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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PAREDES DE COURA INAUGURA AMANHÃ EXPOSIÇÃO DE PINTURA DE RICARDINA SILVA

A exposição de pintura de Ricardina Silva é inaugurada amanhã, no Centro Cultural de Paredes de Coura, sito na Avenida Cónego Bernardo Chousal. A mostra vai estar patente ao público entre os dias 1 a 27 de Novembro, podendo ser visitada de 3ª a Domingo das 14h00 às 18h00.

Ricardina Silva vai expor quadro a óleo, a acrílico e técnica mista, abordando diferentes temáticas numa perspectiva Surrealista e Realista. O Título da exposição é "Mais além..." porque a autora pretende “chegar mais além, descobrir, transformar, criar...." e conta com o apoio do BLOGUE DO MINHO.

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Ricardina Silva nasceu em Esposende e vive actualmente em Leiria. Como ela própria refere, “desde tenra idade que adorava desenhar apenas com um lápis e uma folha branca, guardava todos os desenhos num dossier”. Aos dezassete anos experimentou a pintura sobre tela em acrílico.

Em 2006 realizou a primeira exposição e, a partir de então nunca mais parou. Sucederam-se os concursos e as bienais, passou a experimentar outras técnicas como a pintura a óleo, mista, pastel, aguarela e os desenhos começaram a ser realizados a carvão e grafite.

Para a artista, “cada obra é como um poema harmonioso, de cores luminosas que transparecem num clima rimático e transmitem a paz interior que desejo. Quando realizo um desenho ou uma pintura entrego o meu coração… a minha alma. É como se viajasse para um sítio maravilhoso e mágico, onde não existe o sofrimento, mas sim alegria e cor. Normalmente, para a realização das minhas obras utilizo diversas técnicas como o óleo, o acrílico e a mista. Apesar do diversificado leque de temáticas que já executei, nas minhas obras a que predomina é a do mar, remontando às minhas origens”.

Os seus trabalhos têm percorrido diversas localidades do nosso país onde têm registado grande aceitação, nomeadamente em Ourém e Ponte de Lima onde recentemente estiveram expostos ao público.

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S. MARTINHO DA GÂNDRA: O JORNALISTA VIU MALGAS DE CINCO LITROS DE VINHO VERDE…

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O XII Festival de Folclore de S. Martinho da Gândra que se realizou em 29 de Agosto de 1971, foi notícia na revista “Folclore” nº. 21, de Novembro de 1971. Óscar Perestrello de Barros, o cronista que acompanhou o festival e dele deu a devida nota nas colunas daquela revista, realçou a qualidade do espectáculo no qual participaram oito grupos folclóricos, incluindo o anfitrião. Ao descrever o que viu, deixou-se na escrita embalar pelo entusiasmo - e porventura inebriado pelo verdasco! - e caiu no exagero: “Moças locais, com os seus fatos, ofereciam o belo vinho verde numa malga (ou tigela) que devia levar aproximadamente cinco litros…”

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Folclore: das Paradas Agrícolas aos Cortejos Etnográficos

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A imagem reproduz um artigo da revista Ilustração Portugueza que descreve uma Parada Agrícola realizada em Barcelos.

 

Os cortejos etnográficos constituem um espectáculo geralmente muito apreciado do público, mesmo comparativamente às exibições de ranchos folclóricos, vulgarmente designadas por festivais. Em diversas localidades do país, eles integram as respectivas festividades, atraindo milhares de forasteiros e tornando-se, quase sempre, um dos momentos mais apreciados do público. São exemplo o cortejo nas Festas em Honra de Nossa Senhora da Agonia, em Viana do Castelo e nas Feiras Novas em Ponte de Lima.

Nas aldeias e freguesias em redor, o povo prepara com afano a sua participação no aprazado cortejo, levando consigo os elementos mais característicos que de alguma forma identificam a sua terra, procurando representar aspectos peculiares dos ciclos do trabalho desde a sementeira do linho à sacha do milho, da pastorícia à produção do vinho. A acompanhar, a rusga ou o rancho a animar o desfile com as alegres rapsódias do folclore local. E o povo que se apinha à beira do passeio para ver passar os figurantes, interage com eles que, não se fazendo rogados, brinda os mais sequiosos com malgas de verdasco.

O aparecimento dos cortejos etnográficos remonta aos começos do século XX e tem a sua origem nas paradas agrícolas que então se realizavam como uma mostra das produções locais com vista a incentivar as actividades económicas e promover o desenvolvimento da respectiva região. O elemento etnográfico apenas surgia como uma forma de emprestar um ambiente pitoresco a contento de uma burguesia apreciadora de costumes por ela considerados bizarros. Porém, não constituía a sua principal finalidade, pese embora servirem para transmitir uma ideia de que o trabalho era valorizado e, como tal, o próprio povo que o realizava.

A revista “Ilustração Portugueza” dá-nos conta de diversas paradas agrícolas que então se efectuavam, aliás à semelhança das exposições de outros produtos como o objectivo de promover a sua venda e exportação. Juntamente com o jornal “O Século” a que se encontrava ligado e constituindo um instrumento de propaganda dos ideais republicanos e da maçonaria, aquela revista era especialmente difundida entre os sectores burgueses estabelecidos nos centros urbanos de quem, aliás, recebia os clichés e as notícias que publicava, mantendo uma rede de correspondentes que se estruturava paralelamente à própria organização política.

A revolução industrial determinou a necessidade de se organizarem certames, alguns de projecção internacional, com vista à promoção dos produtos dos vários países e a divulgação das mais recentes realizações da indústria e da tecnologia. São tais eventos que estão na origem das exposições mundiais e nas grandes feiras industriais que são levadas a efeito pelas associações empresariais de diversos sectores de actividade. Mas, também a uma escala regional foram surgindo iniciativas do género que ainda subsistem, embora registando modificações que o tempo lhes impôs.

Ao mesmo tempo que se realizavam as paradas agrícolas, surgiam em diversas localidades grupos folclóricos mais ou menos constituídos como tal que serviam sobretudo para animar algum acontecimento ou festividade que então se realizava. Com o advento do Estado Novo, tais paradas agrícolas receberam novas influências e apresentaram um novo figurino. Mais do que promover os produtos regionais, os cortejos etnográficos passaram a transmitir uma nova ideologia assente na doutrina do Corporativismo pelo que, nalguns casos, chegaram mesmo a receber a denominação de “Festa do Trabalho” como sucedeu em Viana do Castelo. Entretanto, o aparecimento de numerosos ranchos folclóricos sob o incentivo e o patrocínio da Junta Central das Casas do Povo, da FNAT e da Mocidade Portuguesa veio colocar definitivamente o folclore como elemento central dos referidos desfiles, embora também associados a finalidades de propaganda e promoção turísticas.

A partir de então, o folclore ficou etiquetado e arrumado em gavetas que correspondem a uma divisão administrativa em províncias que foi ensaiada pelo Estado Novo mas que, na realidade, não passou de umas manchas coloridas no mapa de Portugal. Um pequeno punhado de ranchos de diversos pontos do país foi escolhido e especialmente apadrinhado para representar as respectivas províncias, o mesmo sucedendo com o artesanato, os trajes tradicionais e as próprias festas e romarias, como se a cultura tradicional das diferentes regiões assentasse num único padrão e, entre elas não existissem cambiantes de luz e cor e as pessoas não se influenciassem mutuamente no contacto entre si, na feira, no trabalho ou na romaria e as migrações internas fossem algo inexistente.

Quem assiste ao cortejo etnográfico que se realiza em Viana do Castelo por ocasião das Festas em Honra de Nossa Senhora da Agonia tem a probabilidade de deparar com a participação no referido desfile de algumas unidades industriais como os Estaleiros Navais de Viana do Castelo. Sucede que, não se tratando propriamente de uma representação etnográfica, a mesma só poderá resultar de uma certa inspiração no figurino da “Festa do Trabalho” que outrora ali tinha lugar.

Nos tempos mais recentes, um tanto com base em modelos importados sobretudo dos antigos países socialistas, algumas localidades organizam geralmente por ocasião do respectivo feriado municipal um desfile daquilo a que costumam designar por “forças vivas” e que incluem indiscriminadamente e sem quaisquer preocupações de ordem estética, ranchos folclóricos, bandas de música, fanfarras dos bombeiros, colectividades desportivas, entidades fabris e toda a espécie de agremiações. Em lugar dos tradicionais arcos decorativos, as artérias que constituem o seu percurso são frequentemente engalanadas com bandeiras de cores variadas e formatos reduzidos, um género também ele originário daqueles países. Não se trata, pois, de um desfile etnográfico mas antes de uma manifestação política ao jeito municipalista ao qual os ranchos folclóricos emprestam o seu colorido e animação com o toque das suas gaitas.

Em síntese, o cortejo etnográfico representa um género de espectáculo que teve a sua origem como meio de propaganda com a finalidade de promover os produtos e actividades regionais, evoluindo para novas formas de acordo com as transformações sociais e políticas que entretanto se foram registando na sociedade portuguesa. Porém, continua a ser uma das componentes mais apreciadas do público sempre que as mesmas surgem integradas nas festividades, apresentando quadros animados e coloridos das tradições locais.

- GOMES, Carlos. in http://www.folclore-online.com/index.html

GALIZA E PORTUGAL: UM SÓ POVO E UMA SÓ NAÇÃO!

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Por um compreensível desconhecimento, grande parte dos portugueses possui um entendimento errado em relação à identidade da Galiza e das gentes galegas, classificandas de "espanhóis" e confundindo-as com os demais povos penínsulares. Aliás, tal como sucede em relação à língua portuguesa que é o idioma da Galiza e que também é erradamente confundida com o castelhano que é a língua oficial de Espanha, também ela impropriamente por vezes designada por "espanhol". Na realidade e para além dos portugueses, a Península Ibérica é habitada por gentes de culturas e idiomas tão distintos como os vascos, os catalães, os asturianos e finalmente, os galegos e portugueses que possuem uma língua e uma identidade cultural comum, apenas separados em consequência das vicissitudes da História. A Espanha, afinal de contas, não representa mais do que uma realidade supranacional, cada vez mais ameaçada pelas aspirações independentistas dos povos que a integram.

Com as suas quatro províncias - Corunha, Lugo, Ourense e Pontevedra - e ainda alguns concelhos integrados na vizinha Astúrias, a Galiza constitui com Portugal a mesma unidade geográfica, cultural e linguística, o que as tornam numa única nação, embora ainda por concretizar a sua unidade política. Entre ambas existe uma homogeneidade que vai desde a cultura megalítica e da tradição céltica à vetusta Gallaécia e ao conventus bracarensis, passando pelo reino suevo, a lírica galaico-portuguesa, o condado portucalense e as sucessivas alianças com os reis portugueses, as raízes étnicas e, sobretudo, o idioma que nos é comum - a língua portuguesa. Ramon Otero Pedrayo, considerado um dos maiores escritores do reintegracionismo galego, afirmou um dia na sua qualidade de deputado do parlamento espanhol que "a Galiza, tanto etnográfica como geograficamente e desde o aspecto linguístico, é um prolongamento de Portugal; ou Portugal um prolongamento da Galiza, tanto faz". Teixeira de Pascoaes foi ainda mais longe quando disse que "...a Galiza é um bocado de Portugal sob as patas do leão de Castela". Não nos esqueçamos que foi precisamente na altura em que as naus portuguesas partiam à descoberta do mundo que a Galiza viveu a sua maior repressão, tendo-lhe inclusivamente sido negada o uso da língua galaico-portuguesa em toda a sua vida social, incluindo na liturgia, naturalmente pelo receio de Castela em perder o seu domínio e poder assistir à sua aproximação a Portugal.

No que respeita à sua caracterização geográfica e parafraseando o historiador Oliveira Martins, "A Galiza d'Aquém e d'além Minho" possui a mesma morfologia, o que naturalmente determinou uma espiritualidade e modos de vida social diferenciados em relação ao resto da Península, bem assim como uma diferenciação linguística evidente. Desse modo, a faixa atlântica e a meseta ibérica deram lugar a duas civilizações diferentes, dando a primeira origem ao galaico-português de onde derivou o português moderno e a segunda ao leonês de onde proveio o castelhano, actualmente designado por "espanhol" por ter sido imposta como língua oficial de Espanha, mas consignado na constituição espanhola como "castelhano". Não foi naturalmente por acaso que Luís Vaz de Camões, justamente considerado o nosso maior poeta possuía as suas raízes na Galiza. Também não é sem sentido que também o poeta Fernando Pessoa que defendeu abertamente a "anexação da Galiza", afirmou que "A minha Pátria é a Língua Portuguesa".

De igual modo, também do ponto de vista étnico as raízes são comuns a todo o território que compreende a Galiza e o nosso país, com as naturais variantes regionais que criam os seus particularismos, obviamente mais próximas do Minho, do Douro Litoral e em parte de Trás-os-Montes do que em relação ao Alentejo e ao Algarve, mas infinitamente mais distanciados relativamente a Castela e outras regiões de Espanha.

No seu livro "A Galiza, o galego e Portugal", Manuel Rodrigues Lapa afirma que "Portugal não pára nas margens do Minho: estende-se naturalmente, nos domínios da língua e da cultura, até às costas do Cantábrico. O mesmo se pode dizer da Galiza: que não acaba no Minho, mas se prolonga, suavemente,até às margens do Mondego". Torna-se, pois, incompreensível que continuemos a tratar o folclore e a etnografia galega como se de "espanhola" se tratasse, conferindo-lhe estatuto de representação estrangeira em festivais de folclore que se pretendem de âmbito internacional, quando na realidade deveria constituir uma participação assídua nos denominados festivais nacionais. Mais ainda, vai sendo tempo das estruturas representativas do folclore português e galêgo se entenderem, contribuindo para um melhor conhecimento mútuo e uma maior aproximação entre as gentes irmãs da Galiza e de Portugal. O mesmo princípio aliás, deve ser seguido pelos nossos compatriotas radicados no estrangeiro, nomeadamente nos países da América do Sul onde as comunidades portuguesas e galegas possuem uma considerável representatividade numérica. Uma aproximação e um entendimento que passa inclusivamente pelo cyberespaço e para a qual a comunidade folclórica na internet pode e deve prestar um inestimável contributo.

Afirmou o escritor galego Vilar Ponte na revista literária "A Nossa Terra" que "os galegos que não amarem Portugal tão pouco amarão a Galiza". Amemos, pois, também nós, portugueses, como um pedaço do nosso sagrado solo pátrio, essa ridente terra que se exprime na Língua de Camões - a Galiza !

GOMES, Carlos. in http://www.folclore-online.com/

PINTORA RICARDINA SILVA EXPÕE EM PAREDES DE COURA

A pintora Ricardina Silva vai expor em Paredes de Coura as suas obras a óleo, a acrílico e técnica mista, abordando diferentes temáticas numa perspectiva Surrealista e Realista. A mostra vai estar patente ao público, no Centro Cultural de Paredes de Coura, sito na Avenida Cónego Bernardo Chousal, em Paredes de Coura, entre os dias 1 a 27 de Novembro, podendo ser visitada de 3ª a Domingo das 14h00 às 18h00. O Título da exposição é "Mais além..." porque a autora pretende “chegar mais além, descobrir, transformar, criar....". A exposição conta com o apoio do BLOGUE DO MINHO.

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Ricardina Silva nasceu em Esposende e vive actualmente em Leiria. Como ela própria refere, “desde tenra idade que adorava desenhar apenas com um lápis e uma folha branca, guardava todos os desenhos num dossier”. Aos dezassete anos experimentou a pintura sobre tela em acrílico.

Em 2006 realizou a primeira exposição e, a partir de então nunca mais parou. Sucederam-se os concursos e as bienais, passou a experimentar outras técnicas como a pintura a óleo, mista, pastel, aguarela e os desenhos começaram a ser realizados a carvão e grafite.

Para a artista, “cada obra é como um poema harmonioso, de cores luminosas que transparecem num clima rimático e transmitem a paz interior que desejo. Quando realizo um desenho ou uma pintura entrego o meu coração… a minha alma. É como se viajasse para um sítio maravilhoso e mágico, onde não existe o sofrimento, mas sim alegria e cor. Normalmente, para a realização das minhas obras utilizo diversas técnicas como o óleo, o acrílico e a mista. Apesar do diversificado leque de temáticas que já executei, nas minhas obras a que predomina é a do mar, remontando às minhas origens”.

Os seus trabalhos têm percorrido diversas localidades do nosso país onde têm registado grande aceitação, nomeadamente em Ourém e Ponte de Lima onde recentemente estiveram expostos ao público.

GASPAR MOREIRA: UM ARCUENSE EM OURÉM (V)

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A LENDA DE RIO DE COUROS

 

A fama de Rio de Couros

Já vem de há muitos anos;

Talvez do tempo dos Mouros

Ou do tempo dos Romanos.

 

Seria vila ou cidade

Antes da era dos Mouros?

Qual o nome de verdade:

Rio de Couros ou Radecouros?

 

Porque abundava o curtume

De peles nessa região

Daí proveio o costume

Do nome que hoje lhe dão

 

Numa bonita capela

Acima doutros tesouros

Havia a imagem bela

Da Senhora de Rio de Couros.

 

E este povo humilde e crente

Pelo seu fervor diário

Atraía muita gente

Ao bonito Santuário!

 

Entre a gente forasteira

Que a sua vida ali fez

Conta-se Gaspar Moreira

De Arcos de Valdevez.

 

Viveu nesta região

Até que teve de partir

Com o rei Dom Sebastião

Para Alcácer Quibir.

 

Na batalha contra os Mouros

Morreu Dom Sebastião

E o homem de Rio de Couros

Foi metido na prisão.

 

Embora que bem tratado

Dentro da dita prisão

Estava a ser engordado

Para alimento de um leão.

 

Certa noite à luz da lua

Olhando as grades em frente

Viu um oficial na rua

Com o leão preso à corrente

 

Falando então para a fera

Disse em voz de “mandarete”:

Só mais uns dias de espera

E terás um bom banquete.

 

Ao meditar que seria

Vítima de instintos mouros

Rezou à Virgem Maria

Senhora de Rio de Couros.

 

À Senhora da Natividade

Fez uma prece afinal:

Que lhe desse a liberdade

E o trouxesse a Portugal.

 

Nisto um milagre se deu:

No meio dum mar de luz

A Virgem lhe apareceu

Trazendo ao colo Jesus.

 

Então a porta se abriu

E com a sua libertadora

Para a saída seguiu

Desaparecendo a Senhora.

 

Voltando ao local de origem

Livre do jugo dos mouros

Prostrado agradece à Virgem

Da ermida de Rio de Couros.

 

O resto da sua vida

Foi de pura santidade

Orando no altar da ermida

À Senhora da Natividade.

 

E quando velho e cansado

Já prestes ao fim da vida

Pediu para ser sepultado

Junto da bonita ermida.

 

E assim desta maneira

Se ordenou e se fez:

Ali jaz Gaspar Moreira

De Arcos de Valdevez.

 

Daí cresceu mais a Fé

Nesse povo e nos vindouros

Vindo muita gente a pé

De romagem a Rio de Couros.

 

Muita Fé o povo tem

À Senhora da Natividade

Que outrora era também

Nossa Senhora da Piedade.

 

Há lindas recordações

Que valem grandes tesouros

Achados em escavações

No adro de Rio de Couros.

 

A graça desta região

É obra da natureza

Em que a nova geração

Não reparou com certeza.

 

Esta história se comenta

No “Século” de Dia de Natal

De mil novecentos e setenta

Em Lendas de Portugal!...

 

in INÁCIO, Manuel. Brincando com coisas sérias. 1995

 

Fonte: http://auren.blogs.sapo.pt/

REFORMA DA ADMINISTRAÇÃO LOCAL: VAI A MONTANHA PARIR UM RATO?

A actual organização administrativa do território nacional está desactualizada a todos os níveis e carece de uma profunda reforma. A actual situação de crise económica e financeira apenas veio a acentuar essa necessidade. Porém, a ser implementada, deve a mesma ter em consideração a identidade cultural e histórica das localidades abrangidas e não apenas critérios de ordem economicista ou, mais grave ainda, de aritmética eleitoral.

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Pelourinho de Barcelos (Foto: Wikipédia)

Nenhum processo de reforma administrativa será bem sucedido sem um prévio reordenamento territorial que obedeça a uma estratégia de desenvolvimento económico equilibrado. É necessário dotar de novo as cidades intermédias de estruturas económicas e produtivas como um meio de fixar populações sobretudo no interior e suster o seu despovoamento nomeadamente em toda a faixa oriental do território português. Importa compreender que a população portuguesa não registou qualquer aumento significativo ao longo das últimas décadas mas apenas se assistiu a uma deslocação dos grandes aglomerados urbanos para as respectivas periferias, reflectindo-se na criação de novas freguesias e na sua elevação a vilas e até cidades.

Com efeito, ao longo das últimas décadas, algumas localidades até então insignificantes passaram à categoria de freguesias. Existem actualmente, em todo o país, 4260 freguesias que integram núcleos populacionais que variam entre escassas dezenas de indivíduos e mais de uma centena de milhar de habitantes. Semelhante contraste verifica-se em relação ás áreas geográficas correspondentes aos seus limites territoriais e ainda relativamente à quantidade de freguesias que integram cada município.

Sucede que, a necessidade de se constituírem novas freguesias resulta directamente do crescimento populacional nas grandes áreas suburbanas, nomeadamente das cidades de Lisboa e Porto.

A forma como a reforma da administração local tem sido apresentada, pretendendo-se aplicar a mesma a todo o país seguindo apenas critérios numéricos e sem qualquer estudo prévio do território nem perspectiva de desenvolvimento harmonioso do todo nacional, levará seguramente ao fracasso de uma medida que se revela do maior interesse para o país. O processo de extinção de freguesias tal como é apresentado só é comparável à política que nos últimos anos tem vindo a ser seguida no que respeita ao encerramento de escolas, hospitais e centros de saúde: apenas promove o despovoamento e agrava as condições de vida das populações!

Sem um efectivo reordenamento do território com vista à adaptação de toda a estrutura administrativa do Estado – e não apenas das autarquias locais! – mais valeria limitar a fusão de freguesias aos grandes centros urbanos de Lisboa e do Porto, cidades que devido ao fenómeno da terciarização têm vindo a perder a sua população de forma bastante acentuada em detrimento dos concelhos periféricos.

Carlos Gomes

COURENSES VÃO APANHAR COGUMELOS

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Subordinadas ao tema “Diversidade Micológica e Desenvolvimento Sustentável”, vai realizar-se em Paredes de Coura as III Jornadas Micológicas do Corno de Bico, na Paisagem Protegida daquela localidade. O evento tem lugar nos próximos dias 19 e 20 de Novembro, podendo os interessados inscrever-se através do endereço de correio electrónico jornadasmicologicas@cm-paredescoura.pt, pelos telefones: 251780100/ 251780162 ou ainda presencialmente nos serviços do Município de Paredes de Coura, durante o horário normal de expediente.

As III Jornadas Micológicas do Corno de Bico visam promover os recursos turísticos, a paisagem e o património natural do Concelho de Paredes de Coura na qual se insere a Paisagem Protegida do Corno de Bico e, simultaneamente, dar a conhecer o potencial dos cogumelos como vector de desenvolvimento das regiões e economias de montanha nomeadamente em termos gastronómicos. Esta iniciativa vai contar com a presença de especialistas, investigadores e produtores na área da Micologia

"VILARINHO DA FURNA: MEMÓRIAS DO PASSADO E DO FUTURO" - UM LIVRO DO PROF. DR. MANUEL ANTUNES QUE EVOCA A ALDEIA SUBMERSA

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“Vilarinho da Furna: Memórias do Passado e do Futuro” é um livro da autoria do Professor Dr. Manuel Antunes, editado pelo Centro de Estudos da População, Ambiente e Desenvolvimento da Universidade Lusófona de humanidades e Tecnologia, com o apoio da AFURNA – Associação dos Antigos Habitantes de Vilarinho da Furna.

Neste livro, o autor reúne uma série de artigos seus dispersos por várias publicações ou editados, acrescentando-lhe uma recolha de natureza etnográfica acerca dos usos e costumes das gentes daquela localidade e outros documentos de grande interesse histórico sobre Vilarinho da Furna e a luta dos seus habitantes pelos direitos que lhes assistem.

Vilarinho da Furna reside na alma dos portugueses como um paraíso perdido onde se evoca a lembrança quase mítica de um passado comunitário, surgindo como um monumento sempre que novas aldeias submergem às águas de uma nova albufeira de uma barragem em qualquer outra região do país, sejam elas a Foz do Dão ou a Aldeia da Luz, afundadas respectivamente pelas águas das barragens da Aguieira e do Alqueva.

Quem são e o que fazem os minhotos radicados em Lisboa?

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"A segunda metade do século XIX caracterizou-se por uma época de grande desenvolvimento económico, traduzido nomeadamente com a introdução de melhoramentos técnicos nas fábricas e no desenvolvimento dos meios de transporte e comunicações. Foi o período da Regeneração iniciado com o ministério de Fontes Pereira de Melo.

Em 1856 era inaugurado o primeiro troço de caminho-de-ferro entre Lisboa e o Carregado e, oito anos depois, a linha do Norte atingia Vila Nova de Gaia. Em 1882 era concluída a linha do Minho até Valença. Dez anos mais tarde, as locomotivas a vapor chegavam às mais diversas regiões do país como a Beira Alta, o Algarve e o nordeste transmontano.

A prosperidade que então se verificou associada a recentes conquistas nos domínios da saúde e da higiene pública levaram a um súbito aumento da população um pouco por todo o país. Contudo, é a partir de 1860 que se acentua de forma assinalável o êxodo dos campos para a cidade. A importação de cereais provenientes dos Estados Unidos provoca o recuo da área cultivada nas grandes explorações alentejanas e diminui o trabalho sazonal nas Beiras. O oídio e a filoxera dizimam a vinha do Alto Douro e provocam a migração maciça dos trabalhadores da região. A quebra das exportações de gado bovino a partir de 1883 agravou as condições de sobrevivência no Minho e Douro Litoral.

O comboio fomentou a mobilidade das populações. Os movimentos migratórios internos e externos intensificaram-se. Em consequência do desenvolvimento industrial, assiste-se a um fluir contínuo de gente proveniente das zonas rurais para os centros urbanos, principalmente a capital, na busca de emprego e de uma melhoria de condições de vida. Lisboa e o Brasil constituíram-se como os principais pontos de destino escolhidos por aqueles que entretanto decidiram abandonar as suas terras de origem. Em Lisboa, a população duplicou em menos de cinquenta anos, passando de 210 mil habitantes em 1860 para quase 450 mil em 1911.

Do Minho vieram os pedreiros, carpinteiros e estucadores de Caminha e Viana do Castelo, os padeiros de Arcos de Valdevez e Ponte da Barca, os marujos, ervanários e tasqueiros de Monção, os taberneiros de Vila Nova de Cerveira, Valença, Paredes de Coura e Ponte de Lima que vieram a tornar-se conceituados comerciantes do ramo hoteleiro. Estes últimos foram antes descarregadores de carvão e lenha em Alcântara e Poço do Bispo, taberneiros e carvoeiros. Eram eles que faziam as "bolas" de carvão e cisco para alimentar os fogareiros. Depois, à medida que os seus vizinhos galegos se foram retirando, tomaram as tabernas e "casas de pasto" e foram-nas transformando nos modernos restaurantes e "snack-bares" que existem por toda a cidade. À excepção de alguns concelhos mais interiores como Terras de Bouro e Cabeceiras de Basto cujos naturais se empregaram preferencialmente na hotelaria e na construção civil, o êxodo das populações fez-se menos sentir no Distrito de Braga em virtude da criação naquela região de numerosas indústrias que possibilitaram a existência de postos de trabalho.

Para os bairros lisboetas de Alfama e Madragoa, este então designado por "Mocambo", vieram os de Ovar, Ílhavo, Murtosa e Pardilhó. Eles dedicaram-se à faina do mar enquanto elas vendiam o peixe ao mesmo tempo que enchiam a cidade com os seus pregões característicos. Tornaram-se conhecidas por "varinas" as peixeiras ovarinas que vieram para Lisboa. Esta gente formou ainda "colónias" em Almada, Trafaria e Costa da Caparica.

A limpeza urbana era feita pelos naturais do concelho de Almeida, trazidos para a capital por um seu conterrâneo que foi encarregado dos respectivos serviços camarários. Em virtude deste facto, foram os cantoneiros da capital durante muito tempo alcunhados por "almeidas". Para as vacarias que então existiam em Lisboa e nos seus arredores vieram os de Arganil, os quais depois se fizeram leiteiros e são actualmente muitos dos pasteleiros que existem na cidade. Eram eles que vendiam o leite transportando-o em bilhas de zinco enquanto os seus vizinhos padeiros do concelho de Tábua deixavam o pão às suas clientes, em sacas de pano que ficavam penduradas nas maçanetas das portas.

A construção civil ocupou as gentes de Alvaiázere, Ourém e, sobretudo de Tomar, devendo-se a estes últimos a construção das chamadas "avenidas novas". Não é alheio a este facto a localização da Casa do Concelho de Tomar. Durante muito tempo foram os naturais de Tomar alcunhados por "patos-bravos".

De um modo geral, os transmontanos empregaram-se na construção civil ou então ingressaram nas forças de segurança. No comércio de carnes encontramos bastantes naturais da região do Barroso. Invariavelmente, fizeram os seus estudos em seminários todos os transmontanos que em Lisboa têm conseguido posições de relevo.

Os algarvios fixaram-se principalmente na margem sul do rio Tejo, empregando-se na indústria corticeira e conserveira ou então no tráfego fluvial e nos trabalhos portuários. Os alentejanos por seu turno, um tanto "pau-para-toda-a-obra", dispersaram-se pelos mais variados ofícios, distribuindo-se preferencialmente pelas zonas da periferia, com especial incidência nos concelhos do Distrito de Setúbal.

De uma maneira geral, todas estas comunidades têm contribuído para o crescimento de Lisboa, fazendo da capital um autêntico mosaico formado por gentes de diversas proveniências mas que se encontram unidas pelos laços que fazem de todos nós um único povo".

- GOMES, Carlos. Regionalismo em Portugal. Casa do Concelho de Ponte de Lima. Lisboa. 1996

EXPOSIÇÃO DE PINTURA DE RICARDINA SILVA EM PONTE DE LIMA PODE SER VISITADA ATÉ AO PRÓXIMO FIM-DE-SEMANA

A exposição de pintura “Olhar / Sentir” de Ricardina Silva encontra-se patente ao público na Galeria da Torre da Cadeia Velha em Ponte de Lima, até ao próximo dia 30 de Outubro, podendo ser visitada de Segunda a Sábado, das 9h30 às 12h30 e das 14h30 às 18 horas. Aos Domingos, a exposição encontra-se aberta das 10h às 12h30 e das 15 h às 18h. A exposição conta com o apoio do BLOGUE DO MINHO.

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Ricardina Silva nasceu em Esposende e vive actualmente em Leiria. Como ela própria refere, “desde tenra idade que adorava desenhar apenas com um lápis e uma folha branca, guardava todos os desenhos num dossier”. Aos dezassete anos experimentou a pintura sobre tela em acrílico.

Em 2006 realizou a primeira exposição e, a partir de então nunca mais parou. Sucederam-se os concursos e as bienais, passou a experimentar outras técnicas como a pintura a óleo, mista, pastel, aguarela e os desenhos começaram a ser realizados a carvão e grafite.

Para a artista, “cada obra é como um poema harmonioso, de cores luminosas que transparecem num clima rimático e transmitem a paz interior que desejo. Quando realizo um desenho ou uma pintura entrego o meu coração… a minha alma. É como se viajasse para um sítio maravilhoso e mágico, onde não existe o sofrimento, mas sim alegria e cor. Normalmente, para a realização das minhas obras utilizo diversas técnicas como o óleo, o acrílico e a mista. Apesar do diversificado leque de temáticas que já executei, nas minhas obras a que predomina é a do mar, remontando às minhas origens”.

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CARAMURU: UM VIANENSE QUE FOI PIONEIRO DA COLONIZAÇÃO DO BRASIL

Por ocasião das comemorações dos 750 anos do Foral, a Câmara Municipal de Viana do Castelo editou uma singela mas interessante brochura com o título “CARAMURU: O Vianense criador da Brasilidade”. A homenagem incluiu ainda um monumento a Caramuru que foi implantado na Praça da República, em Viana do Castelo.

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Caramuru foi o nome que os índios tupinambás impuseram ao vianense Diogo Álvares Correia quando este, ao ter disparado um mosquete e abatido uma ave, causou grande espanto nos indígenas, tendo-se desse modo salvado da sua fúria canibalesca.

Com efeito, por volta de 1510, o vianense Diogo Álvares Correia seguia para a Índia numa nau que rumava ao novo mundo com o objectivo de explorar o negócio da madeira e sobretudo do pau-brasil quando ocorreu o naufrágio junto à costa da Baía de Todos-os-Santos.

O nome Caramuru pelo qual os índios tupinambás passaram a tratá-lo significa “homem de fogo” ou “filho do trovão” sendo também o nome pelo qual identificam um peixe existente nas águas onde encontraram Diogo Álvares. O certo é que, para além de ter escapado ao voraz apetite antropofágico dos indígenas, alcançou entre eles grande prestígio que se revelou da maior utilidade na relação com as expedições portuguesas e sobretudo os missionários jesuítas que ali aportavam.

Em 1781, Frei José de Santa Rita Durão no poema que compõe e através do qual evoca o descobrimento do Brasil e os feitos dos primeiros povoadores – “Caramuru – Poema Épico do Descobrimento da Baía” – o seu autor dedica-lhe entre outras a seguinte estrofe:

De um varão em mil casos agitado,

que as praias discorrendo do Ocidente,

descobriu o Recôncavo afamado

da capital brasílica potente:

do Filho do Trovão denominado,

que o peito domar soube à fera gente;

o valor cantarei na adversa sorte,

pois só conheço herói quem nela é forte.

O CASTELO DE LANHOSO NA "REVISTA DOS CENTENÁRIOS"

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Por ocasião da realização da Exposição do Mundo Português, em 1940, foi publicada a “Revista dos Centenários” cuja edição de Janeiro incluiu um artigo da autoria de Jorge Larcher alusivo aos castelos de Bragança e Póvoa de Lanhoso. Nesse artigo que fazia parte de uma série dedicada aos castelos de Portugal, o autor escreveu o seguinte a propósito do castelo de Lanhoso:

“Além do castelo de Bragança, de que ligeiramente nos ocupámos, breves referências vamos dedicar ao castelo da Póvoa de Lanhoso, do qual só resta, como recordação gloriosa desse passado distante, a torre de menagem coroada de ameias, a única parte do castelo que conseguiu escapar à fúria devastadora dos homens e do tempo.

Impossível fixar a data da sua construção, mas supões-se, e não sem fundamento, que a origem desta fortificação venha dos tempos romanos pelos emementos que têm sido encontrados por aquelas imediações.

Devia ter sido fortaleza importante, pois nela se recolheu D. Tereza, quando não podendo resistir à perseguição das forças de sua irmã, que lhe havia declarado guerra, se acolheu à sombra destas muralhas, que não tardaram a ser cercadas pelas forças de D. Urraca.

Valeu-lhe nesta terrível situação Fernando Peres, que, com D. Gelmires, arcebispo de Compostela, não deixando escapar a ocasião que se lhes oferecia para disputarem com D. Paio alguns bens que pretendiam alcançar procuraram assim lançar a divisão entre as forças de D. Urraca.

Ignora-se a forma como D. Gelmires actuou. O que é certo é que foi preso, mas, apesar dessa decisão, D. Urraca achou mais prudente, temendo talvez a influência de tão irreconciliável inimigo, estabelecer as pazes com sua irmã, fazendo-lhe grandes concessões.

A este castelo está ligada uma lenda, na realidade de grande intensidade dramática, história de amores mal fadados, que aqui teve o seu epílogo.

D. Rodrigo Pereira de Barredo, fidalgo de alta nobreza, teve um dia a secreta e desoladora notícia de que sua mulher traía a fidelidade conjugal.

O nobre fidalgo, depois de ter a certeza de tão desagradável informação, uma noite, fechou de surpresa todas as portas, de modo que ninguém pudesse escapar à cruel punição que reservava a todos que considerava culpados, e pegou fogo ao castelo, que ardeu completamente, morrendo abrasados pelas chamas todos que nele se encontravam.

Qualquer destes castelos do norte, de tão remota fundação, foram vigilantes sentinelas e resistentes obstáculos que contribuíram para a libertação do solo português e para a afirmação da nossa Independência, que em breves meses se vai comemorar, condignamente, em todas as terras de Portugal”.

GASPAR MOREIRA: UM ARCUENSE EM OURÉM (III)

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Gaspar Moreira, o herói da Lenda de Rio de Couros, era 4º neto de Gonçalo Pires Juzarte (Bandeira). Narra a História que, durante a Batalha de Toro, Gonçalo Pires Juzarte e outros portugueses, ao avistarem na escuridão da noite um grupo de cavaleiros castelhanos que, capitaneados por Pedro Velasco e Pedro Cabeza de Vaca, levavam o pendão de D. Afonso V como troféu de batalha, acometeram contra eles logrando recuperar a bandeira. Uma vez na sua posse, Gonçalo Pires levou o estandarte ao príncipe D. João que ainda se encontrava no campo de batalha com a sua ala.

A bandeira em questão tratava-se da que os castelhanos haviam arrancado ao nosso porta-estandarte, o alferes D. Duarte de Almeida que haveria de ficar conhecido pelo “decepado” em virtude de a ter segurado com os dentes após lhe terem decepado os braços.

Como é sabido, o Príncipe veio a suceder a seu pai, o rei D. Afonso V, passando a reinar com o nome de D. João II. Então, como recompensa pelo feito de bravura, atribuiu a Gonçalo Pires Juzarte a tença de cinco mil reais e, tal como nos descreve o cronista Damião de Góis na sua “Crónica do Príncipe D. João”, foi ainda “satisfeito de armas de brasão, misturadas com fidalguia, que lhe o mesmo rei D. João concedeu, com alcunha e sobrenome de Bandeira”. Com efeito, o rei D. João II ordenou que Gonçalo Pires Juzarte e os seus descendentes passassem a usar o apelido de Bandeira e concedeu-lhe armas novas, datadas de 1483, as quais são as seguintes:

De vermelho, bandeira quadrada de ouro, hasteada do mesmo, perfilada de prata e carregada de um leão azul, armado e linguado de vermelho”. O timbre é constituído pelos móveis do escudo.

Gonçalo Pires Juzarte era natural de S. Martinho de Mouros que fica no concelho de Resende e tornou-se escudeiro honrado da casa do rei D. João II.

Fonte: http://auren.blogs.sapo.pt/

O SANTUÁRIO DO BOM JESUS DO MONTE VISTO POR UM LISBOETA EM 1921

Numa altura em que se assinalam os 200 anos do Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga e ainda fumegam algumas cinzas das comemorações recentes do centenário da implantação da República em Portugal, pareceu-nos interessante reler um artigo publicado na revista Ilustração Portugueza, nº 830 de 14 de Janeiro de 1922, publicação cuja orientação política é claramente identificada.

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“O BOM JESUS DO MONTE

É do Bom-Jesus, do patriarchal Bom-Jesus, escadorio por onde o Padre-Eterno desce a fazer abades, que eu venho visitar o Chiado, esse Arco-Iris onde estoiram as cores brutaes do ócio e do “Jazz”.

Todo o Bom-Jesus, todo este Sactuario onde os mínimos detalhes são muito anteriores á Separação da Egreja do Estado, é uma leitura do Evangelho, uma taboleta cristã.

E o Chiado, essa montanha que os eléctricos ainda não escalaram, também tem egrejas, trez egrejas, e também é uma taboleta; mas ahi anuncia-se “le denier cri” dos corpos nus, risca-se o cubismo dos figurinos, promulgam-se as cabelos borradamente louros, as sedas, “the shimmy”, “the fox-trot”, “le rouge”, “les bas-bleus”, tudo á mistura com as casacas vermelhas dos zíngaros, com as filagranas dos sorrisos, com a altivez das “midinettes”, com Lisboa inteira que desaba sobre o Chiado…

Emquanto que, aqui, vive-se a tranquilidade das longas horas, a monotonia dos longos serões. E os typos camilianos afirmam-nos que Camilo não é uma “blague”.

Mas as egrejas de Lisboa diferen das do Minho; aqui, embora exibam figuras pagãs, cabeças chavelhudas, n’uma talha preciosíssima, as egrejas são recatos onde ainda há certa devoção; as de Lisboa, caso sabido, são “vitrines”, palcos onde os sentimentos saracoteiam um bailado de “flirt”, de zum-zum de “rendez-vous”.

A gente da cidade não acredita, sequer, que no ano MCMXXI, da era de Cristo, ainda haja quem cumpra o voto d’umas tantas voltas de joelhos sobre o lagêdo das sacristias…

Pois é verdade! Isto e bastante mais!

O Bom-Jesus é ainda primitivo, é ainda fiel ao seu nome, embora os abades, os pastores d’este largo rebanho que se desdobra até terras espanholas, adorem o Senhor da Egreja, e o verde genuíno no tasco.

Mas, apesar d’isso, Bom-Jesus, capital de Braga, é o Vaticano de Portugal! E o Papa será, decerto, bem substituído pelo Longuinhos “casamenteiros”, em torno do qual as velhas vêm cumprir a promessa das trez voltinhas!

Quanto á vida dos Hotéis, suponho-a suficientemente indicada: não nos chegam os ecos francezes da capital de Portugal! Jogos de prendas, cantigas de João de Lemos, recitativos de Tolentino, quasi mazurkas e polkas. Verdade seja, porém, que, talvez por convenção, á data da minha chegada já tinha sido abolida a etiqueta de “senhoria”…

Quanto perdeu Fradique em não ter descoberto este canto de Portugal legítimo!

Os Hotéis têm uma carranca quase conventual; nas salas há uma atmosfera larga, que entra pelas grandes janelas, que se espalha pelas paredes brancas; os corredores são extensos, medonhamente extensos. E o Bom-Jesus, nas horas que se seguem ao almoço, parece adormecer ao sol, estiraçado, espreguiçando a digestão…

É a hora em que todos dormem ou, cabeceando, discutem, patrioticamente, os 50 milhões de “dollars”…

Terra portugueza, bom verdasco, melancias rechonchudas, romarias ao Sameiro, ao Alívio, á Consolação, e a crítica honesta a cochichar pela fresquinha, entre rizadas, ao canto de cada rua…

Só á noite se passeia. Á noite ou de manhã, E é delicioso, então, cruzarmo-nos com aqueles celebres bandos minhotos, quebrando a nota dos estômagos dilatados, cantam em algazarra:

 

A Senhora do Sameiro

bota fitas a avoar,

vermelhinhas e branquinhas

todas vão cair no mar…

 

Outras vezes, os moços provocando:

 

Toda a noite chove papas,

trabalharam as colheres,

Quem quizer ouvir má língua

é da boca das mulheres…

 

Depois, pacatamente, tudo recolhe.

Fazem-se grupos onde todos falam, todos, os ponderados chefes de família, os rapazes inteligentíssimos, as meninas prendadas.

E n’esta vida mole, bocejos d’uma felicidade obesa, o tempo vae-se arrastando, systematicamente, entre as primeiras Ave-Marias e a ultima contra-dança.

Hotel do Parque – Setembro 1921

GUY M. RATO

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ARTE DE AMAR PONTE DE LIMA: A PALAVRA E A IMAGEM

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Amar Ponte de Lima por meio da palavra e da imagem é o mais recente desafio lançado por dois poetas limianos que se exprimem cada um a seu modo – Cláudio Lima através da poesia, Amândio de Sousa Vieira por meio da fotografia – fazendo coincidir a beleza do instantâneo captado através da câmara com a sonoridade e o encanto da poesia, elevando a garndeza do sentimento à condição sublime da arte. Com efeito, “Arte de Amar Ponte de Lima” constitui o título de um livro de poemas, em verso e imagens, que Cláudio Lima e Amândio Vieira publicaram, editado pelo Lions Clube de Ponte de Lima, com o patrocínio da Câmara Municipal.

Neste livro de poemas, os autores conduzem o leitor através dos recantos medievais da vila limiana e dos lugares bucólicos das suas aldeias, contemplar as sacadas e a deleitar-se com o remanso entardecer do Lima, extasiar-se com a paisagem que inspirou poetas e seduziu as legiões do Império, embriagar-se com a volúpia das cores e deixar-se contagiar com a alegria inebriante das romarias minhotas que encontram nas Feiras Novas o seu expoente máximo. O moinho velho e os plátanos despidos contemplando a cheia, o candeeiro naufragado e o barqueiro num cenário quase irreal, as mulheres lavando a roupa no “rio feiticeiro” e a bandeira municipal flutuando altiva sobre as ameias da História. São imagens e palavras que nos ensinam a “Arte de Amar” Ponte de Lima – porque é de Arte que realmente se trata e não do sentimento de Amar, porque este, já vive no coração e na alma da gente limiana. Parafraseando o Poeta, só os limianos amam Ponte de Lima – os estranhos, quanto muito, apenas a admiram!

Na impossibilidade que sentimos em reproduzir fielmente a imagem que Amândio Vieira nos pretendeu transmitir, fiquemos com as palavras, sentidas e traduzidas por Claúdio Lima, qual reluzente colar de contas que dá pelo título:

FEIRAS NOVAS

Feiras Novas – e tão velhas;

Tão velhas – e sempre novas...

Um rio sobre outro rio:

Cantares ao desafio

Em linda rima de trovas...

 

Um rio sobre outro rio:

Gente que chega e que dança

Possessa do alvoroço.

Feiras Novas... a aliança

Da alegria e da pujança

Que ferveno sangue moço.

 

Feiras Novas ... luz a rodos

Incendiando as romanas

Pedras da ponte que encanta.

São cristãs ou são profanas ?

São as gentes limianas

Com a alma na garganta...

Com uma já considerável obra publicada com especial relêvo para o domínio da poesia, Cláudio Lima possui ainda vasta colaboração literária espalhada em jornais e revistas também no Brasil e Angola, também nas áreas da ficção, da diarística e da crítica literária, fazendo muitos dos seus trabalhos parte integrante de antologias e obras colectivas.

O livro de poemas que acaba de publicar vem juntar-se a outros da sua autoria cuja leitura nos deram momentos de prazer indiscutíveis como “A Foz das Palavras”, “Por aqui não é passagem”, “Itinerarium”, “Maçã pra Dois” e “Vate do Reino”.

Cláudio Lima é o pseudónimo literário de Manuel da Silva Alves. Nascido em Calvelo, no Concelho de Ponte de Lima, tal facto não podia passar indiferente à sua sensibilidade poética, procurando nas margens do mítico Lethes e nos montes de Parnaso que o rodeiam as musas inspiradoras as quais, com as suas liras também deram o mote a numerosos poetas que ali nasceram e simplesmente passaram algum tempo das suas vidas, entre os quais salientamos Diogo Bernardes e António Feijó. Através da palavra, Cláudio Lima canta a terra que o viu nascer, celebra a beleza e a criação divina que foi generosa na terra limiana, o esplendor da paisagem e a simplicidade das suas gentes. É com arte que ama Ponte de Lima!

E, se Cláudio Lima possui a capacidade intrínseca de nos transmitir por meio da palavra essa Arte de Amar Ponte de Lima, Amândio de Sousa Vieira fá-lo através da imagem com notável talento que não receamos o risco de afirmar que nos encontramos perante o melhor artista fotográfico da nossa região. Apesar das distâncias que o tempo ergueu, não podía deixar de realçar a sua extraordinária sensibilidade poética expressa através da imagem que capta através da objectiva a qual, desde sempre vem colocando ao serviço da terra limiana e das suas gentes. São exemplo disso os livros que já publicou, entre os quais salientamos “Formas de Ver”, “Outros Tempos”, “A Torre de Refoios” e “Ponte de Lima – Minha Pátria”. Na realidade, qual Mãe extremosa, Ponte de Lima tem a feliz sorte de contar com a devoção dos seus filhos que lhe dedicam as suas melhores orações, num misto de amor e de fé, dando forma a uma espiritualidade quase religiosa a que chamamos limianismo!

VILARINHO DA FURNA VIVE DIA MEMORÁVEL

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No passado dia 16 do corrente mês, foi apresentado, no Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna, o romance de André Gago, Rio Homem, a que se seguiu a visita à antiga aldeia, presentemente a descoberto.

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RIO HOMEM

“Que grande nome para um rio!” – disse Torga.

RIO HOMEM

“Que grande nome para um livro!” – digo eu -,  este romance de André Gago, que, há uns tempos, foi lançado, em Lisboa.

Na altura, por motivos de labor académico, não me foi possível assistir ao lançamento desta obra.

Mas não resisti a enviar uma mensagem, em nome pessoal e d’AFURNA, a felicitar o autor, por este seu trabalho, cuja trama decorre no palco de Vilarinho da Furna.

E deixei um desafio: porque não programar uma apresentação do livro, no Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna?

Esse desafio foi agora correspondido pelo autor, André Gago, conhecido autor e actor, um homem da escrita, do teatro, do cinema, da televisão, em síntese, um homem da cultura, que nos deu a honra da sua presença no Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna. Com a simpática companhia de Rui C. Barbosa, que, entre muitas outras coisas, tem calcorreado a nossa terra e procurado documentar a memória das Minas dos Carris, por onde perpassa parte da estória, que o André nos conta.

Se o livro do André Gago é uma homenagem a Vilarinho da Furna, esta sessão foi, assim o espero, uma homenagem, ainda que singela, ao autor desse livro, que acabou de ganhar o prémio do Pen Clube.

RIO HOMEM é uma obra de grande fôlego, em que o autor, a partir da sua juvenil e inesquecível visão, nos anos 80, do século passado, da aldeia de Vilarinho da Furna, submersa por uma barragem, nos leva até à guerra civil de Espanha e consequente segunda guerra mundial, ao mesmo tempo que faz um retrato de Portugal, de1939 a 1972.

O livro lê-se com agrado, pela elegância da escrita, fidelidade aos dados históricos, no que ao ensaio concerne, e originalidade na ficcional estória romanesca, com toda a sua profundidade dramática.

Muitas obras já foram feitas sobre Vilarinho da Furna, da ciência à ficção, passando pelo cinema e pela poesia. Onde sobressaem nomes como Link, Tude de Sousa, Jaime Cortesão, Orlando Ribeiro, Jorge Dias, Rosado e Delmira Correia, João Machado Cruz, Miguel Torga, António Campos, Manoel de Oliveira, entre tantos outros, e, agora, André Gago.

São obras que, cada uma ao seu jeito, muito dignificam a aldeia, o povo de Vilarinho, a ciência e a literatura portuguesa.

Manoel de Oliveira, nos idos de 50, do século passado, pensou fazer um filme sobre Vilarinho da Furna. Hoje, com os seus 102 anos, ainda está em boa idade para fazer o “filme da sua vida”, a partir do Rio Homem, de André Gago. Aqui fica o desafio.

Vilarinho da Furna, apesar de submersa, foi e continua ser uma aldeia suficientemente rica para a investigação dos cientistas, a imaginação dos artistas, a inspiração de muitos.

RIO HOMEM é a prova disso.

Obrigado André, o povo de Vilarinho agradece.

Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna

Manuel de Azevedo Antunes

(Presidente da Direcção d’AFURNA)

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A imagem mostra a aldeia de Vilarinho da Furna a emergir das águas da albufeira.

CORETO PARA RECEPÇÃO DE AFONSO XIII NA SUA VISITA A LISBOA EM 1903 FOI CONSTRUÍDO POR UM VIANENSE

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A imagem, de autor não identificado, mostra um coreto que foi montado por ocasião da visita que o rei Afonso XIII, de Espanha, fez a Lisboa em 1903. Este coreto foi construído por um empreiteiro de Viana do Castelo de seu nome Filipe Mateus Branco, e tinha a forma de um pavilhão rústico. Foi instalado na avenida da Liberdade e destinava-se à realização de um arraial minhoto a ter lugar no âmbito das cerimónias de recepção ao visitante.

Recorde-se que Afonso XIII visitou Lisboa em 13 de Dezembro daquele ano, tendo desembarcado no Cais das Colunas. Foi recebido com bastante pompa e a visita incluiu a realização de uma grandiosa sessão de fogo-de-artifício.

A fotografia, em negativo de gelatina e prata em vidro, pertence ao Arquivo Municipal de Lisboa.

“CRÓNICAS DE UM OUTRO TEMPO” DE JOSÉ ERNESTO COSTA EVOCA A PÁTRIA DO LIMA

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Qual cronista da pátria limiana, tal como a seu tempo o foi Fernão Lopes em relação ao Reino de Portugal, José Ernesto Costa relata-nos por palavras e imagens quadros simples da terra e da vida das gentes limianas, retendo-nos na memória de tempos idos que urge fixar no registo histórico para não mais se perderem na voragem dos tempos ou na correria do quotidiano. São imagens e palavras que surgem compiladas em livro que é, na realidade, um excelente álbum que dá pelo título “Crónicas de um outro tempo”.

Para além de vasta colaboração poética, jornalística, fotográfica e de crítica literária dispersa em vários jornais e revistas, José Ernesto Costa publicou em livro “Poemas da Terra e do Lima” e ainda “Cheia do Rio Lima” que constitui um excelente registo fotográfico e histórico de um dos fenómenos naturais que mais tem marcado a região limiana e a vida das suas gentes ao longo dos séculos.

José Ernesto Costa nasceu e vive em Ponte de Lima. Publicou três volumes de ““Crónicas de um outro tempo”. Resta-nos a esperança de que as sua crónicas não se fiquem por aqui, apesar dos tempos serem outros.

PAREDES DE COURA PROMOVE CONFERÊNCIAS SOBRE ANTIGOS MOSTEIROS BENEDITINOS

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O Arquivo Municipal de Paredes de Coura promove, no próximo dia 28 de Outubro, pelas 18 horas e 30, as conferências “Tibães no Arquivo Secreto do Vaticano”, da autoria de Micaela Ramon, professora auxiliar do Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos, do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho, e “Na Rota dos Mosteiros Beneditinos: Luz e Trevas sobre Ganfei”, da mestre em Teoria da Literatura, pela Universidade do Minho, Ana Paula Ferreira. A primeira oradora procurará desvendar alguns aspetos indicadores da importância do mosteiro beneditino de Tibães no contexto das relações de Portugal com o mundo, nomeadamente durante o período da expansão portuguesa, a partir das referências que o vastíssimo Arquivo Secreto do Vaticano faz a documentos produzidos por religiosos daquele mosteiro.

Por seu turno, ainda dentro da mesma atmosfera temática, a docente e investigadora Ana Paula Ferreira propõe-se reavivar a “fervilhante” actividade cultural e espiritual do mosteiro beneditino de Ganfei, com base no estudo aprofundado das Memórias escritas pelo monge tibanense Frei António da Assunção Meireles. A reconstituição da história dessa casa religiosa levar-nos-á às ligações a Paredes de Coura, numa viagem ao passado que se prende com a própria História de Portugal.

Micaela Ramon é Professora Auxiliar do Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho, onde lecciona Literatura Portuguesa dos períodos Renascentista, Maneirista e Barroco e Português como Língua Estrangeira em cursos de graduação, pós-graduação e extensão. É licenciada em ensino de Português–Francês, mestre em ensino da Língua e da Literatura Portuguesas e doutorada em Literatura Portuguesa por aquela Universidade. Tem publicada a obra Os Sonetos Amorosos de Camões. Estudo Tipológico, sendo igualmente autora de cinco verbetes do Dicionário Camoniano, elaborado sob a coordenação do Prof. Doutor Vítor de Aguiar e Silva.

Licenciada em Português – Francês, pela Universidade de Évora, em 1995, Ana Paula Ferreira é professora do Ensino Básico e Secundário, desde 1990, tendo desempenhado ao longo da carreira vários cargos, entre os quais o de Presidente do Órgão de Gestão da Escola Secundária de Paredes de Coura. Concluiu o Mestrado em Teoria da Literatura, área de especialização em Literaturas Lusófonas, na Universidade do Minho, tendo desenvolvido a sua dissertação sobre o manuscrito Memórias para a História particular do Mosteiro de Ganfei, de Frei António da Assunção Meireles.

Recorde-se que as conferências temáticas se integram na estratégia de dinamização cultural prosseguida pelo Arquivo Municipal de Paredes de Coura, aberto ao público em 5 de Maio de 2008, a par da organização de exposições, lançamento de livros, coordenação de projectos pedagógicos, visitas guiadas, entre outras iniciativas de interacção com a comunidade.

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FAMALICÃO REALIZA EXPOSIÇÃO SOBRE MOLINOLOGIA

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O Município de Vila Nova de Famalicão vai organizar no dia 5 de Novembro o Seminário: “Património Periférico – Cultura e Território”, que irá decorrer na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco. Este seminário está enquadrado na exposição itinerante: “Património à Prova de Água: Apontamento para a salvaguarda das Azenhas e Açudes nas margens do Rio Ave - Vila Nova de Famalicão / Trofa”, patente na Biblioteca Municipal de 3 a 26 de Novembro, a qual  tem por base a investigação realizada pelo Arquitecto Rogério Bruno Guimarães Matos sobre a história da actividade e tecnologias associadas de 15 Azenhas e 9 Açudes localizadas na área de “fronteira administrativa” dos concelhos vizinhos: Vila Nova de Famalicão e Trofa. Neste seminário serão apresentados diferentes casos práticos de trabalho já realizado nesta área, procurando assim, suscitar a discussão sobre os diferentes caminhos já percorridos, e quais os novos desafios que são colocados.

Mais informações e inscrições (gratuitas) on-line em: http://www.vilanovadefamalicao.org/_exposicao_e_seminario

TERRAS DE BOURO FESTEJA S. MARTINHO E COMEMORA ATRIBUIÇÃO DO FORAL

O Concelho de Terras de Bouro vai assinalar no próximo dia 20 de Outubro a atribuição do Foral, em 1514, pelo Rei D. Manuel I. As comemorações vão ter lugar na Vila do Gerês e inclui diversas iniciativas de âmbito cultural como a exposição “Paradoxos…Senda da Luz”, da pintora Luzia Teixeira, e a apresentação de duas obras literárias: “Memórias Geresianas” da autoria do Sr. Dr. Agostinho Moura e “O Gerês: de Bouro a Barroso, Singularidades Individuais e Dinâmicas Territoriais”, da Profª Drª Rosa Fernanda Moreira da Silva.

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Na ocasião e à semelhança dos anos anteriores, realiza-se em Terras de Bouro a “Festa de São Martinho nas terras do Gerês” destinado a divulgar as potencialidades económicas, turísticas e culturais daquela região.

No Largo Padre Martins Capela, em plena sede do Concelho de Terras de Bouro, vão desfilar os ranchos folclóricos e haverá muita animação com os cantadores “Augusto Canário e Amigos”. Haverá ainda corridas de cavalos, uma desfolhada do milho e a prova “Trilho dos Moinhos”.

Terras de Bouro vai também receber uma comitiva de vinte pessoas proveniente de Saint Arnoult en Yvelines, localidade francesa que regista uma forte implantação de emigrantes terrabourenses. A comitiva francesa é chefiada pela autarca de Saint Arnoult-en-Yvelines, Françoise Poussineau e pela Presidente da Comissão de Geminação, Collette Bumillier.

MUSEU DO TRAJE DE VIANA DO CASTELO APRESENTA COLECÇÃO DE AMADEU COSTA

“Traje e Chieira” é o título da exposição temporária de Amadeu Costa que vai estar patente ao público no Museu do Traje de Viana do Castelo, a partir do próximo dia 22 de Outubro. Trata-se de uma iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Viana do Castelo e da família do conceituado etnógrafo vianense.

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Amadeu Costa foi um dos grandes divulgadores do Traje à Vianesa, através de exposições, palestras ou da organização da Festas da Senhora d’Agonia e foi também um incansável lutador pela criação de um museu dedicado ao traje regional em Viana do Castelo.

No momento da compra do edifício do Banco de Portugal para a instalação desse Museu, em 1996, foi ele quem organizou a exposição Traje Regional, a primeira que aqui se realizou e, no ano seguinte, organizou também a exposição que marcou a inauguração do Museu: Ambientes Regionais e Trajes. Por esta razão o Museu atribuiu a uma das suas salas o nome de Galeria Amadeu Costa.

Ao longo da sua vida, Amadeu Costa reuniu uma colecção de dezenas de fatos que agora a sua família decidiu, num acto de grande generosidade, doar ao Museu. Esta colecção demonstra a sensibilidade com que viu o traje, e, através dele, o povo vianense. Ele soube guardar e enaltecer os trajes ricos, mas também os mais humildes, mais esquecidos, aqueles que chamaram menos a atenção dos coleccionadores: os trajes de trabalho, grosseiros, com pouca decoração, do quotidiano duro, das idas ao monte cortar o mato para as camas dos animais, ou das lavradas que duravam dias inteiros.

É esta a colecção que agora mostramos e que tem uma fundamental importância para o Museu poder cumprir a sua missão de estudar e divulgar os modos de vida tradicionais do Alto Minho dos finais do século XIX e inícios do XX, que formam a identidade vianense e alto minhota.

QUAIS SÃO OS FERIADOS QUE O GOVERNO QUER SUPRIMIR?

O governo tenciona reduzir o número de feriados e alterar as datas de outros a fim de diminuir os fins-de-semana prolongados a fim de alegadamente aumentar a produtividade.

Encontram-se em Portugal instituídos catorze feriados nacionais, incluindo o dia de Entrudo. Dessa lista, nove são considerados dias festivos católicos e encontram-se abrangidos pela Concordata que o Estado português celebrou em 2004 com a Santa Sé, em cujo artigo 3º se reconhece o direito à sua celebração. Excluindo estes, restam apenas cinco feriados civis que são o 25 de Abril, 1 de Maio, 10 de Junho, 5 de Outubro e 1 de Dezembro.

A não ser que o Estado português pretenda rever a Concordata que celebrou com a Santa Sé de forma a suprimir alguns feriados religiosos, resta apenas a possibilidade de eliminar os feriados civis ou deslocá-los no calendário. A curiosidade consiste em saber quais desses feriados vai o governo suprimir...

GASPAR MOREIRA: UM ARCUENSE EM OURÉM (II)

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Da antiga Igreja de Nossa Senhora de Rio de Couros apenas resta a torre que se vê na imagem. A sua demolição representou uma perda irreparável do património, exemplo que não deve ser seguido.

“Porque, antigamente, abundavam, abundavam ali os curtumes, a terra passou a denominar-se Rio de Couros. Ao que se afirma, lá deve ter existido uma cidade ou grande povoação cujo nome se ignora, sendo também, de anotar que houve, nessa terra, uma capela consagrada a Nossa Senhora de Rio de Couros, ou Radecouros, como noutros tempos se dizia, e que, por fim, mudou para o título de Nossa Senhora da Piedade. Em escavações várias, feitas nas próximidades da igreja, foram encontrados não somente ossos de homens de grande estatura, crânios ainda com dentes, cipós, ou seja colunas próprias para a afixação de instruções de interesse público ou decisões do Senado romano, alicerces, pedaços de telha, tudo denotando grande antiguidade.

A fama do santuário da bonita e pitoresca localidade chegava longe, muita gente admirando o fervor religioso da população, de velhos e novos.

Em Rio de Couros passou a viver um dia, um homem, natural de Arcos de Valdevez, chamado Gaspar Moreira, que foi moço de câmara do rei D. Sebastião. Estava na corte de Lisboa quando o “Desejado” se encaminhou para África e travou com os mouros a célebre batalha de Alcácer Quibir, infausto combate ocorrido em 4 de Agosto de 1578, e no qual, entre outros portugueses e bons cristãos, intervieram, não só aquele monarca, como Gaspar Moreira, que ali ficou prisioneiro. A sua presença irritava constantemente os agarenos, que alimentavam o desejo de lhe dar morte violenta. Poucos cativos, como é da história, foram resgatados, e outros ali morreram em consequência de ferimentos que tiveram no duro combate, e, depois, cheios de fome ou maltratados. Os carcereiros mouros revelavam com as atitudes tomadas contra eles o seu rancor à Pátria lusitana.

Gaspar Moreira era tratado de maneira diferente pois estava preso à parte e às ordens de um oficial da moirama. Beneficiava de certo conforto na masmorra e de boa alimentação.

Numa noite luarenta, quando meditava sobre a sua vida, viu o tal oficial andar passeando perto dos muros da prisão. Na mão direita levava uma espada, e, com a esquerda, segurava uma forte corrente de ferro, a que prendia um grande e domado leão.

O lusitano, continuando junto das grades, ouviu, estupefacto e atemorizado, ele falar com a fera, dizendo que não tardaria muito que não lhe proporcionasse um farto banquete, pois o cristão estava engordando e ía atirar com ele para a sua boca para que o devorasse. Queria vingar-se dos portugueses, que tendo expulso os mouros das Espanhas, ali em Marrocos, os tinham, depois, atacado, mas sido vencidos por graça de Alá. Ante tal facto, atemorizado pela ideia de que o leão o mataria, recordou-se das suas romagens ao Santuário de Nossa Senhora de Rio de Couros, lembrando-se também da Batalha de Alcácer Quibir, dos seus companheiros de armas e de D. Sebastião, que ali tinha perdido a vida. No dia seguinte, viu entrar na prisão o oficial mouro que levava um pensamento: verificar se, com efeito, ele estava em condições de satisfazer o seu inclemente intento. Então, o agareno perguntou-lhe se desejava ficar liberto, ao que logo respondeu, afirmativamente. Nova atitude do oficial o deixou perturbadíssimo, pelo que fez uma prece a Nossa Senhora da Natividade para que, milagrosamente, o livrasse do cativeiro e o conduzisse para Portugal.

De repente, uma luz raiou na prisão, aparecendo-lhe a Virgem Maria com o Menino Jesus nos braços, fazendo-lhe sinal para que a seguisse. Então, as portas do cárcere abriram-se e ele acompanhou a sua libertadora, que, momentos após, desapareceu. De joelhos, tendo reconquistado a liberdade, agradeceu-a ao Céu e à Senhora da Natividade. Logrou, depois, regressar a Portugal, nessa altura já sob dominação castelhana, logo se dirigindo à ermida de Nossa Senhora de Rio de Couros para se lhe mostrar grato pelo seu milagre. Mais algum tempo passou e, quando sentiu a morte aproximar-se, rogou que o seu corpo – e assim se fez – fosse metido num caixão de pedra e sepultado junto da capela. Isso fortificou, justificadamente, a fé que já se tinha na miraculosa Senhora” 

In Jornal “O Século”, secção “Lendas de Portugal”, de 25 de Dezembro de 1970 

Fonte: http://auren.blogs.sapo.pt/

PONTE DE LIMA EXPÕE PINTURA DE RICARDINA SILVA

Na Galeria da Torre da Cadeia Velha, em Ponte de Lima, encontra-se patente ao público até ao próximo dia 30 de Outubro a exposição de pintura de Ricardina Silva, podendo ser visitada de Segunda a Sábado, das 9h30 às 12h30 e das 12h30 às 18 horas. Aos Domingos, a exposição encontra-se aberta das 10 h às 12h30 das 15h às 18h.

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O título da exposição é “Olhar/Sentir” porque, como refere a pintora, “esta exposição pretende estimular sentimentos, emoções e olhares… interpretações e diferentes formas de ver e sentir a arte”.

A exposição é composta por pinturas a óleo, acrílico e técnica mista.

A pintora Ricardina Silva é natural de Esposende e vive actualmente em Leiria. Como ela própria refere, “desde tenra idade que adorava desenhar apenas com um lápis e uma folha branca, guardava todos os desenhos num dossier”. Aos dezassete anos experimentou a pintura sobre tela em acrílico.

Em 2006 realizou a primeira exposição e, a partir de então nunca mais parou. Sucederam-se os concursos e as bienais, passou a experimentar outras técnicas como a pintura a óleo, mista, pastel, aguarela e os desenhos começaram a ser realizados a carvão e grafite.

Para a artista, “cada obra é como um poema harmonioso, de cores luminosas que transparecem num clima rimático e transmitem a paz interior que desejo. Quando realizo um desenho ou uma pintura entrego o meu coração… a minha alma. É como se viajasse para um sítio maravilhoso e mágico, onde não existe o sofrimento, mas sim alegria e cor. Normalmente, para a realização das minhas obras utilizo diversas técnicas como o óleo, o acrílico e a mista. Apesar do diversificado leque de temáticas que já executei, nas minhas obras a que predomina é a do mar, remontando às minhas origens”.

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AS GUALTERIANAS EM 1910

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O jornal “A Capital” na sua edição de 22 de Julho de 1910 dispensou rasgados elogios ao grafismo do cartaz que anunciavam as Festas Gualterianas desse ano, na cidade de Guimarães. Para além de tais referências, descreve os aspectos relacionados com a organização e o programa dos festejos, mormente a “batalha de flores” com as ornamentações, o desfile de meia centena de carruagens, a instalação do coreto para actuação das bandas de música e os pavilhões destinados à exposição agrícola e ao mercado industrial de Guimarães. E conclui: “Todos estes attractivos, que hão de chamar enorme concorrência a Guimarães, se devem aos patrióticos esforços da direcção da Associação Commercial”.

GASPAR MOREIRA: UM ARCUENSE EM OURÉM (I)

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Painel de azulejos existente junto ao escadório da Igreja de Rio de Couros, em Ourém

 

“No dia 4 de Agosto de 1578, ficou prisioneiro dos mouros, Gaspar Moreira, Moço de Câmara de El-Rei Dom Sebastião, Filho de Pedro Alves Bandeira, 4º Neto do Grande Gonçalo Pires Bandeira, era natural de Arcos de Valdevez, Nossa Senhora da Natividade, que se venera nesta Igreja, livrou-o da prisão e cativeiro”.

- Legenda que consta do painel de azulejos existente na escadaria de acesso à Igreja de Rio de Couros e que reproduz uma antiga gravura outrora existente na sacristia da capela entretanto demolida.

Fonte: http://auren.blogs.sapo.pt/

SANTUÁRIO DO BOM JESUS DO MONTE, EM BRAGA, FAZ 200 ANOS

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A construção do Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, foi concluída há duzentos anos. Para assinalar a efeméride, a Confraria de Bom Jesus do Monte vai realizar nos próximos dias 20 a 22 de Outubro um Congresso sobre o Barroco no qual vão participar historiadores e outros especialistas portugueses e brasileiros especialistas na matéria.

Para além do carácter científico deste evento no qual vão participar mais de 70 congressistas, o Congresso Luso-Brasileiro do Barroco deverá constituir o ponto de partida para a apresentação da candidatura deste monumento a Património Mundial da UNESCO. A candidatura deverá contemplar o conjunto arquitectónico do Santuário e a estância envolvente.

Projectado por Carlos Amarante, considerado um dos mestres do barroco português, a construção do Santuário do Bom Jesus do Monte foi iniciada em 1784, tendo ficado concluída em Setembro de 1811 com a construção do escadório com as suas capelas e Passos da Paixão.

BRAGA: 200 ANOS DO SANTUÁRIO DO BOM JESUS DO MONTE

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A Confraria de Bom Jesus do Monte (Braga) vai assinalar durante o próximo mês de Outubro (dias 20-22) a data da conclusão arquitectónica do Templo com a realização de um evento de carácter científico, a saber: um Congresso sobre o Barroco, o primeiro especialmente consagrado às realizações do barroco em Portugal e no Brasil, e reunindo estudiosos do fenómeno do barroco, brasileiros e portugueses.

Na verdade, o actual Templo que remata o monumental escadório, com as Capelas e Passos da Paixão, ficou concluído em Setembro em1811, substituindo um antigo Templo Barroco que vinha do tempo de D. Rodrigo de Moura Teles (1704-1728) e que ocupava o patamar inferior ao que ocupa o actual (onde se encontra hoje um fontanário artístico). Continuariam depois as obras com o preenchimento dos interiores (das talhas e pinturas), e depois continuando também várias obras nos jardins exteriores que se prolongariam, por todo o Século XIX que, praticamente, lhe deram a feição geral com que hoje o conhecemos.

Podemos dizer que o conjunto arquitectónico passou por 4 ou 5 momentos principais: Uma primitiva capela ou ermida dedicada a Santa Cruz, que vem, do Século XIV e que com certeza deve a sua fundação ao Arcebispo D. Gonçalo Pereira (1326-1348) (sob invocação de Santa Cruz do Monte).

Este Arcebispo esteve na Batalha o Salado (1340) - uma das decisivas batalhas peninsulares - travadas contra a presença e domínio árabes e contra o Islão. O Arcebispo esteve aí, com Afonso IV, com as suas hostes e as de seu filho - D. Álvaro Gonçalves Pereira. O Primaz atribuiu essa notável e decisiva vitória à intervenção de S. Cruz de quem era devoto e que seu filho, Prior do Crato, levava em estandarte, conduzindo as hostes: Neste sinal da Vera Cruz… vencereis seus inimigos (Ruy de Pina, Chronica d´El-Rei Dom Affonso IV. Ed. Biblion Lisboa. 1936.168). O resultado foi a ereção de uma ermida comemorando o feito e assinalando essa devoção. A Ermida, desde aí, foi reunindo devoções e atraindo devotos, nesta primeira fase, essencialmente da Cidade de Braga.

Essa vetusta ermida seria substituída por uma outra de traça "moderna" - gótico final, ou manuelina ou renascentista - que como era já a moda do tempo - atendendo até à importância e ao enorme património económico da personalidade a quem se atribuem essas obras (pelos anos de 1493-98) - D. Jorge da Costa. Mais que restauro, ter-se a tratado de uma nova fundação em torno do mesmo devocionário - a Santa Cruz. Durante muito tempo, essa data, foi tomada como a data da fundação do Bom Jesus do Monte. Por cerca de 1525 essa construção já oferecia ruína. O Deão D. João da Guarda, ao tempo em que D. Diogo de Sousa "refundacionava" a cidade de Braga com vários edifícios ao estilo Manuelino ou da Renascença, reconstruiu ou, mais verosimilmente, edificou nova capela que alguns definem como "construção em grande". Com peripécias varias, seria essa construção, a que alimentou as devoções e os interesses de alguns particulares até 1629 em que se criou a Irmandade ou Confraria de Bom Jesus do Monte, que desde aí, também com peripécias e acidentes vários, tem regido até à atualidade, os destinos devocionais e artísticos do Complexo do Bom Jesus do Monte. Surgia a partir daqui uma nova feição monumental a cujos traços gerais obedeceu a posterior intervenção de D. Rodrigo de Moura Teles, documentando os primeiros passos do maneirismo e do barroco nortenhos.

O complexo monumental, de feição barroca setecentista, com as capelas dos passos da Paixão que rematava esses complexo e que ocupava, como dissemos, o imediato patamar abaixo do actual templo, são obra de outro grande Arcebispo - D. Rodrigo de Moura Teles (1704-1728) a quem Braga, nesses aspectos, muito deve. Intervenções essas que aqui se materializam a partir de 1722.

Os tempos posteriores são de prosperidade devocional e monumental.

O Bom Jesus do Monte transforma-se no grande santuário de romagem não só de Entre Douro e Minho como do conjunto do Reino. Aí acorrem devotos de todas Províncias desde o Minho à linha do Tejo. E as famosas romarias são agora (não o foram antes?) um misto de devoção religiosa e de folguedo laico profano a que os tempos da festa (como foram essencialmente os do Século XVIII) a que a beleza do lugar, tanto convidavam paralelos a um profanismo e laicismo que foi acompanhando o bem-estar geral que se sentiu por quase todo este Século XVIII, (tenham dito ou continuem dizendo, outros, o contrário) e que tiveram nas grandes Romarias e centros de romagem a expressão mais completa e por vezes mais heterodoxa, em termos de religião.

As acomodações tornaram-se exíguas e, por sua vez, a Capela ou Santuário que rematava o escadório começou a ameaçar ruína.

Eram chegados os tempos das últimas grandes intervenções artísticas e arquitectónicas que deram ao Santuário a feição que hoje conhecemos. Correu paralelas com outra época de esplendor arquitectónico que a cidade de Braga conheceu, com o último Arcebispo régio - D. Gaspar e Bragança (1758-1789). Coincidia também com o apogeu económico do próprio Santuário ou Confraria. Vários artistas de renome trabalharam então para este Santuário: engenheiros, arquitectos como carpinteiros e imaginários e pintores, como Mestres pedreiros.

Ameaçando ruína a capela Setecentista do tempo de D. Rodrigo, exíguos os espaços de culto e acomodações, encomendou-se um novo Templo. Seria construído no patamar superior ao que ocupava o anterior do tempo de Moura Teles. Foi o Arquitecto Carlos Amarante, que já na cidade exercia importantes cargos em obras e por incumbência do Arcebispo e da edilidade e que na mesma deixaria outras obras notáveis. Começaram as obras em 1784 tendo-se concluído em Setembro de 1811.

É este acontecimento que serve de pretexto para a realização do referido Congresso mas também de efeméride comemorativa dos 200 anos da conclusão arquitectónica do actual Templo.

Embora vários exemplares da obra deste arquiteto estejam muito ligados ainda ao barroco terminal, podemos dizer que, com o Novo Templo do Bom Jesus do Monte, na traça arquitectónica, como na decoração dos interiores (que quase na totalidade se lhe devem também), se remata em Braga, e em geral, Ciclo do Barroco abrindo-se decisivamente o caminho ao Neo-clacissismo, estabelecendo, em simultâneo, um corte e um remate da formulária barroca que continuou (e continua) presente no Escadório nas Fontes e nas Capelas dos Passos e outras que, entretanto, compuseram todo o conjunto.

Aurélio de Oliveira, Faculdade de Letras do Porto, presidente da Comissão Científica do Congresso

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/

ROTEIROS REPUBLICANOS DE VIANA DO CASTELO

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“VIANA DO CASTELO – Roteiros Republicanos” é um livro da autoria de Alberto A. Abreu cuja edição foi promovida pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República.

É um excelente trabalho historiográfico que nos convida a percorrer o período da Primeira República no Distrito de Viana do Castelo, remetendo para a crise vivida desde 1891 que criou as condições para o derrube do regime republicano e acompanhando os principais acontecimentos vividos pelo novo regime, desde os conflitos com a Igreja à participação na Grande Guerra e ao Sidonismo.

Nele abordam-se ainda aspectos relacionados com a actividade económica, o artesanato, as artes e as letras.

Com excelente aspecto gráfico e magnificamente ilustrado, esta constitui uma obra cuja leitura é indispensável para quem queira conhecer um período importante da nossa História vivido na nossa região.

LIVRO “RIO HOMEM" DE ANDRÉ GAGO É APRESENTADO EM VILARINHO DA FURNA

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O livro “Rio Homem” da autoria de André Gago vai ser apresentado ao público no próximo dia 16 de Outubro, pelas 15 horas, no Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna. A apresentação será moderada por Rui Barbosa e é seguida de sessão de autógrafos e ainda da visita ao Museu e à antiga aldeia de Vilarinho da Furna, presentemente a descoberto.

A iniciativa é da AFURNA - Associação dos Antigos Habitantes de Vilarinho da Furna, entidade pioneira no desenvolvimento sustentável.

Este livro é uma homenagem a Vilarinho da Furna e às suas gentes que um dia tiveram de abandonar as suas casas e a sua lavoura para ver a sua aldeia submersa pelas águas da barragem.

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D. DUARTE PIO, DUQUE DE BRAGANÇA, VISITA A FREGUESIA DE OLIVEIRA S. PEDRO, EM BRAGA

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D. Duarte Pio, Duque de Bragança, vai no próximo dia 15 de Outubro deslocar-se à Freguesia de Oliveira S. Pedro, em Braga, a convite da autarquia local, a fim de visitar os marcos da Casa de Bragança existentes e proceder à inauguração da primeira réplica dos marcos a colocar nos locais onde desapareceram, efectuando ainda uma visita ao Penedo das Letras, local onde existe um registo, gravado numa rocha, da passagem do rei D. Miguel.

O Duque de Bragança, D. Duarte Pio, será recebido na Junta de Freguesia em cerimónia que contará com a actuação da Banda Marcial de Arnoso e a presença de representantes de outras autarquias locais da região e ainda o pároco da localidade.

Refira-se que os marcos em causa testemunham as delimitações do senhorio da Casa de Bragança, apresentando o escudo com as cinco quinas e a letra “B” indicativa da casa de Bragança.

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CÂMARA DOS DEPUTADOS DEBATE CONSTRUÇÃO DA LINHA FÉRREA DO VALE DO LIMA

Em 1912, a Câmara de Deputados debatia o traçado da linha férrea do Vale do Lima e as condições para a criação de uma estância turística em Santa Luzia, servida por elevador. Registamos aqui uma passagem do Projecto de Lei então apresentado à Câmara dos Deputados em 23 de Janeiro daquele ano e publicada em Diário da Câmara dos Deputados.

A quem pretender conhecer mais pormenorizadamente a questão jamais resolvida da construção da linha férrea do Vale do Lima, sugerimos a leitura do artigo “A Linha-Férrea do Vale do Lima” publicado na edição de 2007 da revista “O Anunciador das Feiras Novas”.

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"PROJECTO DE LEI

Artigo 1.° Os contractos de 27 de Setembro de 1904 e 4 de Março de 1907 para a construção e exploração dos Caminhos de ferro de Braga a Guimarães, Braga a Monção e Viana a Ponte da Barca serão modificados em harmonia com as prescrições das bases anexas à presente lei, que dela ficam fazendo parte integrante.

Art. 2.° É revogada a legislação em contrário.

Base 1.ª

1.° O caminho de ferro do Vale do Lima seguirá a margem direita do Rio Lima em toda a sua extensão, desde Viana até o entroncamento na linha de Braga a Monção.

2.° A Empresa concessionária fica obrigada a construir uma ponte sôbre o Rio Lima em Lanheses para ligação da estrada das duas margens, logo que o rendimento líquido das linhas concedidas com garantia de juro atinja 7 por cento do capital garantido, assistindo â mesma o direito de cobrar as portagens previstas no contracto.

3.° Em nenhum dos troços das linhas a construir poderá ser excedido o limite do 25 milímetros nas inclinações.

4.° Os projectos dos troços de Lanheses a Ponte da Barca e dos Arcos a Monção serão apresentados no prazo dum ano a contar da data do novo contracto feito nos termos da presente lei.

5.° O prazo de sete anos previsto no contracto para a construção do troço dos Arcos a Monção é reduzido a cinco anos, contados da data da aprovação dos respectivos projectos;

Todos os outros troços serão construídos no prazo de três anos, contados da data do novo contracto celebrado nos termos da presente lei, para aquele cujos projectos estejam já aprovados, e da data da aprovação dos projectos para os restantes.

6.° A mesma empresa fica obrigada a estudar e promover desde já, quanto em si caiba, a criação duma estância em Santa Luzia, junto de Viana do Castelo, servida por ascensor e dotada com os atractivos e comodidades precisas para chamarem ali concorrência de excursionistas, devendo submeter à aprovação do Govêrno, no prazo dum ano a contar da data do novo contracto feito nos termos da presente lei, o respectivo projecto elaborado em harmonia com as indicações das estações oficiais competentes.

Base 2.ª

A fusão das companhias do Pôrto à Póvoa e Famalicão e do caminho de ferro de Guimarães com a empresa concessionária das linhas de Braga a Guimarães, Braga a Monção e Viana a Ponte da Barca, aceite em princípio por despacho ministerial de 22 de Julho de 1909, deverá ser sujeita ás seguintes condições"

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GRUPO FOLCLÓRICO E ETNOGRÁFICO DANÇAS E CANTARES VERDE MINHO

Respondendo ao chamamento da terra que os viu nascer, os minhotos que vivem nos arredores de Lisboa, mais concretamente no Concelho de Loures, decidiram em tempos criar um grupo folclórico que os ajuda a manter a sua ligação afectiva às origens. Assim nasceu em 1994 o “Grupo Folclórico e Etnográfico Danças e Cantares Verde Minho”, anunciado como seu propósito a preservação, salvaguarda e divulgação das suas raízes culturais.

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Visa através da sua actuação promover as tradições da nossa região nomeadamente junto dos mais jovens ao mesmo tempo que valoriza os seus conhecimentos musicais e da etnografia minhota.

As danças e cantares que exibe são alegres e exuberantes como animadas são as mais exuberantes romarias do Minho. Trajam de linho e sorrobeco e vestem trajes de trabalho e domingueiros, de mordoma e lavradeira, de noivos, de ir ao monte e à feira. Calçam tamancos e ostentam o barrete e o chapéu braguês. As moças, graciosas e belas nos seus trajes garridos bordados pelas delicadas mãos de artista, com a sua graciosidade e simpatia, exibem vaidosas os colares de contas e as reluzentes arrecadas de filigrana que são a obra-prima da ourivesaria minhota.

Ao som da concertina e da viola braguesa, do bombo e do reque-reque, dos ferrinhos e do cavaquinho, cantam e dançam a chula e o vira, a rusga e a cana-verde, com a graciosidade e a desenvoltura que caracteriza as gentes do Minho. O seu reportório foi recolhido em meados do século passado, junto das pessoas mais antigas cujo conhecimento lhes foi transmitido ao longo de gerações, nas aldeias mais remotas das serranias da Peneda e das Argas, nas margens do Minho e do Lima, desde Melgaço a Ponte da Barca, do Soajo a Viana do Castelo. Levam consigo a merenda e os instrumentos de trabalho que servem na lavoura como a foicinha e o malho, os cestos de vime e os varapaus, as cabaças e os cabazes do farnel.

Qual hino de louvor ao Criador, o Minho, terra luminosa e verde que a todos nos seduz pelo seu natural e infinito encanto, salpicado de capelinhas aonde o seu povo acorre em sincera devoção, é ali representado por um punhado de jovens, uns mais do que outros, os quais presenteiam o público com o que o Minho possui de mais genuíno – o seu Folclore

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AS MARINHAS DE SAL DE VIANA DO CASTELO

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Seca do bacalhau em Viana do Castelo, indicador claro da existência de marinhas de sal.

 

Desde os tempos mais remotos, o sal é explorado nos estuários dos principais rios portugueses. Os romanos utilizavam-nos na produção do garum que era armazenado nos tanques de salga existentes na região de Setúbal e com ele pagavam aos seus soldados, o que explica a origem semântica do termo salário. Existem ainda outras formas de exploração como a extracção do sal-gema nas minas de Loulé ou nas marinhas de Rio Maior, constituindo este um caso notável de aproveitamento turístico desta actividade de que há registo escrito desde o século XII.

Para além daqueles exemplos, a extracção do sal subsiste ainda na Figueira da Foz, Alcochete, Alcácer do Sal e Olhão, não existindo praticamente memória da sua produção a norte do rio Mondego. Porém, a mesma verificava-se em tempos idos na foz do rio Lima, junto a Viana do Castelo, sendo disso testemunha a toponímia local. Uma vez abandonada esta actividade, ficaram os sapais que, apesar das regras de protecção ambiental, parecem desafiar os urbanistas na sua ânsia de levar o betão e o alcatrão até ao limite da sua ambição.

A recuperação das marinhas de sal de Viana do Castelo e a sua transformação em núcleo museológico, com funções didácticas, poderia constituir uma mais-valia cultural e turística para a região uma vez que seria um caso singular no norte do país. Aliás, à semelhança do que se verifica com o moinho de maré existente no rio Lima, conhecido por “Azenha de D. Prior”. A procura turística está cada vez mais virada para a vertente cultural e não se contenta mais com a visita a um monumento bastante conhecido, por mais valioso e apreciado que seja. Também os mais jovens se interessam em conhecer os processos naturais de produção, incluindo o ciclo do sal, conscientes de que este não nasce misteriosamente nas prateleiras dos supermercados.

Por outro lado, a recuperação das marinhas de sal representa o enriquecimento do nosso património cultural uma vez que traz-nos ao conhecimento, uma das formas de vida que outrora também ocupava os vianenses. É que, se noutras épocas existiram marinhas de sal na foz do rio Lima também existiram salineiros que fizeram desse o seu modo de vida. E, por conseguinte, possuíam os seus instrumentos de trabalho, o seu vestuário apropriado, os seus ritmos e modos de ser. E, quem sabe, ainda existirão peças de interesse junto dos descendentes dos antigos marnotos. Aliás, este deve constituir um tema de reflexão relacionado com o folclore vianense.

A presença do sal na economia e na dieta alimentar dos portugueses assumiu particular relevo na época dos descobrimentos quando era utilizado na conservação dos alimentos, medida considerada necessária para a sua preservação durante viagens tão prolongadas. Não admira, pois, a forma como consumimos o bacalhau e também a secagem de outros peixes, como ainda se pode observar na Nazaré, aliás à semelhança das práticas dos povos da península indiana em virtude do enorme afastamento de muitas cidades em relação ao mar. De resto, o seu tempero marca de forma algo indelével o paladar dos portugueses ao longo de sucessivas gerações e distingue a sua culinária em relação às dos demais povos europeus. O sal constitui, pois, um dos factores de desenvolvimento económico e os diferentes aspectos da vida que lhe está relacionada uma das marcas da nossa identidade.

Algures na Polónia, um luxuoso hotel foi construído no interior de uma mina de sal-gema idêntico à que existe em Loulé. Entre nós, as marinhas de sal de Rio Maior organizaram-se como cooperativa de sal e turismo, continuam a exportar muitas toneladas especialmente para a Holanda e recebem diariamente muitas centenas de visitantes. Da mina de Loulé é extraído o sal que é espalhado nas estradas francesas para desobstruí-las da neve. Alcochete criou um pólo museológico com ligação aos estabelecimentos de ensino da localidade. A cidade de Viana do Castelo bem poderá recuperar as suas marinhas de sal e transformá-las num grandioso pólo de animação cultural e turístico.

PONTE DE LIMA RECEBE CONGRESSO INTERNACIONAL PARA DEBATER A SUA HISTÓRIA

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“Dos tempos medievais à contemporaneidade: Ponte de Lima no espaço e no tempo” é o tema do Congresso Internacional que vai ter lugar em Ponte de Lima nos próximos dias 18 e 19 de Novembro, no Teatro Diogo Bernardes. A organização é do Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória (CITCEM) e conta com o apoio da Câmara Municipal de Ponte de Lima, devendo reunir especialistas nacionais e estrangeiros que irão debater aspectos relacionados com a sua História.

De acordo com os seus promotores, pretende-se com esta iniciativa “realizar um balanço das mais recentes investigações sobre uma vila e um concelho tão ricos em história, perspectivar novos enfoques de análise e despertar o interesse dos seus habitantes e, em particular, de professores, investigadores e alunos de todos os níveis de ensino, pela história local”.

BRAGA ASSINALA DIA NACIONAL DOS BENS CULTURAIS DA IGREJA

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Vai realizar-se em Braga a 1ª edição do Dia Nacional dos Bens Culturais da Igreja. A iniciativa, promovida pelo Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, tem lugar no Auditório Vita no próximo dia 18 de Outubro, data consagrada no calendário litúrgico a S. Lucas, padroeiro dos artistas.

Pretende-se com esta iniciativa criar um espaço de reflexão e partilha do trabalho desenvolvido no âmbito das dioceses em torno do património eclesiástico, dando visibilidade e debatendo novas propostas de actuação. Este encontro é dedicado ao tema “Património da Igreja: Conhecer e Fruir” e vai reunir vários dirigentes e responsáveis das diferentes dioceses do país.

AUTOCARROS DA CARREIRA DE VIANA AOS ARCOS DE VALDEVEZ MOVIDOS A GASOGÉNIO

 

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Numa época de escassez de petróleo devido às limitações do comércio marítimo no contexto da Segunda Guerra Mundial, alguns países socorreram-se do chamado gasogénio para assegurar nomeadamente o funcionamento de transportes públicos. Tal foi o caso dos autocarros de carreira entre Viana do Castelo, Ponte de Lima e Arcos de Valdevez como a foto documenta.

O gasogénio foi inventado na década de vinte do século passado pelo engenheiro químico francês Georges Imbert e consistia numa mistura combustível de gases produzida por um método de combustão incompleta com recurso a madeira e carvão entre outros combustíveis ricos em carbono em combinação com oxigénio e até vapor de água, razão pela qual também é denominado por “gás de síntese”. Na imagem, vemos o equipamento instalado nas traseiras do autocarro.

RICARDINA SILVA: PINTORA É NATURAL DE ESPOSENDE

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Ricardina Silva nasceu em Esposende e vive actualmente em Leiria. Como ela própria refere, “desde tenra idade que adorava desenhar apenas com um lápis e uma folha branca, guardava todos os desenhos num dossier”. Aos dezassete anos experimentou a pintura sobre tela em acrílico.

Em 2006 realizou a primeira exposição e, a partir de então nunca mais parou. Sucederam-se os concursos e as bienais, passou a experimentar outras técnicas como a pintura a óleo, mista, pastel, aguarela e os desenhos começaram a ser realizados a carvão e grafite.

Para a artista, “cada obra é como um poema harmonioso, de cores luminosas que transparecem num clima rimático e transmitem a paz interior que desejo. Quando realizo um desenho ou uma pintura entrego o meu coração… a minha alma. É como se viajasse para um sítio maravilhoso e mágico, onde não existe o sofrimento, mas sim alegria e cor. Normalmente, para a realização das minhas obras utilizo diversas técnicas como o óleo, o acrílico e a mista. Apesar do diversificado leque de temáticas que já executei, nas minhas obras a que predomina é a do mar, remontando às minhas origens”.

RICARDINA SILVA EXPÕE EM PONTE DE LIMA

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A pintora Ricardina Silva vai expor em Ponte de Lima diversas obras de sua autoria de carácter surrealista e realista abordando diversas temáticas. A exposição “Olhar/Sentir” estará é inaugurada no próximo dia 15 de Outubro e ficará patente ao público até ao dia 30 de Outubro, na Galeria da Torre da Cadeia Velha, podendo ser visitada de Segunda a Sábado das 9h30 às 12h30 e das 14h00 às 18h00. Domingo das 10h00 às 12h30 e das 15h00 às 18h00. E a entrada é livre.

O Título da exposição é "Olhar/Sentir". Porquê este título: "Esta exposição pretende estimular sentimentos, emoções e olhares...interpretações e diferentes formas de ver e sentir a arte.".Exposição composta por obras a óleo, a acrílico e técnica mista.

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TRAJE À VIANESA – EX-LíBRIS DE PORTUGAL

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A Câmara Municipal de Viana do Castelo editou há algum tempo o livro “Um Traje da Nação. Traje à Vianesa”, da autoria de António Medeiros, Benjamim Pereira e João Alpuim Botelho. A cerimónia pública de lançamento teve lugar nas instalações recentemente renovadas do Museu do Traje, a assinalar o Dia dos Museus e integrado nas comemorações dos 750 anos da atribuição do Foral a Viana do Castelo por D. Afonso III.

Pela sua extraordinária beleza e graciosidade dos seus bordados, por tudo que ele representa em termos de criatividade artística e o trabalho que lhe está subjacente, não apenas na sua confecção como ainda nos processos de cultivo, o “traje à vianesa” constitui uma das maiores preciosidades da nossa cultura tradicional e, seguramente, o traje mais emblemático de todos quantos nos identificam como povo.

Considerado o mais belo traje tradicional do nosso país, o “traje à vianesa” transmite a alegria e a vivacidade das nossas gentes, a habilidade artística da mulher minhota, o seu apego à família e às lides domésticas. Através do traje podemos traçar o seu perfil psicológico, estudar os usos e costumes, analisar o contexto social, económico e histórico em que se originou, compreender os comportamentos sociais, os processos agrícolas, enfim, reconstituir a vida social de um povo em todas as suas vertentes.

As moças cuidam da confecção do seu traje como o mesmo desvelo e talento que o ourives emprega na criação da filigrana ou o poeta no encadeamento dos seus versos. Vários foram os escritores que lhe prestaram a maior atenção e dedicaram o seu estudo, como sucedeu com Cláudio Basto cujo livro, “Traje à Vianesa”, ainda constitui uma obra de referência no domínio da etnografia. E, quando o envergam, a mulher minhota revela uma atitude elegante e digna que faz realçar ainda mais a sua beleza natural, salientando discretamente as suas formas graciosas e deslumbrando pelo brilho e o esplendor dos seus adornos a sua figura esbelta.

Disputam os folcloristas a origem do “traje à vianesa”, procuram saber onde o mesmo era utilizado e as formas como se apresentava, vasculham em velhas arcas carcomidas alguma peça de vestuário esquecida para questionarem a sua antiguidade, questionam se o mesmo levava mais linho ou estopa, qual o comprimento original da saia e como deveria aparecer a algibeira sob o avental. São preocupações naturalmente compreensíveis e até justificáveis do ponto de vista etnográfico, não obstante por vezes se confundirem com uma espécie de bairrismo estéril. Porém, apraz-nos registar o enorme interesse que rodeia o “traje à vianesa”, não nos admirando, pois, a disputa que o mesmo suscita: Afinal de contas, quando se trata de defendermos aquilo que é realmente nosso e nos identifica, somos todos minhotos – somos todos vianenses!

Como é evidente, à semelhança do que sucede com todas as coisas, também o “traje à vianesa” se submete às influências das épocas e respectivas modas, registando também os efeitos perversos do uso que lhe é dado, para além da sua primitiva finalidade que consistia simplesmente num vestuário para ser utilizado em dia de festa. Numa determinada época, as exigências do turismo encolheram as saias e provocaram outros estragos que ainda são visíveis no nosso folclore. Enfim, a passagem do tempo e as mudanças sociais causam inevitavelmente o seu desgaste nos objectos e nas mentalidades.

Na realidade, tal como disse Cláudio Basto, “na província do Minho não há, para as mulheres, como para ninguém, um só vestuário regional típico – e nem sequer o há em Viana do Castelo”. O traje à lavradeira possui tantas variantes quantas as aldeias e a criatividade das suas gentes na confecção do seu próprio vestuário e, sobretudo, neste traje que apenas era usado em dias de festa. Sucede que, a sua origem remonta a um tempo em que a indústria então emergente ainda não conseguira impor a padronização das formas, a uniformização dos gostos e a produção da roupa “pronto-a-vestir”. Nem os modestos recursos das nossas gentes permitiam adquirir peças de fábrica, pelo que tinham de semear o linho e tecê-lo nos teares caseiros, agora arrumados ao canto da casa, em muitas aldeias da nossa região. Aliás, conforme se comprova através dos assentos paroquiais de baptismo, eram elevado o número de tecedeiras então existentes, profissão que acabaria por praticamente desaparecer.

Mas o “traje à vianesa” não se deteve na nossa região. Desde há muito tempo que ultrapassou os seus limites naturais, galgou fronteiras e atravessou mares. Ele surge nas mais variadas formas de publicidade, desde sempre foi o traje preferido das crianças no período carnavalesco e em épocas festivas, desfila nas ruas de Nova Jersey por ocasião das celebrações do Dia de Portugal realizadas pela comunidade portuguesa e é envergado por goeses e malaios que, através de ranchos folclóricos, insistem em preservar as suas raízes portuguesas. Em Lisboa, quando as marchas populares desceram pela primeira vez a avenida da Liberdade, o “traje à vianesa” foi o escolhido pela marcha do bairro de Campo de Ourique, sintomaticamente aquele que viria a vencer o concurso. E, ainda há cerca de uma dúzia de anos, aquele bairro lisboeta viria a repetir a escolha do traje, numa evocação da migração minhota que teve aquela cidade como local de destino. Também, no Museu do Homem, em Paris, é o “traje à vianesa” que figura em destaque no expositor dedicado a Portugal, qual ex-líbris a identificar o nosso país.

Não discuto se o “traje à vianesa” é de Viana ou Ponte de Lima, de Valença ou de Caminha, das Argas ou da Ribeira Lima. Ou ainda, se é mais gracioso em Carreço ou na Meadela, Afife ou Areosa, em Perre ou Santa Marta de Portuzelo. O traje de lavradeira, vulgo “traje à vianesa”, é património nacional e ex-líbris de Portugal!

RESTOS MORTAIS DE S. GUALTER DESCOBERTOS EM GUIMARÃES

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Faz precisamente dois anos que os restos mortais de S. Gualter foram descobertos em Guimarães, dissimulados no interior de uma imagem que se encontrava na Igreja de S. Francisco. A descoberta ocorreu na sequência das obras de restauro realizadas naquela igreja e os achados encontravam-se envoltos em linho, no interior de uma imagem oca.

Os registos deixados em actas do antigo mosteiro franciscano e noutros documentos existentes na Ordem de S. Francisco indicam que se trata efectivamente de S. Gualter, o monge franciscano que é venerado como padroeiro da cidade de Guimarães.

Nos começos do século XIII, S. Francisco de Assis enviou S. Gualter para Portugal com a missão de estabelecer no nosso país a Ordem dos Frades Menores, vulgo franciscanos.

A devoção popular a S. Gualter entre os vimaranenses faz das Festas Gualterianas que todos os anos se realizam em Agosto, em Guimarães, uma das mais concorridas e grandiosas romarias minhotas.

NABIA: A DEUSA PAGÃ DO RIO NEIVA

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No princípio era o Caos… entretanto, na ânsia de encontrar uma explicação para os fenómenos da natureza que o rodeiam, o Homem concebeu inúmeras divindades que além de representar os atributos de tais fenómenos passaram ainda a revelar emoções e sentimentos próprios dos humanos uma vez que eram construídos à sua imagem e semelhança.

Entre tais divindades, Nábia foi uma das divindades mais veneradas na faixa ocidental da Península Ibérica ou seja, a área que actualmente corresponde a Portugal e à Galiza, durante o período que antecedeu à ocupação romana. Na mitologia céltica, Nábia, era a deusa dos rios e da água, tendo em sua honra o seu nome sido atribuído a diversos rios como o Navia, na Galiza e o Neiva e o Nabão em Portugal. Inscrições epigráficas como as da Fonte do Ídolo, em Braga e a de Marecos, em Penafiel, atestam-nos a antiga devoção dos nossos ancestrais à deusa Nábia.

Quando ocuparam a Península Ibérica à qual deram o nome de Hispânia, os romanos que à época não se haviam convertido ainda ao Cristianismo, adoptaram as divindades indígenas e ampliaram o seu panteão, apenas convertendo o nome de Nábia para Nabanus, tal como antes haviam feito com os deuses da antiga Grécia.

Qual reminiscência do período visigótico, a crença pagã em Nábia – ou Nabanus – viria a dar origem na famosa lenda de Santa Iria – ou Santa Irene – cujo corpo, após o seu martírio, ficou depositado nas areias do rio Tejo junto às quais se ergueram vários locais de culto, tendo inclusive dado origem a alguns topónimos como a Póvoa de Santa Iria e, com a introdução do Cristianismo, a atribuição do seu nome à antiga Scallabis, a actual cidade de Santarém.

Bem vistas as coisas, são em grande parte do rio Nabão e das suas nascentes as águas que o rio Tejo leva ao Oceano Atlântico, junto a Lisboa, depois daquele as entregar ao rio Zêzere. E, é nas águas cristalinas do rio Nabão que habita a deusa Nábia e nas suas margens que Santa Iria encontrou o eterno repouso

QUEM NA CABRAÇÃO AINDA SE LEMBRA DO “PINTINHO”?

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Até meados dos anos setenta do século passado, a Freguesia de Cabração, no Concelho de Ponte de Lima, era conhecida pelos rituais de exorcismo que os seus párocos ali praticaram. Recordamos o Padre Miranda, último exorcista que ali exerceu tal ofício e a extraordinária afluência diária de visitantes à localidade. Este tema mereceu, aliás, um artigo publicado na edição de 1998 da revista “O Anunciador das Feiras Novas” com o título “Cabração: o último exorcista”.

O padre Manuel Lopes Miranda veio a falecer em 26 de Janeiro de 1978 e foi sepultado na sua terra natal, em jazigo de família, no cemitério paroquial de Cristelo, no Concelho de Barcelos.

Entretanto, a prática do exorcismo na Freguesia da Cabração adquiriu tal popularidade que o povo chegou a criar uma palavra para identificar algo de sobrenatural que apoquentava as pessoas e, por extensão, tudo o que se revelasse estranho no comportamento de cada indivíduo. E, tal vocábulo depressa se tornou de uso corrente e empregue de forma jocosa, algo divertida que só por si constituía uma prática exorcista. Chamavam-lhe o “pintinho”!

A CASA DE BRAGANÇA NA PROVÍNCIA DE ENTRE-DOURO-E-MINHO

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Inaugura no Museu de Salto – Ecomuseu de Barroso, no próximo dia 7 de Outubro, pelas 14.30h, a exposição temporária dedicada aos primeiros Duques da Casa de Bragança.

Esta exposição resultou de um protocolo estabelecido entre o Paço dos Duques de Bragança e os Municípios de Barcelos, Montalegre e Cabeceiras de Basto, tendo por objectivo dar a conhecer as origens da Casa de Bragança, bem como a sua implantação na região de Entre-Douro-e-Minho.

Trata-se de uma exposição itinerante que será apresentada em simultâneo nas referidas localidades com a seguinte estrutura:

. Fundação da Casa de Bragança

. Os Duques de Bragança até 1580

. Implantação da Casa de Bragança nos Municípios de Barcelos, Montalegre, Cabeceiras de Basto e Guimarães

. Cartografia da Região Norte com destaque nas quatro localidades

. Mapa específico para cada concelho.

Na continuidade da homenagem prestada em Abril passado a São Nuno de Santa Maria, na ocasião da comemoração dos 50 anos da visita das relíquias do Condestável a Salto, esta exposição, que estará patente ao público até final do ano, pretende também destacar a importância das Terras de Barroso na construção da Sereníssima Casa de Bragança, uma das mais poderosas e respeitadas linhagens da Realeza Europeia.

Fonte: http://causamonarquica.com/

MINHOTOS VENCEM TRIALBIKE EM OURÉM

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Realizou-se no passado dia 10 de Setembro, no Parque Linear de Ourém, o Campeonato Nacional de TrialBike dividido em quatro categorias. Participaram atletas provenientes dos mais variados pontos do país e ainda de Múrcia e Salamanca, em Espanha.

Os atletas da Associação de Ciclismo do Minho sagraram-se campeões dominando por completo as provas. João Sousa revalidou o título em elites enquanto Diogo Pereira tornou-se o novo campeão em Seniores, Bruno Gonçalves em Open 1 e José Sequeira em Open 2. Apenas o título de Campeão Nacional da categoria de Open 2 escapou aos minhotos, tendo sido conquistado por José Sequeira.

A noite revelou-se amena e agradável, sem vento e o local escolhido foi o mais indicado. No Parque Linear de Ourém, junto à Ribeira de Seiça e ao Centro de Negócios, havia espaço livre para as diferentes exibições.

A prova foi concebida de tal modo que o público podia caminhar entre os obstáculos sem estorvar os concorrentes e interferir na prova. A organização revelou-se de um elevaod profissionalismo.

Texto e fotos: José Santos

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Fonte: http://auren.blogs.sapo.pt/

JÁ FOI DISTRIBUÍDA A EDIÇÃO DESTE ANO DA REVISTA "O ANUNCIADOR DAS FEIRAS NOVAS"

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A revista “O Anunciador das Feiras Novas” é uma publicação anual de informação, cultura, turismo e artes limianas cuja série já conta com 28 edições. É propriedade da Associação Empresarial de Ponte de Lima e é coordenada pelo sr. Alberto do Vale Loureiro.

Com excelente apresentação gráfica, a revista “O Anunciador das Feiras Novas” conta com uma vasta e diversificada colaboração abrangendo nomeadamente temas de História, Literatura e Botânica.

“O Anunciador das Feiras Novas” é reconhecidamente uma das melhores publicações de índole cultural que se ditam em toda a nossa região.

FOLCLORE DE ESPANHA E TURQUIA DESFILAM EM VILA PRAIA DE ÂNCORA

Vila Praia de Âncora foi palco no passado mês de Agosto de mais uma edição do Festival Internacional de Folclore que habitualmente ali se realiza. Nele participaram, para além do anfitrião: Grupo Etnográfico de Vila Praia de Âncora, o Grupo de Musica y Danza Airs Castellanos – Valladolid (Espanha) e o grupo Besiktas Belediyesi Oyun Youth and Sport Club – Istambul (Turquia).

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A Igreja de Nossa Senhora da Bonança, padroeira dos pescadores de Vila Praia de Âncora, foi o cenário deste festival a que assistiram alguns milhares de pessoas numa altura em que aquela localidade regista a afluência de elevado número de turistas e emigrantes.

Esta iniciativa inseriu-se na "Festa da Europa" promovida pelo deputado europeu José Manuel Fernandes e que incluiu outras iniciativas de âmbito cultural.

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CATÁLOGO DO MUSEU DO TRAJE DE VIANA DO CASTELO É OBRA DE REFERÊNCIA DA NOSSA ETNOGRAFIA

O Museu do Traje de Viana do Castelo apresentando recentemente o catálogo da sua colecção permanente. Trata-se de uma obra de referência a pensar no seu acervo museológico que possui o maior interesse para todos quantos estudam o nosso traje tradicional, mormente os ranchos folclóricos da nossa região.

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O catálogo, da autoria do Director do Museu do Traje, Dr. João Alpuim Botelho, foi apresentado pelo Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Dr. José Maria Costa. Este magnífico trabalho inclui fotografias antigas e actuais, apresentando as mais diversas peças de vestuário, calçado e adornos, realçando aspectos relacionados com a sua confecção e características únicas como os bordados e realçando a sua beleza ímpar que o torna o mais celebrizado de todos os trajes tradicionais do povo português.

As Vindimas na Pintura de Malhoa

A pintura “As Vindimas” constitui uma obra do pintor José Malhoa que se insere num conjunto de duas telas encomendadas nos finais do século XIX por um abastado emigrante oriundo da região de Aveiro, o Comendador Seabra, destinadas a ornamentar o cimo de uma escadaria do seu faustoso palacete, situado no Bairro Flamengo, na área sul do Rio de Janeiro. Este prédio viria a ser demolido nos anos oitenta do século XX para dar lugar a modernas construções, mais ao gosto das novas metrópoles. A outra tela que integra o conjunto titula-se “A Caminho da Romaria”, possuindo ambas a particularidade de retratarem os modos de vida característicos dos finais de oitocentos na região de Entre-o-Douro-e-Minho.

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Possuindo cerca de seis metros de altura, ambas as telas se apresentam recortadas em diagonal na parte inferior uma vez que se destinaram a ser expostas no cimo de uma escadaria a ladear a entrada de um salão nobre. Quando o palacete foi demolido, o seu recheio foi a leilão e, apesar de ter contado com a presença de um representante do Estado português, aquelas telas viriam a ser adquiridas juntamente com correspondência trocada pelo pintor José Malhoa, por um conceituado antiquário de Lisboa, o Sr. Jaime Afra, que as transportou para Portugal e durante vários anos as manteve expostas no seu estabelecimento situado nas proximidades da Praça do Príncipe Real.

Com o seu falecimento, ficámos a desconhecer o paradeiro destas duas obras-primas do mestre José Malhoa. Aliás, apesar da sua importância, as mesmas não se encontram no Museu José Malhoa, em Caldas da Rainha, nem em Figueiró dos Vinhos onde o artista viveu, nem as mesmas são referidas nas publicações acerca da obra do pintor. Recentemente, viemos a saber através da srª D. Isabel Afra, viúvia do antiquário Jaime Afra, que os referidos quadros foram vendidos para a colecção do antigo Banco BCP, actual Millenium, acreditando-se que ainda lá se encontrem.

O quadro “As Vindimas” constitui uma pintura a óleo sobre tela, produzida nos finais do século XIX e que, à semelhança de outras obras de arte que produziu, procurou retratar motivos populares, repletos de vida e cor, envolta numa atmosfera luminosa e plena de sensualidade. Esta obra retrata-nos a alegria esfusiante e singela do povo simples que se desloca em ambiente festivo para a festa no cumprimento de uma promessa, na devoção de algum santo milagreiro, levando consigo as suas alfaias, envergando os seus trajes característicos, exibindo o colorido garrido e a robustez das gentes simples do povo.

Influenciado por Silva Porto, o pintor José Malhoa é considerado o pioneiro do naturalismo em Portugal, tendo integrado o chamado “Grupo do Leão” e vindo a aproximar-se do impressionismo. Tal como na pintura de Silva Porto, também o paisagismo na obra de José Malhoa incide particularmente nos costumes mais pitorescos, valorizando desse modo a natureza como única realidade existente e, em consequência, rejeitando qualquer ideia de sobrenatural. No quadro “As Vindimas”, o pintor descreve o que viu, sem qualquer preconceito de ordem moral ou estética nem idealizações como o faziam os românticos, retratando apenas a natureza e as pessoas tal como elas se lhe apresentam. Aqui, a natureza adquire um carácter absoluto e permanente, por oposição ao idealismo, retratando cenas da vida rural, combinando uma luminosidade intensa e dramática com a técnica impressionista de representação da luz solar. Com efeito, a obra pictórica de José Malhoa insere-se nas correntes estéticas predominantes nos finais do século XIX, mormente o naturalismo, o realismo e o impressionismo.

Os finais do século XIX foram marcados por um verdadeiro fervilhar de novas ideias e correntes estéticas a reflectir as grandes mudanças sociais da época, a industrialização das sociedades modernas, a maior rapidez dos meios de transporte e melhoria das formas de comunicação a facilitar nomeadamente a circulação da cultura e do pensamento e, finalmente, a prenunciar grandes convulsões sociais. De toda a Europa, e principalmente de Paris, chegavam de comboio novas ideias políticas e filosóficas, a moda e novas correntes estéticas, à semelhança das mercadorias que eram importadas para consumo de uma burguesia que sobretudo no meio lisboeta se revelava cada vez mais exigente. Não obstante, são os motivos populares e genuínos que mais cativam José Malhoa na sua obra, incluindo os retratos produzidos em ambiente urbano.

Naturalmente, a pintura “As Vindimas” de José Malhoa, bem assim como grande parte da sua obra, sofreu as influências da pintura de Silva Porto mas, ao invés deste, utiliza recorrentemente uma paleta de cores vivas, audaciosas, plenas de sensualidade e beleza, através das quais inunda a luz solar. Aqui retrata a alegria do povo nos seus afazeres da lavoura, mostrando raparigas robustas e enérgicas, de peitos fartos e rostos saudáveis. Toda esta abundância de luz e cor mais não parece do que uma forma de celebrar a natureza e com ela o próprio sol, numa manifestação de fé quase panteísta com a qual o próprio naturalismo se chega a confundir na crença de que a razão humana pode atingir o entendimento do divino.

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