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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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ESPANHÓIS "AMIGOS DE PORTUGAL" EXALTAM BELEZAS NATURAIS DE CARREÇO

“AMIGOS DE PORTUGAL” é um blogue produzido por espanhóis, no endereço http://amigos-de-portugal.blogspot.com/, que acaba de publicou um interessante artigo sobre a localidade de Carreço, no Concelho de Viana do Castelo. O artigo é da autoria de Joaquín Duarte, um cidadão espanhol radicado em Valência mas de naturalidade portuguesa.

Com a devida vénia, transcrevemos o referido artigo, agradecendo o destaque dispensado ao Concelho de Viana do Castelo.

CARREÇO

VCT-carreco

Carr casa avos Ma

Carr rua Gandra

Parafraseando o escritor Ruben A., que foi um apaixonado por Carreço, na década de 40 do século XX escrevia assim – “Ai esta palavra Montedor, lugar maravilhoso da freguesia de Carrêço, típica aldeia alto-minhota, entre o mar e a serra; o farol a alumiar cá pra baixo, os moinhos de vento a girar, a estepe milenar persistente da Gandra, a par de uma beleza panorâmica sem limites.”

Carreço, estende-se entre o mar e a serra, divide-se em quatro lugares: Carrêço, Montedor, Paço e Troviscoso. Entre areia dourada e grandes pinheirais, campos verdejantes alimentados pela humidade da brisa marinha, que os seus lavradores cultivam desde sempre, maioritariamente, o milho. Com a cultura do milho nasceu a necessidade da sua transformação e o aparecimento dos moinhos.

Carr casas antig passad

Carr castillo

Carr praia

Carr praia e dunas

Carr flores praia

Carr praia pedras

Nos lugares de Carreço, Pacô e Troviscoso, os lavradores construíram moinhos movidos por água. 

Os moinhos de água têm uma roda horizontal, a qual está ligada ao eixo que movimentava a mó. Outros, não nesta comarca, eram movidos por uma roda vertical, as azenhas.

Carr faro y monte

Entretanto os lavradores do Lugar de Montedor, construíram moinhos movidos pelo vento: moinhos do Petisco, do Marinheiro e de Cima, situados no promontório de Montedor, hoje conhecido pelo monte do Farol.

Carr molino pintado

Carr moinho de cima T

Quanto aos moinhos de vento, um tem velas de pano (moinho do Petisco) e os outros dois tem velas trapezoidais de madeira (moinhos de Cima e do Marinheiro), considerados uma raridade em Portugal.

Carr molino detalle

No século XX, ao finalizar a década dos 40, surge em Carrêço a moagem electromecânica. Dos anos 50 aos 60 a utilização dos moinhos de água, e de vento, vai diminuindo gradualmente. Con esta transformação vai-se perdendo a imagem tradicional da ida ao moinho; do burro, ou cavalo, carregado de sacos de farinha; acompanhado pelo lavrador, ou pela lavradeira. Mas os Moinhos de vento de Montedor seguem vivos, o seu cata-vento, sempre a indicar a direcção e o sentido do vento. O entrono, convida-nos a relembrar a força dos lavradores de Carrêço e o seu engenho na utilização da energia eólica.

Um grande poeta da nossa terra, que ademais foi um dos meus professores de língua portuguesa, Pedro Homem de Melo, escreveu assim sobre estes belos lugares...

MOINHO DAS QUATRO VELAS

 

Moinho das quatro velas

- Moinho de Montedor –

Quatro velas de madeira 

Decepadas pelo ar, 

Enquanto há braços que alongam 

E refrescam e baptizam 

Os nossos olhos cansados... 

Braços nus. Braços de gente. 

E o Floriano dança o Velho, 

Dança o António a Cana Verde 

E dança o Góta o Vicente! 

 

Altas velas de madeira 

- Moinho de Montedor – 

recordam círios de altar. 

Fogem sombras de fogueira 

Ou braços de bailadores? 

Floriano, António, Vicente 

Lembram as ondas do mar... 

Mas sem barcos, mar de “argaço”. 

 

À transparência das águas, 

Quase até que adivinhamos 

Firmes as pernas e os pés 

De quem baila mas vivendo 

A fazer frente às marés. 

 

Por detrás desse moinho 

- Moinho de Montedor – 

Domingos Enes Pereira 

Nasceu. E foi junto dele 

Que se tornou bailador... 

 

Marés de música cheias! 

Floriano, António, Vicente, 

Como o azul das suas veias 

Com certeza que não mente.

 A par daquele moinho 

– Moinho de Montedor - 

(O das velas de madeira!) 

Dança o António a Cana Verde 

E o Floriano dança o Velho 

E dança a Góta o Vicente.  

 

(Helénico, intacto, inteiro) 

Surge, ainda em nossa frente, 

O perfil do Fandangueiro!) 

 

Floriano, António, Vicente, 

Como, o azul das suas veias 

Com certeza que não mente, 

Vêm de perto o vêm de longe 

Marés de música cheias? 

 

Moinho de quatro velas 

Decepadas pelo ar! 

Bailam três moços com elas, 

Depondo círios no altar 

Da minha saudade, à beira 

Do farol de Montedor, 

Dando luz – luz traiçoeira... 

A luz que me há-de queimar! 

 PEDRO HOMEM DE MELO

Carr por do sol e ref

Estes dados foram-me facilitados pelo amigo Manuel, filho da terra que, acompanhado da sua esposa, levaram-me por todos os recantos, por eles conhecidos, fazendo prazenteira a minha estadia nesta linda terra.

carr atardecer

Que boas aquelas amoras, e que doces, quando o dia chegava ao seu fim... mas ainda deu para saborear as artes culinárias da mi amiga Augusta: com tão excelente companhia quem quer ir-se embora... foi o dia... foi o dia... por isso fui feliz em Carreço!