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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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VÃO AS “CHEGAS DE BOIS” E A “VACA DAS CORDAS” SER PROIBIDAS NO MINHO?

De acordo com notícias vindas a público, o governo prepara-se para decidir acerca da eventual abolição do espetáculo tauromáquico em Portugal. Na origem de tal decisão poderá estar o facto do Movimento pela Abolição das Corridas de Touros ter sido o vencedor da iniciativa “O meu movimento” promovida pelo governo, devendo em breve ser recebido pelo primeiro-ministro.

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Foto: http://antoniotedim.blogspot.pt/

Entretanto, decorre um inquérito promovido pelo governo junto das autarquias onde no ano passado se realizaram espetáculos taurinos a fim de saber qual o valor dos apoios que estas dispensaram àquelas iniciativas”. A este propósito, o jornal “SOL” refere que “das 92 câmaras onde decorreram espetáculos de índole tauromáquica em 2011 apenas 29 responderam até ao momento”.

O Bloco de esquerda apresentou recentemente no parlamento dois projetos-lei para impedir os apoios públicos aos espetáculos que “inflijam sofrimento físico ou psíquico ou provoquem a morte de animais”, o que pode também abranger os espetáculos circenses e ainda para proibir a sua transmissão através da televisão pública.

Desde há muitas décadas que alguns concelhos minhotos mantinham o costume da realização do espetáculo tauromáquico inserido nas suas festividades tradicionais como sucedia com Ponte de Lima e Viana do Castelo. Aliás, nesta cidade ainda atualmente existe uma associação de apreciadores deste género de espetáculo – o Viana Taurino Clube. Não obstante, há algum tempo, a vereação vianense resolveu proibir a tourada e acabou com o redondel da Argaçosa.

Porém, touradas à parte, as gentes do Minho preservam tradições que podem vir a ser abrangidas por esta proibição, como é o caso das chegas de bois e da vaca das cordas de Ponte de Lima. Uma vez mais, é o Terreiro do Paço que decide sobre as nossas vidas!

BRAGA: INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE AGUARELAS DE BEATRIZ LAMAS DE OLIVEIRA LEVOU BASTANTE PÚBLICO À GALERIA DA CASA DOS CRIVOS

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A exposição de aguarelas “Raízes Nossas”, da autoria da pintora bracarense Beatriz Lamas de Oliveira, levou à galeria da Casa dos Crivos, em Braga, mais de uma centena de visitantes ao ato da inauguração que decorreu no passado dia 28 de abril.

A exposição contou com a presença da Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Braga, Dr.ª Ilda Carneiro, entre outras individualidades e numeroso público que visitou a exposição, entre o qual se destacavam familiares e amigos da pintora.

Para além do seu aspeto estético, a pintura de Beatriz Lamas de Oliveira revela-se de grande importância como um meio de sensibilização para a defesa e preservação do património, mormente nas suas vertentes arquitetónicas e paisagísticas, encontrando-se os temas que trata bastante ligados à cidade de Braga.

A exposição ficará patente ao público até ao dia 19 de maio na galeria da Casa dos Crivos, na Rua de São Marcos, em Braga.

A pintora Beatriz Lamas de Oliveira à porta da Galeria da Casa dos Crivos, em Braga 

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Prof Drª Sara Marques, Bartolomeu Jacq, Dr Rui Prata, Engº Manuel de Melo e esposa, Prof Dr Tiago Marques e D. Maria Delfina da Silva. 

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Os filhos da pintora não faltaram à inauguração da exposição, tendo dois deles vindo propositadamente de Londres. Na foto, junto de Beatriz Lamas de Oliveira, os filhos Tiago Marques, Bartolomeu Jacq e Sara Marques.

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Drª Nazaré Loureiro, Presidente do Conselho Clínico do ACES do Cavado III e Enfª Luzia Borges.

A artista foi sempre rodeada de carinho e amizade por parte dos visitantes.

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O Sr. Cesário Fernandes contemplando as aguarelas.

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Na foto, Prof Dr ª Sara Marques do Imperial College, Londres e a Drª Lélia Pinto, do Departamento de Cultura da Câmara Municipal de Braga.

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A pintura de Beatriz Lamas de Oliveira está intimamente ligada ao património da cidade de Braga.

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O escritor Fernando Mendes,  Drª Regina Bispo da Ceaul da Faculdade de Ciencias de Lisboa e Bartolomeu Jacq observam atentamente a exposição.

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A exposição despertou bastante interesse do público.

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Sr. Fernando Mendes, Eng Manuel Melo e esposa, e Cesário Fernandes.

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Dr. António Lamas de Oliveira à conversa com a Engª Joana Labescat.

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Dr. João Labescat da Silva e a Prof Dr ª Sara Marques trocam impressões acerca da exposição.

BARCELOS: FESTA DAS CRUZES INICIA O CICLO DAS ROMARIAS DO MINHO

Barcelos está em festa. A Festa das Cruzes é a primeira grande romaria do Minho. No próximo dia 3 de maio é feriado municipal consagrado ao Senhor Bom Jesus da Cruz. Do Templo do Bom Jesus da Cruz sairá a grandiosa procissão da Invenção da Santa Cruz. O centro histórico e as margens do rio Cávado iluminam-se com grandiosas sessões de fogo-de-artifício e piromusical que deslumbram os visitantes.

Barcelos engalana-se com magníficos tapetes de flores naturais e alegre-se ao som das concertinas e dos cantadores ao desafio, dos cabeçudos e dos ranchos folclóricos, das bandas de música e das arruadas de zés-pereiras. É o Minho em todo o seu esplendor e exuberância!

“É a primeira grande romaria do Norte, um misto de animação, luz, cor e alegria. As Festas de Barcelos e do seu concelho, dos Barcelenses e forasteiros, são promovidas pela Câmara Municipal e organizadas pela Empresa Municipal de Educação e Cultura.

É inegável que as Festas das Cruzes são, entre as festas populares minhotas, as mais famosas e mais conhecidas, sendo por isso uma das romarias mais concorridas e típicas do Minho e um dos mais importantes acontecimentos da Vida de Barcelos.

A Sua origem remonta ao início do século XVI, onde no ano de 1504, sob o reinado de D. Manuel I, numa sexta-feira, dia 20 de Dezembro, por volta das 9 horas da manhã, quando o sapateiro João Pires regressava da missa da Ermida do Salvador, ao passar no campo da Feira, observou na terra, uma cruz de cor preta. Como não quis guardar só para si aquilo que considerou ser um sinal sagrado, alertou o povo que depressa veio ao local.

“A cruz apareceu sob a forma de uma nódoa negra que ia crescendo até se formar uma cruz perfeita em que a cor não ficava só à superfície mas penetrava em profundidade na terra – por mais que se cave, sempre se acha.”

Este facto que recorda a “Cruz do Senhor Jesus”, fez nascer a devoção ao “Senhor da Cruz”. Primeiramente, surgiu um cruzeiro em pedra, logo em seguida uma ermida, para dois séculos mais tarde ser construído um magnífico templo, que hoje é o epicentro da Festa das Cruzes.

Até ao século XIX, as festas tinham essencialmente um cariz religioso; aí acorriam centenas de romeiros, não só da região de Barcelos, mas de todo o país e da vizinha Galiza. No Século XX, à essência religiosa foram-se adicionando elementos de características profanas, bem visíveis no aspeto lúdico: carrocéis, barracas de diversão, corridas de Cavalos, espetáculos de circo, fogo-de-artifício, cortejos etnográficos, torneios e concursos, entre muitos outros acontecimentos de natureza Popular.

Vinham a pé, descalços, em romaria, cantando e dançando, com a “condessa” à cabeça onde transportavam o farnel.

Esta era a ocasião, quase única do ano, em que as pessoas das freguesias rurais se deslocavam à cidade e aproveitavam a Festa das Cruzes como pretexto de encontro para os mais velhos que utilizavam a Feira para fazer negócios. Cumpriam também promessas e divertiam-se. Para os mais novos, estes dias serviam para arranjar “namoricos”, “folgar” e marcar novos encontros que muitas vezes davam em namoros e casamentos.

Tal como no passado, as Festas das Cruzes mantêm grande importância a nível económico, cultural e social, e por isso continua a despertar o interesse e a curiosidade de muitos visitantes, especialmente de espanhóis.

É a importância histórica de Barcelos, a sua herança cultura, o desenvolvimento económico, a proximidade física e/ou afetiva com outras gentes e locais, que fazem com que A FESTA DAS CRUZES continue a ser um momento de identidade e diferenciação do concelho de Barcelos.”

Fonte: http://www.cm-barcelos.pt/

CABRA GERESIANA É UMA ESPÉCIE EXTINTA

A imagem mostra o único exemplar vivo fotografado de um bode no Gerês. Este exemplar foi capturado em 20 de Setembro de 1890 e fotografado pelo famoso clínico Dr. Ricardo Jorge. A fotografia foi publicada, dezoito anos mais tarde, na revista “Ilustração Portugueza”. Lamentavelmente, a cabra geresiana é uma das espécies animais da nossa região que o homem levou à extinção.

RANCHOS FOLCLÓRICOS DO MINHO FORAM EM PEREGRINAÇÃO AO SANTUÁRIO DE FÁTIMA

No passado domingo, dezenas de ranchos folclóricos emprestaram um colorido muito peculiar ao Santuário de Fátima. Do Minho ao Algarve, milhares de pessoas com os trajes característicos das suas regiões foram em peregrinação a Fátima numa clara demonstração de fé e tradição. Tratou-se da X Peregrinação Nacional organizada pela Federação do Folclore Português a qual todos os anos se realiza por esta altura.

Os ranchos folclóricos desfilaram a partir do Parque 7 até ao Recinto de Oração onde teve lugar a recitação no rosário junto à Capelinha das aparições e, após a procissão para o altar, teve lugar a celebração da eucaristia, no Recinto de Oração do Santuário de Fátima. O BLOGUE DO MINHO deixa aqui um registo dessa imponente manifestação da nossa cultura tradicional, publicando algumas fotos gentilmente cedidas pelo Santuário de Fátima.

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VILA PRAIA DE ÂNCORA É A MAIS IMPORTANTE ESTÂNCIA BALNEAR DO ALTO MINHO

Beneficiando de excelentes condições de acesso, incluindo ligação ferroviária com apeadeiro no local, Vila Praia de Âncora tornou-se desde os começos do seculo passado na mais importante estância turística balnear do Alto Minho. Todos os anos, esta localidade atrai milhares de pessoas, incluindo turistas estrangeiros e emigrantes portugueses em férias, fazendo esgotar a sua capacidade hoteleira.

Aqui, o visitante pode encontrar um pouco de tudo quanto o Minho tem para oferecer. Praias magníficas a perder de vista, excelente gastronomia onde não falta o peixe, bom alojamento, o ambiente típico de uma vila piscatória e, junto, a paisagem deslumbrante da serra d’Arga com as suas povoações rurais e muita animação noturna onde a alegria e o colorido do folclore do Alto Minho marca a sua presença.

Vila Praia de Âncora - Jul2010 (114)

Daqui até à Póvoa de Varzim a povoação mais importante de pescadores é a Lagarteira (Âncora), na segunda reentrância da costa. Deito-me a pé pela estrada, através do lindo pinheiral do Estado, que, de cismático, me lembra António Nobre, e fico perdido de sonho no Moledo. Em 13 de Agosto de manhã há uma ligeira névoa, um nada, um bafo. São nove horas. O azul entontece. Perco a linha da paisagem, o verde escuro do pinheiral que vai até ao mar, e tudo isto se me afigura uma larga concha azul, formada pelo mar azul e pelo céu azul, com uma borda de areal onde alguns velhos moinhos em fila batem as asas para meu encanto. O forte da Senhora da Ínsua fica num extremo da curva, onde a amplidão do azul é infinita, a penedia a desfazer-se em espuma… Não posso. Por mais que queira não posso arredar-me daqui, com a cabeça estonteada. Fico. E só ao fim da tarde é que consigo chegar a Âncora, com dois jactos de azul metidos pelos olhos dentro. Logo hoje, até muito tarde, não se apaga do céu um doirado de iluminura, que se prolonga até noite velha e morre com aflição…

Raul Brandão, de Caminha à Póvoa

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VILA PRAIA DE ÂNCORA: CALVÁRIO É UM SANTUÁRIO DA NATUREZA ONDE SE ERGUE UM TESTEMUNHO DA FÉ

Em 1904, quando os acessos ainda eram íngremes, um grupo de alguns ancorenses decidiu dinamizar o Monte do Calvário. Nos finais de séc. XVII, a Capela de S. Salvador do Mundo e a antiga Via-Sacra encontravam-se em estado de degradação. Então, com subscrições obtidas na freguesia de Vale do Âncora e comunidades de emigrantes, o monumental escadório foi concluído em 1908, e só em 1911 se construiu o adro da Capela, sendo a Capelinha restaurada.

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Desde 1904, muitos melhoramentos foram feitos no Monte do Calvário e motivos de remodelação surgiram, alguns em parceria com a autarquia, como a transferência dos cruzeiros de Bulhente e do Roque, a construção da Gruta de Nossa Senhora de Lurdes, a cruz luminosa, infraestruturas sanitárias, parque infantil, parque de merendas, parque de estacionamento, novos escadórios, calcetamento, monumento do Imaculado Coração de Maria, iluminação do escadório, etc… O Monte do Calvário tem um notável e extenso escadório com Cruzeiros, a ermida antiquíssima e a gruta de Nossa Senhora de Lurdes que se encontra no corolário do Monte, de onde se desfruta uma vista panorâmica sobre Vila Praia de Âncora. O seu interior recria a ambiência da gruta onde apareceu a Virgem de Lurdes, em França.

A Capela de S. Salvador do Mundo, delimitada por um adro bem arranjado, possui um corpo com sacristia adossada. No interior, com cobertura de pedra em abóbada de canhão, destacam-se o altar-mor neoclássico com a imagem de Cristo Crucificado.

Quem subir ao Monte do Calvário tem um surpreendente panorama, junto à Capelinha do Salvador do Mundo, o mar e a terra alongam-se Vale do Âncora acima. A vista que se observa lá do alto é lindíssima. Vila Praia de Âncora é envolvida pelo mar e pela Serra d´Arga em abraço secular e o rio Âncora fecunda o seu vale milenar. Em duas palavras: desfruta-se de uma vista maravilhosa, onde se mistura o sonho com a realidade e a espiritualidade.

O Monte do Calvário constitui um espaço obrigatório de visita, sendo espaço de lazer com área de piqueniques, acesso automóvel e parque para autocarros. Desde já, lanço-vos o desafio de um dia no Monte do Calvário… Será um dia inesquecível, onde poderão descansar entre flores e silêncio, em contacto constante com a natureza, sendo um solitário lugar de privilégio para quem busca beleza e paz.

O nosso passeio mais uma vez chegou ao fim, espero que tenham gostado, porque eu adorei, aqui espero por vocês. Para a próxima, vamos até à Capela de S. Salvador do Mundo.

Fonte: O Vianense

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Perto de Âncora fica a povoação de Gontinhães, de pescadores e de pedreiros, os pescadores ao pé do mar, os outros lá em cima no Calvário, unidos pelo caminho da Lagarteira, torto e lajeado. É uma aldeia pobre e humilde, pobre e doirada. Do escadório descobre-se o panorama, a amplidão do vale, o morro compacto que entre pelo mar e o fio manso do rio… Aqui o sonho não é azul, o sonho é verde. É ao mesmo tempo esquecido e verde, doirado e verde. Também a vida é baixinha: são as mulheres que lavram e as vacas que puxam os carros. Os homens foram por esse mundo rachar o lajedo e afeiçoar a pedra.

Raul Brandão, de Caminha à Póvoa

Calvário

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VILA PRAIA DE ÂNCORA: DÓLMEN DA BARROSA É MONUMENTO NACIONAL

Situado em Vila Praia de Âncora, o Dólmen da Barrosa encontra-se classificado como monumento nacional desde 1910. Também conhecido por “Lapa dos Mouros”, o Dólmen da Barrosa é um monumento megalítico dos finais do neolítico, calculando-se em mais de dois mil anos a sua existência. Caraterizado como um dólmen de corredor sem diferenciação entre este e a câmara funerária propriamente dita, o Dólmen da Barrosa é considerado um dos monumentos megalíticos mais representativos do género na Península Ibérica.

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Apesar da sua importância histórica e patrimonial, o local onde se encontra não está devidamente protegido nem o mesmo mereceu até ao momento o devido enquadramento enquanto espaço a ser visitado para fins culturais e turísticos. Uma falha que esperamos venha a ser corrigida.

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"Situada na povoação de Vila Praia de Âncora, a "Anta da Barrosa" foi objecto de classificação, como "Monumento Nacional", logo em 1910, certamente por constituir o maior e mais bem preservado monumento megalítico de todos quantos foram identificados até à data no Vale de Âncora.

Escavado em 1879 pelo conhecido investigador vimarenense de oitocentos, Francisco Martins de G. M. Sarmento (1833-1899), numa altura em que a temática dolménica assumia proporções verdadeiramente inauditas junto da comunidade científica europeia da época, a anta foi, já em meados do século passado, estudada por João de Castro Nunes.

Trata-se de um monumento constituído, como os demais pertencentes a esta tipologia, por câmara sepulcral de planta poligonal formada por oito esteios e respectiva laje de cobertura - ou "chapéu" -, para além do corredor com cerca de um metro e meio de largura por seis de comprimento, ainda que não pareçam subsistir quaisquer vestígios de mamoa - ou tumulus - que a pudesse cobrir originalmente na totalidade. Estas dimensões estarão, na verdade, na base da hipótese de trabalho levantada pela conhecida arqueóloga alemã Vera Leisner, que inseriu este exemplar na tipologia genérica dos dolmens de corredor do Noroeste Peninsular e, dentro desta, no sub-agrupamento caracterizado pela indiferenciação revelada entre câmara funerária e corredor.

Entretanto, a investigação realizada por J. de Castro Nunes permitiu identificar a existência, na superfície de três lajes, de motivos decorativos típicos deste "mundo dolménico", com serpentiformes e signos em forma de "U", aqui executados através do método da percussão.

O início do século XXI trouxe, contudo, outras novidades relativas à História do sítio, ao serem encontrados vestígios de uma ocupação romana nas suas imediações, ao que tudo indica, entre os séculos I e II d. C., como parece indicar a análise dos fragmentos de cerâmica comum e de alguns materiais de construção, como telha romana - tegulae -, num testemunho mais da reutilização periódica (quando, não mesmo, sistemática) dos mesmos espaços simbólicos para, não apenas, apreender o seu significado preexistente, como sobrepor um novo poder temporal mediante a apropriação (ou, talvez, sobreposição ao) do poder espiritual.

[AMartins]"

Fonte: IGESPAR

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Dólmen da Barrosa

ESCRITOR RAUL BRANDÃO DESCREVE A PESCA EM VILA PRAIA DE ÂNCORA HÁ PERTO DE CEM ANOS!

O escritor Raul Brandão descendia de pescadores, razão pela qual a vida árdua e arriscada das gentes do mar esteve sempre presente em toda a sua obra. Nasceu na Foz do Douro em 1867 e veio a falecer em Lisboa em 1930. Porém, tendo seguido a carreira militar e sido colocado no Regimento de Infantaria 20, em Guimarães, acabou por fixar-se nesta cidade.

Raul Brandão deixou-nos uma importante obra que constitui um documento histórico e de valor etnográfico acerca da vida dos pescadores portugueses, descrevendo-nos nomeadamente a paisagem do litoral nos começos do século XX. São suas as descrições acerca de Vila Praia de Âncora e das suas gentes que a seguir se reproduz.

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À direita, encostado ao forte de Lippe, que forma o outro lado da bacia, com o portinho e o varadouro, ficam as casas dos pescadores.

(…) A parte dos pescadores no areal difere completamente nos tipos, nos costumes e nas casas, naturalmente noutros tempos barracas de madeira construídas sobre estacas. Há quatrocentos pescadores pouco mais ou menos, e cento e trinta e dois barcos varados na praia, todos pintados de vermelho. São maceiras, de fundo chato, tripuladas por dois homens, volanteiras ou lanchas de pescada por doze homens, e barcos de sardinha, que levam cinco ou seis peças de sessenta braças cada uma, e quatro homens. As redes têm nomes: peças as da sardinha, volantes as da pescada. Chama-se galricho a uma espécie de massa com que se apanha a faneca; rastão ao camaroeiro; patelo à rede que colhe o caranguejo ou mexoalho; e rasco à da lagosta. As redes da sardinha são do mestre, e as da pescada dos pescadores. Os quinhões dividem-se conforme o peixe.

Raul Brandão, de Caminha à Póvoa

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Vila Praia de Âncora - Jul2010 (15)

QUEM FOI O ALMIRANTE RAMOS PEREIRA?

O Contra-almirante Ramos Pereira foi um dos filhos mais ilustres do Concelho de Caminha. Nascido em Vila Praia de Âncora, era casado com D. Maria da Graça Lopes de Mendonça, neta do poeta Henrique Lopes de Mendonça, autor do Hino Nacional.

A identificação da família Ramos Pereira com Vila Praia de Âncora é bem patente na toponímia que chega a criar alguma confusão devido à atribuição do seu nome a numerosas artérias desta vila. 

Filho do médico Luís Ramos Pereira, nasceu em Vila Praia de Âncora, concelho de Caminha, a 6 de Abril de 1901.

Frequentou o Colégio Militar e, após dois anos de serviço no Exército, ingressou na Escola Naval, onde concluiu o curso de Marinha como primeiro classificado.

Promovido a Guarda-Marinha em Fevereiro de 1924, efectuou vários embarques como oficial subalterno, dos quais se destaca uma comissão no Extremo Oriente, entre 1930 e 1932, a bordo do cruzador "Adamastor". Nessa comissão começou a revelar um grande interesse pelas radiocomunicações, tendo sido louvado pela sua acção técnica na direcção da instalação eléctrica e dos equipamentos rádio do navio.

Foi colocado na Direcção do Serviço de Electricidade e Comunicações em Outubro de 1932. Ali viria a passar cerca de 21 anos, apenas interrompidos por duas comissões de embarque como Imediato dos contratorpedeiros "Lima" e "Douro", entre 1935 e 1936. Durante esse longo período, desenvolveu um significativo trabalho no desenvolvimento das comunicações rádio, dirigindo a construção e experimentação de novos equipamentos (actividade em que se valeu da sua experiência de radioamador) e organizando cursos para oficiais, sargentos artífices e praças. Entre as várias publicações técnicas que elaborou, destaca-se um compêndio de radioelectricidade editado em 1952, que serviu de base de apoio a vários cursos. Foi também responsável pela reorganização e modernização, em equipamento e instalações, da rede de estações radionavais da Marinha.

Passando, sucessivamente, pelos cargos de Secretário, Subdirector e Director, deixaria a Direcção do Serviço de Electricidade e Comunicações em Fevereiro de 1954, já como Capitão-de-Fragata, para exercer o comando do aviso de 2ª classe "João de Lisboa", enviado em missão de soberania à Índia portuguesa, por ocasião das graves perturbações ali ocorridas naquele ano.

Regressado à Metrópole em 1956, ano em que foi promovido a Capitão-de-Mar-e-Guerra, passou pelo Estado-Maior Naval, antes de ser enviado a frequentar o Naval Command Course no United States Naval College.

Em Junho de 1958 foi nomeado Subdirector do Instituto Superior Naval de Guerra, ascendendo a Director, já no posto de Comodoro, no início de 1960. Empreende, então, profundas alterações na organização e nos curricula daquele Instituto, tendo sido responsável pela sua mudança para as instalações definitivas, na Rua da Junqueira. Promovido a Contra-Almirante em Julho de 1960, viria a pedir a sua demissão na sequência de um discurso do Ministro da Marinha, aquando da abertura solene do ano lectivo 1961-62, que considerou atentatório do seu brio profissional.

Passa à Reserva em Abril de 1966, tendo, ainda, exercido as funções de Director do Museu da Marinha, entre 1968 e 1971. Em Outubro de 1969 chega a ter alguns assomos de actividade política, candidatando-se a deputado por Viana do Castelo na lista da Oposição Democrática.

Nos últimos anos da sua vida desenvolveu uma intensa actividade intelectual, quer na vertente técnico-científica quer, principalmente, na vertente cultural. Foi um dos dez fundadores do Centro de Estudos de História Marítima, mais tarde designado por Centro de Estudos de Marinha, que daria, em 1978, origem à Academia de Marinha.

Entre os vários trabalhos que publicou, maioritariamente de cariz técnico, avulta, no campo da História, um estudo sobre a vida de Gago Coutinho, que publica em 1973. Também se debruçou sobre a figura de Fontoura da Costa, sendo ainda de mencionar o seu interesse pelo património arquitectónico da Marinha.

Faleceu em Lisboa, no Hospital da Marinha, na sequência de um carcinoma estomacal, no dia 16 de Março de 1974.

Em 1982 foi, a título póstumo, agraciado pelo Presidente da República com a Comenda da Ordem da Liberdade. A sua memória foi ainda homenageada com a atribuição do seu nome à estação radionaval da Apúlia (na sua terra natal), hoje desactivada.

Jorge M. Moreira Silva | 2009

Bibliografia

  • A Propagação das Ondas Electromagnéticas em Torno da Superfície da Terra, sep. Anais do Clube Militar Naval, Lisboa, Imprensa Nacional, 1934 Radioelectricidade Elementar, Lisboa, Livraria Luso-Espanhola, 1952
  • Radioelectricidade, Lisboa, Livraria Luso-Espanhola, 1955
  • A Educação e a Ciência na Competição Comunista, Lisboa : Tip. da L. C. G. G., 1959
  • A Preparação dos Oficiais Superiores da Nossa Armada, sep. Anais do Clube Militar Naval, Lisboa, Tip. da L. C. G. G., Outubro-Dezembro 1959
  • A Carreira Naval na Era Nuclear, sep. Anais do Clube Militar Naval, Lisboa, L.C.G.G., Janeiro-Março 1960
  • O Ministério da Marinha e as suas Precárias Instalações, sep. dos Anais do Clube Militar Naval, nºs 10 a 12,Lisboa, Tip. L.C.G.G., 1961
  • "As Instalações da Marinha", Revista de Marinha, v. 25, nº 457, Lisboa, Abril de 1961, pp. 13-22
  • As Longas Comissões de Serviço da Marinha de Guerra nas Águas da Índia Portuguesa, palestra proferida no Rotary Clube de Viana do Castelo em 19 de Setembro de 1962, Porto, Ed. do Rotary Clube de Viana do Castelo, 1962
  • "Subsídios para a História dos Cursos de Radioelectricidade e de Comunicação da nossa Armada", Anais do Clube Militar Naval, Lisboa, Of. Graf. Minerva, 1965, pp. 691-752
  • Divagando sobre o Passado e o Futuro do Clube Militar Naval, sep. Anais do Clube Militar Naval, ed. especial comemorativa do centenário 1866-1966, Lisboa, Instituto Hidrográfico, 1966
  • A Instrução: Base do Progresso dos Povos, Braga, Rotary Club, 1967
  • "Subsídios para a História do Instituto Superior Naval de Guerra", Anais do Clube Militar Naval, v. 97, t. 1-3, 4-6, 10-12, Lisboa, 1967
  • Gago Coutinho: Geógrafo, Lisboa, Ministério da Educação Nacional, 1973
  • Fontoura da Costa: Professor Insigne, Matemático Categorizado, Marinheiro Brioso mas Inconformado que muito Dignificou a Marinha e Honrou a Pátria, Lisboa, Centro de Estudos da Marinha, 1973

Estudos

  • ANTÓNIO, Joaquim Félix, "Sessão Solene Evocativa do Vice-Almirante Jorge Maia Ramos Pereira por Ocasião do 1º Centenário do seu Nascimento", Revista da Armada, nº 342, Lisboa, Maio de 2001, pp. 14-17

Nota do NRA

Foi sócio honorário da REP;

Foi distinguido em 1932 com o Certificado WAC, conforme atesta o documento da IARU em anexo;

Em Lisboa e a bordo do Cruzador Vasco da gama, teve o indicativo CT1CN e a bordo do Cruzador Adamastor, no extremo Oriente, teve o indicativo CR9CN

Casou em 11 de Maio de 1939, com D. Maria da Graça Lopes de Mendonça não tendo o casal deixado descendência

Fonte: Núcleo de Radioamadores da Armada http://www.nra.pt/ 

Busto em homenagem ao Contra-almirante Ramos Pereira, em Vila Praia de Âncora

VILA PRAIA DE ÂNCORA: A APANHA DO PATÊLO

Desde os finais do século XIX, as gentes do litoral minhoto acostumaram-se a recolher na praia as algas que depois as transportavam para os terrenos de cultivo. Um pouco por toda a costa, era ver ranchos de sargaceiros e sargaceiras com as suas branquetas mar-a-dentro, estendendo as algas na areia da praia para secarem ou fazendo palheiros.

A principal finalidade da apanha do sargaço consistia na fertilização dos campos de masseiras. Porém, algumas espécies de algas como a botelha serviam para a produção de tintura de iodo, a guia para outras aplicações medicinais e a beleza para o fabrico de sabonetes e outros cosméticos, reservando-se a taborra e o maio para a adubagem dos campos.

Com o decorrer do tempo, a faina do sargaceiro foi caindo em desuso, apenas persistindo a sua memória na representação do nosso folclore. Não obstante, as suas ricas propriedades medicinais e alimentares, para além de constituírem um fertilizante natural, prenunciam o regresso dos sargaceiros, naturalmente sem o aspeto pitoresco de outros tempos. 

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Apanha do sargaço. Foto: Jornal de Notícias

"No Agosto começa a faina do patelo, assim se chama ao mexoalho ou pilado, que se deita vivo à terra para estrume. Junta-se no mar uma esquadra de barcos, que vêm da Póvoa, de Viana e de Caminha; junta-se na praia uma fiada de carros de todas as aldeias, próximas ou longínquas, que o transportam para o interior das terras. O areal está alastrado de patelo que remexe. Vende-se a lanço ou a cesto, que leva cada um dois alqueires, e custa três tostões. E por toda a costa neste tempo vai a mesma agitação na apanha do sargaço…”

Raul Brandão, de Caminha à Póvoa

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VILA PRAIA DE ÂNCORA: TERRA DE GENTE QUE NÃO TEME O MAR!

Como disse o sábio grego Platão, existem no mundo três espécies de homens: os vivos, os mortos e os que andam no mar. Esta é uma realidade que as gentes de Vila Praia de Âncora conhecem por experiência própria. Ainda o sol não se ergueu no firmamento e já a os pescadores estão a mudar as redes ao largo da costa, preparando-se para regressar ao portinho com aquilo que o mar lhes deu. Junto à lota, aguardam-nos as mulheres para fazer a venda e, uma pequena multidão de turistas curiosos juntam-se para ver regressar os barcos.

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A pescaria pode ser abundante mas a mesa nunca é farta. Quando o mar não está de feição nem sequer podem sair para o mar. Outras vezes, o que pescam mal chega para custear o gasóleo consumido. Se a pescaria é abundante, baixa o valor com que na lota é arrematado. Mas, apesar do seu baixo custo, o peixe continua a chegar ao prato de quem o consome a preços não raras as vezes exorbitantes.

Vila Praia de Âncora, importante polo turístico do Alto Minho onde todos os anos afluem milhares de forasteiros das mais diversas proveniências que ali vão veranear, tem na indústria hoteleira uma das suas principais atividades económicas. Ela constitui seguramente a principal fonte de escoamento do peixe capturado em toda a região.

Com a construção do novo porto de pesca a norte do forte da Lagarteira e a transferência das embarcações, o velho portinho encontra-se atualmente mais vocacionado para receber as embarcações de recreio. Porém, o local mantém o seu ambiente pitoresco e continua a ser uma das atrações de quem visita aquela vila piscatória e turística.

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HÁ 88 ANOS, LUÍS RAMOS PEREIRA APRESENTOU À CÂMARA DOS DEPUTADOS A PROPOSTA PARA ELEVAR SANTA MARINHA DE GONTINHÃES À CATEGORIA DE VILA COM O NOME DE VILA PRAIA DE ÂNCORA

Em 29 de Abril de 1924, enviou o Senado à Câmara dos Deputados a proposta de lei que visava elevar a freguesia de Santa Marinha de Gontinhães à categoria de vila, passando esta a designar-se por Vila Praia de Âncora. Em 11 de Junho daquele ano, recebeu a Câmara dos Deputados o parecer da Comissão de Administração Pública referente à referida proposta.

O Projecto de Lei com vista à criação de Vila Praia de Âncora é por Luís Inocêncio Ramos Pereira apresentado à Câmara dos Deputados, na sua sessão de 2 de Julho de 1924, presidida por Alberto Ferreira Vidal, nos seguintes termos:

“Projecto de lei n.º 594 — Senhores Senadores. — A freguesia de Gontinhães (Praia, de Ancora), do concelho de Caminha, tem progredido consideravelmente a ponto de ser a mais populosa do concelho.

É um grande centro comercial e industrial e tudo faz antever que num futuro muito breve deseje a sua autonomia administrativa, a fim de o seu desenvolvimento mais se acentuar.

Estância de turismo, como é, tem a sua comissão de iniciativa que carinhosamente estuda os projectos que hão-de facultar a Ancora o lugar de uma das nossas primeiras praias.

As condições naturais são de primeira ordem e talvez se possa afirmar que poucas serão as praias portuguesas que as tenham melhores.

Com a sua população de cerca de 3:500 habitantes está bem nos casos de ver as suas prerrogativas aumentadas e, prestando preito aos laboriosos filhos de Gontinhães (Praia de Ancora), tenho a honra de apresentar ao vosso critério o seguinte projecto de lei:

Artigo 1. ° elevada à categoria de vila a freguesia de Gontinhães (Praia de Ancora), a qual se ficará denominando Vila Praia de Ancora.

Art. 2.° Fica revogada a legislação em contrário — Luís Inocêncio Ramos Pereira.”

Encontrando-se conforme, de acordo com o despacho da Direcção Geral da Secretaria do Congresso da República, foi a Proposta de Lei colocada à votação, a qual foi aprovada sem discussão. O seu teor foi o seguinte:

“Proposta de Lei n.º 708-B

Artigo 1.° É elevada à categoria dê vila a freguesia de Gontinhães (Praia de Ancora), a qual se ficará denominando Vila Praia de Ancora.

Art. 2.° Pica revogada a legislação em contrário.

Palácio do Congresso da República, 14 de Abril de 1924 — António Xavier Correia Barreto — Luís Inocência Ramos Pereira”

Monumento ao Dr. Luís Ramos Pereira em Vila Praia de Âncora

EM 1947, DEPUTADO VIANENSE ROCHA PÁRIS DEFENDE MERCADO LIVRE DO MILHO FACE À ABUNDÂNCIA DA SUA PRODUÇÃO NA NOSSA REGIÃO

Na sessão de 12 de fevereiro de 1947 da União Nacional, o deputado Rocha Páris fez uma exaustiva apreciação do problema de abastecimento de milho no norte do país, particularmente na região do Minho. A sessão foi presidida pelo Dr. Albino dos Reis Júnior.

O Dr. Rocha Páris era natural de Viana do Castelo e formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Foi também jornalista e era lavrador. Em 1911 e 1919, participou nas incursões de Paiva Couceiro com vista ao restabelecimento da Monarquia. Exilado desde 1911, apenas regressou a Portugal após o 28 de maio de 1926. Foi Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Governador Civil substituto do Distrito e Presidente da Comissão Distrital de Viana do Castelo da União Nacional.

Na segunda Sessão Legislativa que decorreu entre 1946 e 1947, interveio por duas vezes preconizando que, por a produção do milho na região de Entre-o-Douro-e-Minho ter então sido abundante, a mesma deveria ser libertada de certas restrições na sua aquisição. A esse respeito, transcrevemos do Diário das Sessões a parte respeitante à sua intervenção, respeitando a grafia original.

 

“O Sr. Rocha Páris: - Sr. Presidente: ao pronunciar nas sessões de 11 de Dezembro de 1946 e de 14 de Janeiro findo algumas palavras sobre o problema do milho, que tanto continua preocupando, sobretudo a população do Norte do País, tive apenas em vista chamar a atenção do Governo para um assunto cuja gravidade não me parece lícito, nem moral, nem político, ocultar.

Não contava voltar a referir-me ao assunto.

Sou, porém, obrigado a fazê-lo em virtude das exposições ultimamente enviadas a esta Assembleia por alguns grémios da lavoura.

Procurei então ouvir a opinião de organismos de vários concelhos sobre o restabelecimento do mercado livre do milho no corrente ano agrícola, tendo-me respondido afirmativamente ou enviado posteriormente a sua concordância com a sugestão apresentada os seguintes organismos:

Província do Minho:

Distrito de Braga:

Conselho geral do Grémio da Lavoura de Amares.

Câmaras Municipais de Barcelos, Braga, Celorico de Basto, Esposende, Terras do Bouro, Vieira do Minho e Vila Nova de Famalicão.

Juntas de Freguesia de Ponte, Costa e as da cidade de Guimarães, todas do concelho de Guimarães.

Distrito de Viana do Castelo:

Câmaras Municipais de Caminha, Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Ponte de Lima, Ponte da Barca e Valença.

Grémio da Lavoura de Melgaço.

Juntas de Freguesia de Chaviães (Melgaço), Loivo (Vila Nova de Cerveira) e as do concelho de Viana do Castelo, Alvarães, Amonde, Anha, Areosa, Capareiros, Cardielos, Carreço, Carvoeiro, 'Castelo do Neiva, Darque, Deão, Deocriste, Soutelo, Lanheses, Mazarefes, Meadela, Meixedo, Moreira de Geraz, Mujães, Nogueira, Outeiro, Perre, Portela Susã, Montaria, Neiva, Santa Leocádia de Geraz, Santa Maria de Geraz, Portuzelo, Sub-portela, Torre, Vila Franca, Vila Fria, Vila Mou, Vila de Punhe e Vilar.

Província do Douro Litoral:

Câmaras Municipais de Baião, Castelo de Paiva, Felgueiras, Lousada, Maia, Matosinhos, Paços de Ferreira, Penafiel, Resende e Vila do Conde.

Província de Trás-os-Montes:

Câmaras Municipais de Alfândega da Fé, Lamego, Miranda do Douro, Mirandela, Moncorvo, Montalegre, Régua, Santa Marta de Penaguião e Valpaços.

Província da Beira Litoral:

Câmaras Municipais de Águeda, Aveiro, Mealhada, Mira, Murtosa, Oliveira de Azeméis, Oliveira do Bairro, Penela, Soure, Vagos e Vale de Cambra.

Província da Beira Alta:

Câmaras Municipais de Castro Daire, Mortágua, Nelas, Oliveira do Hospital, Penedono, Sátão, Sernancelhe, Tarouca e Vila Nova de Paiva.

Província da Beira Baixa:

Câmaras Municipais de Arganil, Idanha-a-Nova, Sertã e Vila de Rei.

Os Municípios de Castelo Branco, Condeixa e Mogadouro declararam que o assunto não interessava aos respectivos concelhos e os de Fafe, Mesão Frio e Penacova discordaram da sugestão por mim apresentada.

O Diário das Sessões de 22 de Janeiro passado diz que os Grémios da Lavoura do distrito de Viana do Castelo tinham enviado à Presidência da Assembleia Nacional uma exposição manifestando a sua formal discordância com as considerações que fiz sobre a venda do milho e regresso ao regime do mercado livre.

De facto, o Grémio da Lavoura de Viana do Castelo e Caminha promoveu, com a assistência do engenheiro agrónomo Sr. Pires de Lima, delegado do Ministério da Economia junto dos grémios da lavoura do Norte, uma reunião em que se fizeram representar todos os grémios do distrito.

As deliberações, porém, não foram tomadas por unanimidade, visto dias depois a sua realização - e [...] antes o Grémio de Melgaço se manifestara a favor do meu ponto de vista - se ter efectuado na vila de Melgaço uma grande reunião de lavradores, que deram o seu completo apoio às considerações que tive a honra de fazer nesta Assembleia, que já tomou conhecimento do que ali se passou por telegrama que oportunamente lhe foi enviado pelo presidente do Grémio da Lavoura daquele concelho e que novamente passo a de:

Grémio Lavoura Melgaço interpretando sentir unânime totalidade seus sócios reunidos cerca [...] dia 25 corrente esta vila mantém apoio dado V. Ex.ª telegrama dia 13 Dezembro e representação enviada pela comissão escolhida essa reunião sobre movimentação milho de que faço parte representação Grémio Lavoura. - Presidente Grémio Lavoura.

Na representação a que se refere este telegrama diz-se:

Abordado o assunto do milho, foi também resolvido por unanimidade que se pedisse a V. Ex.ª o seguinte:

Que novamente peça à Assembleia Nacional que a venda e movimento, pelo menos no corrente ano, em que foi abundantíssima, passasse a ser livre, tanto mais que desapareceu o perigo do seu escoamento para a Espanha, o que é bem provado pelas recentes apreensões, efectuadas pela guarda fiscal, de milho que vinha de Espanha para Portugal, sendo a produção de milho em Espanha também muito grande no corrente ano.

Se a movimentação e venda do milho passasse a ser livre, este apareceria nos mercados e feiras em abundância e seria melhor distribuído, fixando-se, é claro, um preço cujo limite justo fosse acessível ao comprador, e não prejudicial ao vendedor; além disso, como V. Ex.ª muito bem sabe, é com a venda do milho que as casas agrícolas modestas vão adquirir outros produtos que lhes fazem falta e encontram nos referidos mercados ou feiras, muitas vezes por simples troca de mercadorias.

Também das trinta e sete freguesias rurais do concelho de Viana do Castelo, onde reside o maior número de sócios do Grémio de Lavoura de Viana do Castelo e Caminha, trinta, e cinco são unânimes em pedir, de acordo com as suas autoridades, os seus produtores e consumidores, em termos bem expressivos, o mercado livre do milho.

Apenas duas freguesias - a de Afife e a de Serreleis - não responderam à minha pergunta, naturalmente porque o assunto não interessa aos seus habitantes.

Desta última freguesia e de um dos seus mais importantes lavradores e proprietários recebi, porém, o seguinte telegrama:

Como lavrador aplaudo calorosamente vossa intervenção problema milho protestando contra grémios lavoura que não representam vontade geral lavradores.

Os concelhos do distrito de Viana, por intermédio das suas Câmaras a seguir indicadas, disseram-me:

Caminha: "Meu nome e povo concelho felicito vossa atitude problema milho advogando justa causa lavoura nortenha expondo verdadeira doutrina seguir. Presidente".

Monção: "Julgo abundância milho último ano agrícola neste concelho permite restabelecimento mercado livre cereal. Presidente".

Paredes de Coura: "E fora de dúvida assunto merece boa ponderação e estudo devido. Vários factores há a tomar em conta, alguns bastante imprevisíveis no momento presente. Factores há, porém, já evidentes - boa produção e o desejo geral do concelho, nos seus produtores e consumidores, de livremente poderem transaccionar os seus produtos".
Ponte de Lima: "Ressalvando os interesses do concelho, isto é, mantendo o necessário fornecimento de milho à população que dele carece até à próxima colheita, sem intermitências e sem os resultados desastrosos que se verificaram neste ano que está prestes a terminar, sou de opinião que, transitoriamente, a venda do milho por parte dos produtores se faça em regime livre".

Valença: "Sou também de opinião de que deve ser restabelecido o mercado livre do milho no corrente ano agrícola, sob o fundamento alegado: excepcional colheita do cereal em questão".

As Câmaras de Arcos de Valdevez e de Vila Nova de Cerveira, reconhecendo embora que a colheita do milho foi excepcional, não concordam com o comércio livre deste cereal.

Tal é o aspecto da questão no distrito de Viana do Castelo: a grande maioria dos produtores e consumidores preferem o comércio livre do milho, pensando o contrário as direcções dos grémios da lavoura, com excepção do Grémio de Melgaço.

Foram também, lidas na sessão de 6 do corrente duas representações, uma do Grémio da Lavoura de Braga e outra do Grémio do Douro Litoral, e na de 12 do corrente uma do Grémio dia Lavoura de Coimbra, esta particularmente interessante. Nota-se também o mesmo que observei em Viana do Castelo.

Em Braga sobressai mesmo o facto curioso de o conselho geral de um grémio da lavoura - o de Amares - ter dado o seu apoio a uma sugestão apresentada em 27 de Novembro findo (antes, portanto, de eu ter trazido o assunto à Assembleia Nacional), em que um dos Srs. Procuradores diz:

A última colheita foi extraordinàriamente [...] do que sucedeu em 1944, a recolha do cereal foi muito tardia, tendo-se consumido até ao presente muito pouco deste pão.

As grandes disponibilidades de milho nacional temos ainda a acrescentar a existência em armazém do proveniente das colónias e da Argentina, com perspectivas de novos desembarques, o que faz prever uma superabundância que de maneira alguma se harmoniza com as restrições em vigor...

O nosso concelho pode exportar umas boas centenas de toneladas de milho sem deixar de fornecer a cada consumidor a quantidade procurada.

Portanto, o milho existente no nosso concelho ou tem de ser consumido no nosso concelho pelas pessoas e pelos animais domésticos, em regime de liberdade, ou tem de ser em grande parte inutilizado pelos parasitas dos celeiros se for mantido o racionamento em vigor...

As Câmaras de Barcelos, Braga, Celorico de Basto, Esposende, Terras do Bouro, Vieira do Minho, Vila Nova de Famalicão e diversas juntas de freguesia de Guimarães, conforme já tive ocasião de dizer, concordam em absoluto com o que tenho exposto, o mesmo acontecendo com as Câmaras de Baião, Felgueiras, Lousada, Maia, Matosinhos, Paços de Ferreira, Penafiel, Vila do Conde, Castelo de Paiva e Resende, que fazem parte da província da Beira Litoral e julgam também conveniente o mercado livre do milho.

Parece-me, Sr. Presidente, ter infelizmente de concluir-se que se está claramente desenhando uma divergência séria de opiniões entre lavradores e consumidores, por um lado, e as direcções de alguns grémios da lavoura, por outro.

O Sr. Cincinato da Costa: - V. Ex.ª pode dizer-mo quem é que provocou a reunião dos grémios?

O Orador: - Foi o presidente da direcção do Grémio da Lavoura de Viana do Castelo e Caminha.

O Sr. Cincinato da Costa: - Muito obrigado. É que podia ter sido provocada por entidades estranhas.

O Orador: - O sistema que actualmente pretende disciplinar e reger a distribuição do milho folhou em absoluto.

Não se compreende, nem pode admitir-se, que ele permita que se passem semanas sem que se faça distribuição da farinha que o' racionamento atribui a cada pessoa, que assim se vê impossibilitada de poder cozer o seu pão.

Não só compreende que ainda se obrigue a vir à cidade requisitar a necessária guia de trânsito para poder levar na sua aldeia o milho para o moinho, pois caso contrário o milho corre o risco de ser apreendido.

O Sr. Melo Machado: - Aqui para o Sul, para levar o milho ao moinho as guias são distribuídas nu acto em que se faz o manifesto, de maneira que não há necessidade de haver dois critérios.

O Orador: - Assim muitos têm de percorrer bom número de quilómetros para conseguirem a preciosa guia.

Mas para a obter quantas horas perdidas, por vezes, nas "bichas" da Intendência, como lhe chama o bom povo!...

Não se compreende que o actual sistema permita que, sendo proibida a venda de milho a particulares, haja ainda freguesias rurais onde não existam celeiros ou mesmos postos de venda de milho.

De uma das mais ricas freguesias rurais da ribeira Lima escreve-me um importante lavrador:

É proibida a venda de milho a particulares, não é verdade?

Pois até hoje não há na minha freguesia nem nas quatro mais próximas qualquer celeiro ou posto de venda de milho!

Donde se tem comido?

A resposta é fácil.

Não se compreende que a cinco meses do início da presente campanha cerealífera a Federação Nacional dos Produtores de Trigo não tenha podido ainda levantar, em muitos sítios, o milho manifestado para venda.

Concordo absolutamente com o que diz o Grémio da Lavoura de Coimbra:

De facto, pelas disposições legais é absolutamente proibido aos produtores vender milho aos consumidores, mas a Federação Nacional dos Produtores de Trigo, à ordem de quem o milho está retido e única entidade que o pode vender, não abastece os mercados consumidores.

De modo que, não se podendo vender milho, mas tendo de se comer, é evidente que se tem de ir buscar onde ele estiver, com todas as suas graves consequências.

Se não fora o "mercado negro", muita gente teria morrido de fome.

Para mim e para muitos o grande erro está em confundir as duas palavras "produzir" e "manifestar".

De facto, Sr. Presidente, o defeito consiste em dizer-se: produziram-se tantos milhões de quilogramas em vez de manifestaram-se tantos milhões de quilogramas.

E é assim que, por vezes, os números nos (podem induzir em graves erros...

Desejo, finalmente, acentuar que de facto se trata de um assunto que reveste aspecto político de grande importância, visto não dever ser indiferente a quem governa tomar conhecimento do que se passa naqueles sectores em que mais intensamente vibra, por vezes, a própria alma nacional.

O erro, o perigo político, está, não em demonstrar a verdade, não em apontar sinceramente defeitos e erros que se vão notando, mas precisamente em procura? ocultá-los, deturpando-os ou escondendo-os à consideração dos que têm sobre os seus ombros o pesado encargo de governar.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!”

PAREDES DE COURA: CENTRO PAROQUIAL E SOCIAL DO BICO REALIZA WORKSHOP SOBRE A DOENÇA DE ALZHEIMER

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II Edição - WORKSHOP: DOENÇA DE ALZHEIMER: COMO GERIR? O PAPEL DO CUIDADOR

- DIA: 18 de MAIO – 18h. – 21:30h.

- PREÇO: 15€ (inclui Certificado de presença e material de apoio) ou 10€ (só Certificado de presença)

- Formadora: Engª. Maria Faria (Pós-graduada em Psicogerontologia, cuidadora informar da mãe Doente de Alzheimer)

Conteúdos a ministrar:

- O cérebro: uma viagem interativa;

- Sintomas da Doença de Alzheimer;

- As diversas fases da Doença de Alzheimer;

- Como lidar? O cuidador informal;

- O impacto na família;

- Um testemunho vivido na primeira pessoa;

- Gestão do luto.

- Faça a sua inscrição para lardebico@mail.telepac.pt com os dados: nome, morada, telefone e profissão.

O pagamento pode ser realizado no respetivo dia.

A formação tem lugar no Centro Paroquial e Social de S. João Baptista de Bico, no Lugar de Lomba, Freguesia do Bico, em Paredes de Coura

PAREDES DE COURA REALIZA FEIRA DO LIVRO

A Feira do Livro de Paredes de Coura vai ter lugar a partir do próximo dia 2 de maio e até ao dia 6 de maio, no Centro Cultural de Paredes de Coura, sito na avenida Cónego Dr. Bernardo Chouzal.

Centro Cultural

De 02 a 06 de maio | Centro Cultural

Dia 02 de maio| quarta | das 10h00 às 18h00

Dia 03 de maio| quinta | das 10h00 às 18h00

Dia 04 de maio| sexta | das 10h00 às 24h00

Dia 05 de maio| sábado | das 14h00 às 24h00

Dia 06 de maio| domingo | das 14h00 às 18h00

Dia 02 | quarta-feira | 21h21 | Centro Cultural

CAFÉ COM TEMAS – A LEITURA COMO MÃE DE TODAS AS SABEDORIAS COM ALICE RIOS

Um encontro mensal / À volta de um tema / Com um convidado / Numa conversa informal

Nasce em 1951em Santa Mariade Lamas e vive atualmente na cidade do Porto. É jornalista.

Os primeiros textos (crónicas, poemas publica-os na década setenta (Século XX) em jornais e revistas.

Vence cinco edições do concurso "Cartas de amor quem as não tem?", da Crónica Feminina. “ Famílias Tradicionais do Porto” são a sua primeira obra, em 2008. Em Junho de 2009, estreia-se na escrita para a infância, com “Os Borlububos e os Sem-Abrigo” e, no final do ano, publica o II tomo de ”Famílias Tradicionais do Porto”.

Dia 03 | quinta| Centro Cultural

Visita das escolas

Dia 04 | sexta | 21h30 |Centro Cultural

INTELLECTUS – Apresentação da Revista

Revista que pretende aproximar a ciência de todo o público. Tem como editores jovens courenses.

ENCONTRO COM O ESCRITORES

RICARDO SERRADO

Futebol: A magia para além do jogo

Licenciado em história pela Faculdade de Letras de Lisboa, mestre em história contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e doutorando em história contemporânea pela mesma faculdade.

Incidiu desde cedo a sua área de estudo na história do desporto em geral e do futebol em particular, onde tem desenvolvido vários trabalhos pioneiros, entre os quais se realça O Jogo de Salazar – A Politica e o Futebol no Estado Novo (edição Oficina do Livro), Uma Análise Social e Cultural. Fundador e diretor do Centro de História do Futebol e do Desporto.

Neste encontro com o público apresentará o seu mais recente trabalho “Futebol: A magia para além do jogo”.

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Dia 04 | Sexta| 22h30| Centro Cultural

HOMBRES Y FLAMENCO – CONCERTO e DANÇA

O flamenco nasce de uma mistura de várias culturas: a árabe, a judaica e a cristã. O flamenco desenvolve-se como estilo musical nos finais do século XV, graças aos ciganos do sul de Espanha (Andaluzia). Este concerto leva-nos a viajar e conhecer a cultura cigana

Duração 90 min. Público Todos

Voz Joaquín Moreno Guitarra Flamenca “El Pulga”

Percussão Carlos Mil-Homens Baile “El Maleno”

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Dia 05|sábado | 15h30 | Centro Cultural

ENCONTRO COM ESCRITORES

SOFIA LOPES e MARGARETE BARBOSA apresentam o Livro “Margarida, uma flor de coragem".

Sofia Lopes é natural de Paredes de Coura e reside, atualmente na cidade do Porto.

Além da sua vida profissional, a Sofia, dedica-se ao voluntariado na Pediatria do IPO e define o voluntariado como “ter a capacidade de agarrar as mãos que se nos estendem para ajudar e acolher as que precisam de ajuda”. Na sequência deste seu trabalho escreveu um livro que narra a história de uma menina a quem foi diagnosticada uma doença oncológica e vai-se desenrolando com a dor, alegrias, amizades, vitórias e coragem ao longo da sua batalha. As ilustrações são, da courense, Margarete Barbosa.

A receita da venda deste livro reverte para o serviço de pediatria do IPO

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NEIRA VILAS - escritor galego

Xosé Neira Vilas é um escritor galego nascido em 1928 e cuja obra faz parte do mundo literário das escolas espanholas. Este autor casado com a também escritora cubana Anisia Miranda é membro numerário da Real Academia Galega, Doutor Honoris Causa pelas Universidades da Corunha e Havana, Prémio da Crítica Espanhola (narrativa) e prémio da Crítica Galega (ensaio) entre outros. Atualmente dirige a Fundação Xosé Neira Vilas e continua com o trabalho cultural e jornalístico.

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Dia 05| sábado | 15h30| Centro Cultural

CORO DO COLEGIO PROVINCIAL DE AVDOGADOS DE PONTEVEDRA

Este Coro já interpretou diversos concertos tanto em atos colegiais como em diversos atos culturais por diversos palcos da Galiza.

No ano de 2009 grande parte dos seus membros participaram no coro misto formado para interpretar a Sinfonia nº 9 de L. V. Beethoven no 25 aniversário da Orquestra Clássica de Vigo.

Colaborou em diversos concertos músico-corais com a Banda de Música Popular “Airiños do Morrazo de Moaña”, e a Banda de Música de Mondariz.

Interpretam diverso tipo de música coral, profana e religiosa, de vários estilos e épocas.

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Dia 05 |sábado |21h30 | Centro Cultural

ENCONTRO COM ESCRITORES

“CRÓNICAS COM COURA DENTRO” de JOSÉ AUGUSTO PACHECO

APRESENTADO PELO VICE-REITOR DA UM PROF. DOUTOR RUI VIEIRA DE CASTRO

José Augusto Pacheco é natural de Paredes de Coura mas reside na cidade de Braga. É Professor na Universidade do Minho, Presidente da Assembleia Municipal de Paredes de Coura e colaborador do Jornal regional “Noticias de Coura”.

“Crónicas com Coura dentro” é a compilação dos artigos que, quinzenalmente, vão sendo publicados neste jornal, numa edição da Azevinho.

Dia 05 |sábado |21h30 | Centro Cultural

CONCERTO

Dia 06| domingo | 15h00| Centro Cultural

CORO DOS MENINOS CANTORES DA TROFA

"Amílcar, consertador de búzios calados"

Conto vencedor do Concurso Lusófono da Trofa - Prémio Matilde Rosa Araújo
2010, integrado no Plano Nacional de Leitura.

A obra contém  10 canções ligadas por textos que contam a história do Amílcar.
Música e texto: de Mário Alves

Direção: Antónia Maria Serra

* Comercialização dos Livros livraria NovaCoura

BRAGA: GALERIA DA CASA DOS CRIVOS INAUGURA AMANHÃ EXPOSIÇÃO DE AGUARELAS DE BEATRIZ LAMAS DE OLIVEIRA

A galeria da Casa dos Crivos, em Braga, inaugura amanhã, dia 28 de abril, pelas 17 horas, a exposição de aguarelas “Raízes Nossas” da autoria da pintora bracarense Beatriz Lamas de Oliveira. A exposição ficará patente ao público até ao dia 19 de maio. A Casa dos Crivos encontra-se situada na Rua de São Marcos.

Para além do seu aspeto estético, a pintura de Beatriz Lamas de Oliveira revela-se de grande importância como um meio de sensibilização para a defesa e preservação do património, mormente nas suas vertentes arquitetónicas e paisagísticas. Por essa razão, a arquiteta Fátima Pereira, imbuída do mesmo espírito, dedicou à obra da pintora as palavras que a seguir se reproduzem.

“A imagem da cidade tem lugar na mente de quem percorre, permanece ou simplesmente vislumbra a cidade. É entendida como a representação mental da cidade existente em cada um. Corporiza-se pelo somatório integrado de comportamentos sociais, de construções, de expressões culturais. É o resultado da ação combinada dos seus atores, do cidadão, do turista, e do visitante.

Existem elementos arquitetónicos, com valor patrimonial ou simplesmente com valor enquanto referência identitária do espaço que formam a imagem que cada um tem da urbe. No entanto, da imagem também faz parte o encontro, a abordagem ao outro, o estar com o outro, faz parte o velhinho que pontua a rua, o pedinte que toca acordeão e que aborda, faz parte o colorido do mercado, e o pregão da vendedora. A imagem da cidade é o resultado dos factos históricos e/ou relevantes mas também de acontecimentos banais, de ações do quotidiano que marcam socialmente. É importante que imagens e representações que hoje fazem parte do nosso imaginário da urbe sejam preservadas em prol da nossa identidade. A realidade da cidade faz parte da fundação da nossa identidade, do nosso espaço de conforto.

A imagem da cidade é um capital importantíssimo para a sua competitividade. Planear, posicionar e promover a imagem da cidade é vital para a consolidação da identidade territorial, para um sentimento de pertença partilhado por todos.

A arte, na multiplicidade da sua expressão perpétua realidades, sentimentos, apropriações do espaço e da natureza humana de todos e de cada um. Tomando o espaço público como ambiente cénico vai proporcionar que imagens presentes não se percam com opções políticas, com mudanças de paradigmas sociais, culturais ou económicos. É importante que o artista tenha a capacidade de interpretar a urbe, o social e o individual, para que o perpetue. É importante que cada um de nós teça contributos para que haja uma consciencialização social do valor de determinadas imagens, para o valor de determinados conjuntos.

Vivemos uma cidade onde as opções politicas poucas as vezes se centram no património, na imagem da cidade, são deixadas ao abandono em prol de ouras intenções não estratégicas porquê se assim fossem davam relevo aquilo que no nosso século e considerado como fator de competitividade: os recursos endógenos. Acordar nos dias de hoje voltado para a realidade patrimonial, pode ser o reconhecimento de uma lacuna ou um tentar de remedeio de opções mal realizadas, ou a força de reconhecer determinados valores em prol de benesses económicas.

O artista é livre, em nome da liberdade de criação, é ilógico impor-lhe limites, mas é-lhe conferida ao mesmo tempo uma responsabilidade de estar atento e de usar essa mesma liberdade em prol de todos. Será e sempre foi da responsabilidade do artista a critica avançada a determinadas opções políticas, pela procura de uma consciencialização e uma mudança de políticas públicas. A arte interpreta a sociedade de forma interventiva e crítica, tem uma ação ética e interventiva e esta possibilidade atribui à obra um certo valor social e uma responsabilidade de intervenção.”

Arqª Fátima Pereira

A pintora é natural de Ferreiros, no Concelho de Braga. Licenciada em Medicina na Faculdade de Medicina de Lisboa, frequentou e concluiu os Cursos de Medicina Tropical no INSA e o de Saúde Publica da ENSP de Lisboa. Exerceu a profissão no Ministério da Saúde, tendo estado colocada em vários pontos do país. Mas, as artes plásticas falaram mais alto e a artista respondeu ao apelo da sua verdadeira paixão que consiste na pintura. Mas, fiquemos com as suas próprias palavras.

MUSEU DO TRAJE DE VIANA DO CASTELO INAUGURA EXPOSIÇÕES SOBRE TRAJES REGIONAIS E BORDADOS TRADICIONAIS

O Museu do Traje de Viana do Castelo inaugura, no próximo sábado, dia 28 de Abril, duas exposições que assinalam duas importantes doações ao Museu do Traje e homenageiam duas vianenses. São elas Manuela Ramos com a exposição “O Amor às Festas - Trajes Regionais e Vestidos de Festa” e Maria Cândida Tinoco de Abreu de Lima que expõe “Bordados, Riscos de Bordados e Leques”.

CANTOR ZECA AFONSO TINHA RAÍZES MINHOTAS

O cantor José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, vulgarmente conhecido por Zeca Afonso, tinha raízes minhotas. Descendia pelo lado materno de famílias limianas. Sua mãe, Maria das Dores Dantas Cerqueira, era professora primária e nasceu em Ponte de Lima nos começos do século XX. Outros antepassados do cantor eram oriundos de Arcozelo e São Martinho da Gandra. Domingos José Cerqueira, seu avô materno, foi professor de instrução primária em Ponte de Lima. Porém quis o destino que José Afonso viesse a nascer em Aveiro, em 2 de agosto de 1929.

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Angola, Moçambique, Belmonte, Coimbra, Faro e Setúbal são algumas referências geográficas que se encontram na rota da sua vida. Ponte de Lima é, porventura a menos conhecida. De resto, além de não ter ao que se saiba vivido alguma vez em terras limianas, também não deverá ter encontrado matéria-prima para as suas letras, apesar da fonte de inspiração que o rio Lima sempre constituiu para muitos poetas.

 

COVAS É TERRA NOBRE DE VELHOS PERGAMINHOS

“Foi abadia da apresentação dos descendentes de D. Manuel de Azevedo e Ataíde, com duas comendas da Ordem de Cristo, que eram dadas pelos duques de Caminha e passaram para a Casa do lnfantado. 

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(…)Mas, o que domina a freguesia é a Casa do Carboal ou Casa de Covas. Propriedade vinculada e instituída em morgado, no ano de 1691, por Manuel Pereira Bacelar, um dos governadores da praça de Vila Nova de Cerveira, é presidida por imponente e austero edifício dos finais do século XVII, bela amostra de estilo chão, com a fachada a abrir-se em extensa varanda sobre pórtico. A simplicidade e grandeza arquitetónica da moradia estão defendidas por altos muros rasgados por janelas quadradas e portão encimado por escudete com o bacelo heráldico dos Bacelares. Formando um quadrilátero, a fachada principal tem nos topos duas torres, de dois pisos cada e janelas de guilhotina. As torres são coroadas aos cantos por pequenas esferas.

A base da torre direita, pelo lado sul, abre-se em túnel abobadado por onde foi lançada a escada, de degraus suaves, que conduzem à varanda. Solução originalíssima aquela que permitiu fazer deste solar seiscentista um exemplar em que a gravidade do granito, aliada à ausência completa de ornados, lhe confere dignidade especial.”

Fonte: http://www.freguesiasdeportugal.com/distritoviana/10/covas/historia.htm

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VILA NOVA DE CERVEIRA: FREGUESIA DE COVAS É HABITADA HÁ MAIS DE TRÊS MIL ANOS

Perdem-se nos confins dos tempos as origens da Freguesia de Covas. Constam das Inquirições de 1258 referências à existência de pelo menos três povoados castrejos, o que atesta bem a sua antiguidade ainda anterior ao período da ocupação romana. De resto, foram encontrados no monte Furado vestígios de um castro agrícola que remonta à Idade do Ferro e ainda fragmentos de vidro e “terra sigillata” provavelmente relacionados com uma “villae” associada à exploração mineira na localidade por parte dos romanos.

Também a toponímia local nos oferece inúmeras informações que atestam a sua antiguidade e que servem de suporte à História e à Arqueologia neste esforço de investigação como sucede com os casos de Vilar, Vilares e Vilarinho, provenientes de “villa” e indicativos da provável existência de uma “villae” romana. 

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Na obra “Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso Reyno de Portugal”, de António Carvalho da Costa, relativa aos anos de 1650 a 1715, reza o seguinte: “S. Salvador de Covas, Abbadia que apresenta Dom Manoel de Azevedo & Ataíde, está neste termo, sendo a maior parte dos fregueses do de Caminha, rende quinhentos mil reis, a metade he do Abbade, além do pé de Altar, & paisaes, & da outra se fazem dous Prestimonios do Habito de Christo, que por Comendas apresentavam os Duques de Caminha, cada hú importa cem mil reis, té duzentos, & trinta vizinhos. Nesta Freguesia está huma Torre antiga, que devia (…)”

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VILA NOVA DE CERVEIRA: COVAS É UM SANTUÁRIO DA NATUREZA ANINHADA AOS PÉS DA SERRA D’ARGA

Ajoelhada num vale aos pés da Serra d’Arga, Covas é atravessada pelas águas cristalinas do rio Coura. Sendo a maior freguesia do Concelho de Vila Nova de Cerveira, limita com as freguesias de Candemil, Gondar, Mentrestido e Sopo e ainda os concelhos de Caminha e Paredes de Coura. 

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Qual manto verde cravejado de igrejas e capelinhas que constituem pequenas joias do nosso património edificado adornando o seu traje garrido de lavradeira minhota, Covas ostenta com orgulho os seus monumentos e pergaminhos como sucede com as capelas de S. Gregório, da Senhora da Piedade, da Senhora da Conceição, do Senhor dos Aflitos, de S. Sebastião, de Santa Marinha, da Senhora de Lurdes, de Santa Maria Madalena e do Senhor dos Passos e de Santa Luzia.

As suas gentes festejam a Santa Marinha e a S. Sebastião, ao Senhor dos Aflitos e a Nossa Senhora de Fátima, a Nossa Senhora de Lurdes e a Nossa Senhora da Tosse. E não há procissão onde não rufem os bombos do Divino Salvador, porventura o agrupamento tradicional mais caraterístico da localidade de Covas.

As fotos que junto reproduzimos são da autoria de vários habitantes desta localidade e a sua publicação destina-se a dar a conhecer os encantos desta terra minhota.

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VILA NOVA DE CERVEIRA: PROSPEÇÃO DE OURO EM COVAS AMEAÇA PARAÍSO AMBIENTAL

A empresa canadiana Avrupa Minerals Ltd anunciou recentemente no seu site oficial ter encontrado nas antigas minas de Covas, em Vila Nova de Cerveira, ouro e tungsténio, vulgo volfrâmio, em quantidade “significativa” para ser explorada. As prospeções decorrem numa área de cerca de 900 metros de comprimento por 100 metros de largura, tendo-se registado a presença de ouro em quase todas as amostras recolhidas. O melhor resultado obtido representou 10,2 gramas de ouro por tonelada de terra e rocha removida.

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Com efeito, o ouro encontra-se disperso no subsolo em ínfimas proporções pelo que é necessário proceder à remoção de grandes quantidades de solo para se poder obter uma pequena quantidade de metal precioso. Mais ainda, a sua extração é efetuada com recurso a lixiviantes com cianeto, mercúrio e metais pesados de elevado teor tóxico e altamente prejudiciais para a saúde e o meio ambiente.

Com a extração de ouro, na freguesia de Covas, os recursos naturais ficarão contaminados e os solos agrícolas destruídos, a paisagem não será mais a mesma e a população perderá a sua qualidade de vida a troco de uma miragem cujo brilho do ouro jamais enxergarão. Há muitas décadas, também na vizinha Freguesia da Cabração, em Ponte de Lima, se extraiu ouro e estanho sem que a população alguma vez tivesse recebido qualquer benefício da exploração. A própria energia elétrica só chegou em 1975, muito tempo decorrido desde a suspensão da atividade mineira naquela localidade.

O BLOGUE DO MINHO dedica hoje uma série de artigos à Freguesia de Covas, do Concelho de Vila Nova de Cerveira. As fotos que junto reproduzimos são da autoria de vários habitantes desta localidade e a sua publicação destina-se a dar a conhecer os encantos desta terra minhota.

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MARIA DA FONTE: A REVOLUÇÃO DO MINHO

Em 1846, as heroicas mulheres do Minho deram início a uma revolta popular contra a ditadura de Costa Cabral, tomaram de assalto as repartições de finanças onde destruíram as “papeletas da roubalheira” e expulsaram a soldadesca enviada para reprimir a revolta.

O levantamento popular começou na Póvoa de Lanhoso e espalhou-se rapidamente a todo o Minho e norte do país em geral. A exumação de um cadáver que havia sido sepultado na igreja foi o rastilho. Os sinos tocaram a rebate e, de rebelião em rebelião, a revolta foi adquirindo um caráter de guerrilhas populares até que a Rainha D. Maria II se viu forçada a demitir o governo.

A opressão fiscal e a prepotência do governo cartista de Costa Cabral tiveram na revolta da Maria da Fonte uma resposta à altura que constitui uma lição da História. Pena é que nem todos saibam aprender com o passado!

HINO DA MARIA DA FONTE

Viva a Maria da Fonte

A cavalo e sem cair

Com a corneta na boca

A tocar a reunir

 

Viva a Maria da Fonte

A cavalo e sem cair

Com a corneta na boca

A tocar a reunir

 

Viva a Maria da Fonte

A cavalo e sem cair

Com a corneta na boca

A tocar a reunir

 

Viva a Maria da Fonte

A cavalo e sem cair

Com a corneta na boca

A tocar a reunir

 

Viva a Maria da Fonte

A cavalo e sem cair

Com a corneta na boca

A tocar a reunir

 

Eia avante, portugueses

Eia avante, não temer

Pela santa liberdade

Triunfar ou perecer! (refrão)

 

Lá raiou a liberdade

Que a nação há-de aditar

Glória ao Minho, que primeiro

O seu grito fez soar!

 

Essa mulher lá do Minho

Que da foice fez espada

Há-de ter na lusa história

Uma página dourada!

 

- Hino da Maria da Fonte

PONTE DE LIMA: GRUPO DUPLAFACE LEVA À CENA "MIOSÓTIS" NO TEATRO DIOGO BERNARDES

“Miosótis” é uma peça que tem como objetivo retratar o holocausto nazi. Apesar de se misturar ficção com a realidade, pretende-se através das artes de palco, mostrar uma das partes mais cruéis da História do séc. XX. Além da representação, é ainda finalidade experimentar novas formas cénicas e de caracterização, proporcionado desta forma ao espectador um maior realismo.

O texto é de José Luciano, a encenação de Susana Luciano e é uma representação do Grupo DUPLAFACE da Associação Cultural e Recreativa de Arcozelo.

BRAGA: BRUSGA DE SÃO VICENTE DEBATE SÁ DE MIRANDA

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“Sá de Miranda - convivências e irreverências de uma escola” é o tema da próxima edição de “Serões no Burgo/Tertúlias Rusgueiras” que a Rusga de São Vicente de Braga - Grupo Etnográfico do Baixo Minho leva a efeito.

Trata-se da 59ª edição dos Serões e tem lugar no próximo dia 27 de abril, pelas 21h30, na sede social desta associação, sita na Av. Artur Soares (Palhotas), nº 73 em Braga, contando como convidados com Maria Eulália Lima, António Sarmento, Henrique Barreto Nunes, Miguel Bandeira e João Diogo Ferreira.

RANCHOS FOLCLÓRICOS DE TODO O PAÍS PEREGRINAM A FÁTIMA

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A X Peregrinação Nacional a Fátima, levada a efeito pelos ranchos folclóricos, realiza-se no próximo domingo, dia 22 de abril. Milhares de peregrinos integrando mais de uma centena de grupos folclóricos em representação das mais variadas regiões do país vão afluir ao Santuário de Fátima, emprestando ao local o colorido dos seus trajes tradicionais domingueiros.

Trata-se de uma iniciativa da Federação do Folclore Português que se realiza anualmente. O programa tem início às 9h30 com o desfile dos grupos a partir do Parque 7 até ao Recinto de Oração, a recitação no rosário, às 10h na Capelinha e, às 11h, após a procissão para o altar, terá lugar a celebração da eucaristia, no Recinto de Oração do Santuário de Fátima.

O ESCRITOR LIMIANO JOSÉ DE SÁ COUTINHO, 2º CONDE D'AURORA, NASCEU HÁ 106 ANOS!

O escritor José de Sá Coutinho, 2º Conde d’Aurora, José de Sá Coutinho, nasceu em Ponte de Lima em 19 de Abril de 1896. Em 1919, por ocasião da Monarquia do Norte, partiu para o exílio tendo vivido em Espanha, no Brasil e Argentina. Em 1921, fundou o periódico “Pregão Real”. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e foi juiz do Tribunal do Trabalho.

A sua obra reparte-se por vários géneros literários, caracterizando-se pela defesa dos valores culturais tradicionais dentro dos moldes estéticos do realismo, na senda de Eça de Queirós. Marcadamente nacionalista e claramente crítico em relação à Primeira República, o Conde d’Aurora dedicou ao Minho – aqui entendido como a região de Entre-o-Douro-e-Minho – grande parte da sua obra literária.

A seu respeito e do meio onde nasceu e viveu, o poeta António Manuel Couto Viana referiu o seguinte: “…é também esse ambiente que permitiu o nascimento de José de Sá Coutinho e lhe deu o dom da escrita, para que fosse fiel intérprete literário da belezas e riquezas etnográficas que o cercavam, num abraço de luz, de cor, de emoção estética, de harmonia d’alma, de tradição fértil, sentidas pela sua sensibilidade de eleição e pelo pode da sua inteligência criadora”.

Como evocação da sua memória, transcrevemos um extracto da sua obra literária na qual dá-nos um retrato de como então vivia o minhoto.

“Ora para bem admirarmos esta linda e pitoresca província temos de saber o que ela é, com ali se vive, se trabalha, se cultiva – porque todos no Minho vivem da terra. Vejamos rapidamente. Trabalho da terra é uma maneira de falar, porque todos os trabalhos no Minho são divertimentos e tudo se passa em descantes, velhas usanças, cantigas e namoricos. No Minho é tudo pequenino, tudo é de brincar, tudo é teatral como um presépio, tudo é graça, tudo é beleza.

O pequeno casal minhoto basta-se a si próprio; as despesas são quase nulas; é frugal e colhe poucochinho de tudo. O gado toma-o a ganho. Para qualquer contita da tenda (venda se diz), lá manda a mulher à feira com o que calha. E o resto vá de folgar. De jornas, jornais, quem fala. Aqui é tudo de favor, só pela comida, e assim se ajudam uns aos outros na mais exemplar das comunidades nesta província onde todos são proprietários.

E por todo o ano adiante é uma série contínua de festas dionisíacas onde a alegria cristã canta Deus na natureza – porque o velho Pã nunca viveu no Minho. Começa o ano com as vessadas, o lavrar da terra. Terra negra, funda, leve, cheia de húmus, terra de aluvião sem calcário algum, tão fácil de virar.

Para preparar o maior dos seus campos (4 a 5000 m o muito, e excepcionalmente), chama o lavrador 20 pessoas; dá-se de comer e de beber à farta a todos; metem-se 2 ou 3 juntas á charrua (e quando era o velho arado de pau, imutável desde os romanos, chegava a 4 juntas, assim chamas: , trilho, picadoiro e guia). O grito do boeiro corta o ar e ouve-se no azul, a grandes distâncias, vale em flora. E nunca sai um rego direito na terra – há que traçar de quando em vez uns filhos ou netos (regos suplementares).

Beleza do Minho! Porque na natureza não há linhas rectas, e o minhoto é como ela: incapaz de desenhar uma linha recta, oh! Pintores modernos!

Canecas de vinho verde e cantigas alegres escorrem sem parança – e tudo são risadas. E todos os trabalhos são uma festa, um encadeado delas. É a sacha, é a monda – vinte, trinta cachopas de cores vivas e chapeirões de palha, cantando a cinco vozes, de sol a sol.

São os mil trabalhos do linho – como a rebolada, acasalados os pares antes do arranque. É a espadelada. É a desfolhada com as estúrdias e os mascarados e a espiga de milho-rei, sorte grande ao namorado – e a roçada no monte, nos altos píncaros baldios donde o carro, velho carro sabino, desce pela penedia gemendo.

O chiar do carro é o orgulho e a alegria do minhoto que propositadamente lhe põe as chiadeiras.

Tudo de brincar, tudo tão pequenino, porque não se juntam as parcelas? – perguntará o forasteiro. Discretamente, porque isto é um divertissement e não uma tese agrária, anotarei á margem que o Minho se formou através nove séculos com a enfiteuse, o vínculo e os mosteiros, velhas escolas de cultura – e citarei para minha tranquilidade o notável sociólogo francês Leão Poinsard e o Sr. Ezequiel de Campos.

Pequenino casal minhoto, eido ou quinteiro, espalhando alegria e cor na brancura das suas janelas maquilhadas de cal e no vermelhão dos seus espigueiros (diz-se canastros) de cruz alçada.

Altas medas de palha milha indicam a riqueza de cada um – e a roliça meda de palha centeia é encimada por uma bonecada, a rematar o trabalho que é uma alegria, uma brincadeira.

Tudo é alegria e folgar, mas como também há mais de cem dias santos no ano, não há maneira de se cultivar a sério o Minho nestes terríveis tempos modernos. Dias santos, domingos, festas – é todo o ano minhoto, é a folhinha minhota.

Não quero porém deixar sem reparo o dia de S. Pedro de Rates (26 de Abril) que a Igreja não manda guardar e cuja hagiologia mal se conhece; nunca foi de guarda, mas quê! o minhoto nesse dia não trabalha nem por nada, que o santo é vingativo! E citam-se exemplos: “àquela nasceram-lhe os bacorinhos a dançar porque andou nesse dia num bailarico” – outro teve uma ninhada de pintos a esticar arame, e tantos terríveis e funestos exemplos mais… Mas facto é que ao domingo ou dia santificado nunca se trabalha – e cangar o gado seria crime que dava nas vistas e ninguém teria arrojo de perpetrar – cangar o gado!... Por isso anda nesse dia o labroste muito maçado, pelos portelos e pelas portas das vendas, ansiando pelos folguedos da semana – a chamada semana de trabalho nas terras industriais.”

Conde d’Aurora, in Pela Grei

VIANA DO CASTELO: TERTÚLIA AMADEU COSTA APRESENTA LIVRO “TRAJE, ARTESANATO E TRADIÇÃO”

CONVITE

A Tertúlia Amadeu Costa vai proceder no próximo dia 20 de abril ao lançamento do livro “Traje, Artesanato e Tradição”, volume II das Obras Completas de Amadeu Costa, a qual terá lugar no Museu do Traje.

Na ocasião será feita uma tertúlia à volta de uma coleção de fotografias das Exposições de Artesanato que se realizaram no âmbito das Festas de Nossa Senhora d’Agonia de 1965 a 1968, organizadas por Amadeu costa.

Esta sessão é realizada no âmbito do encerramento da exposição “Amadeu Costa – Traje e Chieira”, que ainda poderá ser visitada até domingo, dia 22 de Abril.

BRAGA: GALERIA DA CASA DOS CRIVOS INAUGURA EXPOSIÇÃO DE AGUARELAS DE BEATRIZ LAMAS DE OLIVEIRA

A galeria da Casa dos Crivos, em Braga, inaugura no próximo dia 28 de abril, pelas 17 horas, a exposição de aguarelas “Raízes Nossas” da autoria da pintora bracarense Beatriz Lamas de Oliveira. A exposição ficará patente ao público até ao dia 19 de maio. A Casa dos Crivos encontra-se situada na Rua de São Marcos.

Para além do seu aspeto estético, a pintura de Beatriz Lamas de Oliveira revela-se de grande importância como um meio de sensibilização para a defesa e preservação do património, mormente nas suas vertentes arquitetónicas e paisagísticas. Por essa razão, a arquiteta Fátima Pereira, imbuída do mesmo espírito, dedicou à obra da pintora as palavras que a seguir se reproduzem.

“A imagem da cidade tem lugar na mente de quem percorre, permanece ou simplesmente vislumbra a cidade. É entendida como a representação mental da cidade existente em cada um. Corporiza-se pelo somatório integrado de comportamentos sociais, de construções, de expressões culturais. É o resultado da ação combinada dos seus atores, do cidadão, do turista, e do visitante.

Existem elementos arquitetónicos, com valor patrimonial ou simplesmente com valor enquanto referência identitária do espaço que formam a imagem que cada um tem da urbe. No entanto, da imagem também faz parte o encontro, a abordagem ao outro, o estar com o outro, faz parte o velhinho que pontua a rua, o pedinte que toca acordeão e que aborda, faz parte o colorido do mercado, e o pregão da vendedora. A imagem da cidade é o resultado dos factos históricos e/ou relevantes mas também de acontecimentos banais, de ações do quotidiano que marcam socialmente. É importante que imagens e representações que hoje fazem parte do nosso imaginário da urbe sejam preservadas em prol da nossa identidade. A realidade da cidade faz parte da fundação da nossa identidade, do nosso espaço de conforto.

A imagem da cidade é um capital importantíssimo para a sua competitividade. Planear, posicionar e promover a imagem da cidade é vital para a consolidação da identidade territorial, para um sentimento de pertença partilhado por todos.

A arte, na multiplicidade da sua expressão perpétua realidades, sentimentos, apropriações do espaço e da natureza humana de todos e de cada um. Tomando o espaço público como ambiente cénico vai proporcionar que imagens presentes não se percam com opções políticas, com mudanças de paradigmas sociais, culturais ou económicos. É importante que o artista tenha a capacidade de interpretar a urbe, o social e o individual, para que o perpetue. É importante que cada um de nós teça contributos para que haja uma consciencialização social do valor de determinadas imagens, para o valor de determinados conjuntos.

Vivemos uma cidade onde as opções politicas poucas as vezes se centram no património, na imagem da cidade, são deixadas ao abandono em prol de ouras intenções não estratégicas porquê se assim fossem davam relevo aquilo que no nosso século e considerado como fator de competitividade: os recursos endógenos. Acordar nos dias de hoje voltado para a realidade patrimonial, pode ser o reconhecimento de uma lacuna ou um tentar de remedeio de opções mal realizadas, ou a força de reconhecer determinados valores em prol de benesses económicas.

O artista é livre, em nome da liberdade de criação, é ilógico impor-lhe limites, mas é-lhe conferida ao mesmo tempo uma responsabilidade de estar atento e de usar essa mesma liberdade em prol de todos. Será e sempre foi da responsabilidade do artista a critica avançada a determinadas opções políticas, pela procura de uma consciencialização e uma mudança de políticas públicas. A arte interpreta a sociedade de forma interventiva e crítica, tem uma ação ética e interventiva e esta possibilidade atribui à obra um certo valor social e uma responsabilidade de intervenção.”

Arqª Fátima Pereira

A pintora é natural de Ferreiros, no Concelho de Braga. Licenciada em Medicina na Faculdade de Medicina de Lisboa, frequentou e concluiu os Cursos de Medicina Tropical no INSA e o de Saúde Publica da ENSP de Lisboa. Exerceu a profissão no Ministério da Saúde, tendo estado colocada em vários pontos do país. Mas, as artes plásticas falaram mais alto e a artista respondeu ao apelo da sua verdadeira paixão que consiste na pintura. Mas, fiquemos com as suas próprias palavras.

BARCELOS: A TENDA DO VIOLEIRO

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A imagem a tenda do violeiro em S. Bento da Várzea, no Concelho de Barcelos, na década de sessenta do século passado.

Fonte: OLIVEIRA, Ernesto Veiga de. Instrumentos Musicais Populares Portugueses. Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa. 1966

O MINHO NA INTERNET: JORNAL "NOVO PANORAMA" ESTÁ EM LINHA!

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O jornal quinzenário “Novo Panorama” que se publica em Ponte de Lima, abrangendo os concelhos do vale do Lima – Viana do Castelo e Ponte de Lima – com expansão crescente para toda a região já se encontra disponível on-line no endereço http://novopanorama.pontedelima.com/.

Através da Internet, o leitor pode atualizar-se com informação relacionada com a sociedade, cultura, desporto, política e ler ainda as entrevistas realizadas por aquele periódico.

O “Novo Panorama” é um jornal jovem e, como tal, empreendedor e aberto às novas tecnologias, registando uma crescente aceitação e expansão, constituindo já uma realidade incontornável no panorama da imprensa da nossa região.

BRAGA: SIGA A RUSGA!

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A imagem mostra uma rusga em Aveleda, no Concelho de Braga. A foto foi tirada na década de sessenta do século passado.

Fonte: OLIVEIRA, Ernesto Veiga de. Instrumentos Musicais Populares Portugueses. Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa. 1966

“A BOA REGULADORA”, SEDIADA EM VILA NOVA DE FAMALICÃO, É A PRIMEIRA E MAIS ANTIGA FÁBRICA DE RELÓGIOS DA PENINSULA IBÉRICA

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Fundada em 14 de Abril de 1892, “A Boa Reguladora” é a primeira e mais antiga fábrica de relógios da Península Ibérica encontra-se sediada em Famalicão desde 1895. Registada a firma com a denominação São Paulo & Carvalho e inicialmente instalada na cidade do Porto, datam de 1894 os primeiros relógios que produziu.

No ano seguinte obteve a medalha de ouro na Exposição Agrícola e Industrial de Vila Nova de Gaia e, em 1896, transfere-se para a freguesia de São Julião de Calendário, em Vila Nova de Famalicão. Em 1907, “A Boa Reguladora” construiu a sua central eléctrica a vapor e passou também a fornecer iluminação pública a Vila Nova de Famalicão.

Desta empresa saíram milhares de relógios para todo o mundo, encontrando-se muitos deles em pleno funcionamento nas igrejas, fábricas, estações e apeadeiros de caminhos-de-ferro e até em coluna, tocando ave-marias em muitas casas particulares.

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Um aspecto da fábrica nos começos do século XX.

Um folheto com instruções de funcionamento de um relógio.

BARCELOS: RUSGA EM DIA DE "SORTES"

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O dia de “sortes” era dia de festa. Para o mancebo, o ingresso no serviço militar representava uma iniciação na vida adulta. A imagem mostra uma rusga em Barcelos no dia em que os rapazes iam às “sortes”. A foto foi tirada na década de sessenta do século passado.

Fonte: OLIVEIRA, Ernesto Veiga de. Instrumentos Musicais Populares Portugueses. Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa. 1966

VIANA DO CASTELO: EXPOSIÇÃO DENUNCIA TRÁFICO DE SERES HUMANOS

“Tráfico Desumano” é o título de uma exposição itinerante sobre tráfico de seres humanos que vai estar patente ao público em Viana do Castelo, entre os próximos dias 15 e 23 de abril, no edifício dos antigos Paços do Concelho.

A sessão de abertura está prevista para o próximo dia 15 de abril, às 11 horas. A exposição culmina com uma conferência de encerramento a ter lugar no dia 23 de abril, às 14h30.

CONCELHO DE AMARES: COMPASSO EM FISCAL, A TRAVESSIA CUMPRIU-SE!

Não há data precisa para o início desta tradição. Muito menos se percebe quais as razões geográficas que tornaram, durante muitos anos, os lugares de S. Bento e S. Pedro, acessíveis apenas por rio. Nem como se tornaram habitados. Agora há pontes que facilitam o acesso, contudo durante décadas o compasso viu-se obrigado a recorrer aos barcos para cumprir a tradição pascal junto de duas centenas de pessoas.

Este é um dos momentos altos da freguesia de Fiscal, em Amares. Um orgulho local, que atrai milhares às margens do rio Homem. O frenesim instala-se bem cedo. O compasso vai passando, beija-se a cruz, fecha-se a porta e as suas gentes seguem em direção para as margens do rio Homem para assistir à cerimónia.

Do barco do fogueteiro vai-se lançando as canas. O leito do rio está nos mínimos, o que exige cuidados redobrados e um estudo prévio dos pontos a passar durante os 800 metros de percurso. O embarque foi programado para a margem direita, conforme a corrente indica. O desembarque fez-se no lado oposto. Os cinco barcos, decorados com jarros e flores campestres, foram trazidos na quinta-feira, de propósito para esta cerimónia. Não há remos. Apenas um longo pau para cada condutor. Cumprindo dessa forma o que manda a tradição.

O compasso chegou às 11.20 horas. Ouviram-se palmas. Os sinos e a banda de Bouro anunciaram a chegada. O mordomo João Costa irradiava felicidade, num dos atos mais simbólicos para a freguesia. Foram dez minutos para a comitiva entrar nos barcos. Durante os 800 metros de percurso foram muitos aqueles que acompanharam uma viagem que levou cerca de trinta minutos. Mais uma vez cumpriu-se a tradição e o compasso chegou a S. Bento e S. Pedro.

Fonte Correio do Minho por Rui Miguel Graça

Via: http://vila--verde.blogspot.pt/

FERIADO MUNICIPAL DE PONTE DE LIMA DEVE SER CELEBRADO EM HONRA DE NOSSA SENHORA DAS DORES

Carlos Gomes

in Jornal "NOVO PANORAMA" nº. 66, de 5 de abril de 2012

http://novopanorama.pontedelima.com/

A questão a saber qual dos dias – Nossa Senhora das Dores ou o da atribuição do Foral por D. Teresa – deveria ser instituído como feriado municipal de Ponte de Lima, leva-me a tecer algumas considerações esse propósito. Colocando de parte a falta de coincidência da data da realização das Feiras Novas relativamente à festa litúrgica de Nossa Senhora das Dores, tomemos esta como referência para as celebrações e festividades que anualmente se realizam no concelho limiano.

Desde o começo da sua existência, o Homem procurou sempre encontrar explicações para os fenómenos do mundo que o rodeia, desde a sua origem às alterações resultantes das ações climáticas e das estações do ano que interferem no ciclo de renascimento da natureza e dos vegetais, essencial à preservação da vida e à sobrevivência da comunidade humana. E, em todas as culturas, a explicação encontra-se na vontade dos deuses cuja ação criadora deve ser celebrada para assegurar a sua continuidade. E, desse modo, através do rito, o Homem participa na sua ação criadora, o mesmo é dizer perpetuando através da tradição o ciclo de perpétuo renascimento da vida.

As festividades populares que chegam até nós, mormente as festas e romarias populares, têm a sua origem nas mais remotas crenças dos nossos ancestrais que nos foram transmitidas graças à sua preservação sob a forma de manutenção da tradição. Ao longo dos tempos, foram adquirindo novas formas, nomeadamente as que resultam da nossa conversão ao Cristianismo, mas ainda assim conservando a essência da sua celebração e o seu real significado. Quer isto dizer que as festas que o povo realiza aos seus padroeiros e santos venerandos constituem celebrações cujas raízes mergulham no que de mais profundo existe na razão humana.

Desde os finais do século XIX tem vindo a assistir-se à tentativa de sobrepor um novo tipo de celebrações, mais de caráter cívico, procurando de algum modo substituir as tradicionais festividades religiosas do povo e, desse modo, instituir uma “religião cívica”. Inserem-se nesse plano as festividades do “dia da árvore” e a comemoração de efemérides de caráter político geralmente estabelecidas como feriados oficiais como a data de atribuição da carta de foral ou a elevação de uma localidade a freguesia, vila ou cidade. Não raras as vezes, o empenho vai ao ponto de pretender-se substituir as datas festivas dos próprios feriados municipais cuja instituição tem na origem a mais profunda tradição popular.

Esta tentativa de falsificação vai ao ponto da invenção de novas letras e novas coreografias para o nosso folclore, numa clara manifestação de propaganda municipal e turística que nada tem a ver com as verdadeiras tradições locais mas antes com operações de marketing.

Em regra, a comemoração de tais efemérides não colhe a adesão do povo porque, na realidade, não passam de construções artificiais que nada têm a ver com a sua forma de encarar o mundo que o rodeia, resultando apenas de sucessos políticos que pouco o nada alteram o seu modo de vida. Não são as posturas municipais nem os decretos governamentais que vão suprimir a religiosidade do povo português. Este continuará sempre devoto aos seus santos padroeiros e a festejar os dias que lhes são consagrados, da mesma forma que os nossos ancestrais veneravam as mais misteriosas forças da natureza com a mais profunda veneração que devotavam aos deuses que as representavam. Ninguém duvidará que a uma eventual transferência do feriado municipal de Ponte de Lima para o dia 4 de março jamais lograria obter a aceitação da maioria dos limianos ao ponto de suplantar a festa em honra de Nossa Senhora das Dores da qual se originaram as Feiras Novas.

As festividades locais devem sempre ter em consideração a religiosidade do povo e, por conseguinte, combinar a componente profana e cívica com a tradição cristã e a devoção popular. Sem a participação da Igreja ou seja, da comunidade cristã, com os seus andores e pendões e sobretudo a sua devoção, nenhuma festa assume um caráter verdadeiramente popular por mais importante que seja a efeméride que se pretenda celebrar. Encontra-se, naturalmente, neste caso a celebração da atribuição do foral a Ponte de Lima por D. Teresa, acontecimento que deve ser sempre celebrado como uma manifestação cívica de profundo significado histórico mas jamais com ela pretender substituir aquela que está na origem das Feiras Novas.

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CASA COURENSE EM LISBOA RECEBE VISITA PASCAL

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A tradição do Compasso Pascal nos moldes em que se realiza na nossa região também se efetua em Lisboa em virtude da presença de uma significativa comunidade minhota ali radicada. É o que sucede com os naturais do Concelho de Paredes de Coura que, no próximo dia 15 de abril, pelas 17 horas, vão envergar as opas vermelhas e, ao som das sinetas, vão seguir a cruz florida na visita pascal à Casa Courense, sita na rua General Taborda, nº 18, em Campolide.

Na véspera, a partir das 15 horas, a Casa Courense leva a efeito mais uma colheita benévola de sangue para a qual apela à contribuição dos courenses e de todos os dadores em geral. Como vem sendo habitual, a iniciativa é realizada em colaboração com a Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Paredes de Coura (ADASPACO).

FOLCLORE: AS ORIGENS DA CONTRADANÇA

Uma das danças que se tornou característica em Portugal e é interpretada por numerosos grupos folclóricos é aquela que se designa por contradança. Esta dança é interpretada nomeadamente pelo Grupo de Danças e Cantares de Perre, de Viana do Castelo. Trata-se de uma dança ou, para falar com mais propriedade uma mistura de várias danças com melodias diversas, obedecendo os seus executantes à voz de um mandador, qual "baile mandado" que de algum modo nos faz lembrar a tradicional dança algarvia com aquele nome. Tendo dado origem às quadrilhas, foi a contradança uma dança muito apreciada nos bailes que se organizavam nos finais do século passado, nomeadamente no Palácio das Laranjeiras, no dos Condes de Farrobo e até na corte então instalada no Palácio da Ajuda. É que, à semelhança do que sucedeu com o folclore austríaco que viu as suas valsas invadirem os salões aristocráticos, também a contradança acabaria por animar os bailes da corte e da nobreza europeias e inclusive inspirar grandes compositores como Mozart e Wagner.

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A contradança faz parte do reportório do Grupo de Danças e Cantares de Perre, de Viana do Castelo

Em Malaqueijo, no concelho de Rio Maior é uma das localidades portugueses onde tal costume se encontra mais arreigado, sobretudo pelo modo como toda a comunidade revive esta tradição desde há muitas décadas, sempre por ocasião dos festejos em honra do seu padroeiro, dançando colectivamente a contradança nas ruas da terra. Dizem as suas gentes que aquela dança entrou nos costumes locais desde que um mancebo da terra que o serviço militar o levou para a combater em França por ocasião da primeira guerra mundial, trouxe para a sua terra a tradicional moda francesa que rapidamente foi adoptada pelo povo de Malaqueijo.

Na realidade e sem pretender contestar à influência que nalguns casos poderão ter exercido os soldados portugueses que regressaram de França e das trincheiras da Flandres, integrados no Corpo Expedicionário Português, tudo leva a crer que a contradança aparece no nosso país por altura das invasões francesas e ainda, muito provavelmente, em virtude dos numerosos portugueses que ingressaram as tropas napoleónicas. De acordo com a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, a "contradança" era originariamente um música popular inglesa cuja designação "country dance" que quer dizer "dança nacional" veio por corrupção a ser denominada "contredanse" desde que, no século XVII foi introduzida em França, e finalmente contradança com o seu aportuguesamento. Assim sendo, a própria designação contradança não constitui mais do que um equívoco resultante de uma deficiente tradução.

Em todo o caso é inquestionável a influência francesa nas origens da contradança no nosso folclore, como aliás atestam algumas expressões empregues pelo mandador aquando da sua execução. Contudo, não é de excluir por completo alguma influência que de igual forma poderão ter exercido os militares ingleses que então combateram ao lado dos portugueses o invasor napoleónico e por cá permaneceram enquanto a corte de D. João VI esteve exilada no Brasil. É que, afinal de contas, era aos nossos "amigos de Peniche" que originariamente pertencia a "country dance" e que com toda a certeza a executavam com maior requinte e perfeição.

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/

ANTIGOS COMBATENTES REÚNEM-SE EM PONTE DE LIMA

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Os antigos combatentes do Distrito de Viana do Castelo vão reunir-se no próximo dia 9 de junho, pelas 10 horas, em Ponte de Lima, a fim de comemorar o 40º aniversário do regresso da Companhia de Comando e Serviços (CCS) do Batalhão de Cavalaria 2903 que prestou serviço em Moçambique entre 1970 e 1972.

O elemento de contato é o sr. João Lima e as inscrições são feitas pelo telefone 258 101 533 ou 965 528 085 ou pelo e-mail jlimarefoios@gmail.com.

ESPOSENDE CELEBRA SEMANA SANTA

Cartaz e programa das Solenidades da Semana Santa de Esposende 2012.

Breve resumo:

Solenidades com grandes tradições em Esposende datam do século XVI.

Na Quinta - Feira Santa incorporam-se na procissão a irmandade da Misericórdia, com as insígnias da paixão, guião, estandarte e bandeira da Santa Casa, andor do Senhor dos Passos, andor de Nossa Senhora da Soledade e pálio sob o qual vai o Santo Lenho.

Na Sexta - Feira Santa sai à noite a procissão com o esquife e a imagem da Senhora da Piedade, dirigindo-se à Igreja Matriz onde tem lugar o sermão do Enterro, seguindo-se o préstito, já com o Senhor Morto, percorrendo as mesmas artérias da cidade.

No fim toda a irmandade recolhe à igreja com guião, bandeiras, insígnias, lanternas e varas deitadas em sinal de luto, com profundo silêncio.

Fonte: Luís Eiras in http://esposendealtruista.blogspot.pt/

DOMINGO DE PASCHOA NA ALDEIA

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O Natal é a festa da noite, a Paschoa e festa do dia!

Pelos caminhos da aldeia o parocho revestido de sobrepeliz e estola vae acompanhado pelo mordomo da cruz, pelo caldeirinha de agua benta, pelo campainha, pelo creado encarregado de receber os folares. Partem sol nado.

São muitos e distantes os logares, e a cruz, enfeitada com belos cordões de ouro e laços de fita coloridos, aromatisada com essência de cravo ou rosmaninho, tem de ser beijada por todos os freguezes.

Os vizinhos invadem uns as casas dos outros; os parentes teem de ir beijal-a a casa dos parentes, embora a distancia seja longa.

Avista-se além a Cruz, n’uma volta da azinhage. A campainha vibra no ar ambalsamado pelo perfume das macieiras em flôr, e então todos se dão pressa em juncar de flores e plantas aromaticas a entrada do seu lar, e estender sobre a mesa a alva toalha de rendas, onde o folar é depositado.

O padre chega. Enche-se a casa.

Alleluia, boas festas.

E a todos ajoelhados o parocho dá a Cruz para beijar, correndo assim a freguesia inteira.

Os ausentes teem vindo de fora, esquecem-se antigos ódios, visitam-se amigos velhos; a panella é gorda n’esse dia, o vinho espuma alegremente. É a natureza que ressurge, e quando a seiva ascende exhuberante e fecunda, não é para admirar que o espírito se vivifique pela alegria.

J. Augusto Vieira, in “Branco e Negro” (Semanario Illustrado), nº.1 de 5 de Abril de 1896

A PÁSCOA: DAS ORIGENS PAGÃS À ATUALIDADE

Na Páscoa, o Cristianismo celebra a morte e ressurreição de Jesus Cristo, o que faz desta festividade porventura a mais importante e de maior significado para os cristãos. Com efeito, é a crença na ressurreição de Jesus Cristo que distingue a fé cristã em relação a outras confissões religiosas. Foi apenas no século II que a Igreja Católica fixou a Páscoa no domingo, sem a menor referência à celebração judaica. Sucede que Jesus Cristo, segundo o calendário hebraico, terá morrido em 14 de Nissan, precisamente o início do Pessach ou seja, o mês religioso judaico que marca o início da Primavera.

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Com efeito, de acordo com a tradição judaica, a Páscoa provém de Pessach que significa passagem e evoca a fuga dos judeus do Egipto em busca da Terra Prometida. Na realidade, tal significação remonta a raízes ainda mais ancestrais, concretamente às celebrações pagãs que ritualizavam a passagem do Inverno para a Primavera ou seja, as festas equinociais associadas à fertilidade e ao renascimento dos vegetais.

Tais celebrações eram antecedidas pela Serração da Velha, o Entrudo e as saturnais que originaram as festividades de Natal. Mas, as novas religiões monoteístas alicerçaram-se sobre as ruínas das crenças antigas e, por cima dos antigos santuários pagãos ergueram-se as novas catedrais românicas e góticas. Da mesma forma que, sobre as ruínas dos velhos castros foram construídos os castelos medievais. E, assim, também as celebrações pagãs se revestiram de novas formas mais de acordo com novas conceções religiosas e se cristianizaram, adquirindo uma nova simbologia e significação.

Subsistem, no entanto, antigas usanças que denunciam as origens pagãs da festividade pascal associadas a costumes importados da cultura anglo-saxónica que, em contacto com as tradições judaico-cristãs originam um sincretismo que conferem à celebração pascal uma conceção religiosa bastante heterodoxa. É o que se verifica, nomeadamente, com toda a simbologia associada ao coelho e aos ovos da Páscoa, sejam eles apresentados sob a forma de chocolate, introduzidos nos folares ou escondidos no jardim, rituais estes ligados à veneração praticada pelos nórdicos a Ostera, considerada a deusa da fertilidade e do renascimento, por assim dizer a “deusa da aurora”.

Tal como para os judeus, a Pessach alude à passagem do anjo exterminador antes da sua partida do Egipto e, ao assinalarem as suas casas com o sangue do cordeiro levaram a que fossem poupados da praga lançada por Javé, para os cristãos é o próprio Jesus Cristo que incarna a vítima sacrificial ou seja, o cordeiro pascal que expia os pecados dos homens. Também para os cristãos, a Páscoa representa a passagem da morte para a vida eterna e o reencontro com Deus.

Na Páscoa, o sol primaveril irrompe pelas veigas verdejantes enquanto as árvores se espreguiçam num novo amanhecer. As flores exalam um perfume inebriante que inundam os céus e a todos contagia. As casas dos lavradores engalanam-se para receber a visita pascal. Junca-se o caminho com um tapete colorido feito de funcho, cravo e rosmaninho. O pároco, de sobrepeliz e estola entra pelos quinteiros, logo seguido a curta distância pelo mordomo, vestindo a opa vermelha e levando consigo a cruz florida que a dá a beijar, e o sacristão com a sineta e a caldeirinha de água benta. Lá fora, o estalejar dos foguetes indica o local exato onde segue a cruz. Em redor, a natureza renasce e adquire especial fulgor.

Mais intensamente vivida nas alegres aldeias minhotas, os casais e lugares de Ourém há muito que têm vindo a perder a tradição da visita pascal. E, no entanto, a visita pascal constitui um quadro de inigualável beleza e colorido que bem merecia ser preservado.

- GOMES, Carlos. A Páscoa: Das origens pagãs à atualidade. http://www.folclore-online.com/

A COCA DE MONÇÃO: A LUTA DO BEM E DO MAL OU A DEFESA DA SOBERANIA PORTUGUESA

Nas margens do rio Minho onde as veigas verdejantes da Galiza se alcançam em duas braçadas, as gentes minhotas do concelho de Monção mantêm um velho costume que consiste em celebrar todos os anos, por ocasião dos festejos do Corpo de Deus, o lendário combate travado entre S. Jorge e o Dragão. A luta tem lugar na Praça de Deu-La-Deu cujo nome consagrado na toponímia local evoca a heroína que com astúcia conseguiu que as forças leonesas levantassem o cerco que impunham àquela praça. Perante uma enorme assistência, a coca - nome pelo qual é aqui designado o dragão! - procura, pesadamente e com grande estardalhaço, escapar à perseguição que lhe é movida por S. Jorge que, envolto numa longa capa vermelha e empunhando alternadamente a lança e a espada, acaba invariavelmente por vencer o temível dragão.

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O dragão é representado por um boneco que se move com a ajuda de rodízios, conduzido a partir do exterior por dois homens e transportando no seu bojo outros dois que lhe comandam os movimentos da cabeça. Depois de o guerreiro lhe arrancar os brincos que lhe retiram a força e o poder, a besta é vencida quando S. Jorge o conseguir ferir mortalmente introduzindo-lhe a lança ou a espada na garganta, altura em que de uma bolsa alojada do seu interior escorre uma tinta vermelha que simula o sangue da coca.

Esta tradição que representa a supremacia do Bem sobre o Mal encontra-se intimamente ligada às lutas travadas pela soberania nacional, sendo notória a utilização dos símbolos portugueses por parte de S. Jorge. Com efeito, este culto foi introduzido no nosso país pelos cruzados que vieram combater nas hostes de D. Afonso Henriques nomeadamente a quando da tomada de Lisboa aos mouros. A sua invocação em forma de grito de guerra começou contudo durante o reinado de D. Afonso IV e teve como objetivo demarcar-se da invocação de S. Tiago que era feita pelos exércitos leoneses. Mas foi sobretudo a partir do reinado de D. João I que este culto veio a adquirir verdadeira dimensão nacional, passando a partir de então a sua imagem a integrar a procissão do Corpo de Deus. Ainda hoje, a sua simbologia é empregue nos meios castrenses, principalmente para representar o exército português.

O culto a S. Jorge que ainda se pratica em Portugal e cuja festa da coca que se realiza em Monção constitui um exemplo do seu cunho popular, possui as suas origens em antigas tradições da Síria segundo as quais, S. Jorge foi um valente soldado da Palestina que, por ter confessado a sua fé cristã, veio a ser feito mártir. Na Idade Média vieram a criar-se numerosas lendas à sua volta, uma das quais relata ter existido em Silene, cidade da Líbia, um terrível dragão ao qual o povo oferecia sacrifícios humanos.

Tendo em dada altura caído a sorte à filha única do rei, S. Jorge, que acabava de chegar àquela cidade na altura precisa em que a vítima ia ser imolada, prestou-se para a libertar, o que conseguiu. Uma vez derrotado o dragão, rei e povo converteram-se de imediato ao cristianismo. O folclore não se resume à reconstituição das danças e cantares de um povo, do seu traje ou da exemplificação de alguns costumes ligados ao trabalho ou à festa. Ele constitui a história não escrita do povo e engloba toda a sua cultura não assinalada na sua história e na sua religião. Por outras palavras, o folclore ocupa na história de um povo um papel semelhante ao que o costume, ou seja, a lei não escrita, ocupa em relação às leis codificadas.

De origem saxónica, o termo folclore teve o seu aparecimento pela primeira vez há século e meio e quer dizer a ciência ou o saber do povo. Considerada como uma das variantes da Etnografia e frequentemente confundindo-se com esta, o folclore estuda as tradições populares isto é, o traje, as canções, as danças, as lendas, as superstições, os jogos, os adágios, as festas, a religião e até a medicina, nomeadamente a sua própria representação. Estas fazem parte da identidade de um povo - são raízes de Portugal!

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/

JOGO DA BILHARDA IMPLANTA-SE EM PORTUGAL

Desde 2005, a bilharda começou a ter um carácter desportivo na Galiza. As pessoas que fomentaram a aparição da Liga Nacional de Bilharda (LNB) modernizaram o sistema de jogo conferindo-lhe um novo atrativo. O que sempre foi considerado como um jogo de crianças convertia-se em mais uma modalidade desportiva.

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Fez-se um regulamento e criou-se a liga, que teve o seu início no nordeste galaico: na marinha lucense, onde se jogou principalmente as primeiras temporadas, onde se estabeleceu um título individual e um por equipas. Com o decurso do tempo foi-se espalhando por todo o país e chegou-se ao sistema de competição por conferências que abrangem diferentes comarcas, emulando sistemas doutros desportos como o basquetebol ou o futebol americano nos Estados Unidos de América.

Destas conferências, após vários meses de competição, saem as equipas, também conhecidas como franquias, e as jogadoras e jogadores individuais que disputam num único dia a final nacional.

Na Liga Nacional de Bilharda compete-se em cada uma das jornadas sem fazer separação entre sexos e idades. Pode-se ver numa mesma jornada de liga pais, mães, filhas, filhos, netas e netos competir com um mesmo objetivo.

Alguns dos campeonatos são amenizados por música galega, chegando incluso a ter algumas vezes atuações musicais ao vivo. É importante também a implicação e participação de diversas associações culturais e de centros sociais autogeridos.

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Regulamento básico da LNB

Fundamento do jogo:

O jogo consiste em tratar de chegar coa bilharda até o varal antes que o rival. A bilharda tem que estar inicialmente no chão. Em cada tirada recebe um primeiro golpe com o palão para levantá-la no ar, onde é de novo golpeada em direção ao varal, que seria uma espécie de baliza. Se a bilharda não é golpeada antes de cair no chão há que voltar ao ponto de partida. Uma vez no ar a bilharda pode ser golpeada tantas vezes como for possível antes de tocar o chão.

Normas do jogo:

As partidas realizam-se num campo de forma retangular e com umas medidas de 50 metros de longo por 20 metros de largo. O campo tem marcadas as medidas do mesmo com uma linha que une todos os pontos do mesmo. Ao mesmo tempo num dos laterais de 20 metros tem marcado no centro um quadrado de 60 cm x 60 cm denominado zona de saída. No outro lateral está marcado o varal que tem uma medida de 3,60 metros de longitude. O varal não tem uma altura delimitada. Se a bilharda sair pela linha de fundo há que voltar para o lugar de onde se efetuou o lançamento. O mesmo acontecerá se a bilharda sair pela linha de 50 metros sem tocar o chão. Em caso de tocar o chão antes de ir fora, o seguinte golpe será do lugar por onde a bilharda saiu.

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(francês billard, taco para bilhar)

1. Antigo jogo de rapazes que consiste em fazer saltar com um pau comprido, outro mais pequeno aguçado nas duas extremidades, procurando-se que este não caia dentro de um círculo que se traçou no chão.

2. O pau mais pequeno que entra nesse jogo.

A QUEIMA DO JUDAS: VERSÃO CRISTIANIZADA DA SERRAÇÃO DA VELHA

Desde os tempos mais remotos, o Homem procurou através do rito participar na ação criadora dos deuses, acompanhando o ciclo da vida e da própria natureza com celebrações que nos fazem acreditar que os mesmos possuem alguma dose de magia indispensável a todo o contínuo processo de nascimento, vida, morte e retorno que constitui o eterno ciclo da própria existência.

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Eis porque, desde o começo do inverno até à sagração da primavera têm tradicionalmente lugar um conjunto de rituais que visam influenciar o ciclo da vida e dos vegetais de modo a assegurar o renascimento da própria natureza, os quais vão desde o culto aos mortos que ocorre no início de Novembro até à serração da velha, passando pelas festas solsticiais e do entrudo ou carnaval. Com a chegada do cristianismo, estas celebrações pagãs foram adquirindo formas mais ou menos cristianizadas, mas revelando frequentemente características que não se coadunam por completo com a fé cristã.

Entre os antigos ritos pagãos que nalgumas localidades assumiram uma forma cristianizada salienta-se a "serração da velha" destinada a celebrar o renascimento da primavera, a qual foi substituída pela "queima do judas", iniciativa que adquire frequentemente mais notoriedade em Ponte de Lima e também no concelho de Palmela, na margem sul do rio Tejo. Enquanto a serração da velha tinha tradicionalmente lugar na quarta-feira da terceira semana da quaresma, a queima do judas realiza-se invariavelmente no sábado imediatamente anterior ao domingo de páscoa, parecendo evocar a traição de Judas Escariotes a Jesus Cristo como a Bíblia menciona.

De resto, ambas as celebrações seguem no essencial o mesmo rumo que vai da leitura de um testamento à encenação da condenação cuja forma de execução, apesar do seu aspeto lúdico, não exige o rigor da autenticidade, pois em geral o boneco que o representa é armadilhado com fogo pirotécnico para poder rebentar e por fim queimar, quando a narração bíblica nos descreve um enforcamento. Em ambas as situações, na serração da velha e na queima do judas, o boneco a ser executado também faz a representação de alguém a quem se procura visar com a crítica social, não passando atualmente em muitos casos de uma mera brincadeira inofensiva sem a carga que noutras épocas a mesma representava.

Assim, de uma representação simbólica da separação do ano velho em relação ao que acabava de nascer por meio de um ato de serração, estas festividades adquiriram ainda um carácter social que através da ação crítica se procurava exorcizar os males do ano velho aqui simbolizado na figura de uma "velha", aliás da mesma forma que se procedeu durante todo o inverno e sobretudo durante o período carnavalesco onde toda a ordem social foi virada do avesso de modo a afastar os maus espíritos que povoam esta época do ano, associada à morte dos vegetais. E como a mentalidade antiga liga a morte à vida em vez de a separar, a natureza renasce sempre a partir da morte tal como ao inverno sucede invariavelmente a primavera.

É sábado e véspera de dia de Páscoa. Como de costume, as margens do rio Lima oferecem-nos um entardecer tranquilo onde o sol que se esconde para os lados de Viana espalha sobre as águas os seus raios como longas madeixas ruivas. Na Praça de Camões perfilam-se os bonecos que vão ser "executados" após a leitura do respetivo testamento. O bojo está recheado de fogo produzido pelos pirotécnicos da região, por sinal dos mais conceituados a nível internacional. O povo junta-se. Faz-se a leitura do "testamento do judas" onde se descobrem algumas verdades e, eis então que lhe é pegado o fogo. O boneco começa por rodopiar até que, uma quantidade maior de pólvora que é armazenada na cabeça o faz finalmente explodir. No dia seguinte é dia de aleluia e o povo vai, com a cruz florida, percorrer os caminhos da aldeia e visitar amigos e familiares onde a cruz é dada a beijar. É o compasso pascal, uma das tradições de grande beleza em toda a região de Entre-o-Douro-e-Minho!

GOMES, Carlos. In http://www.folclore-online.com/

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