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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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VIANA DO CASTELO: MUSEU DO TRAJE APRESENTA “GLOSSÁRIO DO USO DO OURO NO NORTE DE PORTUGAL”

“Glossário do Uso do Ouro no Norte de Portugal” é o título da obra de Maria dos Santos Mota cujo lançamento vai ter lugar no próximo dia 3 de março, pelas 17 horas, no Museu do Traje de Viana do Castelo. A iniciativa é da Câmara Municipal de Viana do Castelo e do Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa. A apresentação será feita pelo Prof. Doutor Gonçalo de Vasconcelos e Sousa, Professor Catedrático da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa e Diretor do CIONP – Centro Interpretativo da ourivesaria do Norte de Portugal.

Na ocasião serão apresentados os vídeos “O ouro nas Festas da Senhora da Agonia em Viana do Castelo” e “As Filigranas de Gondomar e da Póvoa de Lanhoso”, da responsabilidade do CIONP- CITAR / Escola das Artes-UCP. Pode ainda ser visitada a Sala do Ouro, instalada no Museu, no cofre do antigo Banco de Portugal, com a coleção de peças de ouro popular doada da Fundação Eduardo Freitas. 

A autora tem desenvolvido um grande trabalhado de investigação sobre a temática do ouro popular do Norte de Portugal e é a autora de “O uso do ouro nas Festas da Senhora d’Agonia em Viana do Castelo”, obra que também foi apresentada no Museu do Traje em Agosto do ano passado.

O livro é uma edição da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa / CITAR e do Centro de Centro Interpretativo da Ourivesaria do Norte de Portugal / CIONP.

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BRASIL: MINHOTOS FAZEM ARRAIAL NO RIO DE JANEIRO

A Casa do Minho no Rio de Janeiro leva a efeito no próximo dia 3 de Março um grandioso arraial minhoto, por sinal a mais grandiosa e típica festa minhota em terras brasileiras. Trata-se da “Quinta de Santoínho”, uma denominação que os nossos conterrâneos adotaram evocando o espaço de animação existente em Darque, no Concelho de Viana do Castelo.

Esta iniciativa vem realizando-se ininterruptamente, todos os meses, desde 1979 e conta habitualmente com a animação do Rancho Folclórico Maria da Fonte, cabeçudos e gigantones. Os visitantes têm à sua disposição sardinha assada na brasa, pão de milho, caldo verde e vinho à descrição. É uma festa minhota!

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PAREDES DE COURA: MUSEU REGIONAL PROMOVE DOÇARIA TRADICIONAL

Com o objetivo de preservar e divulgar as nossas tradições gastronómicas, mormente a doçaria tradicional, vai o Museu Regional de Paredes de Coura organizar mais um dos seus habituais lanches, o qual terá lugar no próximo sábado, dia 3 de março, pelas 15h30.

Helena Barbosa

Na foto, Helena Barbosa vai dar a conhecer as delícias das compotas de fruta de Paredes de Coura

A organização conta com o apoio de Helena Barbosa residente no lugar de Requeijada, freguesia de Bico, em Paredes de Coura. E promete uma surpresa deliciosa para quem visitar o museu nesse dia…

A entrada é gratuita.

Museu Regional de Paredes de Coura

Morada: Rua Aquilino Ribeiro 4490-525 PAREDES DE COURA

Correio Electrónico: museu@cm-paredes-coura.pt

Telefone: +351251780122

Museu Regional

A INDÚSTRIA CHAPELEIRA E O TRAJE DO MINHO

A fotografia constitui uma das fontes documentais não apenas para quem estuda os acontecimentos da História contemporânea como também para quem procura com algum rigor conhecer os usos e costumes desde meados do século XIX, nomeadamente aspetos relacionados com o traje utilizado à época. Porém, o aparecimento da fotografia coincide com a industrialização dos processos de produção que levaram a uma inevitável alteração de hábitos e a uma padronização cada vez maior no modo de vestir.

Feira e Romaria de Nossa Senhora da Agonia, em Viana do Castelo, da autoria de Alfredo de Moraes.

Primitivamente, a produção de vestuário era feita de forma artesanal e, sobretudo nos meios rurais, nem sempre existiam recursos materiais para se poderem adquirir nas feiras que se realizavam nas vilas os tecidos necessários à sua confeção, ao contrário do que sucedia com as classes nobres e abastadas para quem se importavam as mais luxuosas sedas. No campo, cultivava-se o linho que depois se submetia a um laborioso ciclo até ficar pronto para o tear. E era então que o vestuário, de linho, sorrobeco ou outros tecidos adquiria forma: com cores sóbrias ou garridas, com mais ou menos estopa, consoante a sua finalidade, de acordo com a condição da pessoa que o vestia e ainda com as características do clima ou da função, se destinava ao trabalho ou a ser usado em dia festivo. E, tal como acontecia em relação ao vestuário, o mesmo se verificava com outros acessórios, incluindo os que serviam para cobrir a cabeça.

Ainda atualmente é possível encontrar teares sem qualquer utilização desde há imenso tempo, em muitas casas antigas nas aldeias minhotas. E ainda, para quem efetua pesquisas genealógicas, não é raro verificar a profissão de tecedeira nos assentos de batismo outrora lavrados nos cartórios paroquiais do Minho.

Enquanto o lenço servia às mulheres, o trabalhador do campo usava invariavelmente um barrete que se ajustava à cabeça, proporcionava conforto e não dificultava os movimentos, possuindo por vezes outras utilidades como a de esconderijo. Ou então, quando a temperatura o aconselhava, um chapéu de palha que, à semelhança do vestuário, também era construído pelas mãos habilidosas das mulheres. Aliás, é esse talento de artista que levou Ramalho Ortigão, em As Farpas, a caracterizar a mulher e o homem minhotos da seguinte forma:

“O trabalho das rendas basta, por ele só, para criar os hábitos de simetrização, de alinho, de asseio e de esmero, que necessariamente se comunicam da nitidez da operária a tudo que a rodeia – os seus vestidos, a sua casa.

O marido minhoto, por mais boçal e mais grosseiro que seja, tem pela mulher assim produtiva um respeito de subalterno para superior, e não a explora tão rudemente aqui como em outras regiões onde a fêmea do campónio se embrutece de espírito e proporcionalmente de desforma de corpo acompanhando o homem na lavra, na sacha e na escava, acarretando o estrume, rachando a lenha, matando o porco, pegando à soga dos bois ou à rabiça do arado, e fazendo zoar o mangual nas eiras, sob o sol a pino, à malha ciclópica da espiga zaburra”.

Na segunda metade do século XIX, a cidade de Braga destacou-se nomeadamente pela indústria chapeleira localizada sobretudo na Freguesia de São Víctor. Esta indústria haveria mais tarde de se transferir para S. João da Madeira onde, aliás, veio a ser criado o Museu da Chapelaria. Adquiriu então notoriedade o chamado chapéu braguês, de copa alta e aba com cerca de sete centímetros de largura, cuja utilização se generalizou em todo o Minho. Não havia lavrador que, sobretudo em dia de mercado, não ostentasse o seu chapéu fabricado pela conceituada indústria bracarense. E era vê-los, de chapéu na cabeça, com vara de marmeleiro e casaca sobre os ombros a negociar o gado na feira de Ponte de Lima, Barcelos ou noutras localidades, como aliás atestam as fotografias da época. Não admira, pois, que os grupos folclóricos minhotos exibam com maior frequência o chapéu braguês em relação ao barrete, existindo porém alguns que já vão incluindo este na indumentária que exibem.

Noutras regiões do país, também o uso do chapéu se generalizou sob diferentes formas relacionadas nomeadamente com condições climatéricas ou de ordem prática, como sucede com o utilizado pelo maioral ribatejano ou o chapéu de abas largas da região da Estremadura.

Como é sabido, o traje tradicional não escapou à influência das modas das várias épocas nem às fantasias resultantes de uma política de turismo que utilizava o folclore também como atrativo para quem pretendia visitar o país. E, por maioria de razão, o folclore minhoto sofreu os efeitos dessa utilização, levando à assimilação de elementos originariamente estranhos que vieram a perdurar no tempo e a adquirir foros de autenticidade. E, atendendo a que tal situação se verificou principalmente em grupos folclóricos de renome que foram destacados ao tempo do Estado Novo, as adulterações acabaram sendo reproduzidas por outros grupos posteriormente constituídos que tomarem aqueles como referência em vez de procederem à sua própria investigação.

O chapéu braguês constitui precisamente um dos acessórios do traje minhoto que tem sido objeto de adulteração, sobretudo entre os grupos folclóricos da região do Alto Minho. Para além de, na maior parte dos casos já não corresponder ao que era outrora usado, a imaginação e a fantasia levam-no a incluírem nele diferentes adornos e enfeites e até, nalguns casos, irem ao ponto de lhe darem o aspeto do chapéu de toureiro.

Sucede que, para sobreviver, o minhoto ocupava a maior parte do seu tempo na lavoura que era a base do seu sustento. E, assim sendo, não se explica facilmente porque, em muitos grupos, os minhotos aparecem invariavelmente em traje de festa – eles de fato domingueiro e elas com o seu característico “traje à vianesa” – como se tratasse de um povo preguiçoso que mais não soubesse do que cantar e bailar, ao jeito da letra do malhão. Por conseguinte, faltam em muitos grupos folclóricos as figuras que caracterizam as várias atividades da respetiva vivência rural, incluindo o pastor das regiões montanhosas das Argas, da Peneda e do Gerês com as suas coroças de junco.

Pese embora a adoção do chapéu braguês na indumentária exibida pelos grupos folclóricos, ao contrário do que se verifica com o típico barrete camponês, não se trata de um acessório genuíno mas antes um produto da era industrial, a qual veio ameaçar de extinção os antigos costumes rurais que se procuram representar e que acabaria por suscitar a criação de grupos de folclore com o objetivo de preservar as mais genuínas tradições populares, fenómeno este que surge precisamente em Inglaterra e noutros países industrializados.

Carlos Gomes, http://www.folclore-online.com/

PINTORA ESPOSENDENSE RICARDINA SILVA EXPÕE NO ALENTEJO

A pintora esposendense Ricardina Silva vai a partir do próximo dia 3 de Março expor as suas obras em Monsaraz, no Alentejo. A exposição vai ficar patente até ao dia 30 de Março, na Galeria da Igreja de Santiago, sita na Rua de Santiago, naquela vila alentejana, podendo ser visitada todos os dias entre as 10h e as 12h30 e as 14h e as 17h30, com entrada livre.

Intitulada “Imagina, cria, recria e transforma”, Ricardina Silva apresenta ao público novas criações de estilo surrealista, garantindo que pretende prosseguir nessa vertente. As obras são a óleo sobre tela, acrílico e técnica mista.

Ricardina Silva nasceu em Esposende e tem vindo a realizar numerosas exposições um pouco por todo o país, afirmando-se como uma autêntica embaixatriz de Esposende no domínio das artes plásticas. Ainda recentemente fizemos notícia das exposições que efetuou em Ourém, Tomar, Ponte de Lima, Paredes de Coura,  Melgaço e Monção.

Como ela própria refere, “desde tenra idade que adorava desenhar apenas com um lápis e uma folha branca, guardava todos os desenhos num dossiê”. Aos dezassete anos experimentou a pintura sobre tela em acrílico.

Em 2006 realizou a primeira exposição e, a partir de então nunca mais parou. Sucederam-se os concursos e as bienais, passou a experimentar outras técnicas como a pintura a óleo, mista, pastel, aguarela e os desenhos começaram a ser realizados a carvão e grafite.

Para a artista, “cada obra é como um poema harmonioso, de cores luminosas que transparecem num clima rimático e transmitem a paz interior que desejo. Quando realizo um desenho ou uma pintura entrego o meu coração… a minha alma. É como se viajasse para um sítio maravilhoso e mágico, onde não existe o sofrimento, mas sim alegria e cor. Normalmente, para a realização das minhas obras, utilizo diversas técnicas como o óleo, o acrílico e a mista. Apesar do diversificado leque de temáticas que já executei, nas minhas obras a que predomina é a do mar, remontando às minhas origens”.

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D’A MUIÑEIRA

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Foliada em Soutelo (Galiza) por Francisco Sutil

Todal’as moças vêm ò moinho,

Todal’as moças ò moinho vêm,

Vós bem sabendes, moças do Minho,

Vós bem sabendes quem vos quer bem.

 

Tendel’a pele branca, branquinha,

Tendel’os peitos como um limão,

Tendel’a cara cor de farinha,

Tendel’os olhos cor de carvão.

 

Traz de los montes, cor de morango,

Cor de morango vem vindo o sol.

Vamos bailar ao sol o fandango

Com pandeireta e gaita de fol!

 

Gaita, gaitinha, ai! Feiticeira,

Gaita, gaitinha que alegra o sol,

Porque foi feita prà moinheira

É que lhe chamam gaita de fol!...

 

                                     João Verde

ESTAÇÃO RADIO NAVAL ALMIRANTE RAMOS PEREIRA

Com o título em epígrafe, transcrevemos do nosso colega “Vila Praia de Âncora” em http://vilapraiadeancora.blogs.sapo.pt/ com a devida vénia um interessante artigo, devidamente acompanhado de fotos, que retrata bem o estado de abandono em que se encontra o património do Estado numa altura em que os nossos governantes insistem em dar lições de moral aos cidadãos, responsabilizando-os pelo estado em que o país se encontra por alegadamente viverem acima das suas possibilidades. Trata-se de um património que, não tendo qualquer utilidade para a Marinha e para o país como as fotos documentam, bem poderia servir o turismo da nossa região.

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Em passeio domingueiro passei por Apúlia e não pude deixar de ver o lastimável estado de abandono a que chegou a Estação Radio Naval Almirante Ramos Pereira.

Nos anos cinquenta do século passado foi instalada nas terras férteis do concelho de Esposende, uma unidade militar que na época era pomposamente denominada “Estação Rádio Goniométrica Aero Naval de Apúlia”.

Foram expropriados em favor do Estado cerca de 14 hectares de terra arável da melhor qualidade, centenas de pequenas parcelas de terreno, algumas o único património de muitos habitantes de Apúlia. Pelos legítimos donos foram distribuídos alguns míseros tostões, sem direito a reclamação como era timbre no tempo do Estado Novo.

Mesmo os proprietários dos terrenos próximos à zona expropriada foram prejudicados, pois quando necessitaram de construir casas ou anexos, muros ou poços, esbarraram na Lei da Servidão Militar que indeferia invariavelmente as pretensões dos proprietários.

Depois de funcionar cerca de cinquenta anos a Estação Rádio Naval de Apúlia, denominada Almirante Ramos Pereira, foi progressivamente desguarnecida e deixada ao abandono a partir de 2001.

Na parcela edificada existem diversos edifícios de significativo valor arquitetónico com fachadas em granito lavrado em cantaria, que estão sufocados por densa vegetação; as residências literalmente afogadas em silvados que sobem aos telhados; os antigos jardins, as veredas, os espaços desportivos e de lazer, já ninguém sabe onde existiram; a piscina é um viveiro de animais anfíbios; o aquartelamento, o refeitório, as messes, as garagens com as portas abertas; restos de mobiliário e arquivos pelo chão; arruamentos, pavimentos e muros dos edifícios atapetados de silvas.

Entretanto, continua vigente e atualizada a Lei da Servidão Militar, (Decreto nº 19/2002 de 27 de Maio), que continua a condicionar o licenciamento de obras nas imediações.

É óbvio que o facto desta unidade militar ter associado o nome do Almirante Ramos Pereira me incentivou a escrever este artigo indignado, mas penso também nos inúmeros marinheiros que ali prestaram serviço, ali viveram anos a fio, que cuidaram daqueles edifícios e jardins como da sua própria casa se tratasse.

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Haverá alguma política de restruturação militar ou alguma contenção financeira que justifique esta humilhante situação de abandono e desprezo não só pelo património, mas também pelo povo de Apúlia e pela memória de um dos mais ilustres militares e lutador pela democracia?

Fotos de Manuel Moreira

GUIMARÃES: CONFRARIA GASTRONÓMICA DO PÃO-DE-LÓ TRADICIONAL ENTRONIZA D. ISABEL DE BRAGANÇA CONFRADE DE HONRA

Duquesa de Bragança, D. Isabel de Bragança. (Foto: http://www.casarealportuguesa.org/)

A Confraria Gastronómica do Pão-de-ló Tradicional leva a efeito, no próximo dia 17 de Março, o seu 2º Capítulo e Entronização, o qual terá lugar em Guimarães. Na ocasião, a Duquesa de Bragança, D. Isabel de Bragança será entronizada como Confrade de Honra.

O MINHO NA INTERNET: MONÇÃO TEM REPÓRTER

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“Monção Repórter” é um blogue noticioso do concelho de Monção no endereço http://moncaoreporter.blogspot.com/. Trata-se, com efeito, de um jornal regional no formato de um blogue que privilegia a informação e dá a conhecer o seu concelho.

A internet e, mais concretamente, a blogosfera vai sendo cada vez mais utilizada para privilegiar a informação regional e promover a cultura local. O BLOGUE DO MINHO procura dar a conhecer estes blogues que divulgam a nossa região e procura promover a criação de uma rede de blogues informativos minhotos através da permuta de links, incentivando desse modo a divulgação mútua.

LAURINDA FERNANDES DE CARVALHO ARAÚJO: UMA POETISA LIMIANA QUE PERMANECE IGNORADA PELOS SEUS CONTERRÂNEOS

Apesar de contar com vasta obra literária publicada em livro e bastante colaboração dispersa por diversos órgãos da imprensa regional, a poetisa limiana Laurinda Fernandes de Carvalho Araújo permanece ignorada da maior parte dos seus conterrâneos.

Laurinda Fernandes de Carvalho Araújo fazendo a apresentação do seu livro, em Lisboa, em 1987. À direita, na foto, o sr. Dias de Carvalho, de Vitorino das Donas.

Durante vários anos publicou no jornal “O Povo do Lima” a secção “Página Feminina” na qual publicou muitos dos seus poemas, além de outros comentários e artigos sobre os mais variados temas.

Em 1971, publicou os seus primeiros livros de poemas – “Coração que sofre!...” e “Retalhos de Poesia”. Seguiram-se “Apologia de S. Julião de Freixo e Suas damas de Honor”, “Reminiscências do Passado”, “Faúlhas do 25 de Abril”, “Poesias Dispersas”, “Poesias Completas para os meus 13 filhos”, “O Fim da Hospedagem”, “No Crepúsculo”, “Poesias para os meus 30 Netos” e “Galiza – Universidade do seu povo”.

Publicou em prosa “Histórias da Avozinha para os Netos”, “Conversa íntima com os jovens – Noivas e Casadas”, “Monografia de S. Julião de Freixo e Estudo Sucinto de Anais”, “Cartas… Sem Resposta” e “Monografia de S. Eulália de Rio Covo – Barcelos”. Em prosa e verso, “Venha Comigo ao Rio de Janeiro”. E, ainda, em teatro, de parceria com o escritor Afonso do Paço, “O Rosto da Imaginação – Comédia em 3 actos”, “A Gaivota – Comédia infantil em 2 actos” e “Fantasmagorias – Tragi-comédia”.

Em parceria com Afonso do Paço publicou também, em poesia, “Dois Mundos – Rural e Urbano, no espaço Galaico-Minhoto”, cuja capa junto reproduzimos.

A poetisa Laurinda Fernandes de Carvalho Araújo nasceu em S. Julião de Freixo e era professora de Instrução Primária. Entre as entidades a que se encontrava associada, destacamos a Sociedade de Geografia e a Associação Portuguesa de Escritores, Associação de Jornalistas e Homens de Letras, o Centro de Estudos Regionais e o Centro de Estudos Sociais e Etnográficos de Viana do Castelo. Era ainda Sóocia Honorária do Liceu Literário Português e do Real Gabinete Português de Leitura, do Rio de Janeiro.

Transcrevemos alguns versos do seu poema “Dois Mundos – Rural e Urbano, no espaço Galaico-Minhoto”.

                                      Ó Galiza e Minho

                                      Torrões floridos

                                      Por todo o mundo

                                      Vós sois queridos.

                                      Tendes o encanto

                                      Da natureza

                                      Que em vós espalhou

                                      Tanta beleza

                                     

                                      Lindos canteiros

                                      Cheios de flores

                                      Que nos perfumam

                                      Com seus odores.

                                      Todos vos adoram

                                      Com simpatia

                                      Se em vós respiram

                                      Toda a alegria.

                                     

                                      Tenho gravado

                                      Dentro em meu peito

                                      Vossos nomes queridos

                                      Amor perfeito.

                                      Por todo o mundo

                                      Sois apreciados

                                      De vossos países

                                      Os mais belos quadros.

                                      Galiza e Minho

                                      Meu amor primeiro

                                      Sois admirados

                                      Pelo mundo inteiro

A TERRA A QUEM NÃO A TRABALHA: GOVERNO PREPARA-SE PARA TOMAR POSSE DE TERRENOS AGRÍCOLAS ALEGADAMENTE SEM DONO

Em entrevista recente ao jornal “Público”, a ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, Assunção Cristas, declarou que o Ministério da Agricultura está a realizar um cadastro a fim de identificar terras alegadamente sem dono, as quais passarão para a posse do Estado. Segundo a ministra, “o objetivo é identificar o que não tem dono, e o que não tem dono pertence ao Estado”.

Os proprietários são obrigados a proceder ao registo da propriedade na Repartição de Finanças e a assumir os encargos inerentes à sua posse. Não obstante, da entrevista com Assunção Cristas depreende-se que o Estado desconhece a quem pertence a propriedade, razão pela qual está a efetuar o referido cadastro ou seja, mais um a somar aos já existentes ao nível do município e das Finanças.

Em relação aos emigrantes que possuam propriedades, estes terão um prazo para sinalizar a propriedade sob pena das mesmas reverterem para a posse do Estado. À questão colocada pelo jornalista acerca da previsão da conclusão do levantamento a efetuar, a ministra declarou: “Em 15 dias, não… Até porque há muitos portugueses espalhados pelo mundo que têm terras deixadas em heranças e é importante sinalizar isso junto dos consulados e embaixadas, para que as pessoas possam aparecer. A ideia é que, à medida que se vá fazendo o cadastro, e confirmada que não há nenhuma interação com o Estado, dar um prazo para que venham sinalizar a propriedade. Se não vierem, é declarado o seu abandono e é integrada na bolsa de terras”.

Portanto, a partir de agora não basta que os proprietários de terrenos agrícolas ou florestais mantenham o registo da propriedade na Repartição de Finanças e assumam os encargos que lhes são devidos – têm ainda de estar atentos a que não vá o Ministério da Agricultura proceder à sua ocupação!

BAIRRO ESTRELA D’OURO EM LISBOA É UM MONUMENTO AO ESPÍRITO TRABALHADOR DA COMUNIDADE GALEGA

O Bairro Estrela D’Ouro cuja construção remonta aos começos do século XX, é um dos testemunhos exemplares da presença e do espírito empreendedor da comunidade galega em Lisboa. Trata-se de uma antiga vila operária que Agapito Serra Fernandes, um industrial de confeitaria, mandou construir para os seus trabalhadores. Ele próprio residiu no bairro juntamente com os seus familiares.

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Situado em pleno bairro da Graça, próximo de Sapadores e do magnífico miradouro da Senhora do Monte onde se ergue a capela a S. Gens, abrange uma extensa área beneficiando de boa localização, de fácil acesso à zona oriental de Lisboa.

A estrela de cinco pontas constitui a imagem de marca do bairro Estrela d’Ouro, naturalmente um dos símbolos da Galiza em alusão a Compostela, derivando de “campo de estrelas”. Um pouco por toda a parte encontramos a estrela e grandiosos painéis de azulejos que identificam o bairro, o antigo cinema Estrela d’Ouro, a fábrica e outros equipamentos sociais.

Atualmente, este bairro particular está integrado no espaço urbano de Lisboa, fazendo parte do seu património histórico e encontrando-se classificado. Para a comunidade galega radicada na capital, constitui um dos numerosos pontos de referência que possui e que marcam a sua própria existência numa cidade que, afinal de contas, também é a sua cidade.

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Um aspecto da zona da Graça, em Lisboa, junto ao Bairro Estrela D'Ouro

O antigo cinema Estrela D'Ouro, na Graça

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A estrela encontra-se patente na fachada do edifício.

À esquerda, a fábrica que ocupava os operários que vieram habitar o bairro

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A toponímia perpectua os nomes de família dos proprietários do bairro...

...e a estrela de cinco pontas está sempre presente!

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Um painel de azulejos na fachada da sede de uma colectividade...

...e junto àquela que foi a residência de Agapito Serra Fernandes

CENTRO DE MONITORIZAÇÃO E INTERPRETAÇÃO AMBIENTAL DE VIANA DO CASTELO DIVULGA ATIVIDADES A REALIZAR EM MARÇO

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“ALGAS … PARA ESTUDAR E PARA ALIMENTAR”

CONVERSAS DE FIM DE TARDE Convidado: Prof. Leonel Pereira (Universidade de Coimbra)

Data: 2 de Março de 2012, sexta-feira

Entrada livre

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“SILÊNCIOS DE COR”

INAUGURAÇÃO DE EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA

Autora: Fernanda Carvalho

Data: 10 de Março de 2012, Sábado às 11H00

Patente até dia 28 de Abril de 2012

Entrada livre

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“FOTOGRAFAR A NATUREZA EM CASA – o miniestúdio fotográfico”

OFICINA DE APRENDIZAGEM / workshop técnico

Formadores: Pedro Teixeira Gomes (CBMA, SPVS), Flávia Alves e Bruno Ferreira (SPVS) Sociedade Portuguesa da Vida Selvagem; Centro de Biologia Molecular e Ambiente

Data: 17 de Março de 2012, Sábado Horário: 09H00 – 12H00 e 14H00 – 18H00Custo: 10,00 € | requer inscrição prévia

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“SEMANA DA FLORESTA”

COMEMORAÇÃO DE DIAS TEMÁTICOS “Brincar com os sentidos na floresta” (pré-escolar) “A floresta em perigo” (1º ciclo)“Percurso pedestre” (2º e 3º ciclo) Data: 20 a 22 de março de 2012

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“ÁGUA EM DEBATE”

COMEMORAÇÃO DE DIAS TEMÁTICOS

Local: Sociedade de Instrução e Recreio Darquense

Convidados: CMIA e SMSBVC, para alunos do 1º ao 3º ciclo

Organização: Sociedade de Instrução e Recreio Darquense

Data: 22 de março de 2012, quinta-feira; Horário: 09H30 – 16H30

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“ANFÍBIOS E REPTEIS, OBSERVAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO”

OFICINA DE APRENDIZAGEM

Formador: Vasco Cruz Flores (CIBIO / UP)

Organização: Associação Guarda-rios do Lima

Data: 24 de Março de 2012, Sábado Horário: 14H00 (parte teórica em sala), 16H30m – 20H30m (saída de campo) Custo: 7,5 € | requer inscrição prévia

EM 1821, ESPOSENDE FELICITOU AS CORTES GERAES E EXTRAORDINARIAS DA NAÇÃO PORTUGUEZA

Em 9 de Março de 1821, aprovaram as Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, também designadas por “Soberano Congresso”, as “Bases da Constituição” que viriam a dar origem à Constituição de 1822. As Bases da Constituição foram juradas pelo Rei D. João VI quando este regressou do Brasil. Os trabalhos deste parlamento criado na sequência da revolução liberal, decorreram no Palácio das Necessidades, em Lisboa.

Na ocasião, a Câmara Municipal de Esposende endereçou uma carta de felicitações e prestação de homenagem às cortes, a qual foi lida na sessão que teve lugar no dia 18 de Abril de 1821, conforme consta do Diário das Cortes Geraes e Extraordinarias da Nação Portugueza, nº 61 de 24 de Abril daquele ano. Transcreve-se a referida carta mantendo-se a grafia original.

“Senhor. = A Camera desta Villa com seu Presidente em seu Nome, e de todos os Moradores desta Villa, não querendo por mais tempo ter em silencio os puros sentimentos que os anima, tem a honra de cordealmente felicitar a este Soberano Congresso, e a cada hum de seus Distinctos Membros, congratulando-se com a felicidade que a todos resulta das Bases da nossa Constituição Política, como unico fundamento da nossa tão util como necessaria Regeneração.

Deos guarde a Vossa Magestade por dilatados, e felizes annos.

Espozende 10 de Abril de I821. - Presidente, João Bernardino Cardoso de Almeida - Manoel Maciel Ferreira de Araujo - Manoel Joaquim Gonçalves Marques - Antonio José dos Santos Fogaça - José Joaquim Fernandes.”

NAVIO-HOSPITAL GIL EANNES: MEMÓRIA VIVA DA ASSISTÊNCIA À PESCA DO BACALHAU

O Navio-Hospital Gil Eannes foi construído nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo em 1955 tendo como missão, apoiar a frota bacalhoeira nos mares da Terra Nova e Gronelândia.

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A imagem mostra o navio Gil Eanes a sair do porto de Viana do Castelo

Embora a sua principal função fosse prestar assistência hospitalar a todos os pescadores e tripulantes, o Gil Eannes foi também navio capitania, navio correio, navio rebocador e quebra-gelos, garantindo abastecimento de mantimentos, redes, isco e combustível aos navios da pesca do bacalhau.

A partir de 1963 passou a fazer viagens de comércio como navio frigorífico e de passageiros, entre as campanhas de pesca, realizando a sua última viagem de assistência à frota bacalhoeira em 1973, ano em que efetuou uma viagem diplomática ao Brasil como embaixada flutuante de Portugal, nas receções oferecidas pelo então embaixador Prof. José Hermano Saraiva.

Depois de estar parado durante 18 meses, em 1975 iniciou novamente atividade como navio comercial (frigorífico) fazendo cargas regulares de bacalhau seco da Noruega para Lisboa, ao serviço da Comissão Reguladora do Comércio do Bacalhau. Ainda, nesse mesmo ano, foi requisitado pelo Governo Português para participar na independência de Angola, como navio hospital.

Após a chegada de Angola foi novamente armado para efetuar viagens comerciais, tendo navegado pela Noruega, Canadá, Nova Inglaterra, África do Sul, República dos Camarões e Espanha. Entre estas viagens fez algumas paragens para manutenção nos estaleiros de Viana do Castelo e Aveiro.

Terminada a sua atividade em 1984, andou de cais em cais do porto de Lisboa até ser vendido a um sucateiro para abate em 1997, quando já estava profundamente degradado e pilhado de muito do equipamento que o apetrechava.

Perante este inglorioso destino do emblemático navio hospital, a comunidade vianense foi mobilizada, pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, para o trazer à cidade onde nascera, resgatando-o à sucata para ser exposto no porto de mar de Viana do Castelo como memória viva do passado marítimo da cidade e do país.

Em 1997 foi constituída a Comissão Pró-Gil Eannes com o objetivo de angariar os meios financeiros necessários para resgatar o Navio Gil Eannes ao sucateiro que o ía desmantelar. Em 1998, aquela Comissão deu origem à Fundação Gil Eannes, atual proprietária do navio que se propôs transformá-lo num polo de atracão da cidade de Viana do Castelo, tendo sempre presente a transmissão de valores e conhecimentos das artes marítimas aos mais diversos públicos que visitam o navio.

Em Janeiro de 1998 o navio chegou à cidade que o viu nascer, e entrou diretamente nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo para os primeiros trabalhos de limpeza e reabilitação, que contou com o apoio de várias instituições, empresas e cidadãos, criando-se assim as condições de segurança para a sua abertura ao público em Agosto do mesmo ano.

Em 2000, com o apoio da Iniciativa Comunitária Pesca, foram realizadas obras de beneficiação para assegurar o sistema de esgotos, abastecimento de águas, eletricidade e aquecimento, tornando o navio habitável e possibilitando a criação de uma Pousada da Juventude instalada nas antigas enfermarias, um bar/esplanada instalado na zona das copas de mestrança e marinheiros, uma sala de reuniões instalada na antiga sala de jantar dos oficias, uma loja de recordações e gabinete administrativo bem como, uma sala de exposições temporárias instalada na antiga enfermaria dos doentes contagiosos. Durante a criação daqueles serviços, o percurso de visita foi sendo alargado a novos compartimentos do navio que progressivamente foram reabilitados.

Hoje, os visitantes podem "navegar" pela ponte de comando, cozinha, padaria, casa das máquinas, consultório médico, sala de tratamentos, gabinete de radiologia, bloco operatório, diversos camarotes, capela e ainda, aceder a quatro Quiosques Multimédia com diversa informação histórica e fotográfica bem como, simular virtualmente a entrada na barra de Viana do Castelo e atracar o navio na doca comercial daquela cidade através de um Simulador de Navegação instalado no convés superior.

Viana do Castelo, 22 de Fevereiro de 2012

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Fundação Gil Eannes

Navio Gil Eannes

Doca Comercial

4900-321 VIANA DO CASTELO

Tel. 258 809 710

Fax 258 809 719

www.fundacaogileannes.pt

geral@fundacaogileannes.pt

Visitas:

Verão: 9:00h . 19:00h

Inverno: 9:00h . 17:30h

2 N Gil Eannes _funcaohospitalar

O navio Gil Eannes funcionou como hospital de apoio à frota bacalhoeira.

3 N Gil Eannes _funcao assistencia

Graças à assistência dispensada pelo navio Gil Eannes, muitas vidas de pescadores foram salvas.

5 N Gil Eannes_regresso do sucateiro

O navio Gil Eannes quando regressava do sucateiro.

6 N Gil Eannes _entrada docas dos Estaleiros Navai

O navio Gil Eannes quando dava entrada nos estaleiros Navais de Viana do Castelo.

9 N Gil Eannes_atracado doca comercial de Viana do

Após a sua recuperação, o navio Gil Eannes foi transformado em museu e encontra-se atracado na doca comercial de Viana do Castelo.

A imagem mostra o camarote do 2º maquinista restaurado em 2007.

12 Capela Gil Eannes_restaurada2008

A capela foi restaurada em 2008.

13 N Gil Eannes _  sala esterlização_por restaur

A sala de esterelização encontra-se ainda por restaurar...

14 N Gil Eannes _ a sala analises_por restaurar

...o mesmo se verificando em relação à sala de análises.

A casa do leme foi restaurada em 2006.

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O navio Gil Eannes nos mares da Gronelândia.

Fotos: Fundação Gil Eannes

VIANA DO CASTELO E AFIFE HÁ PERTO DE CEM ANOS!

A revista Ilustração Portugueza, de 31 de Março de 1919, publicou um conjunto de fotografias de Afife e Viana do Castelo, uma das quais fazendo ilustração de capa.

Em Afife, de cântaro cheio... numa foto de capa da revista.

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Em Viana do Castelo. Um trecho do mar.

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Em Afife. No Campo.

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Em Viana do Castelo. Vista do porto, vendo-se também à direita a fortaleza.

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Um aspeto do mar em Afife.

O TRAJE REGIONAL NO CARNAVAL ALFACINHA

Durante muito tempo, os trajes regionais foram utilizados como máscaras de Carnaval durante a respectiva época festiva, verificando-se uma especial predilecção pelos garridos trajes minhotos. Crianças e adultos, porventura atraídos pelo seu colorido e pitoresco, passeavam-se pela rua ou acorriam às festas particulares, a maioria das quais promovidas pelas sociedades de recreio, envergando um qualquer traje tradicional a emparceirar com máscaras e uniformes dos mais variados ofícios e profissões.

Este costume teve o seu aparecimento numa altura em que o velho Entrudo popular e trapalhão entrou em declínio para dar lugar a uma festa mais ao gosto da pequena burguesia urbana. Com efeito, ao longo do século XIX, os lisboetas divertiam-se na rua brincando o Carnaval, seguindo os desfiles entre o Passeio Público e o Chiado, prolongando as saturnais festividades até ao seu enterro, ocasião em que o mesmo era representado por um desfile fúnebre onde não faltavam as carpideiras seguindo atrás do defunto Entrudo, palidamente deitado no esquife.

Uma das figuras típicas do Carnaval à época era o célebre peralta, vulgarmente tratado por xé-xé. Tratava-se de personagem um tanto grotesca, com casaca garrida e chapéu bicórnio, de cabeleira e rabicho, de lunetas e empunhando uma enorme faca de madeira, representava um velho a quem tudo lhe era permitido dizer e ridicularizar. Ainda hoje, quando alguém profere afirmações menos sensatas, é habitual dizer-se que está xé-xé.

Pese embora ser frequentemente tida como uma caricatura miguelista, a verdade é que a referida personagem não era minimamente do agrado da burguesia citadina que via nela uma figura brutal e rude, sem maneiras, que não poupava quem quer que fosse com o seu sarcasmo e comentários jocosos. Tal sentimento de repulsa era de igual modo extensível ao próprio Carnaval, considerado bárbaro e de mau gosto, impróprios de uma sociedade que se pretendia civilizada. Ironicamente, a burguesia em ascensão parecia querer reeditar os antigos bailes de máscaras que, no século XVIII tinham lugar corte, com os seus arlequins coloridos divertindo os participantes.

Após a implantação do regime republicano em Portugal, o Carnaval de rua praticamente desapareceu para passar a ser festejado em privado, em casas particulares ou nas sociedades recreativas, aí se realizando os bailes e os concursos de máscaras. Foi ainda neste contexto que surgiu o hábito de eleger a “rainha” da colectividade através de um processo de votação que se traduzia numa interessante fonte de obtenção de receitas, prática que apesar de extemporânea ainda subsiste nalgumas associações.

A preferência pelos trajes regionais como máscaras de Carnaval tem sobretudo a ver com a forma como os costumes populares são encarados por parte de uma burguesia urbana que já então olhava para o folclore como algo curioso e bizarro, com a mesma reacção de surpresa dos exploradores do sertão ao depararem com gente remota. Não admira, pois, o preconceito com que o folclore continua a ser encarado, mormente quando é referido de forma depreciativa, o que não deixa de revelar uma profunda ignorância a seu respeito.

Entretanto, o Carnaval regressou à rua, mas sem o cunho burlesco de outros tempos. Agora, apesar do frio intenso que geralmente se faz sentir por essa altura, o público paga para assistir ao desfile de escolas de samba e garotas admiravelmente despidas, muito ao jeito do Carnaval brasileiro. Nas sociedades recreativas já não se realizam os famosos “bailes da pinhata” e, em relação aos trajes tradicionais, há muito tempo que deixaram de ser usados como máscaras de Carnaval. Para seu ridículo, basta-lhes o uso que alguns ranchos folclóricos fazem dele!

Carlos Gomes, http://www.folclore-online.com/

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COMEÇA AMANHÃ EM GUIMARÃES ROBOPARTY'2012

Começa amanhã em Guimarães e prolonga-se até ao próximo dia 25 de Fevereiro, a 6ª edição da RoboParty’2012, uma iniciativa do Grupo de Automação Controlo e Robótica do Departamento de Electrónica Industrial da Universidade do Minho. Mais de quatro centenas de participantes vão estar presentes no Pavilhão Desportivo da Universidade do Minho, no Campus de Azurém, em Guimarães, para aprenderem a construir robôs móveis e autónomos, de uma forma divertida e assistidos por profissionais com competência.

EM 1970, A ASSEMBLEIA NACIONAL DISCUTE O MINHO E O PARQUE NACIONAL DA PENEDA-GERÊS A PROPÓSITO DA PROTEÇÃO DA NATUREZA

Na sessão de 30 de Abril de 1970 da Assembleia Nacional, foi debatida e aprovada na generalidade a proposta de lei sobre a proteção da Natureza e seus recursos. A sessão em causa foi presidida por Amaral Netto e secretariada por Silva Pereira e Mota Amaral, tendo nela intervindo os deputados Carvalho Conceição e Oliveira Ramos, curiosamente ambos naturais de Braga. O debate centrou-se sobretudo em torno do Minho e, muito particularmente, da criação do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Pelo seu interesse, transcrevemos as referidas passagens do debate, mantendo a grafia original.

 

“O Sr. Carvalho Conceição: - Sr. Presidente, Srs. Deputados: 1970 foi considerado pelo Conselho da Europa, o Ano Mundial da Conservação da Natureza. Porquê este interesse? A simples leitura, dos jornais, de revistas especializados ou de divulgação, dá-nos a resposta: "O homem dominou tão bem a Natureza que está em vias de a mata", como expressivamente se afirma no Courrier, da U. N. E. S. C. O.

De facto. a história mostra-nos a epopeia trágica do homem, conquistando terra ao mar, devassando e derrubando floreias, secando pântanos ou cobrindo com socalcos Cultivados íngremes encostas, estabelecendo-se em zonas tidas, inicialmente por inóspitos, numa palavra, fazendo recuar a Natureza para impor a marca, da sua humanidade.

A Terra povoa-se e desentranha-se em riquezas de toda espécie, sem que no entanto, se evite ver paredes ideais a, opulência e a beleza contrastando com a fome e a fealdade. A mancha, humana alastra pelos continentes, e a técnica de que para esse domínio, se serve o homem arrasta consigo a criação de um ambiente antinatural inclusive, o espectro da inabitabilidade do Globo. Mesmo sem pensar na "bomba", como vulgarmente se diz, a concentração do homem em espaços cada vez mais reduzidos, o ritmo do seu trabalho em cadeias de promoção, em ambiente geral muito degradado, devido ã poluição do ar das águas interiores e do próprio mar, e que, afectando também a flora e a fauna contribuem para pôr em risco a vida dos seres humanos, chamaram a atenção pana o facto de que a, conquista do pão deve ser acompanhada de medida de conservação da Natureza, que são, simultaneamente, estimulo para a luta, inspiração para a alma.

Eis por que, um pouco por toda a parte, se ouviram gritos de alarme e se determinaram medidas destinadas a consciencializar o homem, para os perigos resultantes do desequilíbrio entre o homem e o meio. Entre essas medidas avulta a educação, a realizar através dos órgãos de informação e sobretudo, da escola, em cujos alunos se deve incutir o amor pela, Natureza, mediante os cuidados a ter com os plantas, jardins, arvores, e levando-os mesmo a plantação de flores e arbustos, embelezando a sua escola ou os caminhos que a ela conduzem. Ainda não há muito, gentes de Braga e de Guimarães deram um bom exemplo, florindo as bermas da estrada que une as duas cidades minhotas. As próprias autarquias locais muito podem fazer, não apenas criando e mantendo parques, como evitando a destruição das zonas verdes, tão reclamadas por alguns construtores ou proprietários, esquecidos dos mitos benefícios dessas verdadeiros fábricas de oxigénio.

O homem sempre sentiu a necessidade de um mais íntimo contacto com a Natureza, que lhe permitia libertar-se labuta quotidiana e do seu ritmo infernal, purificando os pulmões e a alma. Muitas vezes essa evasão era acompanhada do desejo de cultura, do seu enriquecimento espiritual, em confrontação com povos de outras regiões, verdadeira acumulação que cimentava a unidade do género humano.

Não deram os Portugueses através dos tempos, exemplos bastantes desse espírito viageira e construtor de uma nova humanidade? Não continuam a ser válidos esses meios de conhecimento e de compreensão do que, sendo embora específico de cada povo, nem por isso deixa de constituir sinal evidente da comum humanidade? E que dizer do caso português, com seus povos repartidos por diversos continentes. Quão necessário se torna estabelecer um mais intimo contacto entre o Portugal de aquém e além-mar!

Já Ramalho Ortigão dizia:

Essas viagens são indispensáveis para os ensinarem a conhecer e a amar a, Pátria, pelo que nela é imortal, incorruptível e sagrado: pelo doce aspecto dos seus montes, dos seus vales, dos seus rios: pelo sorriso, melancólico mas contente, dos vinhedos, dos olivais, dos soutos, das hortas e dos pomares; pela tradição vivida nos monumentos arquitectónicos, nas romarias, nos contos e nas cantigas populares, nas indústrias caseiras, nas alfaias agrícolas, nas ferramentas dos ofícios rurais, na configuração dos lares; pela dicção, enfim, e pelas formas da nossa própria língua.

Eis por que se impõe o dever de estimular e oriente cruzeiros e excursões que permitam um melhor conhecimento da diversidade e da unidade de Portugal. As tímidas realizações da F. N. A. T., com seu "turismo social", têm de ser continuadas e ampliados, pois não esqueçamos que continua a haver uma grande, uma enorme percentagem da nossa população sem possibilidades de usufruir desses benefícios. Tarefa difícil, mas que a F. N. A. T. deve procurar executar, em especial para o mundo rural.

Não basta declarar que todos têm direito à limitação do número de horas de trabalho a férias pagas, que lhes permitam repouso e lazeres. Urge criar as indispensáveis condições para a sua efectivarão.

Para onde dirigir as correntes turísticas? Para onde o homem encontre remédio para, a dureza, da vida ou seja, para a, praia, para o campo, para a montanha. Já se escreveu que, precisamente, o turismo é a técnica de vender ar, sol e mar. Aí procura o citadino, o empregado de escritório, o comerciante, o operário e o industrial substituir, com proveito, o ritmo trepidante pelo tempo não medido, a tensão e a inquietação pela descontracção, o trabalho sempre igual por actividades de livre iniciativa, o ar finado pelo ar para a vida em multidão pela vivência da Natureza. E toda uma nova indústria o procura atrair para zonas propagandeados como as aconselháveis para o seu caso.

A importunei" destes movimentos e, bem assim, a modificação do tipo de turistas (turista, de qualidade e turista-massa) levam à busca de soluções que ultrapassam regionalismo" estreitos, exigem planificação à escala, nacional, mesmo quando o pólo de atracção se situa nesta ou naquela localidade ou zona. É que as modificações operadas nos transportes tendem a substituir o turismo de permanência por um turismo de passagem. Dai o dever de estabelecer circuitos turísticos, tendo em conta as possibilidades das diversas terras e dotando-as do equipamento básico (hotéis, pousadas, locais de divertimento).

Seja-me permitido falar de uma dessas zonas turísticas - a região de Entre Douro e Minho e, mais especialmente, do meu distrito.

Quem não conhece a sua beleza paisagística, desde a orla marítima com as suas praias acolhedoras (Apúlia, Fão, Esposende - a pedir uma estradai marginal -, no bucolismo de seus rios, com seus açudes e azenhas, alguns dos quais a impor. É certo, a sua desaparição para levar mais longe os barcos de recreio, como acontece no Cá

vado ou ainda os viçosos terrenos fie cultura a contraporem-se à rudeza das montanhas, em muitas das quais se abrigam pequenas povoações, entre as quais as estâncias termais?

E que dizer dos jardins de Barcelos, de Braga e de Guimarães ou das casas solarengas das terras de Basto ou das incomparáveis panorâmicas que se desfrutam do Bom Jesus, do Sameiro da Palpem, dos miradouros geresianos como da Tranqueira ou da Penha? E como se tudo isto ainda fosse pouco, o distrito de Braga brinda o turista com a riqueza, de seu folclore, com a alegria das suas romarias (Cruzes, de Barcelos. S. João de Braga, Gualterianas de Guimarães, etc:). que Silo, simultaneamente, exposição do brilho do seu artesanato (da cerâmica de Barcelos, passando pelos bordados de Guimarães, às mantas de Cabeceiras e de Vieira do Minho) - a pedir que se evite a sua degenerescência, mediante museus (como o de Barcelos) e escolas próprias -, sem esquecer os primores da sua cozinha e de seus rinhas.

No Minho, a beleza assalta o viajante, que só não fica por falta de comodidade. Se a zona de Ofir e Esposende possui já boas condições para garantir a permanência o turista, se Braga começa a caminhar no sentido de resolver o seu problema hoteleiro, Barcelos e Guimarães carecem ainda desses requisitos, por falta de iniciativa local, apesar das facilidades que os órgãos oficiais por vezes oferecem.

Impõe-se que em Guimarães - terra onde o moderno e casa perfeitamente com a nobreza do passado o Estado construa -como estimulo e preito de homenagem à terra que foi berço da Nação uma pousada, pura tal aproveitando o velho, mas rico de tradições, Convento da Costa.

Se há que atrair o turista até ao distrito de Braga, e dada a importância do movimento rodoviário, importa fazer diligências junto de nossos vizinhos no sentido de ser permitido, a abertura das fronteiras do Lindoso e da Portela do Homem. Deste modo não só se descongestionaria a fronteira de Valença, como se facilitavam os contactos entre Espanha e Portugal, permitindo, simultaneamente, a passagem pelo novo pólo turístico que indirectamente vai ser criado, após a aprovação da proposta de lei agora em discussão.

Na realidade, a criação do Parque Nacional Peneda-Gerês em boa hora lançada mercê do entusiasmo de tantos, e entre os quais quero salientar o engenheiro Lagrifa Mendes, visa não só criar uma zona de protecção de espécies raras ou mesmo em vias de extinção, mas também propiciar aos estudiosos um autêntico laboratório vivo e aos turistas amplas zonas de recreio, de tranquilidade e fie meditação ou ainda Locais ideais para a prática desportiva, mediante orientadas expedições cinegéticas ou oferecendo-lhes rios repovoados.

O valor desta última actividade (pesca desportiva) tem, aliás, levado diversas câmaras do meu distrito a pedirem, embora sem grande êxito, a criação de uma série de concessões em diversos rios (Cávado, Homem. Vizela, Ave, etc.). Se o parque ó lugar de refúgio e de meditação, de caça e de pesca, é também lugar para passeios tranquilos nu para o esforço do montanhismo e do alpinismo mi ainda para evocação de factos de antanho, quer através de vestígios de civilizações passadas (a antiga estrada romana com seus marcos miliários) ou de revivescências comunitárias, de que era frisante exemplo o povoado de Vilarinho das Faunas que vai ser destruído pela barragem em construção. Pena foi que não se tivesse pensando na transferência do povoado, ...

O fomento turístico do Gerês exige um bom serviço de transportes, e manda a verdade que se diga que, apesar das diligências efectuadas pela Junta de Turismo do Geres por particulares, não foi obtida autorização para transporte de turistas pana a seira, par se considerar tal serviço como regalia das agências de viagens, o que, como é evidente, acarreta prejuízos, pelo inexistência de tais agências naquela zona. Dificuldades idênticas têm encontrado a Câmara e empresas particulares para o estabelecimento de nova* carreiras que servissem o concelho de Terras de Bouro, como, por exemplo, entre Covide e Chã (no Geres), Covide-Vila Verde, Braga-Portela do Homem ou Gerês-Vieira do Minho.

Precioso elemento de valorização turística temo-lo na bacia hidrográfica do Cávado, em especial nas albufeiras, uma das quais, a da Caniçada deveria ser plenamente aproveitada para desportos náuticos, estudando-se para isso, uma relação conveniente da rede das albufeiras, de modo a permitir manter a fia fanicada com bom volume de águas, sem prejuízo da sua função geradora.

Não quero terminar sem pensar um pouco nos interesses dos povos da região, que vivem, em grande parte, do pastoreio e que possuem espalhadas pela serra as suas "sortes", por eles demarcadas e adquiridas. A esses povos vai dizer-se-lhes que a sua reconversão é penhor de benefícios materiais, de outro modo não obtidos. Afirmar-lhe que a substituição da sua actividade agro-pecuária pela realização de serviços turísticos é mais rentável, não ter

A eco suficiente para modificar a sua maneira de ser e de agir.

Amantes da liberdade - como acentua o parecer da Câmara Corporativa - tais povos terão dificuldade em transformar o interior de suas casas, adaptando-as à recepção de turísticas ou de livres pastores tornarem-se funcionários do parque, desempenhando o papel de guias, de condutores de carros ou alugadores de garranos ou até a de simples guardas, com a obrigação inerente de viverem fora da sua serra.

Concordo com o referido parecer ao considerar que o impacte do turismo é inevitável, e bem assim o despovoamento da serra pelo êxodo rural e peio envelhecimento da população, desiludidos que se acham com a quebra da pastorícia de outrora ou com o pouco rendimento da agricultura de encostas.

Com o tempo, poder-se-ia (ou não) assistir ao "esvaziar da montanha" por parte da sua gente, mas para já há que contar com a população que vive nu serra, a qual não deve ser posta de lado no ordenamento da zona a integrar no respectivo parque. Que os serviços não desesperem com as resistências normais que vão encontrar e que tenham sempre presente que a inevitável reconversão se leve efectuar sem sobressaltos e sempre com respeito pela dignidade e pelos interesses dos habitantes da zona a transformar em parque nacional. Estes os meus votos finais, que acompanham o acordo que dou à referida proposta de lei.

Vozes: - Muito bem!

O orador foi cumprimentado.

O Sr. Oliveira Ramos: - Sr. Presidente: Intervenho na discussão do projecto de lei sobre a protecção da Natureza e dos seus recursos movido por razões várias.

Em primeiro lugar, trata-se de assunto relacionando com o problema da formação e teor de vida do homem na sociedade hodierna; depois, o diploma toca directamente à região bracarense: finalmente, não esqueço que a parte de uma comissão empenhada no estudo do Parque da Peneda-Gerês.

A meu ver, a análise do articulado sujeito à consideração da Assembleia encontrando-se facilitada em virtude do estudo que lhe consagrou o Digno Procurador à Câmara Corporativa Prof. Eugênio de Castro Caldas no qual a pertinência dos observações de índole humana e sociológica omiceia com o valor dos desenvolvimentos técnicos e científicos.

Nestas circunstâncias, considerando a doutrina exposta no mesmo parecer, importa evidenciar, a guisa de intróito, alguns reparos de fundo: ao contrário do que seria de esperar, não estamos perante pormenorizada lei de protecção Natureza. O diploma visa aspectos da questão, mas trata, sobretudo, de matéria concernente aos parques nacionais. Ora, desde há muito que entre nós se testemunha a necessidade de cuidar da, Natureza, e fomentar a defesa aproveitamento dos respectivos bens.

Atesta-o a promulgação da legislação dispersa, a existência de uma associação com esse fim, como ainda a publicação de trabalhos especializados, factos que no conjunto, estão longe de suprir a carência de um texto legal unitário, visando a preservarão dos recursos naturais.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Em face do exposto, permito-me realçar a vantagem de se preparar uma genuína lei de conservação da Natureza e sugiro que o projecto em discussão tome o nome recomendado no parecer da Câmara Corporativa o nome que lhe convém, ou seja: "Dos parques nacionais e reservas análogos."

Por outro lado, anoto com agrado a ventilação do tema na Assembleia pelo que tem de significativo e promissor. De facto, além de ir ao encontro de velha sugestão, produzida pelos engenheiros florestais a favor do Geres nos anos 30, marca a adesão do Governo Português aos desígnios da comissão Internacional para a Conservação da Natureza e vem colmatar uma brecha no apetrechamento científico, educacional e turístico da metrópole, onde faltava e fazia falta, um parque nacional. Como se sabe trata-se de uma realidade concebida nos Estados fluidos vai para cem anos, perfilhada por todos os países da Europa e florescente em Angola, e Moçambique, províncias que possuem actualmente cinco parques e reservas da importância. Aqui, a exemplo de outros sectores a vanguarda pertence nos portugueses de além-mar.

A criação entre nós de parques nacionais tem ampla razão de ser. É o que se verifica, por exemplo, no plano científico. Com efeito, frente aos crescentes factos de destruição da Natureza, é evidente a necessidade de promover o equilíbrio entre o homem e os recursos daquela, obstando ao sumiço ou exaustão dos mesmos. Por isso, a chamada "reserva natural" do parque há-de constituir o refúgio da fauna e da flora das nossas montanhas, enquanto a zona de "reserva integral" será um precioso auxiliar da ciência, funcionando como autêntico laboratório vivo a disposição dos sábios. E o mesmo, vem a acontecer uns "reservas análogas". sejam elas botânicas, zoológicas ou geológicas, as quais, de igual modo convém estabelecer.

Por sua vez, na óptica social, a ideia do primeiro parque nacional corporiza-se em momento azado ou seja, quando em virtude da erupção urbanística, do avanço da mentalidade de cunho técnico, do fomento industrial, da mecanização da agricultura, da instabilidade demográfica peculiares ao Portugal de hoje se impõe proteger espaços de parecer valor um razão da paisagem, da flora, da fauna, das formações geológicas e dos monumentos de interesse histórico, e artístico neles existentes, a fim de preservar dados científicos e incrementar a educação e o turismo entre os povos.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Além do mais, a instituição dos parques nacionais proporcionará aos indivíduos a título de alternativa para os tempos du lazer, um teor de vida campestre, sadio e natural, Aquele teor de vida que Eça de Queirós definiu em A Cidade e as Serras, como antídoto do dia a dia hipercivilizado fruído na cidade e instigado pelo progresso.

Noutra perspectiva, e na medida em que compreende as chamados "reservas turísticas e paisagísticas" o Parque Nacional da Peneda-Gerês transformar-se-á ainda em poderoso instrumento do progresso sócio-económico do Minho, accionado pela grande indústria das regiões belas a acolhedoras que é o turismo.

Quanto à montagem e funcionamento dos- estruturas turísticas, quero formular dois votos. Oxalá elas se organizem em moldes que tomem possível a sua utilização por indivíduos de diversos estamentos sociais, e não apenas por pessoas das classes mais abastadas. Demais, é na prescindível que essa indústria funcione, principalmente em benefício das populações autóctones sob pela de se tornar um negócio de alcance limitado, do qual poucos e desconhecidos aproveitam.

Não obstante a existência de analogias entre certas formas da vida tradicional na montanha e as modalidades que se vão experimentar na organização do porque nacional, afigura-se-me difícil e, de qualquer modo, delicada a tarefa de instruir as populações, convencendo-se a aceitar de bom grado os efeitos do progresso, o novo estado de coisas.

Tenho receio da resistência e compreensível obstinação do nosso povo e, não fora uma grande confiança nos homens, mais receio teria da incompreensão que pode imperar no espírito daqueles a quem incumbe a tarefa- de os mentalizar, à luz das técnicas de instalação dos parques nacionais. Digo o pensando, em especial, nua situações limite, de choque entre chefes florestais e os povos, que a pena de Aquilino Ribeiro incisivamente desfibra no romance polémico Quando os Lobos Uivam.

A questão da mentalizarão do homem rural, a que aludimos a propósito do parque nacional, domina, aliás, problemática da transformarão da vida económica na região minhota. De que servem nas leis e os estudos, os técnicos e os métodos novos, se muitas pessoas os ignoram ou continuam apegadas a ideias e processos caducos?

Há que fazer um clarividente e denodado esforço de esclarecimentos das gentes, à falta do qual muito pouco se conseguirá, quer no caso da revitalização do mundo agrícola, quer no caso da reconversão dos modos de vida tradicional exigido às populações dos parques nacionais. E não basta dar o recado, urge saber convencer e explicar, sem necessidade de imposições.

A marcha regular da existência na futura na reserva nacional da Peneda-Gerês pede ainda, que se elimine do projecto o que, na base V, e conforme o aviso da Câmara Corporativa, signifique limitação ao direito de propriedade. Paralelamente, as exigências da educação e da ciência aconselham que se crie e defina o regime das reservas análogas, à luz, das proposições da referida Câmara.

Em meu entender, qualquer destas alterações constitui uma melhoria aposta ao texto governamental e como tal deve ser entendida.

A concluir esta breve intervenção, daqui apoio a iniciativa que levou o Governo não só a legislar sobre os parques nacionais, mas também a estabelecer desde já condições para a criação do Parque da Peneda-Gerês. Faço-o certo de que a medida oferece amplas perspectivas ao desenvolvimento regional e vai ao encontro dos anseios de promoção da gente do Minho. Por isso, aprovo na generalidade o diploma em discussão.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Comia da Cunha: - Sr. Presidente: Há pouco mais de dois meses reuniu em Estrasburgo, sob os auspícios do Conselho da Europa, a Conferência Europeia sobre a Conservação da Natureza.

Considerando 1970 o "Ano Europeu da Conservação da Natureza" e tendo em conta que ao Conselho interessa:

a) Assegurar o progresso económico e social no respeito dos direitos do homem e das liberdades fundamentais:

b) Garantir a conservação e o desenvolvimento do património cultural e das riquezas naturais:

c) Adaptar o território da Europa, os homens e as estruturas às necessidades do progresso: a referida iniciativa encontra-se perfeitamente justificada.

Porque o Sr. Secretário de Estado da Agricultura entendeu por bem aceitar o convite para que Portugal se fizesse representar, é-me possível, hoje saber o que se passou nessa Conferência e a que conclusões se chegam.

Considero o facto da mais alta importância, porque permite localizar perfeitamente num determinado contexto económico-político a proposta de lei sobre a protecção da Natureza e dos seus recursos que o Governo recente remexeu a esta Câmara.

Louvo a intenção que esteve presente na elaboração documento. Não está em causa apenas um problema nacional, mas também a necessidade de corresponder a um apelo que nos vem do coração do velho continente para que os suas nações se unam, pela primeira vez na história, para definirem e preservarem o ambiente natural em que as gerações vindouras hão-de viver.

"Portugal não quer estar ausente, nesta iniciativa de transcendente significado", diz-se na proposto de lei. É muito bem.

Mas a presença que se pretendeu marear podia, quanto a mim ter assumido um significado murta mais amplo, ainda que o fosse apenas em termos de intenções. Proteger a Natureza é uma frase sem sentido que se lhe opõe o homem, o grande responsável pela criação das paisagens actuais. Não se pode pretender dissociar estas do agente que permanentemente as afeiçoa. Não há hoje no Globo, paisagens naturais; há, sim, ambientes geográficos mais ou menos humanizados. Dai que eu não consiga dissociar os propósitos de preservação de redutos naturais daqueles outros que devem conduzir a definição de esquemas racionais de ordenamento do território. Não estará assim tanto em causa o preservar, quanto o integrar; integrar necessariamente sociedades que evoluem rapidamente e, por isso mesmo, de forma desordenada, em situações que não sejam de conflito nem de renúncia a uma vida melhor.

É este exactamente o objectivo, o grande objectivo de desenvolvimento dito regional, a que, com timidez, se faz bambem referência ao diploma em causa. E porque assim é entendo que o âmbito da apreciação não se deve circunscrever à mera definição de reservas naturais, mas alargar-se a todo o quadro de vida, a todas as situações e transformações originadas por um crescimento económico acelerado. As populações aumentam e aglomeram-se; e quando se aglomeram, criem grandes complexos industriais e densas redes de comunicações. O fenómeno da urbanização, inevitável, não origina ilhas de uma civilização espremedora mas pólos, autênticos pólos de desenvolvimento. Por isso se entende que a grande cidade é hoje o principal elemento definidor da região e esta o quadro geográfico onde mais facilmente se conciliam os objectivos económicos e sociais do desenvolvimento.

Proteger a Natureza e os seus recursos é tarefa complexa, que se deve pois integrar numa política de ordenamento do território.

Pressupõe a definição dei esquemas de adequação das necessidades aos recursos, tendo em vista a melhor utilização destes em termos de um aproveitamento racional.

O parecer da Câmara Corporativa faz esta mesma reserva; e outra coisa não seda de esperar do seu ilustre relator. Mas posto perante o dilema de apreciar o conteúdo ou a designação atribuída a proposta de lei, dá pouca ênfase ao aspecto em causa, limitando-se a recomendar ao Governo que mande estudar os problemas relativos à conservação da Natureza e dos seus recursos.

Tenciono voltar no assunto nesta Câmara quando efectuar o aviso prévio sobre o ordenamento do território. Para já na realidade limito-me a apreciar uma proposta de lei que se refere apenas a uma primeira fase ou seja à criação de parques nacionais e reservas análogas. Desfeito o equívoco, tudo está certo. Os problemas postos hoje pela erosão dos solos e a poluição ficam-lhe marginais e retém-se objectivo de garantir a permanência de pulmões para as sociedades do futuro, áreas onde o cidadão entendido como homem da cidade, vai aligeirar as tensões e excitar os nervos e o cérebro. A emogrtifia também poderá estar interessada neste processo conservador: mas não creio que se prebenda descobrir nele a salvatério para uma ocupação agrária que ainda está muito presa ao passado. Seria solução simples de mais e muito bizarro imaginar os abencerragens da nossa agricultura transformados em povoados de reservas, em animadores de quadros do passado. Os museus do homem, normalmente, não contam com a participação dos vivos.

Repugna-me defender o arcaísmo seja a que título for quando ele ponha em causa o respeito dos direitos do homem e das liberdades fundamentais indispensáveis ao progresso económico.

E com estas considerações, que em nada diminuem o apreço com que a Câmara deve acolher esta proposta de lei dou-lhe a minha concordância e total apoio aprovando-a na generalidade.

Vozes: - Muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Presidente: - Srs. Deputados: Não há mais nenhum orador inscrito para este debate nem foi presente na Mesa qualquer questão prévia tendente a retirar da discussão a proposta de lei, ao abrigo das possibilidades regimentais. Em consequência, dou a proposta de lei sobre a protecção da Natureza e seus recursos como aprovada na generalidade."

A MAGIA DO CARNAVAL

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O Xé-xé era a figura mais típica do carnaval no século XIX e que entretanto desapareceu 

O termo Carnaval provém do latim "carpem levare" que significa "adeus carne" ou "retirar a carne" ou ainda estar associado a curru navalis que consistia num carro de rodas marítimo que saía para o mar e significava o retorno à pesca com a chegada da Primavera. Trata-se com efeito de um período de licenciosidade em que, por oposição à Quaresma se come carne, constituindo por assim dizer uma época festiva que se destina simultaneamente a ritualizar a despedida do ano velho e, por conseguinte, o entrudus ou entrada da Primavera e no período quaresmal que a antecede. 

Com a chegada do Inverno e a consequente morte dos vegetais e da própria natureza, o homem recorre preferencialmente ao consumo da carne como forma de assegurar meios de sobrevivência. Desde sempre, o porco representou um elemento essencial na economia familiar nos meios rurais uma vez que a sua carne pode ser conservada na salgadeira durante muito tempo, o que permite suprir a escassez de outro género de alimentos como os vegetais que geralmente desaparecem durante o Inverno. E é durante este período que ocorrem um pouco por todo o lado as tradicionais matanças do porco num ritual com um certo carácter festivo. E, continua a ser o porco o animal que entra preferencialmente na simbologia do Carnaval, não raras as vezes associando-se o respectivo focinho às máscaras carnavalescas. 

Desde os tempos mais remotos, os povos sempre ritualizam a entrada do ano ou seja, a chegada da Primavera e o renascimento da natureza, acreditando que dessa forma esta lhes seria favorável. Com efeito, para o homem primitivo a celebração do ritual correspondia a uma forma de participação na acção criadora dos deuses, assegurando-se desse modo que o ciclo da natureza não seria interrompido, o que confere ao rito um carácter de magia imprescindível à reprodução do gesto primordial ou seja, o da própria criação do mundo e das coisas. O rito é, por assim dizer a celebração do mito da criação, assumindo sempre a sacralidade imanente ao acto da criação divina. Assim se verifica com as práticas relacionadas com o culto dos mortos que ocorre invariavelmente com a chegada do Inverno e também com as celebrações do nascimento do sol que se verifica no solstício de Dezembro, altura em que os dias cessam de diminuir e voltam a crescer, ocasião essa que dava lugar às saturnais entre os romanos e com a influência do cristianismo veio a originar a celebração do Natal de Jesus Cristo, embora não existam quaisquer documentos que indiquem ter sido essa a sua data de nascimento. Ora, é directamente das saturnais romanas que provêm directamente os festejos de Carnaval os quais eram consagrados à divindade egípcia Ísis, embora estes a tenham adquirido dos gregos que as realizavam em honra de Dionísos, um deus do vinho e dos prazeres da carne. Em Veneza onde as máscaras brancas ainda pontificam, o Carnaval terminava com o enterro de Baco, curiosamente, a divindade que na mitologia latina corresponde à de Dionísos na Grécia antiga. 

O uso de máscaras que ocorre durante os festejos de Carnaval tem na sua origem um carácter religioso relacionado ainda com o culto dos mortos, pretendendo-se com a sua antropomorfização invocar os seus espíritos e a sua intercessão no ciclo ininterrupto de vida e morte da própria natureza e dos vegetais, razão pela qual muitos mascarados se vestem de branco, afivelam máscaras que representam esqueletos ou simplesmente a própria morte. Acendiam-se fogueiras e queimavam-se bonecos, costume aliás que de igual modo deve estar na origem da serração da velha, a qual também nos aparece sob a forma de pulhas e ainda na versão mais cristianizada da queima do Judas. É neste contexto ainda que se inserem as tradicionais máscaras transmontanas e as festas dos rapazes que ali têm lugar. 

Com o decorrer dos tempos, estas festividades também adquiriram um carácter de crítica social, visando com ele corrigir os desvios verificados no ano velho de modo ao renascimento da natureza também se operar no indivíduo e no seio da própria sociedade, o que explica as pulhas e os "testamentos" que são lidos na serração da velha e na queima do judas, bem assim como as máscaras que procuram representar alguém sem ser a própria morte. Aliás, na tragédia grega a máscara que era usada significava precisamente a "pessoa" que se representava. 

Resultante da combinação entre a cultura europeia predominantemente portuguesa e as culturas africanas e indígenas, o Carnaval adquiriu no Brasil alguns aspectos diferenciados a que não são alheias as condições climáticas e as diferentes influências que se verificam nas diversas regiões como sucede com o Carnaval da Baía em relação ao de São Paulo e do Rio de Janeiro. Por conseguinte, a transplantação do Carnaval brasileiro para Portugal afigura-se a todos os títulos desajustada como ridícula, apenas justificável por motivos comerciais. Aliás, da mesma forma que sucede em relação ao haloween, costume que se insere no culto dos mortos e foi levado para o continente americano pelos colonos europeus e que agora regressa sob a forma de mercadoria. 

Perdida que foi a sacralidade primitiva, os festejos chegam até nós pela tradição, despojados de espiritualidade, apenas envoltos em fantasia e divertimento, mas contendo ainda em si os elementos que o determinaram. Com efeito, o Carnaval ou "festa da carne" antecede a Quaresma, para os muçulmanos o Ramadão, período de abstinência que se destina à purificação do corpo e da alma e que visa preparar-nos para o renascimento da vida e da natureza, o ano que começa com a chegada da Primavera. 

E é então que tem lugar a Serração da Velha e o garotio percorre os caminhos das aldeias com zambumbas e zaquelitraques, tréculas, sarroncas e tudo quanto produza barulho e que se destina a afugentar os demónios do Inverno. Práticas estas, aliás, que também ocorrem consoante os casos no Carnaval e na passagem de ano, na noite de Natal ou durante os Reis. Para trás ficou a longa noite do Inverno repleta de visões e fantasmas aterrorizantes com abóboras iluminadas nas encruzilhadas dos caminhos e reuniões de bruxas sob as pontes e nos cabeços dos montes, os peditórios de "pão por Deus" e as visitas aos cemitérios, a queima do madeiro e o cantar das almas. 

É então chegada a Primavera e com ela as festas equinociais. É tempo de renascimento da vida e da própria natureza, celebrado entre os cristãos como a ressurreição de Cristo e representada através do ovo da Páscoa, símbolo da fertilidade e do nascimento da vida nova. Entre muitos povos europeus mantém-se o costume de enterrar ovos nos campos que servem de divertimento ao rapazio que se entretém à procura enquanto a nossa gastronomia conserva a tradição do folar. Ao toque das sinetas e ribombar dos foguetes, os mordomos aperaltados nas suas opas vermelhas levam a cruz florida a beijar de casa em casa enquanto os caminhos se enchem de alecrim, funcho e rosmaninho - é o compasso pascal, a forma como a festa é vivida nas aldeias de Entre-o-Douro-e-Minho e também em Trás-os-Montes. 

Em breve virá o Maio e com ele as maias feitas de giestas floridas, a celebração do Corpus Christi, das festas do Espírito Santo em Tomar e nos Açores, as fogaceiras em terras da Feira e as festas e romarias que animam as pequenas comunidades rurais, as peregrinações aos pequenos santuários e ermidas que salpicam montes e vales e que servem de pretexto para mais uma festa. As gentes do mar adornam os seus barcos e vão em colorida procissão dar graças pelo pão que o mar lhes dá e invocar a protecção que lhes vale na aflição. 

A seu tempo chegarão as colheitas e as malhadas, as vindimas e com elas as adiafas, o S.Miguel e as desfolhadas que nalgumas regiões também se dizem descamisadas. E, de novo, reiniciar-se-á o ciclo da vida e da morte que assim permanece desde a criação do mundo, como um carrossel num movimento incessante. 

Na religião primitiva, o Homem unia a morte à vida como uma constante de perpétuo renascimento. Tal como na natureza ao Inverno sucede a Primavera e com ela o renascimento da vida e dos vegetais, a vida renasce da morte da mesma forma que esta resulta da própria vida. Esta forma de pensamento vamos aliás encontrar na filosofia platónica e em civilizações mais recentes ainda que sob formas diferenciadas. A tradição trouxe-nos até nós tais práticas que passaram a fazer parte do nosso folclore. 

Pese embora as transformações culturais e as modificações que entretanto se operaram na mentalidade dos povos, as mudanças sociais e de modos de vida cada vez mais divorciada da própria natureza, cumpre-nos manter tais costumes como forma de preservar a nossa identidade e, o que nos parece essencial, a nossa própria dimensão humana. Graças à tradição conseguiremos transmitir aos vindouros o conhecimento humano que os nossos ancestrais nos legaram.

Carlos Gomes, http://www.folclore-online.com/

Fotos: Arquivo CML e Café Portugal

ARROZ DE SARRABULHO JUNTA MINHOTOS EM NEWARK

O arroz de sarrabulho com rojões e o cozido à portuguesa foram o pretexto para mais um encontro de minhotos em Newark, no Estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos da América. O almoço teve lugar no passado dia 19 de fevereiro e reuniu mais de duzentos e cinquenta convivas. E, como não podia de suceder, não faltaram as concertinas para animar os ritmos do vira, da chula e da cana-verde.

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No próximo dia 10 de Março, as nossas gentes ali radicadas vão de novo juntar-se, desta vez para fazer a festa ao Grupo de Bombos “Rouxinóis”, da Casa do Minho em Newark, por sinal o único grupo de zés-pereiras existe nos Estados Unidos da América. As reservas de mesa podem ser feitas através do telefone (973) 465 4020.

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Fotos: Isabel Pereira

CHEGAS DE BOIS: UMA TRADIÇÃO DE CABECEIRAS DE BASTO E DO BARROSO

Em Cabeceiras de Basto e no planalto barrosão subsistem velhas usanças que testemunham uma existência comunitária que os novos tempos teimam em fazer desaparecer. Sublinhe-se que, noutros tempos, o Concelho de Cabeceiras de Basto estendia-se para além dos limites actuais, englobando a importante Freguesia do Salto, em Montalegre, junto às minas da Borralha, cujas gentes mantém os seus hábitos minhotos apesar da transferência administrativa que lhes foi imposta.

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Chega de bois em Cabeceiras de Basto (Foto: Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto)

O povo partilhava o forno onde cozia o pão da mesma forma que todos os habitantes concorriam para a lavra de cada um. Por mais árduo que fosse, o trabalho era vivido num ambiente de intensa alegria, desde a época das sementeiras até ao malhar do centeio. E depois vinha a festa e o divertimento que a vida não era só feita de sacrifícios.

Entre os vestígios dessa vivência comunitária salientamos o boi do povo, assim designado por cada aldeia possuir o seu animal que alimentava e preparava para o combate com o da aldeia vizinha em dia aprazado com a finalidade de saber qual era o mais possante e corajoso, até chegar a altura em que deveria ser abatido. A esse combate pesado que ainda actualmente faz o gáudio das gentes minhotas de Cabeceiras de Basto e do Barroso designa-se vulgarmente por "chegas" de bois. Curiosamente, tal costume também é usual nos Emirados Árabes Unidos.

A expressão empregue justifica-se pelo facto dos seus promotores se limitarem a chegarem os animais um ao outro, não possuindo outra interferência na luta que travam.

O boi barrosão é um animal possante que facilmente se distingue pela sua enorme barbela e grandes hastes, chegando a pesar com frequência mais de quatrocentos quilos. Em virtude de ter sido durante muito tempo empregue nos trabalhos da lavoura, veio a tornar-se num dos cartazes emblemáticos da região de Entre-o-Douro-e-Minho, sendo a sua carne muito apreciada por se alimentar sobretudo dos pastos nos lameiros do Soajo e do vale do Lima.

Em tempos idos, sucedia com frequência que, antes do dia combinado para o combate, havia quem pela calada da noite vinha raptar o animal para medir forças com o boi da sua aldeia a fim de saber as probabilidades deste sair vencedor. Actualmente, são os criadores que os levam para o terreiro e os chegam com outro de idêntica compleição física que esteja destinado à chega. O povo acorre, entusiasma-se e até se fazem apostas a saber qual deles vai ser o campeão. Ao avistarem-se a reduzida distância, os animais enfrentam-se com denodada bravura até que um deles desiste e afasta-se dando-se por vencido. O boi vencedor, vulgarmente designado por campeão, é o orgulho do criador tal como noutros tempos o era de igual modo da aldeia que representava. As chegas de bois continuam a ser uma das tradições mais emblemáticas das gentes barrosãs, sobretudo do concelho de Montalegre.

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/

PAREDES DE COURA: ENCONTRO EM MANTELÃES COM UM GRANDE VULTO DA REPÚBLICA

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“O estudo sobre “O queijo Nacional de Tipo Holandês”, em colaboração com Eugénio Tropa, mais tarde professor catedrático, levou-me um dia a Paredes de Coura onde, segundo vagas informações, foram feitas as promeiras tentativas para fabricar (ou imitar) o queijo holandês, que se importava em grandes quantidades da Holanda, chamando-lhe “queijo flamengo”.

(…) Por volta das duas da tarde estávamos batendo à porta do palacete de Mantelães onde Bernardino Machado vivia. Eu não queria acreditar que dentro de momentos iria ser apresentado a uma figura mítica que para mim se agigantava de tal modo que me parecia impossível enfrentá-la sem uma emoção incontida, descambando em frivolidade de gestos e palavras, caindo numa bajulação que só traria e levaria a uma situação que eu queria que transparecesse respeitosa e admirativa mas não aduladora.

(…) E a propósito dos estudos que me ocupavam, a pouco e pouco embrenha-se na floresta da história de que ele próprio era obreiro de primeira fila. Não sei como o tempo se sumiu em toda aquela tarde onde me deu a sensação de estar lendo uma História de Portugal Contemporâneo, em que os protagonistas me aparecem em carne viva e os factos me dão a expressão de qualquer coisa humana em tempo real, pela alma que emanava da progenitura intelectual do estadista ali vitalizando o momento. Podia aqui reproduzir quase ipsis verbis essa interminável conversa em que Bernardino Machado, quase sempre de pé e passeando ao longo do salão onde estávamos, gesticulando e dirigindo-se a palavra fazendo-me entrar no assunto como sendo eu hodierno dos factos, querendo com isso provocar a crítica que ele não dispensava. (…) Uma conversa criativa e transmigrante no tempo. Por isso inesquecível.”

Fernando Vieira de Sá

Médico veterinário

 

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As gravuras acima publicadas, do palacete e da antiga Fábrica de Lacticínios (1879) de Mantelães – Paredes de Coura, pertencem ao blogue “Bernardino Machado”, criado e animado pelo Dr. Manuel Sá Marques, neto do “vulto da República”.

Fernando Vieira de Sá, in http://fvieiradesa.blogspot.com/

Fotos: http://manuel-bernardinomachado.blogspot.com/

FAMALICÃO COMEMORA ANIVERSÁRIO DE BERNARDINO MACHADO

Comemoração do Aniversário de Bernardino Machado (161 anos)

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Bernardino Machado herdou de seu sogro, Conselheiro Miguel Dantas, a Fábrica de Manteiga e Queijo de Mantelães situada na freguesia de Formariz, Paredes de Coura. A Fábrica de Mantelães, durante finais do século XIX e inícios século XX teve muito sucesso, fornecendo inclusive os Armazéns Grandela em Lisboa.

Neste contexto pensou-se em fazer um ateliê para mostrar às crianças como se faz a manteiga que se come diariamente.

Para esta iniciativa o Museu vai contar com o apoio da Quinta de Senra, que produz os queijos da Quinta de Senra, de António Moreia dos Santos, situada em Ribeirão, Vila Nova de Famalicão, que graciosamente irá disponibilizar o leite para se recolher as natas com que se irá fabricar a manteiga.

Esta atividade será desenvolvida em colaboração com o Gabinete de Arqueologia, que irá ensinar o fabrico do pão romano, feito com base em farinha de trigo, farinha de milho alvo e mel.

Colaboração Gabinete de Arqueologia

Monitora Nazaré Seara

Destinatários Crianças entre os 6-10 anos

Data 28 de Março de 2012

Horário 10h00 às 13h00

Local Museu Bernardino Machado

Apoio SenrasDairy, Fabrico Artesanal de Queijo

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Inscrições

Museu Bernardino Machado

Rua Adriano Pinto Basto, n.º 79

4760-114 Vila Nova de Famalicão

Telef. 252 377 733

Mail: museu@bernardinomachado.org

Entrada gratuita

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Apresentação do 2.º tomo do 3.º Volume das Obras de Bernardino Machado - Política

Data 28 Março

Hora A confirmar

Local Museu Bernardino Machado

Entrada gratuita

Museu Bernardino Machado

Rua Adriano Pinto Basto, n.º 79

4760-114 Vila Nova de Famalicão

Telef. 252 377 733

Mail: museu@bernardinomachado.org

Exposição Documental

Título Comemorações do 1.º Centenário da morte de Rocha Peixoto

Descrição A Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim inaugurou, no dia 9 de Abril, a exposição documental sobre Rocha Peixoto, no âmbito das Comemorações do 1.º Centenário da morte de Rocha Peixoto.

A exposição apresenta as principais facetas de Rocha Peixoto ao longo do seu percurso profissional: as suas origens e a relação com a Póvoa de Varzim, sua terra natal, o seu trabalho como naturalista da Academia Politécnica do Porto, como bibliotecário e conservador da Biblioteca Pública e Museu Municipal do Porto e como redator da revista Portugália, o projeto editorial que viria a confirmar Rocha Peixoto como investigador e etnógrafo de âmbito nacional, reconhecimento pelos meios culturais e científicos da época.

Organização Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim

Data 1 Fevereiro a 30 de Março de 2012

Local Museu Bernardino Machado

Museu Bernardino Machado

Rua Adriano Pinto Basto, n.º 79

4760-114 Vila Nova de Famalicão

Telef. 252 377 733

Site: www.bernardinomachado.org

Mail: museu@bernardinomachado.org

Entrada Gratuita

Ciclo de conferências A Maçonaria em Portugal. Do século XVIII ao século XXI

Conferência Organização e funcionamento: ritos, símbolos e graus.

Conferencista Prof. Doutor João Alves Dias, Universidade Nova de Lisboa

Data 23 Março

Hora 21h30

Local Museu Bernardino Machado

Museu Bernardino Machado

Rua Adriano Pinto Basto, n.º 79

4760-114 Vila Nova de Famalicão

Telef. 252 377 733

email: museu@bernardinomachado.org

Entrada gratuita

Aguarda acreditação do Conselho Cientifico da Formação Continua de Professores

Prof.es da disciplina de História, Filosofia e Sociologia

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Visitadas Guiadas

Necessário marcação prévia

Horário

Manhã - 10h00 às 11h30

Tarde – 13h00 às16h00

Inscrições

Dr.ª Suzana Salazar

Museu Bernardino Machado

Rua Adriano Pinto Basto, n.º 79

4760-114 Vila Nova de Famalicão

Telef. 252 377 733

www.bernardinomachado.org

museu@bernardinomachado.org

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Aulas no Museu

O Museu disponibiliza o espaço da sua exposição permanente aos professores das diversas escolas que queiram, pontualmente, dar uma aula no museu, contextualizando a matéria que está a ser lecionada com o espaço do Museu.

Destinatários Professores que estejam a lecionar a História da I República e/ou Bernardino Machado.

Data Durante o ano letivo

Duração Período de tempo que a escola necessitar, será somente necessário um contacto prévio com o Museu por motivo de agendamento.

Local Museu Bernardino Machado

Inscrições

Museu Bernardino Machado

Rua Adriano Pinto Basto, n.º 79

4760-114 Vila Nova de Famalicão

Telef. 252 377 733

Mail: museu@bernardinomachado.org

O MINHO NA INTERNET: AMARES E O VALE DO CÁVADO

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“Amares” é o título de um blogue que integra uma rede de blogues da região do vale do Cávado, concretamente os concelhos de Póvoa de Lanhoso, Barcelos, Braga, Esposende, Póvoa de Lanhoso e Vila Verde.

Com excelente apresentação gráfica e um informação diversificada de interesse regional, não hesitamos em recomendar o acesso ao “Amares” em http://blogdeamares.blogspot.com/

A ideia de construir uma rede de blogues que se dedicam à divulgação das potencialidades da nossa região é a todos os títulos louvável pois existem as maiores vantagens no trabalho em rede.

OS BASTIDORES DA FESTA NA CASA DO MINHO EM NEWARK

A Casa do Minho em Newark prepara uma festa de arromba dedicada ao seu grupo de zés-pereiras – o grupo de Bombos “Rouxinóis” – considerado um dos orgulhos da associação e, em geral da comunidade minhota radicada naquela cidade do Estado de New Jersey, nos Estados Unidos da América. A festa vai realizar-se no próximo dia 10 de Março e, à boa maneira das arruadas que têm lugar nas festas e romarias do nosso Minho, os bombos vão rufar e despertar a América porque em Newark há festa minhota!

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E, como não podia deixar de suceder, não vão faltar as especialidades regionais, o vinho verde e, sobretudo, a alegria que carateriza as gentes do Minho onde quer que elas se encontrem.

Mas, a preparação da festa exige muito trabalho e, numa associação onde a juventude pontifica e confere uma especial energia e dinamismo, as pessoas entregam-se ao trabalho com entusiamo sem distinção de idades, partilhando as tarefas e reforçando a amizade que constitui o cimento que consolida a unidade da comunidade minhota em Newark. É que, na Casa do Minho, há tempo para cantar e dançar o vira e a cana-verde, mas também há tempo para descascar as batatas e cozinhar as carnes, preparando uma festa que é de todos. E, são os bastidores da festa que o BLOGUE DO MINHO aqui regista, graças às fotografias da conterrânea Isabel Pereira a quem desde já agradecemos.

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Fotos: Isabel Pereira

A GEREZIANA: UMA MÚSICA RECOLHIDA NO GERÊS PELO DR. RICARDO JORGE EM FINAIS DO SÉCULO XIX

“A Gereziana” é uma música recolhida em Caldas do Gerês, em 1888, pelo famoso médico Dr. Ricardo Jorge e constitui uma das preciosidades do “Cancioneiro de Músicas Populares. Por tê-la ali ouvido pela primeira vez e porventura inspirado na célebre “Varsoviana”, desconhecendo o seu verdadeiro nome, atribuiu-lhe o Dr. Ricardo Jorge baptizou-a de “Gereziana”. Esta obra encontra-se na Biblioteca Nacional de Portugal onde pode ser consultada.

O “Cancioneiro de Músicas Populares” constitui uma obra muito rara e de elevado interesse sobretudo para os estudiosos da nossa etnografia e da canção popular portuguesa. Publicada em três volumes, compila uma colecção de fascículos editados entre os anos 1893 d 1899, impressos na Typographia Occidental, da cidade do Porto. Contém “letra e musica de canções, serenatas, chulas, danças, descantes, cantigas dos campos e das ruas, fados, romances, hymnos nacionaes, cantos patrioticos, cânticos religiosos de origem popular, cantos litúrgicos popularizados, canções políticas, cantilenas, cantos maritimos, etc. e cançonetas estrangeiras vulgarizadas em Portugal”, recolhida por César das Neves, coordenada a parte poética por Gualdino de Campos e prefaciada pelo Dr. Teophilo Braga.

EM 1924, CÂMARA DOS DEPUTADOS DEBATEU PROJETO FERROVIÁRIO QUE LIGARIA PÓVOA DE VARZIM A BRAGA, POR ESPOSENDE E BARCELOS

Na sessão de 15 de maio de 1924, a Câmara dos Deputados sob a presidência de Alberto Ferreira Vidal, aprovou o requerimento de Marques de Azevedo e colocou à discussão, na generalidade, o parecer nº. 654, relativamente ao projeto de construção de uma ligação ferroviária entre Braga e a Póvoa de Varzim por Fão, Esposende e Barcelos, e ainda de um ramal entre Esposende e Viana do Castelo.

Transcrevemos do Diário da Câmara dos Deputados o referido debate e o parecer, respeitando a grafia original.

Parecer n.° 654

Senhores Deputados. — A vossa comissão de caminhos de ferro, antes de apreciar as disposições do projecto de lei que foi presente ao seu exame, procurou saber se a construção do caminho de ferro Póvoa de Varzim, a Braga, por Fão, Esposende e Barcelos, e dum ramal desta linha, saindo de Esposende para Viana poderia contrariar o estabelecido pelo plano geral da rede ferroviária de 1907 e se alguma tentativa já havia sido feita para a realizar, e em que termos.

Por atento estudo, conheceu esta comissão que, embora a linha era questão não conste do plano geral, naturalmente pelo seu aspecto secundário, já a junta consultiva de caminhos de ferro foi chamada a pronunciar-se sôbre um pedido de concessão de um «Caminho de ferro em leito próprio que, partindo da Póvoa de Varzim, siga a costa por A-ver-o-Mar, Esteia, Apúlia, Fão, Esposende, Castelo do Neiva e Anha, indo terminar em Cais Novo, na margem do Lima, e de uma linha transversal que, partindo de Esposende e seguindo pela margem direita do Cávado, passe pôr Barcelos, terminando junto de estação de Braga», e que a primeira das suas conclusões diz: «1.° Que seria do utilidade pública a classificação e construção de três troços de via de um metro, Laundos a Esposende, Esposende a Darque, Esposende a Barcelos, tendo de se proceder a inquérito em relação aos dois últimos».

Como Laundos fica na linha da Póvoa, junto a esta vila, e Darque na margem em frente de Viana, verifica-se

fàcilmente que a concessão agora pedida se ajusta inteiramente ao voto da junta consultiva dos caminhos de ferro expresso na conclusão que acabamos de transcrever.

Conclui também a junta consultiva, na conclusão sétima, «que só no caso de não querer a companhia da Póvoa acrescentar os referidos troços às suas linhas se faça a concessão a outrem.»

Em resposta ao inquérito administrativo de utilidade pública, a que, por portaria de 3 de Dezembro de 1923, publicada no Diário do Governo n.° 283, 2.a série, de 6 do referido mês e ano, fui submetido o pedido de concessão já referido, veio o concelho de administração da companhia do caminhe de ferro do Pôrto à Povoa e Famalicão alegar que já por vezes, nomeadamente em 1901, 1905 e 1908, pedira a concessão da construção e exploração, do troço da Póvoa a Fao e que essa circunstancia lhe dá o direito de prioridade, mas logo adiante afirma que o novo requerente se propõe levar a efeito um plano de linhas férreas muito mais vasto e completo do que aquele que a companhia se comprometia o por isso não pretende ela ser acoimada de vir entravar a realização de todos êsses melhoramentos, sob a condição, porém, de exigirem garantias idóneas para a construção imediata das linhas requeridas».

Julga esta comissão que são oferecidas, no projecto de lei que apreciamos, garantias idóneas e seguras.

O direito de propriedade alegado pela companhia da Póvoa não está consignado na sua concessão.

O valor económico das linhas, cuja concessão se pede, é manifesto e múltiplos e valiosos são os inferêsses que vão servir e, por isso, entende a vossa comissão de caminhos de ferro que devem ser concedidas com as seguintes restrições:

1.° É excluído da concessão a que se refere o artigo 1.°, o troço de Esposende a Viana.

2.° E acrescentado ao troço de Barcelos a Braga, o troço de Braga a Guimarães.

3.° Que nos contratos a realizar entre o Estado e o concessionário tome parte a Administração Geral dos Caminhos de Ferro do Justado.

A primeira restrição impõe-se para não criar um concorrente à linha do Minho e sem vantagens apreciáveis para os povos, porquanto a linha do Minho, inflectindo, a partir de Barcelos, para noroeste, serve a região costeira; a segunda impõe-se porque é preciso assegurar as comunicações entre Guimarães e Braga, actualmente feitas pela viação ordinária, e a terceira é óbvia porque a Administração Geral deve estar habilitada a intervir em tudo quanto se faça em caminhos de ferro dentro da sua esfera de acção.

Sala das sessões da comissão dos caminhos de ferro, 14 de Fevereiro de 1924.— Júlio Gonçalves — Plínio Silva - Vergilio Costa com declarações — Luís da Costa Amorim — António Alberto Tôrres Garcia, relator.

Senhores Deputados.— A vossa comissão de administração pública foi presente o projecto de lei n.° 634-A, acompanhado já do parecer da comissão de caminhos de ferro.

Entende esta comissão que nada tem a opor à aprovação do referido projecto, que, convertido em lei, trará ao País, e em especial à região a que interessa mais directamente, grandes vantagens e desenvolvimento.

Sala das sessões da comissão de administração pública. 18 de Fevereiro de 1924.— Abílio Marçal — Costa Gonçalves — Vitorino Mealha Carlos Olavo — Custódio de Paiva, relator.

Senhores Deputados.— A vossa comissão de obras públicas e minas entende que o seu parecer sôbre o projecto de lei n.° 634-A deve ser restrito ao artigo 4.° do mesmo. E, pelo que a êle diz respeito, é de parecer que o referido projecto merece a vossa aprovação, visto que o mesmo artigo preceitua todas as condições dó resistência e as obras necessárias de maneira a poder a ponte que liga Fão a Esposende ser aproveitada para a passagem do caminho de ferro, sem prejuízo do trânsito público.

Sala das sessões, Fevereiro de 1924.— Malheiro Reimão — A. Garcia Loureiro — Amadeu Vasconcelos — António Alberto Jorres Garcia — Vergilio Costa (com declarações).

Senhores Deputados.— À apreciação da vossa comissão de finanças foi presente o projecto de lei n.° 634-A, acompanhado já dos pareceres favoráveis das vossas comissões de administração pública, obras públicas e minas e caminhos de ferro.

A vossa comissão de finanças compete apenas verificar o projecto quanto à sua parte económica e financeira.

Sob o ponto de vista económico merece o projecto todo o aplauso da vossa comissão de finanças.

Sob o ponto de vista financeiro, em relação aos encargos que a sua aprovação pode acarretar para o Estado, e tendo em atenção a situação precária do Tesouro Público, entende a vossa comissão de finanças que, devendo manter-se a garantia de juro especificada no artigo 3.° do projecto, êste encargo deve ser coberto por receitas a arrecadar nas regiões que o proposto caminho de ferro vai servir, e nestes termos a vossa comissão entende que ao artigo 3.° se devo acrescentar o seguinte parágrafo:

Artigo 3.°, § único. Fica o Govêrno autorizado a cobrar em cada ano, por adicional às contribuições gorais do Estado, nos concelhos que o futuro caminho de ferro vai servir, as importâncias necessárias, que por êste artigo constituirão encargo do Estado, devendo fazer a sua distribuição o mais eqüitativamente possível.

Sendo assim, a vossa comissão de finanças é de opinião que o projecto de lei n.° 634-A merece ser aprovado.

Lisboa e sala das sessões da comissão de finanças, 26 de Fevereiro de 1924.— M. Ferreira de Mira (com declarações) — T. J. Barros Queiroz (com declarações) — Crispiniano da Fonseca — Carlos Pereira (vencido)—Constando de Oliveira-—Ferreira da Rocha (com declarações) — Júlio de Abreu—Amadeu de Vasconcelos - Lourenço Correia Gomes, relator.

Projecto de lei n.° 634-A

Senhores Deputados.- O cidadão Francisco de Sousa Magalhães, velho africanista, trabalhador incansável, cheio de arrojo e de patrióticas iniciativas, propõe-se, como consta de um requerimento dirigido ao Sr. Ministro do Comércio em 25 de Junho último, construir uma linha férrea de via reduzida, que, partindo da praia da Póvoa de Varzim, ligará esta vila, atravessando as povoações mais importantes do litoral do norte, à cidade de Viana do Castelo e à estação intermédia de Esposende à capital do Minho.

Trata-se de um melhoramento importantíssimo para esta região, que não só concorrerá para o desenvolvimento do turismo, como para o progresso comercial e industrial das respectivas localidades, que até o presente vem lutando com sérios embaraços por falta de transportes por via acelerada.

De há muito que esta parte da populosa e fértil região minhota vem pugnando por esta pretensão que até hoje não tem visto realizar por falta de iniciativa do capital particular e do proverbial dolce far niente dos Poderes Públicos.

Seria, pois, da nossa parte uma falta imperdoável não auxiliarmos tam oportuna iniciativa, pondo-lhe sôbre vários pretextos os costumados entraves, que tanto têm contribuído para o retraimento do esfôrço daqueles que pretendem o progresso do País.

Temos, pois, a honra de submeter à vossa aprovação o presente projecto de lei pelo qual se concede àquele cidadão o direito da construção e exploração do caminho de ferro referido nos termos em que as anteriores concessões têm sido dadas, na certeza de que vão acautelados devidamente os interêsses do Estado e os do público. Não obstante, as vossas comissões, que terão de apreciar o presente projecto, lhe introduzirão as modificações que reputarem de maior garantia para aquele fim.

Projecto de lei

Artigo 1.° É concedido ao cidadão Francisco de Sousa Magalhães o direito de construção e exploração, por um período de noventa e nove anos, de um caminho de ferro em leito próprio de via reduzida de 1 metro de largura, que, partindo da Póvoa de Varzim, com ligação à linha de caminho de ferro do Pôrto à Póvoa, siga a costa marítima, passando por A-ver-o-Mar, Esteia, Praia de Apúlia, Fão, Esposende, Castelo de Neiva e Anha, vindo a terminar em Cais Novo; e de uma linha transversal que partindo de Esposende e seguindo próximo das po-

voações e pela margem direita do rio Cávado, passando por, Barcelos, atravesse êste rio nas proximidades de S. Vicente de Areias, vindo a terminar próximo da actual estação do caminho de ferro em Braga.

Art. 2.° Esta concessão não pode ser transferida a terceira pessoa, sem prévia autorização do Govêrno e acordo expresso da maioria das câmaras interessadas, ficando contudo salvo ao concessionário o direito de organizar uma empresa ou companhia com os capitais necessários para a construção do caminho de ferro.

Art. 3.° O concessionário terá uma garantia de juro que, pelo menos, deverá ser ò complemento do rendimento anual líquido até 7 por cento do capital de 300.000$ por cada quilómetro que se construa, devendo as despesas de exploração ser calculadas pela média das despesas de exploração da linha da Póvoa a Famalicão, garantia esta com reembolso de metade para o Estado, logo que o rendimento líquido exceder a 7 por cento do capital garantido até final liquidação das quantias adiantadas e respectivo juro, igualmente de 7 por cento.

Art. 4.° O concessionário pode utilizar a ponte que liga Fão a Esposende para passagem do caminho de ferro, sendo esta ponte reforçada convenientemente nas condições de resistência legais e à sua custa, fazendo-se a circulação dos comboios nas condições de segurança pública indicadas pelo Govêrno.

Art. 5.° São-lhe ainda concedidas as vantagens consignadas na base 5.ª, nos seus n.ºs 4.° a 8.°inclusive, e as consignadas na base 6.ª, anexas à lei de 14 de Julho de 1899.

Art. 6.° O concessionário obrigar-se há a todas as vantagens e encargos que são reservados para o Estado nos contratos de concessão e exploração existentes das emprêsas de caminho de ferro do país.

Art. 7.° As obras de construção dêste caminho de ferro terão de ser iniciadas dentro do prazo máximo de seis meses a contar da data da publicação desta lei, sob pena de se considerar caduca a concessão.

Art. 8.° Desde que as obras forem iniciadas não podem ser suspensas por qualquer motivo, a não ser por determinação ministerial.

Art. 9.° A exploração do primeiro troço,

Póvoa a Esposende, deverá estar aberta ao público no prazo de dois anos, passados os quais terão de ser iniciadas as obras de terraplanagem no segundo troço, Esposende-Braga, cujas obras começarão simultaneamente de Esposende e Braga para Barcelos, de forma a exploração de todo êle se efectuar ao mesmo tempo e no prazo máximo de três anos, ou seja cinco anos após a publicação desta lei.

Art. 10.° O troço Esposende-Viana, cuja construção, será facultativa, será o último a construir-se e deverá ficar aberto à exploração dois anos depois do anterior, sendo portanto de sete anos o prazo para a conclusão total da linha.

Art. 11.° Os prazos estabelecidos nos artigos 7.°, 9.° e 10.° são improrrogáveis sem o prévio e expresso acordo da maioria das câmaras das localidades atravessadas por êste caminho de ferro, e a falta de cumprimento ou não execução das obras dentro dêsses prazos importa a perda imediata da concessão e de todas as obras feitas e de material fixo empregado, em benefício do Estado, sem que o concessionário possa reclamar qualquer indemnização.

Art. 12.° No caso de caducidade prevista no artigo anterior, pode o Estado transferir para as câmaras interessadas, singular ou colectivamente, para a exploração dêste caminho de ferro, a concessão, obras feitas e material fixo que tenha recebido, sem outra compensação ou retribuição que não seja a equivalente a quaisquer despesas que haja feito, desde que assim lhe seja reclamado e fique assegurada a referida exploração.

Sala das Sessões, 14 de Janeiro de 1924.— Joaquim Narciso da Silva Matos — António Albino Marques de Azevedo — Henrique Pires Monteiro — Artur Brandão — Crispiniano da Fonseca.

Exmo. Sr. Francisco de Sousa Magalhães —Rua Leão de Oliveira, Lisboa.— De harmonia com a resolução tomada pelas câmaras interessadas, na reunião realizada no sábado passado em Barcelos, cumpre-me remeter a V. Exa. ao projecto de lei para a concessão do caminho de ferro Póvoa-Viana e Esposende-Braga, com as alterações que foram julgadas indispensáveis.

Devo esclarecer que o acréscimo ao artigo 10.°, cuja construção é facultativa, pode suprimir-se, se V. Exa. assim o entender.

Com os protestos da minha consideração, desejo a V. Exa., Saúde e Fraternidade.

Braga, 7 de Janeiro de 1924.— O Presidente da Comissão Executiva, João Caetano da Fonseca Lima."

 

"ROUXINOIS" DA CASA DO MINHO EM NEWARK PREPARAM FESTA DE ARROMBA

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A Casa do Minho em Newark vai realizar no próximo dia 10 de Março, a sua primeira festa dedicada ao Grupo de Bombos “Rouxinóis”. Nesse dia, os zés-pereiras da comunidade minhota radicada nos Estados Unidos da América vão rufar com o mesmo vigor das arruadas que anunciam as festas e romarias do Minho.

A cozinha tradicional não vai faltar, regada com os melhores vinhos verdes da nossa região. As reservas de mesa podem desde já ser feitas através do telefone (973) 465-4020.

DO COURA SE FEZ LUZ. HIDROELETRICIDADE, ILUMINAÇÃO PÚBLICA E POLÍTICA NO ALTO MINHO (1906-1960)

Foi apresentada ao público a obra de Paulo Nuno Torres Bento, intitulada Do Coura se fez luz. Hidroeletricidade, iluminação pública e política no Alto Minho (1906-1960),publicada pela Afrontamento e Jornal Digital Caminh@2000.

A presente obra insere-se no projeto da EDP intitulado Livros com Energia por ocasião do centenário da inauguração da energia elétrica em Caminha. O evento realizou-se no Hotel Porta do Sol, Caminha, pelas 17 horas do dia 4 de Fevereiro de 2012.

Pode ler-se na nota que nos foi enviada:

“Do Coura se fez luz. Hidroeletricidade, iluminação pública e política no Alto Minho (1906-1960)” incide sobre a história da Hidroelétrica do Coura, uma empresa familiar fundada por caminhenses que, a partir da força das águas do rio Coura, levou a “luz do progresso” produzida na Central de Covas (na imagem) até Caminha (1912), Viana do Castelo (1915), Vila Nova de Cerveira (1920), Ponte de Lima (1923) e Paredes de Coura (1937). Assente em pesquisas realizadas nos arquivos e bibliotecas alto-minhotas, com destaque para a consulta da imprensa regional da primeira metade do século XX, este estudo é o primeiro trabalho historiográfico realizado sobre os primórdios e a primeira expansão da eletrificação no Alto Minho e traz consigo interessantes revelações sobre o modo como um empreendimento arrojado e pioneiro assumiu a bandeira da hidroeletricidade e fez a guerra contra os outros sistemas de iluminação pública existentes nos concelhos da região, como o petróleo, o gás de carvão e o acetileno.

Na sinopse da obra pode ler-se o seguinte:

No dia 2 de fevereiro de 1912 foi inaugurada a iluminação pública elétrica da vila de Caminha, a primeira localidade do Alto Minho, e uma das primeiras no país, a beneficiar das vantagens da hidroeletricidade. Deveu-o às generosas águas do rio Coura e ao engenho da Hidroelétrica do Coura, uma empresa familiar fundada por caminhenses que, nos anos seguintes, a partir da Central de Covas, levou a “luz do progresso” a Viana do Castelo (1915), Vila Nova de Cerveira (1920), Ponte de Lima (1923) e Paredes de Coura (1937). Um empreendimento arrojado e pioneiro que assumiu a bandeira da hidroeletricidade e fez a guerra contra os outros sistemas de iluminação pública existentes na região, como o petróleo, o gás de carvão e o acetileno.

Nascida em tempos monárquicos, a Hidroelétrica do Coura foi uma verdadeira empresa da República, com uma vida atribulada e influenciada pela vertigem dos sucessos políticos, tanto à escala regional como nacional e mundial, como aconteceu durante a Grande Guerra. Numa época de liberalismo económico, soube aproveitar os ventos partidários favoráveis para se impor no Alto Minho mas, ao contrário de outros mais poderosos, serviu a região com a energia nela produzida. No advento do Estado Novo, aguentou o primeiro embate da regulação do setor elétrico nacional mas depois não foi capaz de suster a investida do condicionamento industrial imposto por Salazar.

Sobre o autor pode ler-se o seguinte:

Paulo Nuno Torres Bento, nasceu em Tondela em 1962 e vive em Vilar de Mouros desde 1995. Licenciado em História pela Universidade do Porto e Mestre em Educação pela Universidade do Minho, é professor na EB 2,3/Secundária de Caminha. Membro fundador do Grupo de Estudo e Preservação do Património Vilarmourense, publica regularmente na imprensa regional a série de crónicas História Nossa. É autor de Currículo e Educação para a Cidadania (2000), José Porto (1883-1965). Desvendando o Arquitecto de Vilar de Mouros (2003), Flausino Torres (1906-1974). Fragmentos e Documentos Biográficos de um Intelectual Antifascista (2006), Ruas de Caminha. Toponímia e História da Vila da Foz do Minho (2009), Da Monarquia à República no Concelho de Caminha (2010) e co-autor de Desenvolvimento Pessoal e Social e Democracia na Escola (1993), Ferreiros e Serralheiros de Vilar de Mouros (2008), Dos Caiadores aos Estucadores e Maquetistas Vilarmourenses (2009) e Álbum de Memórias do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense (2011).

Uma obra que acompanha a história de uma empresa, neste caso do setor elétrico, um dos setores que conheceu alguns avanços importantes durante o período republicano. Têm vindo a surgir nos últimos tempos vários estudos de casos de empresas ligadas a este processo.

A ler com atenção.

A.A.B.M.

Fonte: http://arepublicano.blogspot.com/ (Adaptado)

PONTE DA BARCA: ENTERRO DO PAI VELHO REGRESSA AO LINDOSO

A partir de amanhã e até ao próximo dia 21 de fevereiro, regressam ao Lindoso os tradicionais festejos carnavalescos do Enterro do Pai Velho. Logo pela manhã, o cortejo percorre os caminhos da aldeia, no lugar do Castelo.

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Foto: Câmara Municipal de Ponte da Barca

À frente, um carro de bois devidamente engalanado com uma base de ramagens de cedro, bucho, cameleira e mimosa leva o busto de madeira do Pai Velho. Segue-se o “Carro das Ervas” com os bois enfeitados com ramos de flores nos chifres, conduzido pela lavradeira e seguido pelas tradicionais rusgas ao som da concertina, do bombo, dos ferrinhos e das castanholas. E, porque de entrudo se trata, não faltam no cortejo os foliões mascarados a preceito.

O “Pai Velho” é um boneco cujo busto é de madeira de castanho e o corpo de palha. Por volta da meia-noite, tem lugar o “Enterro do Pai Velho” propriamente dito. É então lido o testamento que cumpre a sua função de sátira social, terminando com uma grande fogueira onde o “Pai Velho” é queimado ou, com mais rigor, o seu corpo de palha uma vez que o busto em madeira permanecerá escondido à guarda dos homens mais antigos da aldeia, até ao ano seguinte.

Esta tradição é atualmente mantida pela Associação “Os Amigos do Lindoso” e conta com o apoio da Câmara Municipal de Ponte da Barca.

À semelhança da “Serração da Velha”, da “Queima do Judas” e outras representações tradicionais, o “Enterro do Pai Velho” insere-se num ciclo de festividades de origem pagã que pretendiam assinalar o fim do inverno e o renascimento da Natureza e dos vegetais com a chegada da Primavera, participando através do rito na ação criadora dos deuses.

AGRUPACIÓN FOLCLÓRICA MUNICIPAL DE TEQUEXETÉLDERE ORGANIZA CONCURSO DE BAILE TRADICIONAL

A Agrupación Folclórica Municipal Tequexetéldere vai realizar no próximo dia 29 de Abril, o VIII Concurso de Baile Tradicional, no qual são convidados a participar grupos folclóricos com o objetivo de promover a cultura e tradições do povo galego.

Tequexetéldere é um projeto de difusão da cultura do povo galego com vista à recuperação de manifestações de caráter etnográfico como a música, as danças, os cantares e o traje. A Agrupación Folclórica Municipal Tequexetéldere foi criada em 1990 com o apoio do Município da Estrada e da Fundación Cultural da Estrada.

Conforme ele próprio refere no seu site, “Dende os seus comenzos tivo clara que gran parte do seu esforzo tiña que encaminarse á conservación e recopilacion de todo o concerninte a nosa etnografia (cantos, bailes, músicas, xogos, vestimentas, etc.) Que teñan como prolongación o traballo que desenrrola derriba dos escenarios en cada unha das suas actuacións.

Este traballo comenza a desenvolvelo primeiramente no seu propio Concello con recollidas en parroquias como Montillón, Codeseda, Baloira, etc. Continuará esta investigación nos Concellos limitrofes como Forcarei, Cuntis ou Lalín, chegando a abarcar en recollidas posteriores lugares dos Concellos de toda a nosa xeografia.

Con todo este material Tequexetéldere non so traballa para él, se non que este saber téntase amosar e ensinar nas suas escolas de baile, música e canto. Facendo este traballo quérese resaltar o papel das escolas, tan importante na formación das xentes que compoñen Tequexetéldere.”

CÂMARA DOS DEPUTADOS APROVOU EM 1913 A MUNICIPALIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE TRAÇÃO ELÉTRICA E ILUMINAÇÃO PÚBLICA EM BRAGA

Em 1913, na sessão de 22 de Maio da Câmara dos Deputados referente ao 3º período da 1ª Legislatura, sob a presidência de Simas Machado, um grupo de deputados apresentou um projeto-lei com vista à municipalização dos serviços de tração elétrica, concretamente o elevador do Bom Jesus do Monte, iluminação pública da cidade e concelho de Braga e ainda a contração de um empréstimo para implementar os referidos melhoramentos. Foi o seguinte o teor do projeto-lei e do respetivo parecer.

O General Simas Machado que presidiu à sessão, era natural de Braga e foi o comandante da 2ª Divisão do Corpo Expedicionário Português, tendo terminado a sua carreira militar como Comandante da Divisão Militar de Lisboa aquando da implantação da Ditadura Militar em 28 de Maio de 1926. Em 1911, foi eleito deputado à Assembleia Constituinte, tendo em 1913 presidido à Câmara dos Deputados.

O General Simas Machado presidiu à Câmara dos Deputados

"O Sr. Presidente: - Vai ler-se, para entrar em discussão, o projecto n.° 196. Leu-se.

É o seguinte:

Parecer n.° 196

Senhores Deputados: - À vossa comissão de finanças foi apresentado o projecto de lei n.° 181-A da iniciativa dos srs. Deputados Joaquim José de Oliveira, João Carlos Nunes da Palma e Domingos Leite Pereira, relativo à municipalização dos serviços de tracção eléctrica e iluminação na cidade e concelho de Braga e á necessidade que a mesma câmara tem de contrair um empréstimo de 650.000 escudos para poder realizar aquele e outros melhoramentos de valor.

Não oferece dúvida que os melhoramentos projectados são de alta importância, não só para a cidade de Braga, mas tambêm para todo o país, por isso que um dos pontos mais frequentados pelos turistas é o santuário e parque do Bom Jesus do Monte, nos subúrbios da cidade.

Não compete porem à vossa comissão de finanças apreciar o projecto sôbre outro ponto que não seja o financeiro, e por isso se limita a dizer o seguinte:

Pela lei de 2 de Outubro de 1909 foi autorizada a Câmara municipal de Braga a contrair um empréstimo de 300:000$000 réis destinado a ocorrer ás despesas com os serviços de tracção eléctrica e construção de mercados; até o presente, porêm, não se realizou tal operação, não se tendo conseguintemente feito os melhoramentos que se tinham em vista.

Agora a actual vereação pretende levantar um empréstimo de 650.000 escudos para realizar, alêm daqueles melhoramentos, alguns outros de maior alcance, figurando entre êles o da construção dalgumas casas baratas para as classes menos favorecidas da fortuna.

A municipalização dos serviços propostos é de grande alcance social e económico, como está provado em muitas cidades dos países estrangeiros e até mesmo em Portugal. Coimbra é um exemplo de quanto é vantajosa municipalização dos serviços mais importantes para os munícipes.

O encargo anual do empréstimo pedido é, segundo vem indicado no relatório que precede o projecto aludido, de 37.250 escudos, quantia que deve figurar no orçamento camarário, sendo satisfeito pelos rendimentos provenientes das explorações que pretende efectuar a câmara, os quais constam do mencionado relatório e são os seguintes:

Vê-se pois que está garantido o pagamento dos encargos do empréstimo solicitado, havendo ainda um saldo importante para ocorrer a qualquer diferença nas verbas previstas, ou, não sendo isto preciso, para outros melhoramentos que a câmara municipal julgar convenientes.

Em vista do exposto é a vossa comissão de finanças de parecer que merece a vossa aprovação o projecto de lei n.º 181-A.

Sala das sessões da comissão de finanças, em 12 de Maio de 1913. = Inocêncio Camacho Rodrigues = Joaquim José de Oliveira = António Granjo = Alfredo Rodrigues Gaspar = Francisco de Sales Ramos da Costa, relator.

Projecto de lei n.° 181-A

Artigo 1.° É a Câmara Municipal de Braga autorizada a proceder à municipalização dos serviços de tracção eléctrica e iluminação na cidade e no concelho.

Art. 2.° Para os fins do disposto no artigo anterior, e ainda para a realização doutros de reconhecida urgência e justificada utilidade, é a menina câmara autorizada a contrair um empréstimo até a quantia de 630.000 escudos, ao juro do 6 por cento ao ano, amortizável em sessenta anuidades.

§ único. A amortização a que êste artigo se refere não será obrigatória durante os primeiros cinco anos seguintes à emissão.

Art. 3.° O empréstimo poderá ser contratado com, a Caixa Geral de Depósitos, com qualquer Banco ou sociedade de crédito, ou lançado em obrigações sorteadas em harmonia com as anuidades estabelecidas.

Art. 4.° O empréstimo terá as seguintes aplicações:

a) Expropriações, indemnizações e dívida à Companhia Carris e Ascensor do Bom Jesus do Monte, Companhia Geral Bracarense de Iluminação a Gás e Sociedade de Electricidade do Norte de Portugal;

b) Instalação dos serviços de tracção eléctrica e iluminação;

c) Conclusão dos trabalhos para abastecimento de águas e aquisição de contadores;

d) Construção de mercados;

e) Construção dum matadouro;

f) Instalação dum laboratório de análises de géneros alimentícios e produtos químicos empregados na agricultura, como adubos, insecticidas, etc.;

g) Construção de casas baratas para classes pobres.

Art. 5.° Serão consignados ao pagamento dos encargos resultantes dêste empréstimo:

a) A parte que for precisa das receitas provenientes da exploração dos serviços municipalizados de abastecimento de águas, tracção eléctrica e iluminação e das rendas dos mercados, matadouro, laboratório e casas baratas;

b) A importância correspondente a três quartas partes da verba actualmente inscrita no orçamento camarário para iluminação.

§ único. Serão tambêm destinados a garantir o pagamento dêste empréstimo todas as instalações, material e construções ou edifícios adquiridos com o seu produto.

Art. 6.° Fica revogada a legislação em contrário e em especial a carta de lei de 2 de Outubro de 1909 pela qual era o Govêrno autorizado a permitira. Câmara Municipal de Braga o levantamento dum empréstimo de 300:000$000 réis destinado aos serviços de tracção eléctrica e construção de mercados.

Sala das Sessões, em 6 de Maio de 1913. = Joaquim José de Oliveira = João Carlos Nunes da Palma = Domingos Pereira.

Foi aprovado sem discussão na generalidade e especialidade."

REALIZA-SE AMANHÃ NO MUSEU BERNARDINO MACHADO, EM FAMALICÃO, A CONFERÊNCIA SOBRE MAÇONARIA A SER PROFERIDA PELO ENGº FERNANDO LIMA FERNANDES, GRÃO MESTRE DO GRANDE ORIENTE LUSITANO

Ciclo de conferências: A Maçonaria em Portugal. Do século XVIII ao século XXI

Título: A Maçonaria: Instituição de saber ou de poder?

Oriente Lusitano

Curriculum Vitae

Eng.º Fernando Lima Fernandes

Data de nascimento: 24 de Novembro de 1951, Lisboa

Licenciado em Direito - Universidade Clássica de Lisboa.

Advogado

Mestrado em Direito Europeu, Público e Finanças - Universidade Católica.

Doutorando em Gestão Empresarial Aplicada Iul-Iscte

Presidente da Engil, Abrantina e Galilei.

Membro de diversas organizações não governamentais.

Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano.

Data: 17 Fevereiro

Hora: 21h30

Local: Museu Bernardino Machado

 

Museu Bernardino Machado

Rua Adriano Pinto Basto, n.º 79

4760-114 Vila Nova de Famalicão

Telef. 252 377 733

email: museu@bernardinomachado.org

Entrada gratuita

Aguarda acreditação do Centro de Formação Científica

Prof.es da disciplina de História, Filosofia e Sociologia

VIVA A JUSTIÇA DE FAFE!

Quando a Justiça deixa de merecer a confiança dos cidadãos, estes tendem invariavelmente a exercê-la pelas suas próprias mãos, sem recurso aos tribunais. É o que, no Minho, apelidamos por Justiça de Fafe. Mas, de onde derivará efectivamente a expressão “Justiça de Fafe”?

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António Augusto Ferreira de Melo e Carvalho, Visconde de Moreira de Rei, nasceu em Fafe no ano de 1838 e faleceu em Lisboa em 1891. Cavaleiro da Ordem de Cristo, Fidalgo da Casa Real e deputado às Cortes, o Visconde de Moreira do Rei era político influente na sua terra e, por natureza do seu carácter, pessoa pouco dada a receber afrontas.

Narra a lenda que, tendo chegado atrasado a uma das sessões, foi veementemente censurado por outro parlamentar com o título nobiliárquico de marquês, tendo este inclusive usado modos grosseiros ao ponto de lhe chamar “cão tinhoso”. Perante semelhante afronta, o Visconde de Moreira de Rei fingiu ignorar e mostrou-se impávido como se nada tivesse ouvido a seu respeito. Porém, após os trabalhos parlamentares, dirigiu-se ao marquês pedindo-lhe explicações ao que este, em lugar de se desculpar, arremessou-lhe as luvas na cara desafiando-o para um duelo.

Conforme as regras estabelecidas, cabia ao ofendido escolher as armas com que se iriam bater em duelo. Ao contrário do que seria de esperar, o visconde não escolheu espadas nem armas de fogo, optando antes pelos varapaus à boa maneira minhota. Exímio no manejo do varapau, arte marcial que o seu opositor não dominava e certamente até a considerava grosseira, aplicou uma valente sova no marquês e, desse modo, desforrando-se do insulto de que fora vítima.

Perante tão hilariante duelo, o povo não se conteve e gritou:

- Viva a Justiça de Fafe!

“OS LIMIANOS” JOGAM COM O ACADÉMICO DA FEIRA

A Associação Desportiva “Os Limianos” defronta-se no próximo sábado, com o Académico da Feira, em jogo a contar para o nacional da 2ª Divisão. A partida terá lugar pelas 18 horas, no Pavilhão Municipal de Ponte de Lima. “Os Limianos” lideram a zona Norte e apelam aos adeptos todo o apoio para os ajudar a ultrapassar este obstáculo.

Entretanto, no domingo de manhã, a equipa de iniciados da Associação “Os Limianos” joga com o Monção no Campo do Cruzeiro, em Ponte de Lima.

PAREDES DE COURA: REAL CONFRARIA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO PREPARA CERIMÓNIAS DAS XL HORAS

A Real Confraria do Divino Espírito Santo de Paredes de Coura está a preparar as as cerimónias solenes das XL Horas que vão ter lugar em Paredes de Coura, nos próximos dias 19, 20 e 21 de Fevereiro.

Os atos religiosos, celebrados na Capela do Divino Espírito Santo, na Vila de Paredes de Coura, começam no domingo, pelas 11 horas, com a celebração da Santa Missa, Sermão e Exposição do Santíssimo Sacramento. Pelas 16 horas, haverá Canto de Vésperas e Bênção do Santíssimo Sacramento.

Na segunda-feira, dia 20, os fiéis poderão confessar-se a partir das 10 horas, sendo que, uma hora mais tarde, será celebrada a Santa Missa com Sermão e Exposição do Santíssimo Sacramento.

As cerimónias de desagravo encerrarão na terça-feira, às 11 horas, com Missa, Sermão e a Procissão do Santíssimo Sacramento.

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ENGº FERNANDO LIMA FERNANDES, GRÃO MESTRE DO GRANDE ORIENTE LUSITANO, REALIZA CONFERÊNCIA EM FAMALICÃO ACERCA DA MAÇONARIA

Curriculum Vitae

Eng.º Fernando Lima Fernandes

Data de nascimento: 24 de Novembro de 1951, Lisboa

Licenciado em Direito - Universidade Clássica de Lisboa.

Advogado

Mestrado em Direito Europeu, Público e Finanças - Universidade Católica.

Doutorando em Gestão Empresarial Aplicada Iul-Iscte

Presidente da Engil, Abrantina e Galilei.

Membro de diversas organizações não-governamentais.

Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano.

VILA VERDE REALIZA ATELIÊ RECICLAGEM CRIATIVA “AMOR+RECICLADO” COM O LANÇAMENTO DO CONCURSO “LENÇOS DE NAMORADOS COM MATERIAL RECICLÁVEL”

No dia 11 de Fevereiro realizou-se o ateliê de reciclagem criativa com o tema “Amor +Reciclado”, ministrado pela designer Sílvia Abreu, em colaboração com o município de Vila Verde, enquadrado nas atividades de Fevereiro Mês do Romance.

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Foi mais uma manhã de atividades divertidas e amigas do ambiente que aconteceu no passado sábado na biblioteca municipal de Vila Verde. A designer Sílvia Abreu promoveu um ateliê de reciclagem criativa, com os participantes a desenvolveram criações relacionadas com o mês do romance, em particular os Lenços de Namorados, peça típica do artesanato vilaverdense. O passarinho Íris e o Coração Porta-Retratos foram as principais peças, onde também se recriou o Jogo do Galo e um Guarda-Joias, recorrendo a materiais reciclados!

O presidente e a vereadora da câmara municipal, Dr. António Vilela e Dra. Júlia Fernandes juntamente com a fundadora da cooperativa Aliança Artesanal, Conceição Pinheiro, marcaram presença durante a apresentação do concurso “Lenços de Namorados com Material Reciclagem”, onde os participantes são convidados a recriarem os seus lenços recorrendo a materiais reciclados.

Haverá prémios para as três melhores criações, a anunciar durante a cerimónia de abertura da exposição de todos os trabalhos, no dia 24 de fevereiro. Podem participar gratuitamente até dia 22 de fevereiro, entregando as peças a concurso na recepção da biblioteca municipal de Vila Verde. O regulamento pode ser consultado em www.silviaabreu.com.

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No próximo sábado, dia 18 de fevereiro, das 10h às 12h, terá lugar novamente na biblioteca municipal a segunda edição dos ateliês de reciclagem criativa “Amor +Reciclado”, onde para além de criações relacionadas com o mês do romance, os participantes são presenteados com ideias para o Carnaval, porque fevereiro também é o mês carnavalesco!

Novas ideias e novos projetos estão em curso, como são exemplo a digressão pelas escolas do concelho e um workshop de reciclagem criativa para a época da Páscoa!

Mais informações em www.silviaabreu.com.

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CASA DO MINHO EM NEWARK É O ELO DE LIGAÇÃO DA COMUNIDADE MINHOTA RADICADA NO ESTADO DE NEW JERSEY, NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

Constituída há vinte e cinco anos, a Casa do Minho em Newark é o local de encontro e união da comunidade minhota naquela cidade do Estado de New Jersey. Em Newark, os nossos conterrâneos vivem sobretudo no Ironbund, um bairro onde aliás vive a maior parte por portugueses e brasileiros ali radicados e ondo o português é a língua mais ouvida.

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A Casa do Minho revela a pujança e a juventude de uma comunidade que procura ardentemente manter vivas as suas raízes culturais e a sua identidade. O seu Rancho folclórico e o seu grupo de zés-pereiras constituem a alma da associação, bem assim como o seu grupo de Juventude.

Mesmo distante das suas terras de origem ou de seus pais, os nossos conterrâneos em Newark dançam o vira, a chula e a cana-verde como qualquer minhoto que não foi arrancado ao seu rincão natal porque, apesar do imenso oceano que o separa, o coração está sempre presente. Por isso, ele vibra ao som da concertina e depressa se embala ao ritmo do nosso folclore.

À sua maneira, os nossos conterrâneos radicados nos Estados Unidos da América como, aliás, um pouco por todo o mundo, constituem os seus ranchos folclóricos, reeditam as festas, preservam as tradições e sobretudo conservam os laços que os unem entre si e fazem dos minhotos uma efetiva comunidade, preservando a solidariedade humana que é, afinal de contas, a primeira razão de ser da criação da Casa do Minho em Newark.

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Fotos: Casa do Minho NJ

JORNAL "CARDEAL SARAIVA" É UM DOS PERIÓDICOS MAIS ANTIGOS DO MINHO E DO PAÍS!

As origens da imprensa regional estão intimamente ligadas à necessidade de difusão das ideias do liberalismo e do republicanismo, beneficiando do avanço das técnicas da impressão tipográfica e da sua vulgarização. A partir dos finais do século XIX, surgiram um pouco por todo o país jornais regionais que eram sustentados sobretudo pelo comércio local e por uma pequena burguesia instalada nos pequenos aglomerados urbanos da província. Muitas das vezes, por detrás do lançamento de muitos dos jornais regionais encontravam-se as lojas e os triângulos maçónicos em funcionamento nas respetivas localidades.

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À semelhança do que sucedia com o jornal “O Século”, claramente identificado com a propaganda republicana e anticlerical como aliás o próprio título sugere, dirigido por Magalhães Lima, grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, também os jornais regionais assentavam numa rede de correspondentes locais, costume que curiosamente ainda se mantém.

Com o estabelecimento do Estado Novo, a Imprensa regional veio a adaptar-se às novas circunstâncias, caindo numa longa letargia que a impediu de se desenvolver tecnologicamente e inovar a sua linha editorial. Com processos tipográficos antiquados, muitos jornais ainda há relativamente pouco tempo ocupavam as suas páginas com a publicação de extensas colunas de aniversariantes e outras crónicas de natureza social, logrando desse modo obter a ajuda dos seus assinantes.

A década de oitenta do século passado marca um ponto de viragem para a Imprensa regional. A partir de então foram-lhe colocados desafios com vista à modernização dos parques gráficos, mormente à utilização do offset na impressão dos jornais e à adoção dos novos sistemas de fotocomposição. Muitos deles avançaram para a profissionalização do seu quadro redatorial, deixando de limitar-se à colaboração voluntária dos seus correspondentes e outros colaboradores. Entretanto, as novas tecnologias da informação obrigaram a utilização da Internet e a disponibilização de conteúdos on-line.

O Minho possui um conjunto bastante apreciável de jornais históricos que foram acompanhando a evolução dos tempos e continuam a chegar aos seus leitores. Entre eles, conta-se naturalmente o semanário “Cardeal Saraiva” que se publica em Ponte de Lima desde 15 de Fevereiro de 1910. Um título que evoca precisamente os ideais de liberdade defendidos por aquele que foi uma das figuras mais ilustres de Ponte de Lima e do país.

A assinalar a efeméride, o BLOGUE DO MINHO saúda a Imprensa da nossa região em geral e todos quantos tornam possível a publicação do jornal “Cardeal Saraiva” em particular, no reconhecimento do seu papel em defesa dos interesses locais e progresso das gentes do Minho.

O primeiro número do jornal "Cardeal Saraiva" foi publicado em 15 de Fevereiro de 1910 

"O jornal Cardeal Saraiva é um jornal semanário que se edita em Ponte de Lima ininterruptamente desde 15 de Fevereiro de 1910.

António Ferreira, Juiz Desembargador, natural de Ponte de Lima, foi o seu fundador. O espírito da fundação foi criar um jornal novo, isento, cujo título pudesse ser uma homenagem a gente da terra.

Daí a razão de ser do título. Cardeal Saraiva foi um ilustre limiano que dava pelo nome de Francisco S. Luis Saraiva. Foi uma figura ilustre da igreja tendo sido Bispo de Coimbra e Patriarca de Lisboa, mas também Reitor da Universidade de Coimbra, deputado às Corte e até Ministro do Reino.

Desta forma o título deste jornal foi no tempo a única homenagem a esta figura ímpar nacional.

Apesar de o título poder sugerir alguma ligação religiosa, o Jornal Cardeal Saraiva é - e sempre foi - um jornal isento, aberto a todas as crenças e defensor da liberdade de expressão.

Para Castilho, o Cardeal Saraiva foi o grande introdutor da liberdade em Portugal.

Após o período inicial e ainda no primeiro ano de fundação, o jornal Cardeal Saraiva passou a ser propriedade de Avelino Pereira Guimarães, empresário limiano, natural de Pereiro, Labrujó e radicado na vila limiana.

Desde essa data até aos dias de hoje, o Jornal Cardeal Saraiva é propriedade da família.

Em 1991 o jornal Cardeal Saraiva informatizou profissionalizou a sua redação, tendo nessa altura alargado a sua área de ação. Numa conjugação com a realidade da região, o espaço geográfico da recolha de notícias passou a ser a Ribeira Lima, compreendida pelos municípios de Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Ponte de Lima e Viana do Castelo, mais tarde alargado aos municípios de Esposende e Caminha.

Nos dias de hoje, e após evolução natural, este semanário alargou já o seu espaço noticioso a todo o distrito de Viana do Castelo, tendo correspondentes locais nos principais municípios do distrito."

in http://www.cardealsaraiva.com/

O Cardeal Saraiva, figura proeminente do liberalismo que nasceu em Ponte de Lima, é o patrono do jornal que sempre perseguiu uma orientação livre e pluralista, constituindo uma referência da Imprensa regional do nosso país.

PAREDES DE COURA REALIZA COLHEITA DE SANGUE

A ADASPACO – Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Paredes de Coura, promove no próximo domingo, dia 19 de fevereiro, mais uma colheita benévola de sangue. A colheita será realizada pelo Centro Regional de Sangue do Porto e terá lugar na Casa do Dador de Paredes de Coura, entre as 9h e as 12h30.

A ADASPACO confia na generosidade dos dadores porque dar sangue é dar vida e considera importante a participação de todos. E apela à solidariedade: “É muito importante a sua participação, contamos consigo para dar sangue. Venha dar sangue e traga um amigo para participar pela primeira vez”.

Para mais informações ou esclarecimentos, sugerimos que contate a

CASA DO DADOR – SEDE SOCIAL DA ADASPACO

Avenida Cónego Dr. Bernardo Chouzal, n.º 37

4940-520 Paredes de Coura

Telefone 251783641

adaspaco@sapo.pt

 

COURENSES VÃO PERCORRER TRILHO DAS GARÇAS

É já no próximo domingo, dia 19 de fevereiro, que os courenses vão fazer o percurso do trilho das garças, numa atividade que, para além dos benefícios físicos e para a saúde, proporciona excelentes paisagens e magníficos recantos do Concelho de Paredes de Coura.

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Dia 19| Domingo | 09:00Trilho das Garças

Concentração: Igreja Paroquial de São Pedro de Formariz

Distância a percorrer: 12 Km

Duração: 3hDificuldade: Fácil/Moderado

O TRILHO DAS GARÇAS é um percurso integrado na Rede Municipal de Percursos Pedestres do concelho de Paredes de Coura. Trata-se de um percurso marcado segundo as diretrizes internacionais. Este percurso envolve as freguesias de Formariz, Infesta, Paredes de Coura e Mozelos.

http://www.cm-paredes-coura.pt/portal/page/paredesdecoura/portal_municipal/Garcas_1.pdf

VILA VERDE: RECICLAGEM CRIATIVA VAI À ESCOLA EM ARCOZELO

O Jardim de Infância de Arcozelo, em Vila Verde, vai no próximo dia 15 de fevereiro receber o projeto de workshops de reciclagem criativa orientado pela designer Sílvia Abreu. A iniciativa, subordinada ao tema “O dia dos amiguinhos”, conta com o apoio da Junta de Freguesia de Arcozelo e a colaboração da Câmara Municipal de Vila Verde.

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O projeto de workshops de reciclagem criativa da designer Sílvia Abreu, em colaboração com o município de Vila Verde, entrou numa nova fase: “Vai à Escola”. Paralelamente às edições que se realizam na biblioteca municipal, outras terão lugar pelas escolas e jardins-de-infância do concelho, com a primeira edição a acontecer no próximo dia 15 de fevereiro, das 10h às 12h, no Jardim de Infância de Arcozelo que integra o Agrupamento de Escolas da Ribeira de Neiva.

As crianças que compõem este jardim-de-infância serão brindadas com atividades diretamente relacionadas com o mês do romance, adaptadas à sua realidade, com o dia dos amiguinhos em substituição do dia dos namorados, porque romance também é amizade! Serão construídos passarinhos dos Lenços de Namorados (lenço das quadras), recorrendo a rolos de papel higiénico e restos de tecido e um crocodilo batizado de Gaspar, o novo amigo do passarinho Íris.

Este projeto continua a pretender a sensibilização de todos e em especial das crianças para a importância da reciclagem. Temos de construir um mundo mais limpo, onde a amizade e o amor possam existir livres de coisas que os “sujam” e poluem o nosso planeta! Os jovens participantes são os responsáveis pela recolha dos materiais para as criações artísticas que serão elaboradas, num ambiente de alegria, festa, entreajuda e muita amizade.

Sílvia Abreu licenciou-se em Design Gráfico pelo Instituto Politécnico do Cavado e do Ave. Possui uma vasta experiência no universo designer. Colabora com empresas particulares e órgãos públicos como designer gráfica e desenhadora de construção civil. Sílvia Abreu além de designer também é professora de Educação Visual, Formadora na área do Design e Artesanato.

ARCOS DE VALDEVEZ É TERRA DE ENCANTO E BELEZA

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Vista panorâmica de Rio Frio, em Arcos de Valdevez.

                                      RIO VEZ

                                     

                                      Descendo do alto da serra

                                      O Rio vez sem parar

                                      À nossa querida terra

                                      Muita beleza vem dar

                                     

                                      Belezas que são um encanto

                                      Que a qualquer um causa espanto

                                      São mesmo maravilhosas

                                      Desde a Toural às Pedrosas

                                     

                                      E no Verão

                                      Tempo de calor

                                      O arcuense a tranpinar

                                      Nele vai mergulhar

                                      Para se refrescar

                                     

                                      Até mesmo os turistas

                                      Ao verem o nosso Rio

                                      Não resistem à tentação

                                      Principalmente no Verão

                                      De seus sapatos tirar

                                      E em suas águas seus pés molhar

                                     

                                      No Inverno com suas cheias

                                      Que tantos danos vem causar

                                      Ninguém, mesmo ninguém

                                      O deixa de admirar

                                     

                                      Os pescadores, esses então

                                      Os seus peixes vão pescar

                                      Ele pensa e com razão

                                      Que o estão a roubar.

                                      A vida é mesmo assim

                                      E ele, o nosso rio, sabe perdoar.

Zé Manel Fernandes

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Paisagem do rio Vez junto ao açude do Hotel Ribeira.

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Ponte pedonal sobre o rio Vez, em Arcos de Valdevez. (Fotos: Marques Pereira)

ESTARÃO OS MINHOTOS CONDENADOS A ERRAR PELO MUNDO?

Carlos Gomes

In Jornal “NOVO PANORAMA” nº62, de 9 de Fevereiro de 2012

O homem é o capital mais precioso. Ainda que possa beneficiar das remessas enviadas pelos seus emigrantes, o êxodo populacional jamais favorece o desenvolvimento económico do país que vê partir a sua melhor força de trabalho, geralmente constituída por população mais jovem e, não raras as vezes, por mão-de-obra especializada e com elevada formação como actualmente está a suceder em Portugal. Vem isto a propósito da afirmação recente do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Dr. Miguel Mestre, que perante a comunidade portuguesa em São Paulo, no Brasil, defendeu que os jovens portugueses deveriam “sair da zona de conforto” e emigrar.

Desde há muito tempo que o Minho vê os seus filhos partir para o estrangeiro à procura de melhores condições de vida, com as naturais consequências humanas e sociais que a emigração implica, pelo que a afirmação do governante não nos podia deixar indiferentes.

Desde meados do século XIX que os minhotos, incluindo aqueles que nasceram nestas terras do Vale do Lima, partiram em levam sucessivas para o Brasil, quantas vezes viajando clandestinamente nos porões dos navios arriscando a sua própria sobrevivência, para escapar à miséria que grassava nos campos e às políticas desastrosas dos sucessivos governos da Monarquia Constitucional e, posteriormente, da Primeira República que levaram o país à falência e à ditadura militar. Depois, seguiram-se outros destinos como os Estados Unidos da América, a Venezuela, a Austrália e, mais recentemente, França, Suíça, Alemanha, Luxemburgo e Andorra.

Aqueles que não partiram para o estrangeiro rumaram até Lisboa onde, nos primeiros tempos, experimentaram a maior dureza na descarga do carvão nos terminais ferroviários de Alcântara e Poço do Bispo e as agruras de uma existência miserável nas carvoarias dos irmãos galegos amassando “bolas” de carvão. Outros, ainda, preferiram os antigos territórios ultramarinos para começarem uma vida nova, muitos deles seduzidos durante o cumprimento do serviço militar. Com a descolonização, muitos deles não regressaram à sua terra natal, tendo escolhido a República da África do Sul e outros países como novo destino. Agora, em pleno século XXI, numa altura em que nos prometeram um paraíso na Europa onde corria o leite e o mel, eis que um jovem político veio dizer aos minhotos e aos portugueses em geral para voltarem a emigrar, não se atrevendo contudo a indicar a União Europeia como destino…

Perante tão descabida quanto desastrosa atitude como a que foi assumida pelo referido governante, apenas nos cabe das suas palavras concluir que o governo de que faz parte reconhece implicitamente o seu falhanço, não possui uma solução para o país e, como tal, não lhe resta outra alternativa do que sugerir aos portugueses que abandonem o seu próprio país!

Este apelo lançado pelo Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Dr. Miguel Mestre, parece complementar outro não menos eloquente proferido pelo Presidente da República, Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva, por ocasião das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, dirigido aos jovens para que estes regressem à agricultura e contribuam para repovoar as regiões do interior.

Desde a adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia, os sucessivos governos têm vindo a promover o desmantelamento das estruturas produtivas da agricultura portuguesa, a encerrar escolas, centros de saúde e hospitais nas regiões do interior. Através da reforma da Política Agrícola Comum (PAC), impuseram-se cotas que impedem o aumento da produção agrícola e distribuíram-se subsídios a fundo perdido para arrancarem a vinha e outras culturas. Os agricultores que ainda resistem debatem-se com as dificuldades de escoamento dos seus produtos incapazes de concorrer com os produtores estrangeiros que invadem o mercado português. Na nossa região, encerraram-se fábricas de lacticínios, postos de recolha de leite e ameaça-se de falência os Estaleiros Navais de Viana do Castelo. As populações de Valença, Monção, Melgaço, Paredes de Coura e outras localidades estão condenadas a deslocarem-se à Galiza para obterem assistência médica.

Ao longo destes anos, fizeram-se constantes apelos à competitividade e argumentou-se que uma reduzida taxa de ocupação de mão-de-obra no sector primário ou seja, na agricultura, pescas e indústrias extractivas era sinal de desenvolvimento económico, confundindo desse modo a causa e o efeito. E, em consequência dessa visão errada, promoveu-se o despovoamento mas a agricultura não registou evolução tecnológica, até porque não podia comprometer as cotas de produção impostas pela Política Agrícola Comum (PAC).

Perante tão desconchavadas intervenções – do Presidente da República apelando ao repovoamento agrário por parte dos jovens e do referido Secretário de Estado fazendo o apelo a que abandonem o país! – mais não nos resta concluir que Portugal não possui estadistas e políticos à altura de governar e resolver os problemas neste momento particularmente difícil para a nossa vida colectiva. E, em lugar de forçar os minhotos a emigrar uma vez mais, seria mais adequado mandar o governo para o exílio!

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Rua Agostinho José Taveira * 4990-072 * Ponte de Lima * novopanorama@sapo.pt

O MINHO NA INTERNET: PÓVOA DE LANHOSO E O VALE DO CÁVADO

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“Póvoa de Lanhoso” é o título de um blogue que integra uma rede de blogues da região do vale do Cávado, concretamente os concelhos de Amares, Barcelos, Braga, Esposende, Póvoa de Lanhoso e Vila Verde.

Com excelente apresentação gráfica e um informação diversificada de interesse regional, não hesitamos em recomendar o acesso ao “Póvoa de Lanhoso” em http://blogdapovoadelanhoso.blogspot.com/

A ideia de construir uma rede de blogues que se dedicam à divulgação das potencialidades da nossa região é a todos os títulos louvável pois existem as maiores vantagens no trabalho em rede.

A voz e as pronúncias no contexto social e cultural

Como é sabido, o Homem emprega a sua voz como um instrumento musical, porventura o primeiro que “inventou” e utiliza. Tal como a criança ausculta com espanto e curiosidade os sons que emite antes mesmo de conseguir articular as primeiras sílabas, também a humanidade começou por perscrutar os sons da natureza e procurar imitá-los. Mais ainda, através deles tentava identificar aquilo que não via na esperança de entender o seu significado. Afinal de contas, tudo o que ouvia e cuja origem não era perceptível à sua visão e tacto só poderia ter origem em algo que o transcendia, portanto superior e divino. E, por conseguinte, a voz humana apenas poderia ser utilizada para louvar ao Criador da mesma forma que, no período barroco, a música e, de um modo geral toda a forma de arte, destinavam-se a glorificar a obra de Deus.

Mas a voz não constitui apenas um instrumento musical ao ser utilizado como tal. Trata-se ainda de um meio de comunicação e, nessa medida, destina-se a exprimir ideias e sentimentos que naturalmente reflectem formas de estar e de entendimento. Porém, sucede que, de acordo com os textos bíblicos, Deus confundiu os povos ao dotá-los de diferentes linguagens, levando a que estes se dispersassem e abandonassem a obra que haviam iniciado e que consistia na construção de uma enorme torre que haveria de ligar a terra ao céu, o mesmo é dizer religar o Homem ao Divino – a torre da religião universal.

Enquanto instrumento de comunicação, a voz transmite fonemas que nos remetem para uma determinada cultura que identifica o seu portador, não apenas através da utilização de diferentes idiomas como ainda da revelação de pronúncias diferenciadas dentro do mesmo contexto linguístico. Com efeito, a pronúncia ou acentuação característica não constitui uma deformação da forma de comunicar mas antes um legado cultural que é transmitido ao longo de gerações, precisamente através da comunicação oral, sendo determinante a vivência em sociedade. De resto, não existe qualquer forma padronizada de comunicação que possa ser entendida como a expressão verbal correcta e, portanto, a imitar.

A diferente forma de pronunciar que, em todas as culturas, diferencia as diferentes comunidades locais ou regionais, permite não raras as vezes identificar formas dialectais que se encontram na origem da língua utilizada por um determinado povo ou mesmo a antecederam. Existem ainda formas de acentuação verbal que constituem marcas da comunicação que revelam o encontro de diferentes culturas em resultado de factos históricos. Não admira, pois, que detectemos a influência flamenga no falar micaelense ou ainda extraordinárias semelhanças entre a pronúncia dos aldeões do Alto Minho e a forma peculiar dos vizinhos galegos se exprimirem. No sentido inverso, registamos uma notável diferença na pronúncia do r entre as gentes de Coimbra, Lisboa e Setúbal, facto este a que não será alheia a influência árabe.

Por conseguinte, a pronúncia constitui um elemento característico que identifica um determinado povo e, como tal, deve ser preservado no contexto da sua identidade cultural e do seu património linguístico. O seu emprego no âmbito da música tradicional e outras representações folclóricas deve ser observado pois, de outro modo, perderia o seu sentido e a sua significação. Seguramente o cante alentejano seria irreconhecível sem a pronúncia que é característica às gentes do Alentejo!

Durante muito tempo, subsistiu um determinado preconceito que levava muitas pessoas a procurar desesperadamente corrigir a pronúncia que lhes identificava as origens, esforçando-se por imitar o modo de exprimir do lisboeta porque, sendo este citadino e oriundo da capital do país, se supunha erradamente que essa seria a forma correcta de se exprimir. Este fenómeno também se encontra naturalmente relacionado com os fluxos migratórios verificados a partir das localidades do interior para aquela cidade, ocorridos sobretudo desde os finais do século XIX. Sucede que, à parte as diferentes comunidades que formam o mosaico cultural de Lisboa, também as suas gentes alfacinhas possuem um falar característico que é localizável principalmente nos bairros históricos o qual, de maneira alguma poderá ser considerada como a forma padrão de se exprimir na Língua portuguesa.

Existe ainda quem refira a pronúncia de Coimbra como referência do modo falar alegadamente correcto, justificando-o com a existência secular da Universidade de Coimbra. Porém, é ponto assente que a Língua portuguesa teve no cancioneiro medieval galaico-minhoto as suas origens, beneficiando da influência da poesia provençal e da sua irradiação graças aos peregrinos que percorriam os caminhos para Santiago de Compostela. Da mesma forma que a Reconquista Cristã a partir dos reinos visigodos estabelecidos no noroeste peninsular fizeram do Minho a nossa primeira Pátria, num espaço de tempo histórico relativamente coincidente. Mas ela não se limita às primitivas influências do latim, do árabe e dos dialectos germânicos – a Língua portuguesa construiu-se em contacto com inúmeros povos, sobretudo a partir das Descobertas, dos quais também recebemos vastíssimos conhecimentos e conceitos, enriquecemos o vocabulário e assimilámos novas gentes que trouxeram consigo os respectivos falares. Aliás, foi precisamente esta epopeia somada à época moçárabe ou seja, o período no qual os cristãos viveram sob o domínio muçulmano, que leva às diferenças actualmente existentes entre o Português falado em Portugal e na Galiza, distinção que os reintegracionistas galegos têm procurado ultrapassar.

É certo que a sociedade moderna reclama dos indivíduos uma melhor comunicação e clareza na exposição das ideias, o que exige uma forma de expressão entendível. Os núcleos populacionais já não vivem de uma forma tão isolada como outrora sucedia, sendo necessária a utilização de uma linguagem que toda a gente entenda. Daí a razão, aliás, de uma crescente aquisição de conhecimentos ao nível de línguas estrangeiras, situação que não se verificava em épocas mais recuadas. Mas, para além da clareza da comunicação na forma de falar, nada mais justifica o abandono e supressão das pronúncias regionais e locais. Para além de constituírem objecto de estudo no domínio da linguística, elas são tanto mais importantes no domínio da preservação do folclore, mormente na utilização da voz como instrumento musical e de transmissão de cultura. Aliás, à semelhança do que se verifica com a linguagem corporal enquanto forma de comunicação, a transmitir o carácter e as ideias de personagens-tipo que o folclore representa.

GOMES, Carlos. http://www.folclore-online.com/

PINTORA RICARDINA SILVA EXPÕE EM AVEIRO

A pintora Ricardina Silva tem patente na Casa Municipal da Juventude de Aveiro, até ao próximo dia 22 de Fevereiro, uma exposição de pintura subordinada ao tema “Imagination”. A exposição conta com o apoio do BLOGUE DO MINHO e pode ser visitada das 9h30 às 12h30 e das 14h às 18 h00.

Ricardina Silva expõe obras a óleo, a acrílico e técnica mista, abordando diferentes temáticas numa perspectiva Surrealista e Realista. 

Ricardina Silva nasceu em Esposende e vive actualmente em Caminha. Como ela própria refere, “desde tenra idade que adorava desenhar apenas com um lápis e uma folha branca, guardava todos os desenhos num dossier”. Aos dezassete anos experimentou a pintura sobre tela em acrílico.

Em 2006 realizou a primeira exposição e, a partir de então nunca mais parou. Sucederam-se os concursos e as bienais, passou a experimentar outras técnicas como a pintura a óleo, mista, pastel, aguarela e os desenhos começaram a ser realizados a carvão e grafite.

Para a artista, “cada obra é como um poema harmonioso, de cores luminosas que transparecem num clima rimático e transmitem a paz interior que desejo. Quando realizo um desenho ou uma pintura entrego o meu coração… a minha alma. É como se viajasse para um sítio maravilhoso e mágico, onde não existe o sofrimento, mas sim alegria e cor. Normalmente, para a realização das minhas obras utilizo diversas técnicas como o óleo, o acrílico e a mista. Apesar do diversificado leque de temáticas que já executei, nas minhas obras a que predomina é a do mar, remontando às minhas origens”.

Os seus trabalhos têm percorrido diversas localidades do nosso país onde têm registado grande aceitação, nomeadamente em Ourém e Ponte de Lima onde recentemente estiveram expostos ao público.

A pintora Ricardina Silva tem apresentado os seus trabalhos em diversos concelhos minhotos e um pouco por todo o país.

JUVENTUDE DA CASA DO MINHO DE NEWARK, EM NEW JERSEY, FESTEJA O DIA DE SÃO VALENTIM

A Juventude da Casa do Minho em Newark festeja hoje o dia de São Valentim. É dia de festa entre a comunidade portuguesa do Estado de New Jersey, nos Estados Unidos da América.

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Onde quer que se encontre, o minhoto leva consigo a concertina e a sua maneira alegre de viver. E, aos primeiros acordes de um vira, uma chula ou uma cana-verde, reúne de imediato à sua volta todos os portugueses, irmanados da mesma alegria e entusiasmo, qualquer que seja a sua origem em território nacional. Até o indolente alentejano que dá sempre voz às mais belas toadas do cante, depressa se rende ao ritmo alegre e jovial das gentes minhotas.

A Casa do Minho em Newark, nos Estados Unidos da América, é uma associação que congrega a comunidade minhota e portuguesa radicada no Estado de New Jersey, contribuindo para o reforço dos seus laços de solidariedade e a preservação da identidade cultural das nossas gentes, mormente junto das gerações de luso-descendentes.

A Juventude da Casa do Minho revela-se como a alma da associação a contribuir para a sua dinamização e garante do futuro. Os jovens minhotos radicados em Newark são o porta-estandarte da Casa do Minho e os verdadeiros embaixadores da nossa região no Estado de New Jersey. O BLOGUE DO MINHO saúda o seu entusiamo e espera acompanhar as suas atividades.

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Fotos: Casa do Minho (Newark, NJ)

BRAGA: CANTOR CARLOS MENDES PARTICIPA NOS “SERÕES NO BURGO / TERTÚTIAS RUSGUEIRAS”

O cantor Carlos Mendes vai no próximo dia 17 de fevereiro participar na 57ª edição dos “Serões no Burgo/Tertúlias Rusgueiras” que se realiza em Braga, numa iniciativa da Rusga de S. Vicente.

No Teatro da Escola Secundária Sá de Miranda, às 21h:30, um piano o aguarda. Carlos Mendes desfiará memórias que leva na bagagem e outras estórias para partilhar. Através do seu teclado, onde jazem para sempre, alegrias e tristezas, emoções sentidas e passadas....

Carlos Mendes cantará e falará da sua vida, e das vidas que com a dele se cruzaram. Uma delas, foi a de um saudoso pianista. Que, por um mero acaso - ou talvez não -, era um prestigiado músico bracarense, de seu nome, José Sarmento. Daí, o tema proposto para a seranzada: "Carlos Mendes - um piano, memórias e outras estórias com músicas dentro".

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