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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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MINHO DESCEU À CAPITAL EM DEFESA DAS SUAS FREGUESIAS

Foram muitos os minhotos que hoje desfilaram em Lisboa protestando contra a eventual extinção de freguesias nos mais diversos concelhos da nossa região. Eles foram de Braga e Viana do Castelo, Barcelos e Esposende, Fafe e Caminha, Paredes de Coura e Vila Praia de Âncora, Ponte de Lima, Ponte da Barca e Arcos de Valdevez.

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O Minho abriu o desfile com a sua alegria e jovialidade que carateriza as nossas gentes no trabalho e na luta. Consigo levou os ranchos folclóricos e os “triquelitraques”, os cabeçudos e gigantones e os zés-pereiras com as suas arruadas. As raparigas de Viana do Castelo com o seu “traje à vianesa” emprestaram um colorido muito especial. Empunharam bandeiras e outros dísticos reclamando contra a extinção das respetivas freguesias. Com a sua gente seguia o Dr. Francisco Sampaio, notável paladino das nossas melhores tradições e do nosso turismo.

De norte a sul do país, cerca de duzentas mil pessoas desceram a avenida da Liberdade em direção ao Rossio. Seguiram-se os transmontanos nos com seus tradicionais “caretos”, os durienses e a suas fanfarras, os grupos de cante do Alentejo, as bandas filarmónicas e, de uma forma geral, as mais diversas representações das coletividades locais. Parafraseando o cantor, o povo saiu à rua e a fanfarra não parou de tocar… contra a extinção de freguesias!

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OS FARÓIS SÃO SENTINELAS DO MAR!

Desde tempos imemoriais, a luta pela sobrevivência levou o Homem a trocar a terra firme pelo ambiente hostil do mar, aventurando-se na imensidão desconhecida – o mar é tão rico em alimento como é em perigos!

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Aparelho ótico dióptrico de Fresnel com olho-de-boi. Este farol operava numa base flutuando numa cuba com mercúrio e apresentava uma característica de dois relâmpagos agrupados. O movimento de rotação era produzido através de mecanismo de relojoaria.

Disse o sábio grego Platão que “há três espécies de homens: os mortos, os vivos e os que andam no mar”. Com efeito, em relação a estes nunca se sabe realmente o seu destino, tais são os perigos que enfrentam.

È costume frequente, nas povoas de pescadores, as mulheres vestirem-se permanentemente de luto pois existe quase sempre um familiar próximo que não regressou da campanha junto com os seus camaradas: quando não foi o pai, terá sido um irmão, o marido ou o próprio filho. Na praia, elas aguardam ansiosas pelo seu regresso. E, quando o mar se revolta e sobre ele um manto de nevoeiro cai, a sereia por eles chama e a vila se agita num alvoroço carregado de angústia. O pescador arrisca a vida para do mar trazer o parco sustento da família – o lucro vai direitinho para os intermediários e para os luxuosos estabelecimentos hoteleiros onde o servem a preços impraticáveis. E, no entanto, quanto custará a vida de um ser humano?

Por vezes, em dia de temporal, é à entrada da barra que a tragédia o aguarda, virando a embarcação ou espatifando-se contra o molhe. Que o digam os pescadores das Caxinas e de Vila Praia de Âncora. Como disse o poeta:

                                         Ó mar salgado, quanto do teu sal

                                         São lágrimas de Portugal!

                                         Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

                                         Quantos filhos em vão rezaram!

                                         Quantas noivas ficaram por casar

                                         Para que fosses nosso, ó mar!

Mas, quando regressavam de noite escura, avistavam geralmente ao longe uma sentinela vigilante que, protetora, os aguardava e conduzia até alcançar a costa. Era uma luz cintilante que baloiçava, transportado pelas mãos de alguém que surgia como um anjo a indicar o local onde podiam, enfim, ancorar. Essa luz era um farol que indicava a existência de terra firme e o navegante apenas tinha de seguir no seu enfiamento.

Os faróis cuja designação provêm do termo grego Faros, em alusão à ilha próxima de Alexandria, onde foi erguido o famoso farol de Alexandria, eram inicialmente constituídos por meras fogueiras ou luzes de azeite destinados a avisar os navegadores da aproximação de terra ou outros perigos para a navegação. Desde então, a sua evolução não mais se deteve, tendo dado origem a modernos equipamentos eletrónicos dotados de curiosos sistemas de ótica, instalados em edifícios que, regra geral, constituem interessantes obras de arquitetura e se erguem nos sítios mais surpreendentes.

Foram estes equipamentos sempre de grande utilidade para os pescadores e navegadores em geral. À entrada da barra, as luzes verde e vermelha indicam-lhes respetivamente o bombordo e o estibordo da embarcação, noções de orientação criadas pelos portugueses durante as navegações que fizeram ao longo da costa africana e que entretanto se universalizaram.

Desde 1924, o funcionamento e manutenção dos faróis é da responsabilidade da Direção de Faróis, um órgão da Marinha que se dedica nomeadamente à operação e manutenção das ajudas à navegação. Porém, o aparecimento de novas tecnologias tem levado a que os faróis se tornem espaços museológicos com grande interesse sobretudo para os mais jovens, uma vez que constituem magníficas peças de ótica e relojoaria. Para além de constituírem um espaço de memória de especial significado para as comunidades piscatórias e que deve ser preservado, pois os faróis foram desde sempre “sentinelas do mar” a vigiar pela segurança dos pescadores e dos navegantes em geral!

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/

 

Lanterna de estai. Trata-se de uma lanterna com ótica dióptrica de Fresnel, em tambor. No tempo em que eram utilizados os candeeiros a petróleo, estas lanternas eram descidas para se acender e apagar, sendo posteriormente içadas e ficavam suspensas num cabo de aço, daí a sua designação de estai.

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No portinho de Vila Praia de Âncora, a entrada da barra era assinalada por duas luzes que indicavam o enfiamento. Com o alargamento do porto, estas foram desativadas e as lanternas recentemente retiradas.

VILA VERDE: SÍMBOLOS DA PÁSCOA CHEGAM AMANHÃ COM WORKSHOP DE RECICLAGEM CRIATIVA

Símbolos da Páscoa chegam amanha com um novo Workshop de Reciclagem Criativa e a temática “Símbolos da Páscoa”. Workshop de Reciclagem Criativa com o tema “Símbolos da Páscoa”. Com o apoio do município de Vila Verde, vai realizar-se no dia 31 de março, sábado, das 10H às 12H, na Biblioteca Municipal de Vila Verde.

Os participantes vão ter oportunidade de desenvolver os seus símbolos da Páscoa e as suas prendas, com material reciclável, que a torna-a única. Quando pensámos na Páscoa, imaginámos logo as amêndoas, os chocolates. Porque não personalizar uma oferta com os doces típicos da Páscoa!“ E, ainda estamos a oferecer à natureza uma prenda, a reciclagem dos nossos desperdícios!”, diz Sílvia Abreu.

No fim do workshop os participantes recebem um certificado e um doce!

PINTORA BEATRIZ LAMAS DE OLIVEIRA EXPÕE AGUARELAS NA CASA DOS CRIVOS, EM BRAGA

A galeria da Casa dos Crivos, em Braga, inaugura no próximo dia 28 de abril, pelas 17 horas, a exposição de aguarelas “Raízes Nossas” da autoria da pintora bracarense Beatriz Lamas de Oliveira. A exposição ficará patente ao público até ao dia 19 de maio. A Casa dos Crivos encontra-se situada na Rua de São Marcos.

Para além do seu aspeto estético, a pintura de Beatriz Lamas de Oliveira revela-se de grande importância como um meio de sensibilização para a defesa e preservação do património, mormente nas suas vertentes arquitetónicas e paisagísticas. Por essa razão, a arquiteta Fátima Pereira, imbuída do mesmo espírito, dedicou à obra da pintora as palavras que a seguir se reproduzem. 

“A imagem da cidade tem lugar na mente de quem percorre, permanece ou simplesmente vislumbra a cidade. É entendida como a representação mental da cidade existente em cada um. Corporiza-se pelo somatório integrado de comportamentos sociais, de construções, de expressões culturais. É o resultado da ação combinada dos seus atores, do cidadão, do turista, e do visitante.

Existem elementos arquitetónicos, com valor patrimonial ou simplesmente com valor enquanto referência identitária do espaço que formam a imagem que cada um tem da urbe. No entanto, da imagem também faz parte o encontro, a abordagem ao outro, o estar com o outro, faz parte o velhinho que pontua a rua, o pedinte que toca acordeão e que aborda, faz parte o colorido do mercado, e o pregão da vendedora. A imagem da cidade é o resultado dos factos históricos e/ou relevantes mas também de acontecimentos banais, de ações do quotidiano que marcam socialmente. É importante que imagens e representações que hoje fazem parte do nosso imaginário da urbe sejam preservadas em prol da nossa identidade. A realidade da cidade faz parte da fundação da nossa identidade, do nosso espaço de conforto.

A imagem da cidade é um capital importantíssimo para a sua competitividade. Planear, posicionar e promover a imagem da cidade é vital para a consolidação da identidade territorial, para um sentimento de pertença partilhado por todos.

A arte, na multiplicidade da sua expressão perpétua realidades, sentimentos, apropriações do espaço e da natureza humana de todos e de cada um. Tomando o espaço público como ambiente cénico vai proporcionar que imagens presentes não se percam com opções políticas, com mudanças de paradigmas sociais, culturais ou económicos. É importante que o artista tenha a capacidade de interpretar a urbe, o social e o individual, para que o perpetue. É importante que cada um de nós teça contributos para que haja uma consciencialização social do valor de determinadas imagens, para o valor de determinados conjuntos.

Vivemos uma cidade onde as opções politicas poucas as vezes se centram no património, na imagem da cidade, são deixadas ao abandono em prol de ouras intenções não estratégicas porquê se assim fossem davam relevo aquilo que no nosso século e considerado como fator de competitividade: os recursos endógenos. Acordar nos dias de hoje voltado para a realidade patrimonial, pode ser o reconhecimento de uma lacuna ou um tentar de remedeio de opções mal realizadas, ou a força de reconhecer determinados valores em prol de benesses económicas.

O artista é livre, em nome da liberdade de criação, é ilógico impor-lhe limites, mas é-lhe conferida ao mesmo tempo uma responsabilidade de estar atento e de usar essa mesma liberdade em prol de todos. Será e sempre foi da responsabilidade do artista a critica avançada a determinadas opções políticas, pela procura de uma consciencialização e uma mudança de políticas públicas. A arte interpreta a sociedade de forma interventiva e crítica, tem uma ação ética e interventiva e esta possibilidade atribui à obra um certo valor social e uma responsabilidade de intervenção.”

Arqª Fátima Pereira

A pintora é natural de Ferreiros, no Concelho de Braga. Licenciada em Medicina na Faculdade de Medicina de Lisboa, frequentou e concluiu os Cursos de Medicina Tropical no INSA e o de Saúde Publica da ENSP de Lisboa. Exerceu a profissão no Ministério da Saúde, tendo estado colocada em vários pontos do país. Mas, as artes plásticas falaram mais alto e a artista respondeu ao apelo da sua verdadeira paixão que consiste na pintura.

VALENÇA: VERDOEJO REALIZA PROVA DESPORTIVA COM MOTAS DE PAU

A Associação Desportiva Verdoejense, de Valença, leva a efeito no próximo dia 6 de maio, a partir das 14 horas, a III Descida de Motas de Pau.

À semelhança de edições anteriores, a prova consiste em efetuar um percurso da freguesia de Verdoejo com recurso a uma mota de pau que deverá contar com o quadro e rodas em madeira. Serão distinguidos os mais rápidos e os mais originais.

VILA VERDE: SÍMBOLOS DA PÁSCOA CHEGAM À RECICLAGEM CRIATIVA

Designer Sílvia Abreu promove um Workshop de reciclagem criativa com o tema “Símbolos da Páscoa”. Com o apoio do município de Vila Verde, será realizado no dia 31 de Março (sábado, das 10H às 12H), na Biblioteca Municipal de Vila Verde.

Está a chegar o domingo de ramos, para muitos afilhados é tradição a oferta de um ramo ou uma prenda aos padrinhos, em especial à madrinha. Assim neste workshop os participantes vão ter oportunidade de desenvolver os seus símbolos da páscoa e as suas prendas, com material reciclável, que a torna-a única. Quando pensámos na páscoa, imaginámos logo as amêndoas, os chocolates. Porque não personalizar uma oferta com os doces típicos da páscoa!“ E, ainda estamos a oferecer à natureza uma prenda, a reciclagem dos nossos desperdícios!”, diz Sílvia Abreu.

Nestes workshops  Sílvia Abreu concebe vários objetos construídos com matérias recicláveis e relacionados com a temática em causa. Assim os participantes têm oportunidade de construir outras peças em suas casas, dando largas à sua imaginação e criatividade que são potenciadas durante estas sessões de puro divertimento criativo.

“Cada vez mais acredito que a reciclagem é um dever e obrigação da sociedade para que tenhamos direito a um futuro mais verde, como o nome do nosso concelho pretende afirmar!” diz Sílvia Abreu.

Ainda estão abertas as inscrições no workshop. Ver em http://workshopreciclagemcriativa.blogspot.com/

Próximos workshops:

5 de Maio - "Workshop Reciclagem Criativa” com o tema (Amor de Mãe);

2 de Junho - "Workshop Reciclagem Criativa” com o tema (Brinquedos de Criança)

Designer Sílvia Abreu: www.silviaabreu.com

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ESCRITOR JOÃO TORDO VEM A PONTE DE LIMA PARA FALAR DOS SEUS LIVROS E DAR AUTÓGRAFOS

O escritor João Tordo vai estar presente na Biblioteca Municipal de Ponte de Lima para falar dos seus livros, entre os quais “As três vidas” que lhe valeu a atribuição em 2009 do Prémio José Saramago. A sessão decorrerá no próximo dia 31 de março, pelas 11 horas, aguardando-se uma elevada participação do público ponte-limense.

João Tordo nasceu em Lisboa, em 1975. Formou-se em Filosofia e estudou Jornalismo e Escrita Criativa em Londres e em Nova Iorque. Trabalha como guionista, tradutor, cronista e formador em workshops de ficção.

Escreveu, em parceria, o guião para a longa-metragem Amália, a Voz do Povo (2008). Foi vencedor do prémio Jovens Criadores em 2001.

Publicou os romances, O Livro dos Homens Sem Luz (2004), Hotel Memória (2007) e As Três Vidas (2008), tendo conquistado com este último o Prémio José Saramago 2009, da Fundação Círculo de Leitores, para o melhor romance em língua portuguesa escrito por um autor com menos de 35 anos.

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Acerca do livro “As três vidas” (sinopse oficial):

Quem é António Augusto Millhouse Pascal? Que segredos rodeiam a vida deste homem de idade, que se esconde do mundo num casarão de província, acompanhado de três netos insolentes, um jardineiro soturno e uma lista de clientes tão abastados e vividos, como perigosos e loucos? São estes os mistérios que o narrador, um rapaz de uma família modesta, vai procurar desvendar não podendo adivinhar que o emprego que lhe é oferecido por Millhouse Pascal se irá transformar numa obsessão que acabará por consumir a sua própria vida.

Passando pelo Alentejo, por Lisboa e por Nova Iorque, em plenos anos oitenta - época de todas as ganâncias - desvendando o passado turbulento do seu patrão - na Guerra Civil Espanhola e na Segunda Guerra Mundial -, As Três Vidas é uma viagem de autodescoberta através do “outro”.

Cruzando a história sangrenta do século XX com a história destas personagens, este romance é também sobre a paixão do narrador por Camila, a neta mais velha de Millhouse Pascal e sobre a procura pelo destino secreto que a aguarda; que estará, tal como o do seu avô, inexoravelmente ligado ao destino de um mundo que ameaça, a qualquer momento, resvalar da estreita corda bamba sobre a qual se sustém.

Acerca do livro “O Bom Inverno” (sinopse oficial)

Quando o narrador, um escritor prematuramente frustrado e hipocondríaco, viaja até Budapeste para um encontro literário, está longe de imaginar até onde a literatura o pode levar. Coxo, portador de uma bengala, e planeando uma viagem rápida e sem contratempos, acaba por conhecer Vincenzo Gentile, um escritor italiano mais jovem, mais enérgico, e muito pouco sensato, que o convence a ir da Hungria até Itália, onde um famoso produtor de cinema tem uma casa de província no meio de um bosque, escondida de olhares curiosos, e onde passa a temporada de Verão à qual chama, enigmaticamente, de O Bom Inverno. O produtor, Don Metzger, tem duas obsessões: cinema e balões de ar quente. Entre personagens inusitadas, estranhos acontecimentos, e um corpo que o atraiçoa constantemente, o narrador apercebe-se que em casa de Metzger as coisas não são bem o que parecem. Depois de uma noite agitada, aquilo que podia parecer uma comédia transforma-se em tragédia: Metzger é encontrado morto no seu próprio lago. Porém, cada um dos doze presentes tem uma versão diferente dos acontecimentos. Andrés Bosco, um catalão enorme e ameaçador, que constrói os balões de ar quente de Metzger, toma nas suas mãos a tarefa de descobrir o culpado e isola os presentes na casa do bosque. Assustadas, frágeis, e egoístas, as personagens começam a desabar, atraiçoando-se e acusando-se mutuamente, sob a influência do carismático e perigoso Bosco, que desaparece para o interior do bosque, dando início a um cerco. E, um a um, os protagonistas vão ser confrontados com os seus piores medos, num pesadelo assassino que parece só poder terminar quando não sobrar ninguém para contar a história.

MINHOTOS DIVULGAM CÃO DE CASTRO LABOREIRO

Na área montanhosa limitada pelos rios Minho e Lima e as agrestes penedias das serras do Soajo e da Peneda situa-se a região do Castro Laboreiro, no Concelho de Melgaço, atingindo alguns pontos quase mil e quinhentos metros de altitude. Aqui, o cão de Castro Laboreiro tem o seu solar, guardando os rebanhos comunitários na pastagem de transumância de curta distância que ainda ali se verifica.

Considerada uma das raças caninas mais antigas da Península Ibérica, o cão de Castro Laboreiro é dócil e sociável com os animais de outras raças, afetuoso com as crianças e dedicado ao dono, sendo um excelente cão de guarda e de companhia.

Quando pretender um animal de estimação, sugerimos que pense prioritariamente em escolher um exemplar de uma raça portuguesa e, porque não, um cão de Castro Laboreiro!

CACHORROS

Fotos: http://evasilva.tripod.com/

SECRETÁRIO DE ESTADO DAS FLORESTAS INAUGURA LOJA RURAL EM PAREDES DE COURA

O Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Engº Daniel Campelo, vai presidir à cerimónia de inauguração da Loja Rural de Paredes de Coura, no próximo dia 31 de março, pelas 10 horas, no Largo Visconde de Mozelos.

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Situada no coração da vila, junto ao edifício da edilidade, a infraestrutura autárquica de apoio à promoção e dinamização do mundo rural courense alberga a Loja de Turismo, um espaço expositivo para venda e prova de produtos locais, e a Casa do Conhecimento, onde atualmente está a decorrer um mestrado em tecnologia educativa.

Fruto de uma candidatura ao PRODER, que financiou as obras de readaptação do imóvel onde durante vários anos funcionou a Biblioteca, a Loja Rural visa promover o desenvolvimento sustentável do concelho, estimular a economia local, e valorizar os recursos endógenos, em setores que vão desde a agricultura, à gastronomia, passando pelo turismo.

Entre outras ações, propõe-se estudar e avaliar futuras iniciativas nas zonas rurais, no âmbito da instalação e recuperação de atividades produtivas, bem como projetos que reforcem a viabilidade socioeconómica concelhia, contribuindo, desse modo, para a criação de emprego.

A inauguração do referido equipamento inscreve-se na estratégia prosseguida pela Câmara Municipal de Paredes de Coura de preservação da beleza paisagista do município e respetiva promoção da qualidade ambiental, fatores que valorizam e enriquecem os produtos locais.

O TRAJE MASCULINO NO ALTO MINHO

Desde os primórdios da humanidade, a função primordial do vestuário consistiu em agasalhar. Porém, para além do conforto que proporcionava, o Homem sentiu ainda a necessidade de se cobrir e criar a sua intimidade, à semelhança de Adão e Eva ao tomarem a consciência da sua própria nudez. Entretanto, à medida que a sociedade foi evoluindo e o ser humano tornando-se sedentário, adaptou a sua maneira de vestir às diferentes exigências do trabalho e do clima. Para além disso, passou a também a utilizá-lo como meio de comunicação, através dele exprimindo diferentes estados da alma, mormente alegria ou tristeza, festa ou luto, paz ou revolta. E, quando era chamado a combater, engalanava-se com as suas melhores vestes para, de forma cerimonial, se entregar à morte ou a glória.

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Nesta imagem que apresenta um traje do Baixo Minho, o casaco exibe ferragens e o colete botões de metal. O rapaz apresenta o chapéu braguês.

A natureza utilitária do vestuário antecede a sua função decorativa que, aliás, não a substitui. Modernamente, o casaco constitui uma peça de vestuário concebida geralmente em tecido mais pesado e grosso com o objetivo de proteger contra o frio. Originalmente, esta peça aparecia sempre associada ao colete e às calças, constituindo um terno. Aliás, pela forma que o caracteriza, o uso do colete não parece fazer sentido sem o casaco. Mas, para além da sua utilização como meio de agasalho, representa em virtude do seu aspeto, da sua funcionalidade e do seu relativo custo um elemento cerimonial e identificador de estatuto social. Aliás, à semelhança do que sucede com a capa de honras utilizada em Miranda do Douro.

Pelas mais variadas razões, o fato masculino no traje do Alto Minho, exibido por alguns grupos folclóricos, tem com alguma frequência sido apresentado com um corte arredondado e botões de grandes dimensões que lhe retiram a sua funcionalidade enquanto peça de vestuário para se transformar num adereço de fantasia. Os próprios botões, geralmente em plástico e de cor branca, estendem-se em grande número ao longo das mangas ou mesmo em seu redor, conferindo a quem o veste um aspeto algo apalhaçado.

Concebido a partir de resíduos do petróleo, o plástico tal como o conhecemos constitui um produto inventado no século XX e que se difundiu sobretudo após a segunda guerra mundial, tendo a partir de então dado origem a novos conceitos de moda identificados com a denominada “linha POP” ou PopLine, de onde deriva o termo popelina. Apenas a baquelite foi inventada em 1909 e esta mais usada no fabrico de equipamentos elétricos. Por conseguinte, o emprego do material plástico em peças de vestuário que são apresentadas como reproduções das que eram usadas nos finais do século XIX não parece fazer o menor sentido.

Os materiais utilizados no fabrico dos botões eram em geral de metal, podendo estes variar consoante a função do vestuário e o estatuto social de quem o usava. Assim, de acordo com a peça de vestuário em causa ou seja, tratando-se do colete ou do casaco, em traje domingueiro ou de trabalho, podiam apresentar-se sob a forma de botões ou de ferragens, de metal mais ou menos nobre, ou ainda de osso feito das pontas dos chifres das cabras, apresentando os coletes aberturas de casas para os botões enquanto os casacos utilizam frequentemente presilhas. A utilização de madrepérolas surgia geralmente no vestuário feminino das pessoas mais abastadas.

Pela sua exuberância e colorido, o traje à vianesa e demais trajes minhotos em geral, foram desde sempre os preferidos de crianças e adultos nas suas brincadeiras de Carnaval como se de um fato carnavalesco se tratasse. Não admira, pois, que de igual forma o mesmo se tenha prestado à fantasia e imaginação de quem o utiliza e, com o decorrer do tempo, lhe tenham sido introduzidas alterações com o propósito de o tornar ainda mais vistoso, acabando por levar para o palco do folclore uma imagem de traje que não corresponde inteiramente à sua realidade mas que, pela repetição constante do erro acabou de certa forma por adquirir foros de autenticidade que não possui

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/

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Para além do colete não ter a utilidade devido ao seu corte arredondado e ao tamanho exagerado dos botões, estes apenas cumprem uma função decorativa. A registar também a ausência de casaco, os sapatos de pala, camisa de corte recente e chapéu incaracterístico.

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A fantasia vai ao ponto de apresentar botões em redor das mangas do casaco.

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Haverá ainda espaço disponível para acrescentar mais botões decorativos ao casaco?

O MINHO NA INTERNET: BARCELOS E O VALE DO CÁVADO

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“Barcelos” é o título de um blogue que integra uma rede de blogues da região do vale do Cávado, concretamente os concelhos de Amares, Póvoa de Lanhoso, Braga, Esposende, Póvoa de Lanhoso e Vila Verde.

Com excelente apresentação gráfica e um informação diversificada de interesse regional, não hesitamos em recomendar o acesso ao “Barcelos” em http://blogdebarcelos.blogspot.com/

A ideia de construir uma rede de blogues que se dedicam à divulgação das potencialidades da nossa região é a todos os títulos louvável pois existem as maiores vantagens no trabalho em rede.

VIANENSES E LIMIANOS: PIONEIROS DA COLONIZAÇÃO DO BRASIL

Como é sabido, apesar da descoberta do Brasil se ter verificado no ano de 1500 e a primeira expedição exploradora ter ocorrido no ano seguinte, apenas a partir de 1534 foram criadas as capitanias hereditárias, altura em que o rei D. João III estabeleceu a capitania da Baía, concedendo-a a D. Francisco Pereira Coutinho. Até então, quase todas as atenções se encontravam viradas para as explorações a oriente. Contudo, por volta de 1510, o naufrágio de uma das naus portuguesas que seguia para a Índia segundo uns, de uma nau francesa que rumava ao novo mundo com o objectivo de explorar o negócio da madeira e sobretudo do pau brasil segundo outros, ocorrido junto à costa da Baía de Todos-os-Santos, levara a que um punhado de marinheiros na ânsia de sobreviver, lograsse atingir a nado terra firme. Entre eles encontrava-se o vianense Diogo Álvares Correia que, após ter sobrevivido ao naufrágio, acabara por ter sido o único que escapou ao massacre praticado pelos índios tupinambás os quais, preservando ainda hábitos canibais, mataram e devoraram os seus companheiros. Valeu-lhe o facto de ter disparado um mosquete e ter abatido uma ave, o que seguramente causou enorme impressão nos indígenas.

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Retrato de Diogo Álvares Correia, o “Caramuru”

De acordo com a narrativa fantasiosa tornada lenda, passaram os índios a tratá-lo por Caramuru, designação que significaria “homem de fogo” ou “filho do trovão”, sendo certo que se trata da denominação de um peixe existente naquela zona, de uma espécie próxima da moreia com mais de um metro de comprimento, tudo levando a crer ser esta a verdadeira razão do nome que lhe impuseram em associação ao seu aspecto físico ou então devido ao facto de ter surgido do mar, entre as pedras, como sucede com as moreias. Em todo o caso, Diogo Álvares passou a viver entre os indígenas, conseguindo entre estes enorme prestígio e acabando por prestar valioso auxílio não apenas às expedições portuguesas que ali aportavam como ainda aos donatários entretanto estabelecidos e aos missionários jesuítas que ali iniciaram a sua actividade de evangelização.

            Narra-nos Frei José de Santa Rita Durão, professor de Teologia na Universidade de Coimbra, no seu poema “Caramuru”, publicado em 1781, o seguinte:

Diogo então, que à gente miseranda,

por ser de nobre sangue precedia,

vendo que nada entende a turba infanda,

nem do férreo mosquete usar sabia;

da rota nau, que se descobre à banda,

pólvora, e bala em cópia recolhia;

e como enfermo, que no passo tarda,

serviu-se por bastão de uma espingarda.

Diogo Álvares veio a casar com Paraguassu – ou Paraguaçu, - filha do chefe indígena Taparica que habitava a região do Recôncavo e era um dos maiorais dos índios tupinambás, tendo passado a viver numa aldeia junto à entrada da Barra da Ponta do Padrão, local de onde se podia avistar as frotas e acudir, eventualmente, em caso de naufrágio. A sua vida ficou envolta em lendas, algumas das quais imortalizadas num poema épico escrito por frei José de Santa Rita Durão em meados do século dezassete. Salienta-se, entre elas, a que se refere à realização do seu casamento em França para onde supostamente navegaram em 1526, tendo sido apadrinhados segundo uns por Henrique II e de Catarina de Médicis ou, ainda de acordo com outra versão, por Katherine des Granches, esposa do navegador Jacques Cartier, e por Guyon Jamyn, cunhado de Tomasia Cartier, tia de Jacques Cartier, tendo Paraguassu a partir de então passado a usar o nome de “Catarina do Brasil”. Contudo, apesar de vários historiados terem durante muito tempo considerado esta uma história sem fundamento válido, a mesma parece encontrar-se actualmente suficientemente documentada, nomeadamente através de um termo do baptismo então realizado em Saint Malô e cuja cópia se encontra na Arquidiocese de São Salvador, a qual reza o seguinte: “Le pénultime jour du moys surdit fut baptizée la Katherine du Brézil, et fut compère… premier noble homme Guyon Jamyn, sieur de Saint Jagu, et commères Katherine dês Granges et Françoise Le Gonien, fille de l’aloué de Saint malo et fut baptizée para maitre Lancelot Ruffier, vicaire du dit jour que dessus. (a) P, Trublet”. O mesmo não sucede com a pretensão de alguns em atribuir origens galegas a Diogo Álvares, dando-o por natural da Corunha com o nome de Diego Álvarez Correa, tese que se revelou sem fundamento para a generalidade dos historiadores. Naturalmente, tais reivindicações mais não reflectem do que a disputa desde sempre existente acerca das origens do povoamento do Brasil com vista a uma eventual reclamação de direitos.

Do seu casamento com Catarina Paraguassu – nome que significa “grande rio caudaloso” – teve Diogo Álvares quatro filhas das quais procedeu numerosa e influente descendência, considerada das mais nobres da Baía. Entre elas, destaco Genebra Álvares que veio a casar com Vicente Dias, natural de Beja e moço fidalgo da Casa Real. Estes tiveram como filhos Diogo Dias que viria a casar-se com Isabel de Ávila, filha do senhor do Castelo da Casa da Torre e ainda, Maria Dias que casou com Francisco de Araújo, natural de Ponte de Lima e filho de Gaspar Barbosa de Araújo e Maria de Araújo, da “nobilíssima família dos Araújo da Província de Entre Douro e Minho”. Foi sesmeiro em Sergipe e faleceu em Salvador da Baía em 27 de Agosto de 1602. Deste casamento houve três filhos sem geração e uma filha chamada Catarina Álvares que viria a casar com o seu tio paterno Baltazar Barbosa de Araújo, também ele natural de Ponte de Lima e filho de Gaspar Barbosa de Araújo. Das duas filhas nascidas deste casamento, Francisca de Araújo e Joana Barbosa, esta veio a casar com António de Souza Drumond cuja genealogia nos levaria a uma autêntica incursão pela história da Europa e o povoamento da Ilha da Madeira. Para além das filhas que teve de Paraguassu, Diogo Álvares teve porém, muitos outros filhos e filhas das relações que manteve com numerosas índias, como aliás veremos adiante.

Diogo Álvares prestou enormes serviços a Portugal e serviu de intermediário nos negócios entre navegadores europeus e nativos, ajudando no abastecimento e recuperação das embarcações da rota das especiarias que passavam pelo litoral do Brasil rumo ao Oriente ou as que seguiam para o Rio da Prata, socorrendo não raras as vez as tripulações em perigo de naufrágio. Recebeu Martim Afonso de Sousa que foi Governador da Índia e Tomé de Sousa que viria a ser o primeiro governador-geral do Brasil, a quem aliás de imediato à chegada lhe ofereceu os seus serviços, experimentado que estava dos insucessos do anterior donatário da Baía, Francisco Pereira Coutinho, cuja permanência resultou em tragédia. Aliás, a sua colaboração foi também fundamental para os Jesuítas que ali se estabeleceram em 1550, altura em que iniciaram a catequização dos índios. Em reconhecimento dos seus serviços, o próprio governador-geral, Tomé de Sousa, armou cavaleiros três dos seus filhos – Gaspar, Gabriel e Jorge Álvares – e um dos seus genros, João de Figueiredo, tendo o rei D. João III confirmado no ano seguinte através de carta régia a concessão atribuída.

            A título de curiosidade, a jurisdição de São Salvador da Baía viria dois séculos mais tarde, por decisão do marquês de Pombal, a ser entregue ao 6º conde dos Arcos, D. Marcos José de Noronha e Brito, o qual acumulou com o cargo de Vice-Rei do Brasil. O mesmo sucedeu com o 8º conde dos Arcos, D. Marcos de Noronha e Brito, nomeado Vice-Rei em 1806 e mantido o cargo até à chegada do Príncipe Regente D. João VI, na sequência das invasões francesas. Por conseguinte, duas personalidades alto-minhotas que vêm estreitar ainda mais os laços da nossa região com o Brasil em geral e o Estado da Baía em particular.

Diogo Álvares Correia veio a falecer em 5 de Outubro de 1557, com setenta anos de idade, tendo sido sepultado na igreja de Jesus, pertencente aos Jesuítas. Por seu turno, Catarina Paraguassu contava oitenta e oito anos quando em 26 de Janeiro de 1583 morreu em Salvador da Baía, tendo ficado sepultada na Igreja de Nossa Senhora da Graça, local onde constam os seguintes dizeres: “Sepultura de Catarina Alz senhora desta Capitania da Bahia a, qual, ela e seu marido Diogo Alz corrêa, natural de Viana derão, aos, senhores Reys de Portugal e fés e deu esta Igreja ao, Patriarca S., Bento, Era de 1582”. Esta lápide vem, aliás, confirmar a adopção do apelido Álvares por parte de Catarina Paraguassu, o que de algum modo contraria a tese por alguns defendida de que teria passado a chamar-se “Catarina do Brasil” pelo baptismo supostamente realizado em França. Tal como, aliás, sucede com o nome próprio Catarina, o qual pode de igual forma ser associado ao da esposa do rei D. João III.

Após o falecimento de Diogo Álvares, o Caramuru, Catarina Álvares – a índia Paraguassu – alargou ainda mais os seus domínios, tendo do próprio governador Mem de Sá recebido propriedades tão vastas que compreendiam os actuais bairros da Graça e da Vitória, em Salvador da Baía. Considerada a “primeira matriarca da Bahia”, a memória de Catarina Paraguassu passou a ser venerada pelos brasileiros como “símbolo da miscigenação na América Portuguesa”. Como se afirma no jornal “Correio da Bahia” de 6 de Fevereiro de 2005, “considerada um dos principais símbolos femininos da história do país, por ter exercido um papel fundamental na integração das raças que formaram o povo brasileiro, a tupinambá Catarina Paraguaçu é sempre lembrada como a mãe das mães brasileiras, o esteio e a origem da família no país”.

Tal como Catarina Paraguassu se tornou no símbolo da integração nacional da nação brasileira, também o vianense Diogo Álvares é considerado o pioneiro da colonização do Brasil, tendo construído a primeira colónia de povoadores que veio a incluir os limianos Francisco de Araújo e Baltazar Barbosa de Araújo.

Representação escultórica de Caramuru no monumento a Floriano Peixoto, no Rio de Janeiro

CARAMURU NA LITERATURA E NAS ARTES

A vida aventurosa de Diogo Álvares e a sua relação amorosa com a índia Paraguassu tem servido de argumento para a construção de vários romances de ficção e representações teatrais, entre outras manifestações culturais. Foi tema de uma série televisiva e serviu de argumento ao filme “Caramuru – a Invenção do Brasil”, ambos da autoria de Guel Arraes. Também o escritor Tasso Franco escreveu o livro “Catarina Paraguaçu – A Mãe do Brasil”, o qual descreve de forma romanceada o encontro da índia com Diogo Álvares e o início da construção de São Salvador. Não obstante, é o poema Caramuru de Frei José de Santa Rita Durão aquele que, pela sua antiguidade e exaltação que faz, é considerado como referência nos relatos que são feitos dos acontecimentos e lendas que as envolvem.

Com o título “Caramuru – Poema Épico do Descobrimento da Baía”, o poema de Frei José de Santa Rita Durão afigura-se como uma nova versão de “Os Lusíadas” através do qual, em dez cantos, o poeta evoca o descobrimento do Brasil e os feitos dos seus povoadores. Aliás, conforme o próprio autor afirma nas “Reflexões Prévias”, “os sucessos do Brasil não mereciam menos um poema que os da Índia”.

Este poema constitui, como afirma Óscar Lopes, uma das “primeiras manifestações apreciáveis de influência temática brasileira no domínio da poesia heróica” o qual, ainda segundo o mesmo autor, “de recorte versificatório camoniano, tem como assunto a acção civilizadora do nobre náufrago Diogo Álvares Correia, que no século XVI se viu obrigado a viver e a casar aventurosamente, numa tribo ameríndia”.

Considerado um dos poetas da Nova Arcádia, António José Saraiva retrata o poema “Caramuru” e o seu autor, no contexto da literatura brasileira ou, para sermos mais precisos, da literatura portuguesa do Brasil: “Os poetas mineiros assim chamados mostram-se animados do espírito arcádico, quer militem, quer não, em acordo com a Arcádia Lusitana. (…) Caracterizam-se , em geral, pela adesão ao espírito das luzes, o que teve dois efeitos contraditórios: um, o servirem a política do marquês de Pombal; outro, o de combaterem a política centralista e colonialista da corte portuguesa. Tanto o Uruguai, de José Basílio da Gama (1769), como o Caramuru, de Santa-Rita Durão (1781), poemas heróicos na linha d’Os Lusíadas, revelam, ao mesmo tempo que uma repulsa da política indiana dos jesuítas, reprimida pelo marquês, uma vontade de enraizamento e de criação de uma pátria americana”.

Ao naufragar nos recifes da costa da Baía, jamais o vianense Diogo Álvares poderia imaginar que, volvidos quase três séculos, haveria de tornar-se o herói principal do poema épico que retrata o nascimento do Brasil, tendo por título a alcunha que lhe fora atribuída pelos índios tupinambás e pela qual haveria de ser sempre reconhecido. E, desde logo celebrado na primeira estrofe do Canto I:

De um varão em mil casos agitado,

que as praias discorrendo do Ocidente,

descobriu o Recôncavo afamado

da capital brasílica potente:

do Filho do Trovão denominado,

que o peito domar soube à fera gente;

o valor cantarei na adversa sorte,

pois só conheço herói quem nela é forte.

Carlos Gomes in O Anunciador das Feiras Novas, nº XXVI,Ponte de Lima, 2009

ELEVADOR DO BOM JESUS DO MONTE JÁ TEM 129 ANOS!

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O elevador do Bom Jesus do Monte, em Braga, encontra-se em funcionamento desde 25 de Março de 1883, sendo actualmente o funicular mais antigo do mundo em funcionamento utilizando contrapesos de água. O depósito da cabine que se encontra na parte superior do percurso é atestado de água para, através da diferença de peso, fazer a outra cabine subir a encosta, sendo a água esvaziada quando chega ao sopé.

A imagem que se reproduz foi publicada n’O Ocidente, nº. 121, de 1 de Maio de 1882, dois anos após o início das obras de construção e um ano antes da data da sua inauguração.

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Esta gravura apresenta o funicular de perfil e foi publicada na mesma edição daquela revista.

A ETNOGRAFIA NO CINEMA EM PORTUGAL

Quem nunca se comoveu com as histórias ou se deliciou com o pitoresco do mundo rural e os quadros hilariantes criados pela cinematografia portuguesa dos anos trinta e quarenta do século passado é porque jamais teve a oportunidade de assistir à exibição da “Aldeia da Roupa Branca” de Chianca de Garcia ou “Ala Arriba!” de Leitão de Barros. Apesar da idade e ainda das características da imagem e som produzidos, muitas das fitas do velho cinema português continuam a manter o sucesso entre o público que gosta sempre de recordar antigos êxitos e conserva a memória as deixas engraçadas e os graciosos temas musicais que constituíram a sua banda sonora.

No domínio cinematográfico, os anos trinta e sobretudo a década seguinte ficaram assinalados por uma certa preferência pelos temas relacionados com aspectos da vida rural e piscatória, do folclore e das tradições populares. São ainda desta época, para além dos já mencionados, os filmes “Gado Bravo” de António Lopes Ribeiro, “As Pupilas do Senhor Reitor” de Heinrich Gärtner, “Maria Papoila” de Leitão de Barros e “A Canção da Terra” de Jorge Brum do Canto. No entanto, o recurso a argumentos de alguma forma relacionados com o folclore remonta ao cinema mudo com “Rosa do Adro”, “Mulheres da Beira”, “Tempestades da Vida” e “Campinos” que foi a última longa-metragem do cinema mudo português. Também a registar as curtas-metragens desta época, constituídas por reportagens e documentários, como “Santo da Serra”, “Reconstituição de Aspectos da Vida Madeirense” e “Revelação de Costumes Populares” produzidas pela Empresa Cinegráfica Atlântida e “A Serra da Estrela” de Raul de Caldevilla.

Em 1929, Leitão de Barros produz o comentário “Nazaré, Praia de Pescadores”, produção que marca o começo entre nós da antropologia visual, seguindo-se, neste domínio, “Douro, Faina Fluvial” de Manoel de Oliveira. Porém, é no ano seguinte que faz rodar o drama “Maria do Mar”, filme este que constitui a primeira etnoficção produzida em Portugal e a segunda a nível mundial, pelo que podemos afirmar sem ambiguidade que este filme marca o início da produção do cinema etnográfico em Portugal.

O cinema etnográfico constitui um conceito que, no domínio cinematográfico, abrange o documentário e a ficção, entendido de forma separada ou associada, neste caso também designado por etnoficção. O documentário etnográfico é sobretudo realizado por cineastas e etnólogos com o propósito de investigar e preservar o testemunho do elemento étnico, naquilo que no meio científico se designa por Etnografia de salvaguarda. Esta possui como principal preocupação a salvaguarda dos registos de uma cultura antes do seu desaparecimento, nomeadamente a mitologia, a religião, a língua, a organização social, as relações de parentesco e o folclore, daí também ser classificada como Antropologia visual.

Obedecendo às leis da dialética, a utilização do cinema etnográfico como instrumento da investigação etnológica encontra-se diretamente relacionada com o aparecimento do filme de dezasseis milímetros com câmara de fácil transporte e gravadores portáteis de som síncrono. Não admira, pois, que seja sobretudo a partir dos anos sessenta do século passado que este género regista maior crescimento, facto a que não é alheio o movimento cineclubista então emergente.

É então que, no domínio da etnoficção, o realizador Manoel de Oliveira produz em 1962, “Acto da Primavera” e, nos anos setenta, são rodados “Gente da Praia da Vieira” de António Campos, “Mau Tempo, Marés e Mudança” de Ricardo Costa, “Trás-os-Montes” de António Reis e Margarida Cordeiro e “O Pão e o Vinho” de Ricardo Costa.

Procurando captar a realidade através da imagem e, desse modo, permitir o estudo das sociedades tradicionais, o filme etnográfico constitui um meio de salvaguarda do património cultural com vista à sua recolha, inventariação, estudo e divulgação, à semelhança do que sucede com etnomusicologia e o estudo do artesanato. É nessa perspetiva que, inspirado na tese de Jorge Dias e antes que as águas da albufeira da barragem do Alto Lindoso mergulhem para sempre as casas e os terrenos de cultivo e, com eles, os hábitos comunitários das suas gentes, o cineasta António Campos parte em 1971 para o Gerês e aí roda o filme “Vilarinho das Furnas”.

Estamos em pleno período do chamado “cinema novo”, ainda influenciado pela pobreza estética do neo-realismo, o qual vai prolongar-se até ao derrube do Estado Novo. Na senda do filme acerca de Vilarinho das Furnas, o realizador produz em 1974 “Falamos de Rio de Onor” e Ricardo Costa, em 1976, o filme “Avieiros”, procurando captar para a câmara uma realidade que ameaça extinguir-se a todo o instante.

O aparecimento das tecnologias digitais constituirá certamente um estímulo a uma nova abordagem estética no domínio cinematográfico, incluindo a etnoficção. Por outro lado, disponibiliza novas ferramentas no domínio da Etnografia de salvaguarda, aspeto que deve ser considerado nomeadamente no domínio da museologia. E, tal como sucedeu no passado com o aparecimento do filme sonoro e, algum tempo depois, o filme de dezasseis milímetros, também a técnica digital pode abrir novos caminhos à cinematografia e, nomeadamente ao cinema etnográfico e à antropologia visual.

Carlos Gomes, in http://www.folclore-online.com/

Bibliografia:

PINA, Luís de. História do Cinema Português. Publicações Europa-América. Mem Martins, 1987;

FERREIRA, Carolin

MUSEU REGIONAL DE PAREDES DE COURA ORGANIZA “RASGADA DE FARRAPOS”

Farrapos

O Museu Regional de Paredes de Coura leva a efeito no próximo dia 24 de março, pelas 15horas, uma “Rasgada de Farrapos” à moda antiga. Vão participar nesta iniciativa os utentes do Lar de Mozelos e dos Centros de Parada e Padornelo.

Os organizadores apelam à participação sugerindo às pessoas que levem roupas velhas para farrapar e aproveitem ainda a ocasião para experimentar tecer num antigo tear.

NOELIA RODRIGUEZ: NEGRA É A HISTÓRIA QUE ALUMEA / ISE TEU NOME, GALEGO

FÉ…

 

Negra é a historia que alumea

Ise teu nome, galego,

Chea de portas que se abren

Para pôr un pé mar adentro.

Historia escrevida por barcos

Que sempre voltan baleiros

Labrada por xentes que son

Eisilados do progresso.

Negra é a historia Galiza,

Que en ti escreben os tempos,

Chea de homes sem nome

De vidas sem dono certo,

Séculos fai que estás parindo

Fillos que adopta o desterro.

 

- lses tempos xa pasaron!-

Esi, pregoaba o gaiteiro

Agroma a semente nova,

E en ti nace un novo tempo,

Um novo hino que rompe

Nos beizos dos que en ti cremos.

 

E marchei erguendo orgullosa

A nobre bandeira ó vento

Cheos o fardel e o esprito

De soños, de devezos,

Certa de que a ti terra esgrevia

Había voltar tarde ou cedo.

Atrás ficaban os versos

De poetas insurreitos,

Acusando o maltrato

Dos emigrantes galegos.

Non fixen caso de razóns

Dos que quixeron convencerme

Que a semente que na terra agroma

Vem dar a flor no deserto.

Mais seguimos enxergando a secular carraxe

“dun pranto cotián de bolboretas”.

E non hai siña mais fera

Que levarmos o ser emigrantes

Grabado a ferro na testa,

Que onde queira que vaiamos

Iste alcume nos espera.

 

Novos tempos son chegados

De mudarmos esta xeira,

Fannos falla mais ca nunca

Mans que labren a terra,

Letras que sementen a historia

E valentes que fagan a ceifa,

A nova Galiza é a utopia

Dos que florescemos nela.

Noelia Rodriguez, Sons de Baleas, Edição Calidum

CASAS REGIONAIS: OS DESAFIOS DO REGIONALISMO NO SÉCULO XXI

O regionalismo minhoto e, de uma forma genérica, todas as casas regionais existentes em Lisboa, carecem de renovação – de pessoas, de métodos e sobretudo de ideias – que implique uma nova forma de orientação, mais consentânea com os tempos que correm e com as transformações que estão a verificar-se na sociedade portuguesa. Tal renovação passa pela assunção por parte dos elementos mais jovens e cultos dos destinos das associações em substituição de uma geração que insiste em se manter refém de hábitos ultrapassados e do próprio exercício diretivo. Pese embora os seus constantes lamentos pela falta de quem queira tomar a seu cargo a tarefa de dirigir, são eles quem geralmente dificulta a renovação, não concedendo espaço e apenas preferindo a subserviência dos mais jovens.

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Mas, a renovação não se efetua descaracterizando-se as associações regionalistas, alienando os seus objetivos ou entregando os seus destinos a elementos que não possuem a menor ligação com a respetiva região, pese embora a sua generosidade e amizade demonstrada.

Os fluxos migratórios internos têm vindo a alterar-se. As vias de comunicação aproximam Lisboa em relação ao interior. As gentes que um dia vieram viver e trabalhar para Lisboa transferiram-se para a periferia em virtude da terciarização ou seja, do predomínio do comércio e serviços nas áreas centrais da cidade. A oferta cultural diversifica-se. As migrações internas do início e meados do século vinte deram origem a novas gerações já nascidas na cidade que adquiriram novos hábitos, muitos dos quais com formação académica superior, com novos interesses e preocupações. E, essa realidade reflete-se inevitavelmente na vida das casas regionais: após o declínio das associações de âmbito provincial e do último surto de casas concelhias verificado na década de oitenta do século passado, eis que também estas iniciam a marcha descendente.

As casas regionais não podem continuar a ser meras coletividades de cultura e recreio com a atividade dirigida a um público restrito. Elas necessitam de se transformar em entidades prestadoras de serviço de interesse público, na representação regional, um tanto à maneira das “casas regionais” que existem na capital francesa constituídas como sociedades representativas das diversas regiões. Por outro lado, elas devem abrir-se às novas gerações de descendentes, como vinho novo em casco antigo.

Um dos aspetos reveladores da incapacidade revelada pela esmagadora maior parte das “casas regionais” traduz-se na sua incapacidade de adaptação e relutância demonstrada perante as novas tecnologias. Apesar do elevado número de associações regionalistas existentes, é escasso o número daquelas que utilizam eficazmente este meio de comunicação. E, contudo, o Portal do Folclore inclui um sítio especialmente dedicado ao regionalismo, em Portugal e no mundo, assumindo-se simultaneamente como o Portal do Regionalismo Português.

A generalidade das “casas regionais” continua a trabalhar da mesma forma como sempre o fizeram, quase nos mesmos moldes em que vêm atuando desde que, no início do século XX, foram constituídas as primeiras associações. Em muitos casos, a sua atividade cinge-se à realização do almoço anual, ao funcionamento de um bar por vezes concessionado em descarada concorrência com a atividade hoteleira que é submetida a tributação para as finanças, à realização de um “piquenique” e por vezes de provas desportivas. São escassas as associações regionalistas que possuem agrupamento folclórico ou de música tradicional. A realização de exposições, debates, organização de estudos, atividade cultural ainda não entraram verdadeiramente nos seus hábitos.

Os descendentes daqueles que um dia foram forçados a abandonar os campos para trabalharem na cidade, os jovens que já nasceram no meio urbano e beneficiaram de outra formação, constituem um potencial humano que pode assegurar a continuidade das associações regionalistas, conferindo-lhes novas perspetivas. Porém, se tal não vier a suceder, o regionalismo em Lisboa tenderá a extinguir-se muito rapidamente e, a comprovar esse presságio, existem já vários casos de dissolução de casas regionais, algumas delas de constituição recente.

MUDANÇA DA HORA LEGAL

No próximo domingo, 25 de março, às 0100 UTC (0100 no Continente/Madeira e 0000 nos Açores) a hora legal será alterada, devendo os relógios ser adiantados 60 minutos.

Passaremos ao fuso -1 ou Alfa no Continente/Madeira e ao fuso 0 ou Zulu nos Açores.

Assim, a noite de sábado para domingo será uma hora mais curta, pelo que se sugere atenção a este facto para qualquer compromisso que exista para a manhã de domingo.

GUIMARÃES: A SOCIEDADE ELEGANTE NAS CALDAS DAS TAIPAS EM 1922

As Caldas das Taipas, em Caldelas, no Concelho de Guimarães, foi desde os finais do século XIX o destino de eleição da “sociedade elegante” da época ou seja, da burguesia emergente que procurava sobretudo nas estâncias termais local privilegiado de convívio social.

A revista “Ilustração Portugueza”, destinada a um público letrado e com determinado nível social ao qual procurava chegar com as novas ideias republicanas, também nos dava conta do seu modo de vida, um tanto ao jeito do que atualmente se designa por “imprensa cor-de-rosa”. Com o título “Um Arraial Minhoto – Festa de beleza e bondade”, aquela publicação dá-nos conta, na sua edição de 2 de Setembro de 1922, de uma festa social então ocorrida em Caldas das Taipas, identificando muitos dos seus organizadores entre os quais reconhecemos diversos nomes que ainda perduram na sociedade minhota.

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(Senhoras organisadoras da festa) – Em pé; (Da esquerda para a direita): D. Maria Augusta Costa e Silva, D. Maria Correia, D. Irene Monteiro de Azevedo, D. Luiza Costa e Silva, D. Celeste de Azevedo Fernandes, D. Antónia Costa e Silva, D. Irene Coimbra, D. Laurinda Soares, D. Judit Coimbra, D. Maria Helena Freitas Ribeiro, D. Maria Aydée Reis, D. Clarinda Pinheiro, D. Berta Moreira da Silva, D. Otília Soares, D. Branca Valente Perfeito, D. Maria Camila Valente Perfeito e D. Gracinda Barros.

Sentadas: - D. Maria Amélia Ferreira, D. Alda Regina Santos, D. Ema Freitas Ribeiro, D. Maria Emília Pinto Fernandes, D. Amália Nunes da Costa, D. Emília Costa e Silva, D. Maria Amália Fernandes Borges, D. Maria Julia Coimbra, D. Maria Alice Freitas Ribeiro, D. Alcina Quintela, D. Odete Ribeiro, D. Ester Guimarães, D. Alda Coimbra, D. Dinorah Branco e D. Maria do Céu Cupertina de Miranda.

UM ARRAIAL MINHOTO

Festa de Beleza e Bondade

O lisboeta decerto, não conhece esse florido recanto minhoto que se denomina Caldas das Taipas, e de que tanto se enamorou Camilo que o recorda e descreve em muitas das suas obras, fazendo-o teatro dum dos seus mais belos romances. É uma pequena estância de águas, a meio caminho de Braga e de Guimarães, e a que a falta de comunicações dificulta o acesso, como acontece, de resto, a Caldelas, ao Gerez e a tantas outras estações de cura e repouso.

Não obstante, nas Caldas das Taipas, fervilha agora uma colónia densa de damas e cavalheiros que do Porto e outras povoações do Norte ali acodem, na esperança de recompor o organismo e retemperar o espírito. E conseguem geralmente realisar esse “desideratum”, não sabemos se por virtude das águas, se pela pureza dos ares, ou até por se deliciarem, pous que lá devem aparecer bons apreciadores, com a ingestão do mais saboroso vinho verde que se produz em terras do Minho.

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Namorados – a srª D. Branca Valente Perfeito e seu esposo, sr. Salviano Valente Perfeito

Não há ali, porém, outras distracções que não sejam os longos passeios por montes e vales, deleitando a vista com paisagens de magia e panoramas de encantamento, ou as festas e reuniões familiares que organizam grupos de aquistas, como esse “arraial minhoto” há dias realisado, e que revestiu um brilhantismo extraordinário.

Inspirou-o uma ideia nobilitante e humanitária: socorrer a pobreza local. E os resultados corresponderam plenamente à expectativa, reunindo-se alguns milhares de escudos que foram minorar a desventura de algumas dezenas de infelizes.

O que se deu, de resto, nas Caldas das Taipas, acontece em muitas praias e termas portuguesas onde se costuma reunir nesta época a gente mais abastada. Entre os prazeres que se proporcionam todos aqueles a quem a fortuna bafeja, não costumam esquecer as rudes necessidades que atravessam os desprotegidos da sorte. Fazem-no por snobismo, por vaidade, para ostentação da sua riqueza? Não acreditamos. Longe dos ares empestados da cidade, fóra do âmbito estreito em que se degladiam as paixões políticas, na alma d’essa gente, fundamentalmente boa e caritativa, brota a flôr pubera de sensibilidade, espargindo por toda a parte aromas de beleza e de bem-estar.

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Barraca de Caldo Verde, servido pelas srªs D. Ester Guimarães, D. Maria Amália Fernandes Braga, D. Otília Rocha Gomes e D. Maria Julia Coimbra

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Venda de bombons

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O buffete dirigido pela srª D. Maria do Ceu Cupertino de Miranda

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(Cavalheiros organizadores da festa). – Em pé: (Da esquerda para a direita): - Salviano Valente Perfeito, Francisco Viana, Fernando Guimarães, João Valente Perfeito, Raul Pereira da Costa e Antonio Sardinha. Sentados: - Armando Branco, Joaquim Moreira da Silva, Filipe Fernandes Braga, Amadeu Coimbra, Abílio Figueiredo, Jorge de Macedo, Adolfo Sardinha e Artur Cupertino de Miranda.

A CONCERTINA É INSEPARÁVEL DO MINHOTO

Para onde quer que vá, o minhoto leva consigo a concertina. Mesmo quando emigra para terras distantes, é a concertina que o ajuda a manter viva a sua alma alegre e jovial.

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Nos tempos mais difíceis e em momentos penosos como os que ocorreram desde a segunda metade do século dezanove e que os levava a embarcarem clandestinamente nos porões dos navios rumo ao Brasil, por vezes na miragem do enriquecimento rápido, era ainda a concertina que afagava as tristezas de uma existência difícil e lhes redobrava as energias com seus acordes vivos que logo os predispunham para dançar o vira e a chula, a gota e o picadinho. E essa alegria contagiante do minhoto depressa envolvia outros portugueses que partilhavam a mesma sorte de emigrante e assim, à volta de uma concertina, todos se sentiam como fazendo parte da mesma família que é, afinal de contas, o verdadeiro significado do conceito de nação.

A concertina é um instrumento popular que teve a sua origem na Europa por volta de 1830 e faz parte dos membrafones ou seja, dos instrumentos musicais que produzem o seu som graças à actuação de uma membrana. Estou convencido de que não existe método nem escola para se proceder à sua aprendizagem, facto que tem sido responsável pela sua gradual substituição pelo acordeão nos últimos tempos, sobretudo entre os grupos folclóricos portugueses. Não obstante e apesar da sua leve aparência, o acordeão produz uma sonoridade completamente distinta da concertina, pois tratam-se na realidade de dois instrumentos distintos. No entanto, existem acordeões que possuem como alternância o som da concertina, bastando para o efeito accionar um botão específico. Com efeito, em virtude da evidente falta de tocadores de concertina, muitos grupos folclóricos optam pela substituição deste instrumento pelo acordeão, o que se na realidade não satisfaz constitui por vezes a única forma de viabilizar a existência desses agrupamentos.

A ameaça de desaparecimento da concertina coloca um problema sério principalmente ao folclore, sobretudo da região de Entre-o-Douro-e-Minho. É que, sem o toque da concertina desaparece toda a sonoridade que caracteriza a música desta região e tudo se altera, como se o minhoto perdesse a sua pronúncia característica ou a música tradicional passasse a ser interpretada por meio de modernos instrumentos electrónicos. É que, por melhor executada que fosse, o vira jamais seria o mesmo!

A preservação do uso e conhecimento da concertina coloca um problema sério aos grupos folclóricos e, em geral a todos aqueles que desejam manter vivas as nossas tradições populares. Importa saber como poderá manter-se a continuidade da sua utilização sabendo-se que o seu ensino não é ministrado. Naturalmente, a sua aprendizagem pela sensibilidade auditiva passa pela prática do uso nos grupos folclóricos, embora sabendo-se que a formação de um excelente tocador é demorada e coloca algumas dificuldades na própria actuação dos grupos. Mas, entre uma solução atamancada que vai adulterar a sonoridade original da música e a possibilidade de dar continuidade ao emprego da concertina, importa escolher a melhor opção. E essa terá de ser necessariamente a que melhor aproveita ao folclore português.

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/

A FESTA DA ÁRVORE EM VIANA DO CASTELO

O culto da árvore no qual se insere a festa que lhe era dedicada constituiu uma das iniciativas que os republicanos fomentaram com vista à introdução na sociedade portuguesa de novos valores e símbolos com os quais procuraram substituir os valores tradicionais associados à Igreja Católica e ao Cristianismo em geral. Tratava-se, com efeito, de uma campanha de penetração ideológica nos meios rurais, promovida pela própria maçonaria, utilizando para esse meio os seus próprios órgãos de propaganda como era o caso do jornal “O Século Agrícola”, suplemento do jornal “O Século” dirigido por Magalhães Lima que, conforme o próprio título sugere, propunha-se promover a secularização da sociedade.

De uma maneira geral, a realização da “festa da árvore” ocorreu nas localidades onde os republicanos dispunham de maior organização, sobretudo nas regiões mais a sul do país. Porém, é sabido que em Viana do Castelo também dispunham de uma certa influência, mantendo inclusive em funcionamento uma loja maçónica – a Loja Fraternidade – com mais de três dezenas de membros.

A revista Ilustração Portugueza, de 30 de março de 1914, dá-nos conta da realização nesse ano da festa da árvore em Viana do Castelo.

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"Em Viana do Castelo a festa da árvore teve o concurso de todas as autoridades civis e militares, escolas oficiais e particulares. No Campo da Agonia foram plantadas duas laranjeiras e duas cerejeiras tendo assistido imenso povo. Falaram o alferes sr. Alpedrinha e o sr. Dr. Rodrigo Abreu sendo o cortejo dirigido pelo capitão sr. Malheiro. As tropas da guarnição da cidade também tomaram parte n’essa encantadora cerimónia em que foi exaltado o culto da árvore que O Século Agrícola tanto tem propagandeado."

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RUSGA DE SÃO VICENTE REALIZA CONFERÊNCIA SOBRE A CHAPELARIA DE BRAGA

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"Chapelarias, chapeleiros e chapéus existiam muitos em Braga" é o tema de mais uma edição de “Serões no Burgo/Tertúlias Rusgueiras” que a Rusga de São Vicente de Braga - Grupo Etnográfico do Baixo Minho leva a efeito.

A iniciativa tem lugar no próximo dia 23 de março, pelas 21h30, na sede social desta associação, sita na Av. Artur Soares (Palhotas), nº 73 em Braga, e tem como convidados o chapeleiro sr. António Costa e o investigador Eduardo Pires Oliveira.

O MINHO NA INTERNET: BRAGA E O VALE DO CÁVADO

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“Braga” é o título de um blogue que integra uma rede de blogues da região do vale do Cávado, concretamente os concelhos de Amares, Póvoa de Lanhoso, Barcelos, Esposende, Póvoa de Lanhoso e Vila Verde.

Com excelente apresentação gráfica e um informação diversificada de interesse regional, não hesitamos em recomendar o acesso ao “Braga” em http://blogdbraga.blogspot.com/

A ideia de construir uma rede de blogues que se dedicam à divulgação das potencialidades da nossa região é a todos os títulos louvável pois existem as maiores vantagens no trabalho em rede.

A SERRAÇÃO DA VELHA ANUNCIA A PRIMAVERA

Sob uma forma mais ou menos cristianizada, os povos modernos preservam tradições cujas origens pagãs atestam a sua antiguidade. São disso exemplo as festas equinociais que anunciam a chegada da Primavera como sucede com o Entrudo e a Páscoa, as fogueiras de São João que celebram o solstício do Verão e ainda as saturnais romanas que foram substituídas pela quadra natalícia. De igual modo, também a Serração da Velha continua a ser celebrada, ainda que por vezes sob a forma cristianizada da "Queima do Judas" como sucede em Ponte de Lima ou ainda com a realização de peditórios, de porta em porta, acompanhado de um cântico, costume esse que apresenta algumas semelhanças com o tradicional cantar das Janeiras, como se verifica nalgumas localidades do concelho de Ourém.

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Através do rito, o ser humano participa na ação criadora dos deuses. Através da Serração da Velha - ritual que invariavelmente tem lugar na quarta-feira da terceira semana da Quaresma - mais não se pretende do que celebrar o renascimento da Natureza e a expulsão dos demónios do Inverno, nomeadamente através de manifestações ruidosas como a utilização de sarroncas, zaquelitraques e outros instrumentos musicais. Ao invés do cristianismo, a crença antiga unia a vida à morte num ciclo de perpetuo renascimento, tal como ao inverno sucede a Primavera. O cristianismo haveria de fazer coincidir a Ressurreição do Senhor com a celebração da Primavera, tal como à data em que ocorriam as saturnais romanas e entre os povos mais antigos tinham lugar os cultos de adoração ao Sol foi atribuído o nascimento de Jesus, sem que no entanto exista qualquer comprovação bíblica.

Nesta quadra, o ovo pascal assume um particular significado por aquilo que simboliza. Tal como o coelho, o ovo representa a fertilidade e o nascimento de uma vida, razão pela qual ele aparece com frequência nos tradicionais folares ou sob a forma de chocolate. Ainda atualmente, é habitual os camponeses da Alemanha enterrarem ovos nos solos agrícolas convencidos de que tal rito é propiciador à fertilidade dos campos. É que os rituais antigos se encontram intimamente ligados ao ciclo de vida dos vegetais.

Apesar de tratarem-se de diferentes versões de uma mesma celebração, os ritos da Serração da Velha e da Queima do Judas apresentam extraordinárias semelhanças, a mais importante das quais constitui a leitura do respetivo testamento que, em ambos os casos, é invariavelmente utilizado como arma de crítica social aceite por todos. Localidades existem em que esta função se apresenta sob a forma e designação de "pulhas". Tal como o jejum observado por cristãos durante a Quaresma e pelos muçulmanos no Ramadão pretende purificar o corpo e a alma do indivíduo, a crítica subjacente ao "Testamento" lido na Queima do Judas ou na Serração da Velha procura corrigir certos defeitos conhecidos entre a comunidade.

O folclore não compreende unicamente as formas de cantar e bailar do povo mas ainda as suas crenças e costumes mais genuínos. Os grupos folclóricos dignos desse nome devem saber preservar tais tradições, através da sua reconstituição em cenários tão reais quanto possíveis. E, sobretudo, devem evitar que esses costumes e o respetivo cancioneiro caia no esquecimento, nomeadamente fazendo a recolha e procedendo à respetiva publicação. Quando assim procederem, terão feito um excelente trabalho em prol do folclore da sua região, merecedor do reconhecimento público

GOMES, Carlos. A Serração da Velha. http://www.folclore-online.com/

MATANÇA DO PORCO JUNTA COURENSES EM LISBOA

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A Casa Courense em Lisboa é uma associação regionalista que representa em Lisboa o concelho de Paredes de Coura (concelho do interior do Alto Minho). Fundada em 8 de Maio de 1990 está localizada na Rua General Taborda, nº 18, porta 7 em Campolide, Lisboa.

Tendo por objetivo a promoção cultural, recreativa e desportiva dos seus associados, a divulgação dos usos e costumes da nossa região e das suas gentes, a nossa instituição com cerca de um milhar de sócios, tem-se preocupado em manter viva as tradições courenses e os laços (ainda) mais fortes.

Com um planeamento diversificado durante todo o ano, desde colheitas de sangue em parceira com a ADASPACO e o Instituto Português de Sangue, sardinhadas na altura dos santos populares, magusto, torneios de sueca e futsal e almoço comemorativos...a Casa Courense tem desenvolvido um esforço para agradar a todas as gerações e gostos.

No próximo dia 25.03.2012 realizar-se-á mais um afamado Almoço da Matança do Porco. Se for à semelhança de anos transatos a sala encher-se-á e a iguaria transportará todos para as aldeias em que a matança do porco era altura de reunir a família e ainda assim um dia de festa.

Patrícia Rodrigues

CÂMARA MUNICIPAL DE PAREDES DE COURA PEDIU AUTORIZAÇÃO AO PARLAMENTO PARA UTILIZAR O “FUNDO ESPECIAL DA VIAÇÃO”

Em 1884, a Câmara Municipal de Paredes de Coura enviou à Câmara dos Senhores Deputados da Nação Portugueza “auctorisação para aproveitar do fundo especial da viação o saldo de 1:865$5l8 réis da conta do exercicio de 1882, e bem assim a quantia de 600$000 réis em cada um dos cinco annos a contar do presente, para occorrer ás despezas necessarias com a instrucção primaria e outros melhoramentos de reconhecida urgencia do municipio.

A representação foi feita pelo deputado Miguel Dantas na sessão de 23 de janeiro daquele ano e “enviada ás commissões de administração e de obras publicas”. Presidiu à sessão Luiz Frederico de Uivar Gomes da Costa e secretariou Francisco Augusto Florido de Mouta e Vasconcellos e Augusto Cesar Ferreira de Mesquita.

Do Diário da Câmara dos Senhores Deputados da Nação Portugueza transcreve-se o conteúdo da referida representação respeitando-se a grafia da época.

E N.° 1

Senhores deputados da nação portugueza. - A camara municipal do concelho de Paredes do Coura, districto administrativo de Vianna do Castello, vem perante vós representar sobre a imperiosa necessidade e grande conveniencia para este concelho, de ser nesta sessão legislativa proposta e approvada uma lei que auctorise esta camara a desviar do cofre da viação o saldo existente em 31 de dezembro de 1882, na importancia de 1:865$518 réis, e applicar do mesmo cofre a quantia annual de 600&000 réis, durante os annos de 1884 a 1888, ás despezas de instrucção primaria e de alguns melhoramentos indispensaveis e de urgente necessidade n'esta villa; porquanto, tendo este concelho actualmente seis cadeiras apenas de instrucção primaria para as vinte e uma freguezias, de que elle se compõe, foi preciso, ainda assim, para custear a despeza das mesmas, elevar a percentagem da contribuição directa municipal de 40 a 40 por cento das contribuições geraes do estado; e tendo esta camara o maximo empenho em crear immediatamente outras seis cadeiras, completando assim desde já ao plano provisorio da instrucção primaria n'este concelho, como é de grande e inadiavel necessidade; tendo tambem esta camara de concluir as obras do novo edifício do tribunal e paços do concelho, cuja despeza excede a 6:000$000 réis; tendo ainda de proceder, talvez em breve á construcção de uma cadeira com as condições precisas de hygiene, capacidade e segurança, que ao actual não tem; e finalmente ao abastecimento de aguas n'esta villa, que d'ellas está quasi totalmente desprovida, assim como a outros melhoramentos indispensaveis, não tem esta camara os meios precisos para occorrer a taes despezas, nem fontes de receita, de que possa valer-se, por se acharem quasi esgotadas, e já demasiado elevada a percentagem da contribuição directa; por isso, e attendendo a que se acha concluida a estrada municipal desta villa á de Ponte de Lima, construida a expensas d'esta camara na parte correspondente a este concelho; que este se acha ligado com o caminho de ferro do Minho na estação de S. Pedro da Torre, pela estrada real n.° 24, que se acha igualmente ligado com a villa de Caminha pela estrada districtal n.° 1, e que mais tarde a ligará com os concelhos de Monsão e Arcos de Valle de Vez; tendo-se finalmente mandado proceder aos estudos da estrada real de Ponte de Lima a Valença, que se acha, já construida até ao local das Pedras Finas, e que tem de atravessar este concelho pelo lado occidental, não precisa esta camara do construir, por emquanto, estrada alguma municipal, e podem por isso ser applicados com mais proveito para este concelho o saldo existente e os rendimentos da viação municipal, durante aquelle praso de tempo, á instrucção primaria e melhoramentos locaes de reconhecida o urgente necessidade; por isso - P. aos srs. deputados se dignem attender-lhe, como é de justiça e provada necessidade.- E. R. M.cê. - Camara municipal do concelho do Paredes de Coura, 5 de janeiro de 1884. - (Seguem-se as assignaturas.)

SERÁ A DEFESA DA AUTÊNTICIDADE NO FOLCLORE UMA CAUSA PERDIDA?

A preocupação relativamente à necessidade de se preservar a autenticidade dos usos e costumes do povo na representação dos grupos folclóricos parece ser uma batalha perdida. Em regra, não se realiza a pesquisa nem o estudo, não se investiga nem questiona, apenas se limita a copiar aquilo que já está feito e é apresentado por outros grupos folclóricos, atuais ou já extintos. Tudo o que alguma vez foi apresentado e até elogiado é tido como uma referência inquestionável.

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Quando o erro é por demais evidente e fica demonstrado, por maior que seja a insistência com que o mesmo é apontado, não se vê na maioria das vezes qualquer vontade em corrigi-lo. Pior ainda, qualquer reparo que possa ser feito é encarado como um ato de agressão e jamais como uma crítica construtiva: os grupos fecham-se sobre si em atitude de defesa e repelem o que consideram uma investida.

Desde os começos do século XX até aos nossos dias, o folclore foi absorvendo uma série de alterações provocadas por razões económicas, sociais e até políticas. O particular empenho do Estado Novo neste domínio, nomeadamente através das Casas do Povo, da FNAT e da Mocidade Portuguesa deixou marcas de tal forma profundas que, salvo raras exceções, os atuais grupos folclóricos tornaram-se herdeiros dessa tradição, convencidos de que aquilo que representam é o mais genuíno da cultura popular portuguesa.

Pode utilizar-se botões de plástico, calçado de sola de borracha, chapéu à toureiro, elásticos nas chinelas, saias curtas, lenços à cintura, autocolantes, lenços tabaqueiros ao pescoço, pompons nas castanholas, óculos modernos e outras fantasias e, ao mesmo tempo, afirmar-se que se estão a representar costumes dos finais do século XIX, o que há de mais genuíno no folclore, não raras as vezes interpretado por grupos que se apresentam muito bem fardados como se um grupo de majoretes se tratasse. O mesmo se verifica em relação às denominações frequentemente escolhidas para identificar os grupos, à área de representação que procuram abranger, à estilização das danças, adulteração dos trajes, ao ritmo acelerado da atuação, exibicionismo, coreografias inventadas, quadros pretensamente etnográficos ao jeito das rábulas de Parque Mayer e inclusão de músicas e cantigas que nada têm a ver com o folclore mas que são úteis para a realização do espetáculo.

E porque de um espetáculo se trata, a autenticidade é frequentemente preterida em proveito do elemento lúdico. Mais ainda, a produção de um bom espetáculo de folclore, um tanto ao jeito das casas típicas onde se exibe folclore para turistas, constitui uma forma de garantir bons contratos para atuações sem os quais não há folclore para ninguém… ele é o saber do povo mas os grupos necessitam de receitas para sobreviver e alguns artistas não trabalham sem remuneração, como sucede frequentemente com alguns ensaiadores e tocadores de concertina e acordeão!

Mau grado o panorama a que se assiste no associativismo folclórico, muitos grupos consideram-se sem mácula e, por conseguinte, sem qualquer necessidade de proceder a eventuais correções ou melhorias. Mais ainda, porque a filiação na Federação do Folclore Português é, em grande medida, encarada como uma espécie de certificado de garantia, todos os grupos ditos folclóricos, por mais coxos que se apresentem, arrogam-se no direito de serem filiados naquele organismo, representando a sua recusa uma tremenda injustiça e originando uma profunda frustração.

A realidade acaba sempre por sobrepor-se à nossa vontade. De nada serve procurarmos questionar aquilo que representamos se ninguém está interessado sequer em analisar, debater, partilhar conhecimentos, quanto mais em alterar seja o que for. Ainda que adulterado, o folclore é algo que nos anima:

- Siga a rusga!

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/

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GALICIA, UNHA HOMENAXE AO FADO

17 de Marzo, na Xuventude da Galiza - Centro Galego de Lisboa

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Noite de FADOS, actuacion de Grandes Músicos e Fadistas

O FADO, xa forma parte do Patrimonoio Mundial, da UNESCO

A Galicia e os Galegoss tamen queren sumarse a este gran premio de PATRIMÓNIO INMATERIAL otargado pola UNESCO

Dia 17 de Marzo, a partir das 20:30 GRANDE NOITE DE FADO, na Xuventude da Galiza - Centro Galego de Lisboa

- Entrada Libré

- SERVICIO DE BAR

(VIÑO, CALDO VERDE, CHOURIZO ASADO)

- Non perdas, unha noite chea de sorpresas

PAREDES DE COURA: ESCOLA PROFISSIONAL DO ALTO MINHO INTERIOR PROMOVE FÉRIAS DESPORTIVAS

A Escola Profissional do Alto Minho Interior promove nos próximos dias 27, 28 e 29 de Março mais uma edição do programa Férias Desportivas EPRAMI. O objetivo é fomentar nos jovens o gosto pela prática desportiva, através da descoberta de novas modalidades e ocupar o período de férias da Páscoa com atividades saudáveis, prestando, desta forma, um serviço útil às famílias.

A iniciativa decorre nos três polos da Escola Profissional, em Paredes de Coura, Monção e Melgaço, e inclui atividades como Natação, Jogos Tradicionais, Ténis de Mesa, Canoagem, BTT, Futebol e Voleibol. Do programa das Férias Desportivas, fazem ainda parte atividades nas oficinas e laboratórios da Escola que, à semelhança do que acontece com as atividades desportivas, são acompanhadas por professores e funcionários da EPRAMI.

As Férias Desportivas têm como destinatários jovens com idades compreendidas entre os 13 e os 15 anos. A alimentação e o transporte são gratuitos. As inscrições estão abertas até ao próximo dia 23 de Março na secretaria da EPRAMI.

PAREDES DE COURA CONVIDA A PERCURSO PEDESTRE PELO CORNO DO BICO

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Moinho em Parada

O Município de Paredes de Coura organiza no próximo dia 18, a partir das 9 horas, o percurso pedestre “Trilho dos Moinhos”.

Este percurso constitui um itinerário interpretativo do território da Paisagem Protegida do Corno de Bico e envolve as freguesias de Parada e Vascões dando a conhecer o património arqueológico, etnográfico e natural deste território.

Com uma distância de 8 km a percorrer, tem um grau de dificuldade reduzido e uma duração de 3h30m. O local da concentração é a antiga Colónia Agrícola de Chã de Lamas, em Vascões.

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Chã de Lamas, em Vascões

SANTUÁRIOS DO MINHO DEVIAM DAR-SE A CONHECER JUNTO DOS PEREGRINOS QUE VÃO A FÁTIMA

O Minho deve equacionar a possibilidade de instalar representações condignas em Lisboa, Fátima e noutros locais para se dar a conhecer e encaminhar para a nossa região muitos dos turistas que visitam o nosso país.

Desde o Bom Jesus do Monte em Braga à Senhora da Peneda em Arcos de Valdevez, de S. Bento da Porta Aberta em Terras de Bouro ao S. João d’Arga em Caminha, a nossa região possui muitos dos magníficos santuários que existem em Portugal. Acresce a isso o fato do Minho ser a terra das grandes festas e romarias, de celebrações religiosas plenas de devoção e grandiosidade como as que se realizam por altura da Páscoa.

Todos os anos, milhares de turistas nacionais e estrangeiros afluem ao Minho para assistirem às Gualterianas em Guimarães e às festas da Senhora d’Agonia, em Viana do Castelo. Com efeito, este constitui um dos principais segmentos turismo da nossa região que, não obstante o desenvolvimento de outras áreas como a gastronomia e o turismo rural e de habitação, jamais pode ser descurado. Antes pelo contrário, o turismo religioso deve ser inserido no contexto de uma oferta diversificada que uma região como o Minho tem condições para proporcionar.

Sendo Lisboa a principal porta de entrada no país da maior parte do turismo estrangeiro e constituindo o Santuário de Fátima um dos principais pontos turísticos do país para onde se dirige a esmagadora maioria dos peregrinos, deve ser equacionada a possibilidade de nesses locais serem instaladas representações condignas que possam informar e encaminhar para a nossa região muitos daqueles que nos visitam. Provavelmente, muitos peregrinos teriam o maior interesse em visitar alguns dos santuários existentes na nossa região se para tal fossem convenientemente orientados. O mesmo se passa em relação aos cidadãos estrangeiros que chegam a Lisboa com um destino limitado aos pontos turísticos mais divulgados.

Pese embora as sub-regiões que por vezes se pretendem artificialmente estabelecer à semelhança da tradicional divisão da propriedade rústica, o Minho possui uma identidade própria que deve ser mantida e divulgada de uma forma integrada, não apenas como forma de rentabilizar os recursos disponíveis mas sobretudo pela sua eficácia. O Minho necessita de se dar a conhecer fora de portas e isso passa também pelo estabelecimento de representações que, de uma forma profissional, promovam a nossa região nas mais variadas vertentes. A constituição de tais representações só será possível com a conjugação de esforços das mais diversas entidades, desde as autarquias e as empresas às regiões de turismo e organismos culturais e religiosos.

Carlos Gomes

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CASA DO CONCELHO DE PONTE DA BARCA FOI FUNDADA EM LISBOA HÁ 20 ANOS!

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A imagem regista o acto de celebração da escritura notarial da constituição da Casa do Concelho de Ponte da Barca, em Lisboa.

Passam precisamente vinte anos desde que um grupo de naturais e amigos de Ponte da Barca constituiu em Lisboa a sua associação regionalista – a Casa do Concelho de Ponte da Barca. A decisão de procederem à sua criação partiu da vontade expressa dos naturais daquele concelho minhoto que se reuniram algum tempo antes nas instalações da Casa do Concelho de Arcos de Valdevez, junto à Sé Catedral de Lisboa.

Esta foi a quarta associação regionalista de âmbito concelhio criada em Lisboa, após o aparecimento das casas regionais de Arcos de Valdevez, Valença e Ponte de Lima.

Duas décadas após a constituição legal da Casa do Concelho de Ponte da Barca, desconhece-se a existência de iniciativas que a mesma venha realizando, o que vem reforçar a ideia de que o associativismo regionalista em Lisboa está a atravessar um período de declínio, marcado pelas transformações sociais e por uma crise de identidade, verificando-se a necessidade de repensar o seu futuro e possível continuidade.

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Os fundadores da Casa do Concelho de Ponte da Barca no momento em que procediam à celebração da sua escritura notarial.

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Alguns meses após a sua constituição, centenas de naturais de Ponte da Barca reuniram-se em Lisboa no I Almoço Barquense.

PAREDES DE COURA: LIVRO “REPUBLICANAS QUASE DESCONHECIDAS" TEM LANÇAMENTO NO ARQUIVO MUNICIPAL

O Arquivo Municipal de Paredes de Coura promove, no próximo dia 17 de Março, pelas 15 horas e 30 minutos, na sala de leitura, a sessão de lançamento do livro “Republicanas Quase Desconhecidas”, da autoria de Fina d’Armada. A apresentação da obra, editada pela “Temas e Debates”, no final de 2011 - revela a história de republicanas oriundas de 33 concelhos do país - ficará a cargo da doutoranda da Universidade do Minho, Aurora Botão Rego.

Seguidamente, a autora proferirá uma conferência intitulada “Mulheres Republicanas e Paredes de Coura”, em que ressaltará o papel desempenhado por mulheres ligadas ao concelho, em prol da implantação e consolidação do novo sistema político. Falará de D. Elzira Dantas Machado, filha do Conselheiro Miguel Dantas, unida em matrimónio com o estadista Bernardino Machado, duas vezes Presidente da República, de suas filhas republicanas que também circularam por Paredes de Coura, e sobretudo de Licínia Dantas Lemos, prima de Elzira e esposa de Júlio de Lemos, que participou ativamente na proclamação da República.

Natural de Riba de Âncora, concelho de Caminha, mestre em Estudos sobre as Mulheres, Fina d’Armada tem focado a sua investigação científica na história dos descobrimentos, história local e fenomenologia. ”Mulheres Navegantes no Tempo de Vasco da Gama”, da editora Ésquilo (2006), é um título paradigmático por entre a bibliografia publicada, galardoado com o prémio “Mulher Investigação Carolina Michaelis de Vasconcelos 2005”.

Para além de historiadora, Fina d’Armada é ainda cronista, com vastíssimos artigos publicados na imprensa portuguesa, e poetisa. Na vertente literária, integra a “Antologia de Poetas do Alto Minho”, o “Dicionário de Mulheres Rebeldes”, o “Dicionário Antológico de Artes e Letras de Gondomar”, e em Espanha, o “Dicionário Internacional de Arte e Literatura”, bem como o de “Letras de Fronteira do Val do Miño Transfonteirizo”, de autores minhotos e galegos.

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