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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PONTE DE LIMA: GALERIA DE ARTE À BEIRA LIMA

A vila de Ponte de Lima tem vindo nos tempos mais próximos a transformar-se numa espécie de galeria de arte à beira do rio Lima. São bastante numerosos os motivos escultóricos que a vila limiana expõe e que constituem um dos motivos de atração de inúmeros visitantes.

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Durante muito tempo, os bustos do poeta António Feijó e do General Norton de Mattos e o medalhão em bronze do poeta Teófilo Carneiro constituíam as únicas esculturas a decorar alguns espaços nobres da vila de Ponte de Lima. Mas, eis que num ápice surgiram obras de arte um pouco por todo o lado, fenómeno a que por certo não é alheio a eventual redução do custo do bronze e porventura o aparecimento de maior número de escultores a necessitar de encomendas.

É certamente discutível a qualidade artística de algumas das obras expostas da mesma forma que se pode questionar até que ponto o excesso não se torna ridículo pela ideia de presunção que tal cenário pode representar. Em todo o caso, nas últimas décadas, tornou-se lugar-comum um pouco por toda a Europa, homenagear o cidadão comum, erguendo-lhe estátuas sem pedestal, o mesmo é dizer plantá-las na via pública ao nível do vulgar transeunte. Esculturas com que o povo naturalmente se identifica e junto das quais se pode fotografar mais facilmente.

Nas sociedades modernas, a arte é, antes de mais, um objeto de consumo pelo que, à semelhança do que se verifica com outros bens, também este se encontra sujeito às leis do mercado que determinam a sua apropriação. Por outras palavras, o usufruto da arte enquanto bem de consumo não se encontra da mesma forma ao alcance de toda a sociedade. Por esse motivo, a apropriação da arte – e não somente do objeto artístico – representa também um elemento indicador de estatuto social, da mesma forma que os gostos e sensibilidades variam de acordo com os grupos sociais.

As sociedades modernas, caracterizadas pela massificação dos processos de produção, tornaram o objeto artístico acessível a um público cada vez mais vasto, não apenas em resultado da sua reprodução como ainda graças ao desenvolvimento das novas tecnologias. Contudo, esta desejável democratização do acesso aos bens culturais traduz-se num efeito perverso que consiste na massificação do próprio público, na uniformização dos gostos e padronização das formas de pensamento. A arte reduz-se a uma técnica que facilmente se adquire, fenómeno que permite “descobrir talentos” e reproduzir artistas de forma mais ou menos industrializada, os quais se tornarão exímios na aplicação das técnicas mas dificilmente revelarão o génio criador que determina a Arte. Uma vez mais, o facto artístico reproduz os fatores sociais da sociedade em que se insere, não somente na sua vertente económica como ainda ideológica.

As sociedades modernas revelam-se cada vez mais complexas no seu funcionamento, apresentando um conjunto bastante intrincado de fatores e situações que determinam o seu desenvolvimento. A arte ocupa um espaço primordial no seu funcionamento, refletindo-se não somente nas relações económicas como, principalmente, na formação ideológica dos seus membros como meio de fabricação dos sentidos, de transmissão de cultura e mecanismo de educação.

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