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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

FAMALICÃO: MUSEU BERNARDINO MACHADO ORGANIZA CICLO DE CONFERÊNCIAS SOBRE A MAÇONARIA

Ciclo de conferências: A Maçonaria em Portugal. Do século XVIII ao século XXI

Título: A Maçonaria: Instituição de saber ou de poder?

Oriente Lusitano

Curriculum Vitae

Eng.º Fernando Lima Fernandes

Data de nascimento: 24 de Novembro de 1951, Lisboa

Licenciado em Direito - Universidade Clássica de Lisboa.

Advogado

Mestrado em Direito Europeu, Público e Finanças - Universidade Católica.

Doutorando em Gestão Empresarial Aplicada Iul-Iscte

Presidente da Engil, Abrantina e Galilei.

Membro de diversas organizações não governamentais.

Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano.

Data: 17 Fevereiro

Hora: 21h30

Local: Museu Bernardino Machado

 

Museu Bernardino Machado

Rua Adriano Pinto Basto, n.º 79

4760-114 Vila Nova de Famalicão

Telef. 252 377 733

email: museu@bernardinomachado.org

Entrada gratuita

Aguarda acreditação do Centro de Formação Científica

Prof.es da disciplina de História, Filosofia e Sociologia

PONTE DE LIMA: CABRAÇÃO É UM SANTUÁRIO DA NATUREZA!

Rodeada de floresta e sem iluminação pública até há escassas quatro décadas, a Cabração viveu ao longo de séculos isolada na encosta da serra, fechada sobre si mesma, temerosa do bulício que ocorria à sua volta. De importantes acontecimentos que vieram a ficar na História chegava, por vezes, o som longínquo que ecoava para além dos montes, umas vezes do lado da Galiza quando a Espanha esteve a ferro e fogo, outras mais a sul quando os realistas proclamaram em Viana do Castelo a restauração do regime monárquico. Na Cabração, apenas na Além foi hasteada a bandeira monárquica por essa altura, na casa que foi dos Carmo.

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Nesta casa foi hasteada a bandeira realista quando foi proclamada a Monarquia do Norte, em 1919

À noitinha, à lareira, contavam-se estórias de almas penadas que apareciam nas encruzilhadas e de bruxas que se juntavam sob a velha ponte de madeira que, mais à frente da Regueira ligava à Balouca. Tais crenças que nos testemunham ritos ancestrais ligados ao paganismo, alimentavam a imaginação dos mais novos e fizeram da Cabração terra fértil para a prática de exorcismos que tiveram no senhor abade – o padre Manuel Lopes Miranda – o último representante do guardião do paraíso.

A feira de Ponte de Lima que se realiza todas as segundas-feiras desde tempos imemoráveis e cujo testemunho documental mais antigo que se conhece é o foral atribuído por D. Teresa em 1125, era praticamente a única saída para o mundo. Até ao aparecimento da camioneta da carreira, o povo juntava-se em ranchos e lá ia, reta abaixo, até à bila. Ali, enquanto uns feiravam, outros guardavam as compras. Os mais novos aproveitavam para fazer novos namoricos. O ponto de encontro era junto à torre onde se encontra o magnífico painel de azulejos de Jorge Colaço que conta a lenda da Cabração. Mais recentemente, as pessoas juntavam no Café Guerra que ficava próximo. E, à tardinha, regressavam à terra ainda a tempo de darem de comer ao gado.

A partir dos começos do século vinte, muitos filhos desta terra debandaram para o Brasil e Lisboa. Mais tarde, nos anos sessenta, a França tornou-se o principal destino mas houve ainda quem se aventurasse por outras paragens, como Espanha, Alemanha e até os Estados Unidos da América. E, quem ficava, via com desconsolo as leiras ficarem de velho. À parte a ocasião em que se realiza a festa à Padroeira no 15 de agosto, pouco mais de uma centena de almas povoa a localidade. Porém, a Cabração chegou a ter mais de meio milhar de habitantes.

Apesar de humilde, é uma terra cheia de encantos de rara beleza e um local bastante aprazível para viver, suficientemente distante do frenesi dos grandes aglomerados urbanos. Aqui escorria o mel que as abelhas produziam em milhares de colmeias que povoavam os montes onde cresce toda a sorte de plantas silvestres respirando ar puro. E também o leite dos numerosos rebanhos de cabras que outrora aqui apascentavam e vieram a dar nome à terra – Cabras são, Senhor!

A Cabração é terra antiquíssima como se documenta pelo conhecimento que se tem da existência de um povoado castrejo pré-romano e do Convento da Carrapachana cuja localização não foi ainda possível determinar com absoluta segurança, apesar dos vestígios de ruínas no Outeirinho e na Costa. Mas, a humildade da terra não permitiu despertar até ao presente o interesse dos arqueólogos.

Não obstante, aqui nasceram algumas das mais ilustres figuras de Ponte de Lima como foi o Dr. Augusto Joaquim Alves dos Santos que, para além de eminente pedagogo, teólogo, escritor, político e cientista, foi o introdutor do estudo da Psicologia em Portugal, tendo na Universidade de Coimbra criado um laboratório, atualmente transformado em museu que ostenta o seu nome.

Ao perpetuar a sua memória na toponímia da vila, Ponte de Lima reconheceu a sua importância. Porém, como pedagogo, bem poderia tornar-se o patrono de uma das escolas do nosso Concelho e, sobretudo, a sua vida e a vasta obra que produziu serem dadas a conhecer aos seus conterrâneos.

Nos tempos que correm, a luz elétrica já ilumina os caminhos da freguesia. Porém, a razão ainda não ilumina as mentes que continuam a ignorar a extraordinária riqueza histórica, paisagística e ambiental que a Cabração guarda dentro de si e, qual santuário, preserva longe dos olhares profanos.

O Dr. Alves dos Santos, uma das figuras mais ilustres de Ponte de Lima, nasceu na Cabração

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O padre Manuel Lopes Miranda realizando um dos seus exorcismos

CABRAÇÃO FESTEJA A NOSSA SENHORA DO AZEVEDO

No dia 15 de agosto, festeja a Cabração a Nossa Senhora do Azevedo, padroeira da Freguesia. Neste dia, todos os filhos que em terras distantes labutam, estejam em Lisboa ou no estrangeiro, regressam à terra para encontrarem-se com os seus familiares e amigos. É a festa maior da freguesia que por essa altura se torna muito populosa. Atualmente, durante a maior parte do ano, apenas ali vive pouco mais de uma centena de almas numa vastidão com mais de dezasseis quilómetros quadrados, superior ao território de alguns concelhos do país.

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Mas, apesar da escassez de gente, a festa nunca deixa de realizar-se e, da capela de Nossa Senhora do Azevedo, saem os pendões e os andores enfeitados em procissão até à Crus da Veiga, dando a volta ao cruzeiro e regressando pelo mesmo caminho. E, nenhum dos santos falta à procissão…

Também, no domingo que ocorre ao dia 13 de junho, o povo desta terra faz a festa a Santo António.

Em tempos mais recuados, nos finais de julho, também era costume as gentes da Cabração irem em peregrinação a Santa Rica que fica no Alto da Travanca, no limite geográfico com a vizinha Freguesia de Romarigães, do Concelho de Paredes de Coura. O culto e a festa eram realizados pelos povos das duas localidades. Atualmente, as gentes da Cabração ainda vão a Santa Rita mas a festa é organizada pelas gentes de Romarigães.

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Fotos cedidas pelos habitantes da Freguesia da Cabração

A FREGUESIA DA CABRAÇÃO NA "COROGRAFIA PORTUGUEZA"

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“Nossa Senhora da Natividade de Cabração, parece que foi toda, ou parte Couto do Mosteiro de Vitorino, que devia ali ter quinta de criação de gados, o que se infere de uma escritura, que dele se conserva no do Salvador de Braga, para onde se mudou, na qual se diz, que indo El Rei Dom Afonso Henriques à caça de porcos-bravos a esta Freguesia, que é parte da Terra de Arga, acompanhando-o Nuno Velho, Sancho Nunes, Gonçalo Rodrigues, Lourenço Viegas, e outros fidalgos, o Abade de Vitorino lhe deu um jantar junto da Ermida de Azevedo posta no dito monte de Cabração, no fim do qual El Rei lhe demarcou ali um Couto; mas arruinando-se a Capela, Dom Pascoal, Celeireiro em Ponte de Lima d’El Rei Dom Sancho o Primeiro, quis no ano de 1187 devassa-lo com lhe pagarem certos direitos, a que se opôs Dona Sancha Abadessa de Vitorino, e a Justiça mandou se entremeter-se entre o Celeireiro no Couto: hoje o não é, mais que Paróquia com Vigário, que apresentam as freiras do Salvador de Braga: tem oitenta vizinhos. O mel desta terra merece ser tão celebrado de nós, como é de Horácio o do monte Himeto.”

- in Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal... / P. Antonio Carvalho da Costa

DR. ALVES DOS SANTOS: UM LIMIANO ILUSTRE E DESCONHECIDO

É sabido que o Concelho de Ponte de Lima possui uma extensa galeria de figuras notáveis como nenhum outro se pode orgulhar. É de igual modo verdade que, por vezes, muitas destas figuras ilustres permanecem durante certo tempo ignoradas por falta de conhecimento, apesar de em vida terem atingido grande notoriedade.

Foto existente na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, cedida ao autor

O Dr. Alves dos Santos tem sido precisamente uma dessas figuras ilustres e desconhecidas cuja estatura moral e craveira intelectual em muito prestigiam o nosso concelho.

De seu nome completo Augusto Joaquim Alves dos Santos, o nosso ilustre conterrâneo nasceu em 14 de Outubro de 1866, na Freguesia de Cabração, tendo falecido em 17 de janeiro de 1924 na cidade de Coimbra onde viveu e se distinguiu.

Apesar dos esforços desenvolvidos não conseguimos identificar possíveis descendentes ou outros familiares, nomeadamente na Freguesia de que foi natural. Sabemos unicamente que era filho de Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos e Ana Maria Alves Soares.

Não é nosso propósito aqui fazer a sua biografia mas, no caso vertente, não resistimos a enumerar alguns dados biográficos pois o conhecimento do Dr. Alves dos Santos não dispensa apresentação.

Entre os inúmeros cargos que exerceu, o Dr. Alves dos Santos foi Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ministro do Trabalho e por três vezes eleito deputado pelo círculo de Coimbra entre 1910 e 1921, chegando inclusivamente a presidir à Câmara dos Deputados. Foi ainda Diretor da Biblioteca da Universidade de Coimbra e, um ano após a implantação da República, Chefe do Gabinete do Presidente do Governo provisório.

Foi um eminente teólogo, tendo frequentado o curso de Teologia do Seminário de Braga e recebido ordens sacras. Comendador da Ordem de Santiago em 1904, lecionou Grego e Hebraico no Liceu de Coimbra, Pedagogia, Psicologia e Psicologia Infantil nomeadamente na Escola Normal Superior daquela cidade e, entre inúmeras cadeiras, Pedagogia, Psicologia e Lógica, História da Filosofia e Psicologia Experimental na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

A ele se deveu a instalação do Laboratório de Psicologia daquela Faculdade, no qual também desempenhou as funções de Diretor.

A sua obra literária é igualmente vasta, sendo de destacar os seguintes trabalhos:

- “Concordismo e Idealismo”, publicado em 1900;

- “O Problema da origem da família e do matrimónio em face da Bíblia e da Sociologia”, editado em 1901;

- “A nossa escola primária – o que tem sido e o que deve ser”, em 1910;

- “O ensino primário em Portugal, nas suas relações com a história geral da nação”, em 1913;

- “Elementos de filosofia científica”, em 1918;

- “Portugal e a Grande Guerra” (duas conferências), Coimbra, 1913;

- “Psicologia experimental e Pedagogia”, Coimbra, 1923;

O Dr. Alves dos Santos foi militante do Partido Republicano Nacionalista desde que se extinguira o Partido Republicano Evolucionista do Dr. António José de Almeida.

Sobre o seu perfil político, o periódico “O Despertar” de Coimbra, na sua edição de 19 de janeiro de 1924 afirmava:

Foi um orador fluente. Tanto da tribuna sagrada como em comícios públicos e mais tarde no parlamento, o sr. Dr. Alves dos Santos era sempre ouvido com o mais vivo interesse.

Conhecedor a fundo da língua, o saudoso extinto era fecundo em maravilhosas imagens, chegando, por vezes, a empolgar a assistência, com o seu gesto largo e manifesta sinceridade que exprimia às suas palavras.

Os seus adversários políticos, nomeadamente, eram os primeiros a reconhecer-lhe o mais formoso talento”.

Ainda segundo o mesmo periódico, o Dr. Alves dos Santos era uma figura “essencialmente popular, sem escusados preconceitos”, “estimadíssimo em Coimbra” e “um amigo devotado das crianças, às quais dedicava os mais vivos afectos”, razão pela qual lhes consagrou muitos dos seus estudos.

O Dr. Alves dos Santos residia no número catorze da rua Alexandre Herculano, na cidade de Coimbra, e faleceu na sequência de “uma horrorosa enfermidade para a qual a sciencia médica é ainda impotente”, conforme noticiava a “Gazeta de Coimbra”, no dia do seu falecimento.

No seu funeral estiveram representadas a Universidade de Coimbra, o Governador Civil do Distrito, os ministros do Interior e do Trabalho, a Câmara Municipal de Coimbra e a Misericórdia local entre numerosas outras entidades. Isto apesar da vontade manifesta do Dr. Alves dos Santos na realização de uma cerimónia fúnebre discreta.

Na Câmara Municipal e no Centro Nacionalista foi içada a bandeira nacional a meia haste e na Câmara dos Deputados foi aprovado um voto de sentimento.

Os restos mortais do Dr. Alves dos Santos encontram-se depositados no Cemitério da Conchada, em Coimbra, mais concretamente na sepultura nº. 16 do leirão nº. 23, conforme notícia publicada em “O Despertar” de 19 de janeiro de 1924.

O seu nome não consta da toponímia da cidade de Coimbra nem do Concelho de Ponte de Lima.

Contudo, como dizia o periódico acima citado na referida edição, o Dr. Alves dos Santos foi um “patriota dos mais eminentes, foi sempre um grande liberal, perdendo o país no saudoso finado um dos seus filhos mais ilustres”.

- Carlos Gomes em “O Anunciador das Feiras Novas”, nº X, Ponte de Lima, 1993

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O Dr. Alves dos Santos (segundo a contar da direita) foi Ministro do Trabalho no governo do Dr. Cunha Leal

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A foto, publicada na revista “Ilustração Portugueza” de 28 de janeiro de 1922, mostra a visita do Dr. Alves dos Santos, na qualidade de Ministro do Trabalho, ao asilo D. Maria Pia 

Notas:

1. Alguns anos após a publicação deste artigo, a Câmara Municipal de Ponte de Lima atribuiu o seu nome a uma das artérias da vila limiana.

2. O Dr. Alves dos Santos não teve descendentes diretos. De acordo com pesquisas genealógicas posteriormente efetuadas, Augusto Joaquim Alves dos Santos era oriundo da família Carmo (da Além) dos quais teve origem o apelido Santos e que, por sua vez, veio a ligar-se a um dos ramos da família Gomes, estes provenientes da Balouca. Por conseguinte, os Gomes que se encontram ligados ao “Carmo” são descendentes indiretos do Dr. Alves dos Santos, atualmente primos a partir do 3º grau.

CABRAÇÃO: PÉROLA ESCONDIDA NA SERRA D'ARGA

Qual quadro impressionista no qual o pintor pincelou a tons de verde a clorofila que domina a paisagem, a Cabração é obra-prima do Criador que nas fraldas da serra d’Arga criou um paraíso terreal onde corre o leite e o mel, por sinal tão afamado quanto ao de Himeto, entre os antigos gregos. Quem percorre trilhos e veredas desta povoação – de escassa população mas de grande extensão – pulando os muros de pedra e descendo as ravinas, desde as leiras da escusa às cachoeiras do Passadouro na Balouca, do alto do Chibadouro e dos caminhos sinuosos da Lousa aos recantos da Bemposta, é surpreendido por algo inesperado que se nos oferece aos sentidos. 

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A Cabração é uma sinfonia de cor e luz que nos invade a alma e penetra o coração. Sobre os caminhos, cachos de uvas morangueiras nas latadas exalam um perfume inebriante e o seu suco, qual elixir dionisíaco, deixa um aroma que nos extasia, proporcionando uma atmosfera divinal que nos remete para o monte Parnaso onde António Feijó se inspirou ao redigir os seus versos:

                                      "Nasci à beira do Rio Lima,

                                      Rio saudoso, todo cristal,

                                      Daí a angùstia que me vitima,

                                      Daí deriva todo o meu mal.

                                     

                                      É que nas terras que tenho visto,

                                      Por toda a parte por onde andei,

                                      Nunca achei nada mais imprevisto,

                                      Terra mais linda nunca encontrei.

                                     

                                      São águas claras sempre cantando,

                                      Verdes colinas, alvor de areia,

                                      Brancas ermidas, fontes chorando,

                                      Na TREMULINA DA "LUA CHEIA".

                                     

                                      Se é funda a mágua que me exaspera,

                                      Negra saudade que me devora...

                                      Regresso a ti - Volta a Primavera,

                                      À noite escura segue-se a aurora.

                                     

                                      Oh meus Amigos, quando eu morrer,

                                      Levai meu corpo despedaçado.

                                      Na minha terra, já sem sofrer,

                                      Dormir eu quero mais descansado.

                                     

                                      Belos domingos os das aldeias,

                                      Manhãs serenas, que alegrias,

                                      Um Deus amável até as feias,

                                      Leva cantando à romaria.

                                     

                                      Danças alegres há pelas eiras,

                                      Cantigas tristes pelas quebradas,

                                      Capelas brilham entre roseiras,

                                      As flores sorriem ás namoradas.

                                     

                                      Rindo e sonhando, passam as horas,

                                      Pelos outeiros do meu lugar,

                                      Lábios risonhos tintos de amoras,

                                      Bocas vermalhas sempre a cantar..."

António Feijó

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Vista aérea da Freguesia da Cabração, nas fraldas da Serra d'Arga

" (...) Mas saltara tão de improviso, que mal o viram relampejar, através do brejo, por uma das suas seitas, e num ápice se punha lá para a Cabração, em cujos tesos, a avaliar pelos latidos espaçados, os cães lhe perderam o rasto. Agora, em despeito da ressega, a cada passo os podengos soltavam a sua fanfarra e os gritos dos caçadores: cerca; aboca; ai, cãezinhos duma cana! repercutiam alacremente nas circunvolações dos oiteiros, debaixo do céu lavado.

O tojo, às duas margens do córrego, dava pela cinta dum homem; sobros e carvalhiços anões cresciam em touceiras tão fartas que a caça facilmente se escamugia e tinha bom encosto para alapardar-se."

Aquilino Ribeiro, em A Casa Grande de Romarigães

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Um aspecto do Lugar da Igreja, vulgo "baixa". 

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Um cruzeiro, a fonte e o espigueiro.

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Um aspecto da veiga da Cabração

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O Chouso e, ao longe, o Lugar da Lousa

VENHA DESCOBRIR A ALDEIA DE CABRAÇÃO

A 14 km para noroeste de Ponte Lima, a aldeia de Cabração situa-se entre duas elevações de natureza distinta: a ocidente, a Serra de Arga, uma imponente montanha granítica; a leste, a cumeada de xistos do Formigoso.

O meio envolvente...

Percorrendo a aldeia fica-se com a visão de uma geologia invulgar, pelos materiais usados na construção e ornamentação tradicionais, em especial xistos e granitos. Afloram por aqui algumas rochas quartzo-feldspáticas com grão muito grosseiro e cristais perfeitos vulgarmente conhecidas como pegmatitos. Na primeira metade do século XX, a exploração de estanho num importante conjunto de filões de pegmatito transformou Cabração numa aldeia mineira. A mina de Monteiros é o melhor exemplo dessa atividade. Em algumas escavações mineiras antigas identificam-se, ainda hoje, alguns minerais muito raros, que em Portugal só são conhecidos nesta região. A Serra de Arga, sobranceira à aldeia, deve a sua designação às ocorrências auríferas que foram exploradas no período de ocupação romana da Península Ibérica. Algumas minas revelam trabalhos antigos que a arqueologia industrial atribui a este período. As gentes de Cabração identificam-se com a vivência mineira. Sinal desta afinidade é o vocabulário regional, que retém as designações corrompidas de alguns minerais: "volfro" (volframite), "vidrilho" (turmalina gema) ou "louça" (feldspato). Entre os símbolos arquitetónicos, contam-se ruínas de instalações e outros vestígios do ciclo do estanho, e mesmo alguns espaços com apetência para atividades de lazer, como são as albufeiras do Lourinhal, que têm na sua origem a indústria extrativa. Atualmente, os principais alvos de prospeção são os minerais industriais, o feldspato, a andaluzite e a petalite. Em Portugal, a petalite foi descoberta pela primeira vez junto desta aldeia. Persiste assim a apetência mineira e a singularidade geológica de Cabração. Em termos gastronómicos, Cabração distingue-se pelo arroz de sarrabulho, rojões à moda do Minho, cozido à portuguesa, cabrito assado, fumeiro (enchidos e presunto), lampreia, enguias, truta, broa de milho, vinho verde e mel. Quanto ao património edificado merecem destaque alguns cruzeiros e a Igreja Paroquial de Santa Maria da Cabração. É uma igreja muito pequena que esteve ligada ao mosteiro do Salvador, de Braga. Em 1761 foi totalmente remodelada. Os leves labores rococó que se podem ver lavrados nas portas principal e lateral repetem-se no interior em todos os retábulos, mas ganham uma nova dimensão num deles, feito em pedra, um dos raríssimos retábulos da segunda metade do século XVIII feito neste material. Na Cabração atraem ainda a nossa atenção algumas raras casas feitas de xisto. A aldeia, em termos paisagísticos, é enquadrada pelos rios Lima e Estorãos, pelas Serras D’Arga e da Labruja e pelo Lugar da Escusa.

Fonte: http://www.aldeiasdeportugal.pt/

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A imagem mostra a veiga e o Lugar da Igreja

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A "baixa" é o sítio de encontro das gentes desta terra

Vista do Formigoso

Vista panorâmica do Formigoso a partir do Lugar de Além

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Um aspecto do Lugar de Além vendo-se ao fundo o Formigoso

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Os tons verdejantes variam consoante as estações do ano

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Quem sobe ao Lugar da Escusa tem a possibilidade de desfrutar magníficas vistas panorâmicas...

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...e contemplar o gado a pastar nas leiras verdejantes!

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Na Cabração, a natureza surpreende-nos a cada instante com cenários de rara beleza

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Parafraseando Miguel Torga, na Cabração tudo é verde: o vinho é verde, o caldo é verde...

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O casario costrasta com os campos verdejantes dos milheirais

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Ao longe, na outra vertente do Formigoso, atravessa a autoestrada A3 que liga o Porto a Valença...

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A casa do Carmo, assim designada por ter pertencido a uma família com esse apelido, conserva na fachada o escudo nacional que evoca a adesão do seu antigo proprietário à "Monarquia do Norte" em 1919

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O calcetamento dos caminhos rurais foi realizado através exclusivamente dos recursos da terra com a gestão dos baldios

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O Lugar da Escusa é um dos recantos mais bonitos e fascinantes da Cabração

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A Cabração situa-se nas fraldas da Serra d'Arga

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A gravura mostra uma magnífica latada de vinha no Lugar da Escusa

O Formigoso encerra recantos de rara beleza paisagística

A imagem mostra a torre da Capela de Nossa Senhora do Azevedo

Fotos cedidas pelos habitantes da Freguesia da Cabração

CABRAS SÃO, SENHOR...

Segundo rezam os cálculos dos historiadores, o torneio de Valdevez deverá ter ocorrido nos começos de 1140, após o qual volteou D. Afonso Henriques “pelas montanhas próximas, caçando ursos e javalis” e, com os seus ricos-homens e infanções, terá chegado ao “sítio que hoje se chama Cabração”. Desde então, não há memória de algum Chefe de Estado – rei ou presidente da República – ter visitado a Freguesia de Cabração, nem que ao menos fosse para caçar ursos e javalis… 

Painel de azulejos existente em Ponte de Lima, da autoria de Jorge Colaço

“Após o recontro no Rêgo do Azar, quiz D. Afonso Henriques voltear pelas montanhas próximas, caçando ursos e javalis. Convidou alguns poucos ricos-homens e infanções. Quando estavam no sítio que hoje se chama Cabração, apareceu muito açodado o Capelão das freiras de Vitorino das Donas, que à frente de moços com cestos pesados andava desde manhã à busca do real monteador, com um banquete mandado do Mosteiro. Em boa hora vinha a refeição. Estendeu-se na relva uma toalha de linho e sentados em troncos de carvalho cortados à pressa, começou o jantar. Alegre ia correndo. D. Nuno Soares por alcunha o Velho e o postrimeiro para diferença de seu avô, a quem também haviam chamado o Velho e cujas proezas ainda se recontavam em toda a terra da Cervaria, começou a trinchar um leitão assado.

- Parece-me que tens mais jeito para matar infiéis, - disse-lhe o Rei brincando. – Ai Real Senhor, antes eu ficasse morto com os últimos que matei, que desde essa refrega não passo um dia que me não lembre do momento em que o bom cavaleiro Gonçalo da Maia exalou o derradeiro suspiro encostado ao meu peito.

- Quisera eu ouvir da tua boca essa heroica morte do Lidador, interrompeu o Monarca triste, mas curioso. E o Senhor da Torre do Loivo obedeceu, com voz pausada e lágrimas nos olhos.

Ia escurecendo o dia e era tão esquisita a coincidência de estar ali um punhado de homens, senão solenizando um aniversário, festejando uma vitória, que talvez um pressentimento apertasse o coração dos guerreiros.

Atentos, escutavam silenciosos a narração. De golpe ergueu-se o Espadeiro e olhou fito para as bandas da Galiza.

- Que examinas D. Egas? – Perguntou o Príncipe. – Vejo além muito ao longe um turbilhão de pó, que se aproxima. São talvez inimigos que procuram encontrar-nos dcescuidados.

De facto vagalhões de poeira negra encobriam multidão fosse do que fosse. O ruído do tropel era cada vez mais distinto.

- Sejamos prestes – gritou o Rei, cingindo o seu enorme espadão. Todos fizeram o mesmo. – Cavalgar, cavalgar, já não era outra a voz que se ouvia, enquanto cada um se dirigia para o lugar onde prendera o seu cavalo. O capelão olhou, escutou e sentou-se começando a comer aqui e além os deliciosos postres e bebendo aos goles pachorrentos um licor estomacal, resmungando… - Deixa-los ir que voltam breve. Eu era capaz de apostar todo o mel deste monte, em como sei que inimigos são aqueles. E mais dizem que é mel igual ao do Himeto. A historia do Lidador é que lhes esquentou a cabeça.

Pouco depois voltavam os monteadores rindo à gargalhada. – Cabras são: - disse o rei ao apear-se, e, dirigindo-se ao padre: - bem fizestes vós que não bulistes. E D. Afonso tomando um púcaro e enchendo-o de vinho num cangirão, acrescentou.

- Bebi todos, que estais muito quentes e podeis ter um resfriado, e dizei-me depois se não valeu a pena o engano para nos refrescarmos agora com este delicioso néctar.

Capelão, quero comemorar o caso de confundir rebanhos de cabras com mesnada de leonezes e beneficiar o convento para vos honrar a vós que fostes, não sei se mais perspicaz, se mais valente do que nós debicando mui sossegadamente em todos os doces.

Vou coutar aqui uma terra, para que as boas monjas possam de vez em quando apanhar bom ar da montanha e rir-se de nós.

Riscou-se o couto e nessa noite os cavaleiros dormiram na ermida da Senhora do Azevedo. O dito do Rei “Cabras são” corrompeu-se em Cabração.”

Conde de Bertiandos, Cabras São, in “Almanaque de Ponte de Lima, 1923

CABRAÇÃO É UMA DAS MAIORES E MAIS ANTIGAS FREGUESIAS DE PORTUGAL

O BLOGUE DO MINHO publica hoje uma série de artigos dedicados à Freguesia de Cabração, no Concelho de Ponte de Lima. É o resultado de um trabalho coletivo de diversos habitantes desta freguesia que contribuíram nomeadamente com a cedência de fotografias. Alguns, a residir em paragens distantes mas que, nem por isso, esquecem a terra que os viu nascer. Deste modo, as gentes da Cabração partilham em particular com todos os minhotos e os leitores do BLOGUE DO MINHO em geral, as belezas da sua terra e convidam-nas a desvendar os seus encantos, na certeza de que serão recebidos com a tradicional hospitalidade minhota.

Também o gestor do BLOGUE DO MINHO presta deste modo uma homenagem à terra que foi dos seus ancestrais e às suas gentes a quem o ligam uma sincera amizade.

Em relação ao BLOGUE DO MINHO, é seu propósito prosseguir na divulgação das terras do nosso Minho, desde as mais progressivas cidades aos mais humildes lugarejos, esperando para isso poder contar com a colaboração ativa das suas gentes, à semelhança que agora se verifica com a Freguesia de Cabração.

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PAREDES DE COURA CELEBRA DIA DOS NAMORADOS

Durante o dia 14 de Fevereiro de 2012, animadores circenses animarão as ruas e comércios locais, distribuindo balões e muito romantismo, pois não se esperaria mais, vindo dos lindos cúpidos a postos, prontos a atingir quem se atreva a comparecer à chamada do coração. Esta iniciativa destina-se a todos os casais que neste dia passeiem pelas ruas do concelho de Paredes de Coura, e claro a todos os que não se esqueçam do gesto especial no dia especial, da flor, do chocolate, do presente especial, ou gesto...

E para aliciar todos os que desejam partilhar o fim de noite com a pessoa especial, num jantar romântico, e com o intuito de promover a restauração local, serão sorteados cinco packs de fim-de-semana para duas pessoas.

Todos os casais que neste dia jantarem nos restaurantes aderentes ficarão habilitados através do preenchimento de um cupão entregue no final do jantar a um pack de fim-de-semana para duas pessoas num local romântico.

Serão sorteados cincos packs de fim-de-semana destinados aos cincos casais vencedores.

O sorteio terá lugar no dia 20 de Fevereiro pelas 22:00 no Largo Visconde de Mozelos (frente aos Paços do Concelho).

A Organização

Helena Fernandes

"Vessadas" – Associação para o Desenvolvimento Agrícola e Rural das Terras de Coura

Rua de Aquilino Ribeiro - Bloco 3 - Loja1

Paredes de Coura

MUSEU REGIONAL DE PAREDES DE COURA APRESENTA O BOLO DO TACHO

O Museu Regional de Paredes de Coura vai desfrutar de mais um dos seus lanches, previsto no seu plano anual de lanches para 2012. Esta iniciativa vai realizar-se no próximo dia 4 de fevereiro, pelas 15h30, nas instalações do Museu Regional. Esta atividade tem como objetivo a preservação e a divulgação das tradições gastronómicas da região.

A organização conta com o apoio de uma convidada, Alice Filomena Felgueiras, residente no lugar de Lamamá, na Vila de Paredes de Coura.

O Museu Regional de Paredes de Coura encontra-se situado na Rua Aquilino Ribeiro, na vila de Paredes de Coura.

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A QUEM SERVE A LIGAÇÃO FERROVIÁRIA DE ALTA VELOCIDADE DO EIXO PORTO-VIGO?

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CARLOS GOMES

In jornal "NOVO PANORAMA” nº. 61, de 26 de janeiro de 2012

Publicou o anterior governo no Diário da República – I Série, nº. 18, de 27 de Janeiro de 2009, a Resolução do Conselho de Ministros nº 10/2009, de 8 de Janeiro, que “estabelece medidas preventivas com vista à salvaguarda da programação e implementação da ligação ferroviária de alta velocidade do eixo Porto – Vigo, aplicáveis ao troço Braga - Valença”.

Segundo o preâmbulo da referida resolução, a “rede ferroviária de alta velocidade constitui um empreendimento público de excepcional interesse nacional e dimensão ibérica e europeia, que representa um compromisso de desenvolvimento económico, de coesão territorial e social e de sustentabilidade ambiental do País”. Mas, o legislador vai ainda mais longe ao afirmar o seguinte: “O seu objectivo é a reformulação do sector ferroviário, enquanto meio privilegiado de reforço do aumento da produtividade e competitividade do tecido empresarial instalado em Portugal e de satisfação das necessidades de mobilidade das populações”.

Em anexo à Resolução do Conselho de Ministros nº 10/2009 publicam-se os anexos nos quais se define o traçado da ligação ferroviária, verificando-se que Ponte de Lima deverá ser o concelho mais afectado com o referido projecto. Os limianos vão ver passar o comboio pelas suas veigas, atravessar campos de cultivo e derrubar numerosas edificações à sua passagem. Quanto à anunciada “satisfação das necessidades de mobilidade das populações”, não vemos como tal se concretizará uma vez que não está previsto o estabelecimento de qualquer apeadeiro no Concelho de Ponte de Lima!

Outro aspecto que nos deixa bastante intrigados é a forma como a ligação ferroviária de alta velocidade do eixo Porto – Vigo pode representar um “compromisso de desenvolvimento económico, de coesão territorial e social e de sustentabilidade ambiental do País” quando todas as estruturas produtivas têm vindo a ser desmanteladas, tanto a nível nacional como na nossa região. De resto, não se entende como um transporte de passageiros poderia corresponder a tal objectivo. Por outro lado, tendo chegado à conclusão de que a ligação ferroviária a Vigo não é rentável, também devido ao aumento de ligações rodoviárias e fluviais com a Galiza, também não se percebe como um meio de transporte mais dispendioso para os seus utilizadores possa vir a tornar-se mais rentável e utilizado.

Na realidade, quem analisa o traçado da ligação ferroviária de alta velocidade que se pretende implementar em todo o país, facilmente depreende que o mesmo não pretende ligar Portugal à “rede transeuropeia de transportes” mas colocá-lo na periferia de Espanha, transformando Lisboa e o Minho numa espécie de arrabalde de Madrid e Vigo respectivamente. Em relação ao transporte de mercadorias, procura-se simplesmente abrir ao país vizinho, a partir de Badajoz, o acesso aos grandes portos de águas profundas de Sines, Setúbal e Lisboa.

A questão da definição da rede ferroviária na Península Ibérica é sobretudo uma questão política. Ao invés do que até aqui sucedia com o principal traçado a ligar Lisboa directamente a Hendaye, em França, a ligação ferroviária de alta velocidade que se pretende implementar visa de uma forma descarada promover a “integração ibérica” ou seja, eliminar mais um dos factores que concorrem para a preservação d soberania nacional e constituem um dos princípios estratégicos de Defesa Nacional.

A progressiva quanto mutuamente desejada integração da Galiza e do norte de Portugal também não se concretiza uma vez que, de forma perversa, este projecto inviabilizará as aspirações nacionais do povo galego. É na liberdade de Portugal que a Galiza encontra forças para preservar a sua identidade!

Conforme determina a Lei, foi formalmente dado conhecimento às populações afectadas e colocado o projecto a debate público. Não obstante e conforme é mencionado, “…a presente resolução entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação”. Resta agora saber até que ponto as populações se encontram devidamente informadas e esclarecidas, sabendo como vão ser compensadas dos prejuízos causados por uma obra que não vai sequer favorecê-las!

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Rua Agostinho José Taveira * 4990-072 Ponte de Lima * novopanorama@sapo.pt

TROLHA D'AFIFE: UMA DANÇA RECOLHIDA EM VIANA DO CASTELO NOS FINAIS DO SÉCULO XIX

“Trolha d’Afife” é um vira recolhido naquela região em finais do século XIX e que constitui uma das preciosidades do “Cancioneiro de Músicas Populares. Esta obra, encontra-se na Biblioteca Nacional de Portugal onde pode ser consultada.

O “Cancioneiro de Músicas Populares” constitui uma obra muito rara e de elevado interesse sobretudo para os estudiosos da nossa etnografia e da canção popular portuguesa. Publicada em três volumes, compila uma colecção de fascículos editados entre os anos 1893 d 1899, impressos na Typographia Occidental, da cidade do Porto. Contém “letra e musica de canções, serenatas, chulas, danças, descantes, cantigas dos campos e das ruas, fados, romances, hymnos nacionaes, cantos patrioticos, cânticos religiosos de origem popular, cantos litúrgicos popularizados, canções políticas, cantilenas, cantos maritimos, etc. e cançonetas estrangeiras vulgarizadas em Portugal”, recolhida por César das Neves, coordenada a parte poética por Gualdino de Campos e prefaciada pelo Dr. Teophilo Braga.

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