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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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FONTE DO ÍDOLO, EM BRAGA, HÁ MEIO SÉCULO ESTEVE AO ABANDONO

O desaparecido jornal “Diário Popular”, na sua edição de 7 de Outubro de 1950, alertava para a situação de abandono que então se encontrava a “Fonte do Ídolo”, em Braga.

A Fonte do Ídolo, assim designada por nela se encontrar esculpida na rocha a imagem de Tongoenabiagus, uma divindade galaica que poderá tratar-se da junção de Tongoe e Nabia, respectivamente reunindo os deuses do juramento e das águas. Aliás, é ao culto a Nabia que devemos os nomes de alguns rios portugueses como o Neiva e o Nabão.

Pelo seu interesse, transcrevemos o artigo então publicado no “Diário Popular”.

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Fonte do Ídolo, em Braga. (Foto: Wikipédia)

ENCONTRA-SE AO ABANDONO EXIGINDO CUIDADOS URGENTES A HISTÓRICA “FONTE DO ÍDOLO”, EM BRAGA

Braga e os seus arredores orgulham-se justamente de alguns monumentos dos de maior valor histórico e arqueológico do país. Entre estes conta-se a “Fonte do Ídolo”, que a linguagem popular deturpou e simplificou para “Idro” e que é considerado, no seu género, um dos mais expressivos exemplares epigráficos da época pré-romana.

Situada num moderno quintal público, entre o Hospital de S. marcos e a avenida Gomes da Costa, a “Fonte do Ídolo” é constituída por um pequeno penedo granítico – três metros de largura por 8m,20 de altura – tendo esculpias inscrições latinas: “Icus – Fronto – Arcobigensis – Ambimogidus – Fecit” e uma figura de homem com cerca de 1m,20 de altura, de pé. Mais adiante, outra inscrição em que, a seguir a uma palavra ilegível, se vê nitidamente: Tongoe – Nabiagoi. Albano Belino, em 1895, o Professor Leite de Vasconcelos, e, mais recentemente, o arqueólogo dr. Carlos Teixeira ocuparam-se da “Fonte do Ídolo”, interpretando, cada um, o sentido das inscrições. Ao lado da última está, esculpida na rocha, uma pequena edícula contendo um busto humano. No frontão, vê-se, de um lado, uma pomba, e, do outro, um objecto semelhante a um maço de canteiro.

Investigadores e eruditos são unânimes em considerar a Fonte como um monumento em louvor do deus bárbaro Tongoenabiago, sendo as inscrições explicáveis pela filologia céltica. Em resumo, o monumento e a pápida, que lhe está próxima, dedicado à deusa Nabia, constituem relicários preciosíssimos, raros no seu género.

Pois bem: o pequeno quintal onde se encontra a “Fonte do Ídolo”, e ao qual dão acesso alguns degraus sujos e gastos, encontra-se transformado em mictório ou local de despejos! Ao lado, uma taberna sórdida, em cujo terreiro, dominando a Fonte, se pratica toda a espécie de fogos; há horas em que um turista, mais curioso de elementos históricos, não pode visitar este extraordinário monumento… sem tapar o nariz ou os ouvidos. Mau cheiro e palavrões são a moldura actual de um exemplar arqueológico dos de maior valor e mais representativos, do Norte do país. Afigura-se-nos que a “Fonte do Ídolo” era digna de melhor sorte urbanística e, por isso, aqui deixamos o nosso protesto e o nosso apelo à atenção do Município bracarense.