos de pedra, em forma de cadela, e todos eles encimados por uma cruz. A gravura, mostra um grupo de aldeãos, entre palheiros, construídos de verga e cobertos de palha. Não lembra, este aspecto, uma scena do continente negro?

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Palheiros do Suajo

Á sahida do Suajo, foi a nossa caravana augmentada com o cabo da guarda fiscal, de espingarda ao hombro, cavalgando uma pequena mula; um padeiro de estatura gigantesca, que, n’uma montada egual, quasi arrastava as pernas pelo solo, uma mulher candongueira de estatura avantajada e com um rosto ainda de uma beleza, que há vinte anos devia ser extraordinária.

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A nossa caravana à sahida do Suajo

A tia Maria, conduzia ao hombro a espingarda do padeiro, e uma sua sobrinha que a acompanha, não ficava, em formosura, muito áquem de sua tia. Imaginem esta caravana, caminhando penosamente entre os estreitos valles da serra, e comprehenderão, facilmente, que eu me julguei n’uma viagem de exploração, por mares nunca d’antes navegados. No caminho, encontrámos um patrulha de caçadores 5 que me fez lembrar que a minha missão, era talvez assistir a alguma lucta sangrenta, mas, infelizmente, nenhum sangue correu se não o meu, na ocasião de me barbear deante de um espelho, que só poderia prestar bom serviço a um cego. O sol someçava a desaparecer no horisonte, e nós comecámos a acelerar a marcha para podermos chegar antes da noite aos Arcos de Val-de-Vez, deixando o guarda fiscal e o padeiro regressar com os caçadores para o Suajo.

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O rio em Arcos de Val-de-Vez

Anoitecia quando entrámos nos Arcos, e a minha aparição, envergando o fato quasi militar, polainas, esporas e pistola, deu ocasião a que umas mulheres espalhassem o boato de que o Paiva Couceiro tinha chegado. Todavia, quando uma hora depois me viram passeando com o comandante Simas Machado, as suspeitas desvaneceram-se por completo.

O banho dos cavallos

Devido á amabilidade do sr. Tenente coronel Simas Machado, tive ocasião de acompanhar uma força de tenente que se ía installar na Portella do Extremo, como posto avançado, para assegurar a estrada de Monsão-Arcos-Braga.

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Nos Arcos de Val-de-Vez

A força aquartelou-se no cemitério da aldeia, romanticamente situado entre dois alcantilados montes, coroados por restos de fortificações das campanhas da guerra da independencia.

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Um posto avançado na Portella do Extremo

A pequena igreja foi fundada no anno de 1741, por cavalleiros da Ordem de Malta, conforme indica uma cruz d’essa ordem, esculpida sobre fundo azul, na base da qual se encontra a palavra Malta e a era. O cemitério apresenta um aspecto pouco vulgar; não existem lapides, cruzes, jazigos ou mesmo simples indicação sobre as sepulturas.

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O meu almoço com o commandante do posto da Portella do Extremo, tenente Velloso

Uma pequena elevação de terra preta sobre a qual repousa uma pequena tigela de agua benta, é a única indicação de que ali descançam das fadigas da vida os que labutaram n’este solo ingrato. Não obstante esta vizinhança pouco convidativa para quem deseja repousar-se um pouco da fadiga de uma jornada extenuante e de uma trovoada formidável que parecia inflamar o ceu, e que encheu o estreito valle com o ruído monumental dos seus trovões, dormimos sobre o feno, cobertos com as mantas dos cavallos, até que, aos primeiros alvores da madrugada, os relinchos e o escarvar das patas dos cavallos, nos chamaram ao cumprimento do dever do dia.

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A capella dos cavalleiros de Malta na Portella do Extremo. Ao fundo, veem-se os restos das fortificações levantadas em 1640

No regresso aos Arcos aluguei um trem, que, sem mais incidentes, me conduziu a Braga.

Resta-me, talvez, expor a idéa de que n’esta região se podia estabelecer um centro de tourismo, para aquelles cujo estado de saúde não permite a permanência nas altitudes. Encontrariam os doentes n’estas condições, uma situação que lhes permitiria o exercício de pequenas excursões de montanha ainda inexplorada, bastava que se estabelecessem hotéis que proporcionassem as comodidades q que, em geral, estão habituados os que costumam empregar o seu tempo e dinheiro em taes distrações. Creio também, que será proveitoso mandar explorar esta região archeoloca e geologicamente, porque, sestou convencido, que aqui se encontrariam valiosos elementos para a historia dos primitivos habitantes do paiz.

Texto e Clichés de Bruno Buchenbacher

Fonte: Illustração Portugueza, nº 284, de 31 de Julho de 1911

ASSOCIAÇÃO DE DADORES DE SANGUE DE PAREDES DE COURA COMEMORA 23 ANOS DE EXISTÊNCIA

A Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Paredes de Coura (ADASPACO) assinala vinte e três anos de existência ao serviço de uma causa nobre que pode salvar vidas. Fundada a 17 de junho de 1989, esta associação não tem regateado esforços para cumprir a missão a que se propôs e que consiste na colheita benévola de sangue, uma dádiva que pode revelar-se preciosa para a vida de um familiar, conterrâneo, amigo ou qualquer pessoa que necessite da nossa solidariedade.

Em Paredes de Coura e também em Lisboa, junto da comunidade courense ali radicada, são frequentes as colheitas que realiza para que o sangue um dia não falte a quem necessite.

As comemorações da ADASPACO vão realizar-se de acordo com o seguinte programa.

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17/06/2012

PROGRAMA

08.45 Horas – Hastear das Bandeiras e colocação de uma coroa de flores junto ao busto de Joaquim Carvalho Lages simbolizando todos os Dadores e Sócios falecidos

09.30 Horas – Missa na Igreja Paroquial de Romarigães, em memória de todos os Dadores e Sócios já falecidos

13.00 Horas – Almoço convívio na sede da Adaspaco

14.00 Horas – Animação com o grupo musical Kalhambeke

Dadores – gratuito

Acompanhantes – 5,00 gotas

Crianças dos 6 aos 12 anos – 2,50 gotas

Por contenção de custos não serão enviados convites individualizados como vinha acontecendo em anos anteriores, pelo que os dadores que queiram participar no almoço deverão fazer a sua inscrição até ao dia 13 de Junho através dos telefones 251783641, 251107846 e 964844679. Depois desta data não se aceitam inscrições.

Para mais informações/esclarecimentos:

CASA DO DADOR

SEDE SOCIAL DA ADASPACO

Avenida Cónego Dr. Bernardo Chouzal, n.º 37

4940-520 Paredes de Coura

Telefone: 251783641

adaspaco@sapo.pt

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MINHOTOS DESFILAM NO DIA DE PORTUGAL EM NEWARK, NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

A comunidade portuguesa radicada em Newark saiu à rua para mais um grandioso desfile comemorativo do Dia de Portugal. Desde 1979, sob a égide da Fundação Bernardino Coutinho, o Festival do Dia de Portugal naquela cidade dos Estados Unidos da América constitui uma grande demonstração de unidade dos nossos emigrantes e apego às suas raízes lusas.

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Neste festival participam numerosas associações portuguesas, ranchos folclóricos e outras organizações portuguesas sediadas no Estado de New Jersey, um dos estados americanos onde a presença portuguesa é mais saliente. E, como não podia deixar de acontecer, a comunidade minhota destaca-se não apenas pela sua representação numérica mas principalmente pela alegria e colorido que empresta ao desfile, com os trajes garridos dos seus ranchos folclóricos e as alegres rapsódias das suas concertinas.

Deixamos aqui um registo da participação da comunidade minhota na Parada do Dia de Portugal que se realizou no passado fim-de-semana, através das fotos de Yuri Lev Studio que aqui reproduzimos com os melhores agradecimentos.

Fotos: Yuri Lev Studio http://yurilev.redbubble.com/

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O FOLCLORE NA ERA DO DISCO DE VINIL

Com o aparecimento em 1948 do disco de vinil, os antigos discos de 78 rotações que eram utilizados nas velhinhas grafonolas foram guardadas no baú das memórias. A partir de então, começaram a produzir-se em série de dois formatos: o Long Play (LP) ou seja, de longa duração, com 33 rotações por minuto e o single de 45 rotações. Porém, pouco mais de três décadas haviam de durar até aparecer no final da década de oitenta do século passado os compact discs, vulgo CD’s, transformando o disco de vinil em peça de museu.

O disco de vinil consiste num disco de plástico que, por meio da ação de um gira-discos, efetua a rotação do disco no sentido dos ponteiros do relógio e conduz a agulha sobre minúsculos sulcos que a fazem vibrar e, de forma mecânica, transformam as vibrações em sinal elétrico e este, uma vez amplificado, é produzido analogicamente em música.

A aproximação do Verão e com ele a época dos espetáculos era sempre antecedida pelo lançamento de um disco – um LP ou, pelo menos um single – que haveria de acompanhar toda a tournée do artista ou agrupamento, fazendo da primeira música do lado A o sucesso da ocasião. À falta de reportório atualizado, as novas edições recuperavam gravações anteriores a fim de garantir a divulgação dos artistas e as receitas das editoras discográficas. Algo que não difere substancialmente dos tempos que correm…

A capa dos discos constituía um dos seus principais atrativos, tanto pela qualidade gráfica como ainda pela informação disponibilizada, sobretudo nas capas dos discos de longa-duração (LP’s). De resto, pela sua apresentação e o próprio circuito de distribuição, o disco de vinil possuía um estatuto diferenciado da cassete de fita magnética.

Também o folclore deve ao disco de vinil em grande medida a sua divulgação. Muitos foram os ranchos folclóricos que à época gravaram o seu disco, exibindo na capa um motivo etnográfico adequado ou a imagem do próprio grupo. Dependendo naturalmente da importância da etiqueta e da sua capacidade de distribuição, o disco de vinil contribuiu grandemente para o prestígio de muitos grupos folclóricos uma vez que, de certa forma, representava um reconhecimento pelo seu trabalho por parte das editoras discográficas que apostavam na sua comercialização.

Encontramo-nos na era do compact discs (CD) e do Digital Versatile Disc (DVD) que permitem a leitura ótica e uma maior capacidade de armazenamento de ficheiros em formato digital. O disco de vinil, contudo, ocupa um lugar de destaque na história da divulgação do folclore, com tanto ou maior impacto do que a sua própria atuação ao vivo. Sem ele, seguramente muitas das nossas músicas tradicionais não teriam ficado no ouvido de muitas pessoas tanto que, salvo honrosas exceções, o folclore português jamais mereceu destaque significativo na programação televisiva e radiofónica.

Carlos Gomes

Fonte: http://www.folclore-online.com/

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