O Grupo Folclórico e Etnográfico “Verde Minho” vai realizar o XIX Encontro de Culturas, iniciativa que conta com a participação de diversos agrupamentos folclóricos e de música tradicional portuguesa representativos de várias regiões do país. A edição deste ano tem lugar em A-das-Lebres, no Concelho de Loures, no próximo dia 26 de maio.

À semelhança dos anos anteriores, está programada para as 20h30 a realização de um desfile etnográfico pelas ruas da localidade a que se seguirá a atuação dos grupos participantes na Sede do Grupo União Lebrense. A abrir o desfile, o Grupo de Gaiteiros da Freiria, de Torres Vedras e o Grupo de Bombos das Mercês, de Sintra, vão rufar os bombos, emprestando um ambiente de festa muito ao jeito das alegres romarias do norte de Portugal.
Este Encontro de Culturas que, ano após ano tem vindo a adquirir cada vez maior notoriedade, conta na presente edição com a participação do Grupo Folclórico e Etnográfico de Santa Marinha de Crestuma, do Douro Litoral, Rancho Folclórico Estrela d’Alva, de Seia, do Rancho Folclórico Os Camponeses de São Francisco, de Alcochete e naturalmente o anfitrião Grupo Folclórico e Etnográfico Danças e Cantares ”Verde Minho”, além dos referidos grupos de bombos. A apresentação está a cargo de Lúcia Lima e José Pedrosa.
O espetáculo propriamente dito será antecedido pela cerimónia de imposição de insígnias nos estandartes dos grupos participantes e entrega de ofertas por parte das autarquias patrocinadoras do evento.
De referir que o Grupo Folclórico e Etnográfico “Verde Minho” encontra-se sediado na localidade de A-das-Lebres, no concelho de Loures, e é uma associação cultural constituída por minhotos e amigos que vivem na região de Lisboa e que procuram manter as suas raízes culturais e as tradições da sua região de origem. Tal como disse um dia o escritor transmontano Miguel Torga, “…no Minho tudo é verde, o caldo é verde, o vinho é verde…” – não podiam, pois, os minhotos que vivem na região de Lisboa, deixar de tomar para si a identificação cromática que caracteriza a sua região.
O XIX Encontro de Culturas, organizado pelo Grupo Folclórico e Etnográfico “Verde Minho”, constitui uma das iniciativas mais salientes no âmbito da cultura tradicional portuguesa que se realiza na região de Lisboa, constituindo simultaneamente um momento privilegiado de confraternização entre pessoas provenientes de diferentes regiões do país tendo como palco a cidade porventura mais característica e representativa da cultura saloia – Loures!


EM 1 de maio de 1897, o Centro Católico desistiu de concorrer às eleições pelo círculo de Braga, apoiando a candidatura do Conselheiro Jacintho Cândido. De acordo com o manifesto que então distribuiu, a desistência deveu-se a “prepotências commettidas” contra os apoiantes do candidato, uma prática que viria alguns anos mais tarde a adquirir maiores proporções.

“OFICINA PARA PAIS E FILHOS”
QUÍMICA EM ACÇÃO
Formadores: Carla Arieira
Data: 26 de Maio de 2012, Sábado
Horário: 10H30-13H00 | Público-alvo: Crianças dos 06 aos 12 anos
Custo: 7,50€ por criança (adulto não paga)
O Jardim-de-infância de Arcozelo comemora o dia da família com material reciclável. O Workshop Reciclagem Criativa foi à Escola no Jardim de Infância de Arcozelo - Vila Verde. As crianças celebraram o dia Internacional da Família que se assinalou no passado dia 15 de maio, com muita alegria e criatividade.

A designer Sílvia Abreu começou por explicar as crianças o que é a família. As crianças com estas idades já sabem o significado de família, assim desenvolveram uma casa alusiva ao tema "A minha família".
Começaram por criar uma base, esta representada por um vaso que continha uma escada, que dava acesso às suas casinhas. No interior de cada casinha ilustraram a sua família, sendo uma parte muito importante para eles, refere designer Sílvia Abreu, mentor deste workshop. Estes objetos foram criados com desperdícios de tecidos e materiais recicláveis.
Cada criança levou o seu objeto criativo.
















A Câmara Municipal de Vila Verde e a Associação profissional Amar Terra Verde levam a efeito no próximo dia 18 de maio, pelas 10 horas, a Conferência “Os vinhos nos trovadores do século XVI” que será proferida pelo Prof. Doutor Aurélio de Oliveira, seguida de intervenção do enólogo Dr. António Silva Rosas, com provas de vinhos e sabores da época.
A iniciativa vai ter lugar no Auditório da Escola Profissional Amar Terra Verde e insere-se no âmbito do evento “Sá de Miranda por terras de Vila Verde – Feira Quinhentista”, que decorre de 18 a 20 de maio.

”Conversas Fim de Tarde/ inclui parte prática
Formadores:
Sociedade Portuguesa da Vida Selvagem; Centro de Biologia Molecular e Ambiente U. Minho
Data: 19 de Maio de 2012, Sábado
Horário: 21H00-23H00 (Junta de Freguesia de Vila Franca)
Participação Gratuita | requer inscrição prévia



O Grupo “Amizade dos Marinheiros do Concelho de Esposende” leva a efeito no próximo dia 19 de maio o 27º encontro de confraternização.
A iniciativa tem o seu início pelas 10h45, com a concentração junto da Igreja do Divino Salvador, em Fonte Boa, local onde se celebrará missa em sufrágio dos “Filhos da Escola” falecidos e em ação de graças pelos presentes. Seguir-se-á o almoço convívio que terá lugar no restaurante “A Barca”, em Barqueiros.
Os interessados em participar poderão contatar os delegados das freguesias ou o Grupo de Marinheiros de Fonte Boa, através do endereço eletrónico gmfb_fonteboa@sapo.pt



"Girasol" na Avenida Camões, em Viana do Castelo, segundo um postal de 1940.





A Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Paredes de Coura (ADASPACO) leva a efeito no próximo dia 20 de maio, entre as 9h e as 12h30, mais uma colheita de sangue, a qual terá lugar na Casa do Dador de Paredes de Coura.
Em 1923, debatia a Câmara dos Deputados a proposta de decreto-lei de Separação do Estado das Igrejas, mas concretamente da Igreja Católica. Tratava-se de uma questão que já vinha sendo discutida praticamente desde que o regime republicano fora implantado em Portugal, tendo na Associação Promotora do Registo Civil o principal grupo de pressão declaradamente anticlerical.
Os católicos reclamavam contra tais medidas, não vendo nelas mais do que a perseguição que desde há muito tempo lhes vinha sendo movida. De norte a sul do país, gerou-se um verdadeiro movimento de protesto que se traduziu nomeadamente no envio de telegramas à Câmara dos Deputados por parte de câmaras municipais, juntas de freguesia e outras entidades. Entre elas, contou-se o Regedor e a Junta de Freguesia de Miranda, de Arcos de Valdevez, cujo telegrama deu entrada na Câmara dos Deputados em 8 de maio de 1923, em sessão presidida por Alfredo Ernesto de Sá Cardoso.
Para melhor se compreender o que estava então em causa com a proposta de decreto-lei da “Separação do Estado das Igrejas”, transcreve-se do Diário da Câmara dos Deputados uma passagem do discurso do deputado Alexandre Barros na sessão ordinária da Câmara dos Deputados realizada em 13 de março de 1914, respeitando-se a grafia da época, apenas se suprimindo as passagens ilegíveis.
"O Sr. Alexandre de Barros (da tribuna): — Declara que ocupando aquele lugar o faz não por jactância, mas por conveniência: ser-lhe-ia difícil falar do seu lugar nas condições em que o fez na sessão anterior.
Pede, também, á Câmara que o desculpo se for longo demasiadamente, prometendo resumir quanto possível as considerações que apresentar.
Concluindo as suas anteriores considerações fé/, a afirmação de que o jesuíta dominava a igreja: dirá, hoje, que a existência duma igreja dominada pelos jesuítas é o que está perturbando a solução da questão religiosa.
Será, talvez, porque num país, como é Portugal, de tradições profundas, em matéria religiosa, o catolicismo tinha preponderância; mas também as tradições judaicas são bem acentuadas e contra elas horríveis perseguições se fizeram, e neste caso a solução seria fácil; igrejas livres num Estado livre.
Infelizmente a igreja católica deixando-se infiltrar do espírito jesuítico de Loyola foi incapaz do deixar estabelecer a lei em termos que lhe seriam convenientes.
Veio, então, a Lei da Separação e não verificou ainda que os termos dela estejam definidos com precisão.
Ouviu os discursos dos dois oradores antecedentes, nenhum deles definiu esses termos, embora iodos estejam de acordo na questão de princípios; (…) achar que estejam de acordo no modo de os realizar.
Por sua parte concordando, também, com o princípio estabelecido, não concorda com a estrutura da lei.
E certo que se trata, apenas, duma divergência de forma; mas acentua-se tão vivamente que o aspecto mais razoável parece-lhe ser o de- estudar qual a fórmula mais adaptável ao pais, sem (…) do que se passa em outros povos.
O orador alude em seguida ao regime de separação existente na católica Bélgica, na América do Morte, na América do Sul, na Inglaterra, na 1'rússia e no México.
Quanto a Portugal pensa possível, em seu critério, satisfazer a Igreja deixando-a, como fez a França, sujeita ao regime do direito comum, que em Portugal não existe, mas pode ser substituído pelas disposições que regulam o direito de propriedade na lei civil com as penalidades do Código Penal, e, aplicando em matéria de liberdade de associação e de reunião os diplomas que sobre o caso hajam de fazer-se.
Parece-lhe que nestes termos será possível chegar a acordo; mas reconhecendo a impossibilidade de mandar para a mesa um contra-projecto que só serviria para embaraçar a discussão, sem vantagem para ninguém, deixa consignada esta afirmação de princípios e nada mais.
(…) os tanto extremassem não contra, e pró mesa, à enviados sido tem que documentos se fácil, talvez, Seria, Separação? da Lei não modificando isso conseguir-se possível.
A Associação do Registo Civil que tem, evidentemente, prestado relevantes serviços pede a inclusão, na lei, duma disposição que proíba o ensino da doutrina católica às crianças, o que é impraticável nos termos em que essa associação pede.
Por sua parte os católicos, também com o mesmo tom de guerra, representam contra a lei e querem as cultuais por uma forma que não tiveram nunca, mesmo além da origem da nacionalidade.
Efectivamente, a Igreja Católica, Apostólica, Romana, não teve, nunca, nenhuma espécie de constituição interna uniforme. Organiza o culto um pouco à maneira c segundo os costumes dos diferentes países. Assim, às ordens monásticas organizadas em Portugal, foi u Estado quem impôs a, organização, como sucedeu com a dos cónegos regrantes de Santa Cruz, aos quais D. João III mandou reformar os seus estatutos.
Seguidamente organizam-se cm Portugal as ordens militares, e quem as organizou foi o Estado, foi o Estado quem lhes foz os estatutos.
Chega-se assim ao terceiro período, em que o Estado, mesmo antes do chamado regime concordatório, reformou a constituição dos bispados.
Mais ainda, reformaram-se as instituições capitulares, que são todas de carácter espiritual, e essas mesmas foi o Estado que as ditou.
Ocorro então preguntar como é que a Igreja católica, apostólica e romana, tani .;iosa dos seus direitos, falando em nome do passado, da sua estrutura, das tradições portuguesas, não se sentiu molestada durante alguns séculos, e só se sentiu agora quando apareceu a Lei da Separação.
O que se vê ó que essa susceptibilidade varia segundo as circunstâncias e conveniências políticas.
Dizem os católicos, na sua representação, que as cultuais permitem a intromissão, no exercício do culto, de pessoas que não professam a religião católica. Não é assim; o artigo da Lei da Separação, que se refere à organização das cultuais, o que diz é que os exercícios do culto serão entregues às associações já existentes em condições de legitimidade.
E se é isto o que a lei diz, como é que os católicos se queixam de que a lei os obriga a constituir associações cultuais?
A religião católica, para quem conhece, como ele, orador, o que existia em matéria de confrarias, irmandades e misericórdias, é realmente curiosa. Um dia viu ele, orador, assistindo a uma missa, quando se devia fazer o sinal da cruz, um membro duma irmandade fazer o sinal maçónico.
Em Portugal organizaram-se entre cem a duzentas cultuais novas, com membros da igreja católica, talvez não tantos ortodoxos como os católicos queriam, pois tinham o defeito de ser republicanos, porque as associações existentes em condições de legitimidade a isso se recusaram.
Na freguesia em que ele, orador, reside, organizou-se uma cultual nessas circunstâncias, porque os outros católicos se negaram formalmente a constituí-la, por isso que o que eles queriam era que o templo se fechasse, para ver se assim promoviam, por parte do povo, uma rebelião.
A cultual viveu em perfeita harmonia com o pároco desde l de Janeiro até 30 de Marco, c, nessa data. Porque os seus superiores hierárquicos lhe dissessem que ele estava praticando urna cousa abominável, desapareceu.
-Estas divergências não são, porém, para inquietar, porque o tempo se encarregará de as desvanecer. Lembra-se do que sucedeu com os enterramentos nas igrejas. Quando foram proibidos levantaram-se de toda a parte reclamações, deram-se tumultos, mas por fim tudo se aquietou, e hoje está convencido de que, se viesse nina outra lei permitindo de novo esses enterramentos, todos reclamariam contra ela.
Outro ponto das reclamações dos católicos é o que se refere ao ensino religioso. Esse assunto considera-o ele, orador, o mais importante da Lei da Separação. As reclamações são no sentido de que o Estado' pratica uma violência determinando nos artigos 184.° 185.°, 186.° e 187." da Lei da Separação que os preparatórios para se entrar nos seminários sejam feitos nos liceus.
E extraordinário que os católicos se sintam molestados com isso, não se tivessem sentido igualmente molestados quando o Estado organizou o ensino nos seminários, fixando até as disciplinas que nele haviam de ser ensinadas.
E que o que os molesta, é não poderem fazer o ensino religioso, desde o princípio, nas crianças, porque é nessa idade que o que se lho infiltra jamais esquece.
Pelo que se refere ao ensino religioso nas escolas, queixam-se de que a lei o proíbe. O que a lei diz ó que as crianças não poderão ir ao ensino da doutrina nas horas da aula, mas não lhes proíbe que vão aos domingos ao ensino do catecismo nas igrejas.
Outras reclamações dos católicos referem-se aos bens eclesiásticos, à exibição das vestes, às prédicas, às pensões e à Bula da Cruzada.
A maneira como essas queixas são apresentadas não pode deixar de referir-se, porque julga dessa maneira cumprir o seu dever.
Dizem os católicos que procuramos destruir a hierarquia eclesiástica. Isso é assim, temos o direito eclesiástico, e a lei não o suprimiu.
Quanto ao beneplácito, dizem que a aqui se pretende, nas medidas chamadas de polícia do culto, estabelecer a censura provia com a instituição do beneplácito. E é em nome da liberdade de consciência que os católicos fazem essa reclamação! O direito do beneplácito é um daqueles de que o Estado nunca deve abdicar, porque o mesmo seria que entregar-se manietado nas mãos da Igreja Católica.
Vai citar um facto. Exercia ele, orador, no Porto, a sua profissão de jornalista em um periódico republicano, quando entrou naquela cidade o bispo D. António Barroso e publicou uma pastoral, que era um verdadeiro desafio aos liberais portugueses. Ele, orador, como jornalista, fé/ a crítica desse documento; pois os católicos, que hoje reclamam a liberdade de consciência, querelaram do jornal, obrigando-o assim ele, orador, a, por sua vez, querelar também do jornal católico A. Palavra, que, em resposta, lhe dirigira vários insultos. O resultado foi a Igreja vir pedir tréguas e as querelas não irem por diante. Pois é essa mesma Igreja, que então querelava um jornal republicano por dissentir das suas ideias, que hoje vem, em nome da liberdade de consciência, reclamar contra o beneplácito.
(…) O discurso será publicado na íntegra quando o orador restituir as notas taqui-gráficas."

“Miranda em Notícia” é o título do blogue que leva a informação da Freguesia de Miranda a todo o mundo, onde quer que os filhos desta terra se encontrem. Administrado por Sofia Neiva, possui agradável apresentação gráfica e notícias de interesse, incluindo informação meteorológica local. Este é um dos exemplos em como a correta utilização das novas tecnologias pode ajudar as pequenas povoações do interior sair do isolamento e manter o cordão umbilical com os seus emigrantes. “Miranda em Notícia” pode ser acedido no endereço http://mirandaemnoticia.blogs.sapo.pt/.
O gado barrosão é porventura a raça autóctone de gado bovino mais emblemática do Minho. Os pastos verdejantes de Miranda tornaram-se um dos locais de eleição para a sua criação. No entanto, apesar da excelente qualidade da sua carne, o interesse pela sua criação tem vindo nas últimas décadas a registar um acentuado declínio.
A área geográfica outrora ocupada pelo gado barrosão tem vindo a reduzir-se drasticamente. Atualmente, a sua zona de criação restringe-se quase exclusivamente às regiões mais montanhosas de Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Melgaço, Vieira do Minho e Cabeceiras de Basto. Caso não venham a ser tomadas medidas para aumentar o interesse por esta raça bovina, em breve ficará restringida ao planalto barrosão se não entrar em risco de extinção.

Também o cavalo garrano tem no Minho o seu solar. É vulgar encontrar-se em estado quase selvagem nas zonas mais montanhosas da nossa região, mormente nas serras d’Arga, Cabreira e Gerês.
É um cavalo muito apreciado pela sua forma de correr travadinho ou seja, num ritmo entre o trote e o galope, o que proporciona um certo conforto ao cavaleiro, sendo apropriado para percorrer grandes distâncias com rapidez e sem causar fadiga.
De cor acastanhada e crinas pretas, é um animal dócil, trabalhador e inteligente. Em virtude do risco de extinção, o cavalo garrano é uma espécie protegida.




Fotos da autoria de vários habitantes da Freguesia de Miranda

O topónimo Miranda provém do latim mirândus, mirânda ou mirandum que constitui um adjetivo que significa digno de admiração, espantoso, maravilhoso, extraordinário e, por extensão, “atalaia”. Trata-se do gerúndio de miror que quer dizer admirar-se, espantar-se e ficar surpreendido.
Com efeito, não é sem espanto e admiração que o visitante se surpreende ao contemplar pela primeira vez a paisagem deslumbrante das terras de Miranda, em Arcos de Valdevez, as suas veigas recortadas no horizonte e o maravilhoso quadro que artista algum jamais foi capaz de reproduzir na sua tela. Apenas o Criador, com a sua divina mestria, poderia conceber semelhante obra de arte em tons inigualáveis, pincelando aqui e além os mais belos recantos bucólicos dignos do paraíso terreal, qual santuário que os monges beneditinos um dia escolheram para dele fazerem o seu recolhimento espiritual.
- Mirânda miraculo esse! *





Fotos da autoria de vários habitantes da Freguesia de Miranda
* Miranda causa admiração
Situada na margem direita do rio Lima, ergue-se na Freguesia de Miranda o Mosteiro de Santa Maria, considerado um dos mais antigos mosteiros do concelho de Arcos de Valdevez dedicados a São Bento, remontando muito provavelmente a meados do século XII.

Com uma paisagem soberba, Miranda foi uma das raras localidades minhotas dedicadas à cultura do trigo. De resto, a sua toponímia na qual predomina os fitotopónimos é bem elucidativa a esse respeito. Agrochão, Carvalhal, Cotão, Devezinha, Letrigo e Mangoeiro são alguns dos exemplos que indicam a atividade cerealífera das suas gentes.
Porém, outras atividades desenvolveram-se em Miranda para satisfazer as necessidades da sua população, nomeadamente em matéria de vestuário e de manufatura de utensílios de trabalho, dando origem aos ofícios de tecedeiras, tintureiros, tamanqueiros, carpinteiros de alfaias agrícolas e moleiros. Seguramente, em velhas casas, ainda se guardam a um canto antigos teares que constituem verdadeiras peças museológicas.
Nos tempos que correm, para além de algum comércio, predomina em Miranda a agricultura e a pecuária. À semelhança de outras localidades do interior, muitos dos seus filhos tiveram um dia de partir para terras distantes à procura de melhores condições de vida. Lisboa, França e Venezuela encontram-se entre os principais destinos da emigração arcuense.
O escritor arcuense Teixeira de Queiroz deixou-nos um retrato da paisagem da sua terra, quais pinceladas em tons álacres que compõem o mais belo quadro da Freguesia de Miranda.

“A paisagem minhota, no coração do Minho, é dum gracioso presépio, um desses presépios lindos, em que figurassem os aprazíveis reis magos, na sua visita ao prodígio da Galileia. É miudinha, aconchegada e acolhedora, como o carácter do seu povo, sempre afectivo, povo desconfiado, dando-se facilmente, mesmo com aqueles que não conhece. De qualquer volta de estrada se pode apreciar, num resumido fragmento de terra, o folhedo misterioso dos carvalhos, a alegria dos vinhedos manchando a encosta, a casaria branca e o campanário esguio a espreitarem de entre o arvoredo copado, a horta e a seara espalmando-se no estreito vale, o moinho com a sua roda a grassar no fim do açude de espuma branca. É tudo tão pequenino, tão jeitoso que parece poder tomar-se na concha da mão.
Teixeira de Queiroz, in Atlântida



Fotos da autoria de vários habitantes da Freguesia de Miranda

Houve nesta freguesia um convento da Ordem de S. Bento, que, segundo a tradição, teria sido fundado por S. Frutuoso, arcebispo de Braga, em 659. Teve origem em local mais baixo do que aquele onde ainda se encontra, bastante arruinado. Foi dos maiores conventos da região, com grande número de frades, dos quais alguns viviam em eremitérios espalhados pelo monte. Passou a comendatários em 1590 e começou, então, a sua decadência.
Os religiosos morriam de fome e abandonaram a pouco e pouco o convento. Os comendatários começaram a dividir os bens do mosteiro, que doaram a parentes, o que agravou as já incertas condições económicas da instituição. D. Afonso II e D. Afonso III tinham contemplado este mosteiro com doações e o segundo daqueles monarcas concedeu-lhe vários coutos e muitos privilégios. A freguesia foi um curato da sua apresentação, tendo passado a priorado. A igreja matriz é a antiga igreja conventual, uma das mais belas da região. Foi renovada na frontaria e no interior e tem uma torre com 35 metros de altura.
Fonte: Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira







Nossa Senhora da Conceição é a Padroeira da Freguesia de Miranda. Todos os anos, as suas gentes festejam a Santo António no dia 13 de junho, à Senhora do Emigrante em Agosto e, como não podia deixar de suceder, à Senhora da Peneda cuja festa ocorre em Setembro.

O escritor arcuense Teixeira de Queiroz descreve-nos o ambiente da romaria minhota que é bem o colorido e a alegria das festas do povo de Miranda. Senão, vejamos:
“As romarias e as feiras são os maiores acontecimentos do Minho. N’aque de orago famoso, o divertimento é grande; mas por excessivo que seja o luxo de foguetório, de festa de igreja, de música vinda de longe, nenhuma dispensa o tradicional zabumba, e sua caixa de rufo, havendo às vezes duas parelhas, quando o mordomo é liberal. O zabumba, o célebre zé-pereira do povo, é sempre tocado por homem esforçado e barbudo, mestre em saltos e cabriolas, que fazem as delícias dos circunstantes. Timbra em se mostrar ágil e gracioso no modo de ferir a pele do instrumento. Toma atitudes caprichosas, mudando o zabumba com grande destreza: ora o tem no dorso, ora no ombro, umas vezes na cabeça, outras aos pés, sempre em piruetas, sempre tocando em cadência com a caixa e com o gaiteiro, se o há. Sua e tressua nestas cabriolas, faz praça da grande área do terreiro, alarga a roda no meio da gente que o acompanha com palavra de apreço e louvor”.

O Padre Avelino Jesus da Costa data a fundação deste mosteiro beneditino de meados do século XII, considerando que a comunidade se encontrava regularmente constituída, vivendo segundo a regra de São Bento, quando, em 20 de Junho de 1207, D. Sancho I deu carta de couto ao abade Lourenço e seus monges. Modesto em bens e em número de religiosos que, em geral, nunca ultrapassou os três abades, chegou a estar sem nenhum em 1417 e 1549.
Os reis D. Afonso II, em 1221, e D. Afonso III, em 1271, deixaram-lhe nos seus testamentos 100 morabitinos e 50 libras, respetivamente.
Segundo inquirições de 1258, pertencia ao padroado real, com todas as suas pertenças.
Em 1320, no catálogo das igrejas situadas no território de Entre Lima e Minho, do bispado de Tui, foi taxado em 200 libras.
Com a incorporação da comarca de Valença no arcebispado de Braga, em 1514, apurou-se pela avaliação levada a efeito, que o mosteiro de Santa Maria de Miranda rendia 600 réis e 7 pretos. Em 1546, segundo a avaliação efetuada pelo arcebispo D. Manuel de Sousa, o seu rendimento era de 40 mil réis.
Em 1495, o mosteiro foi entregue a abades comendatários que lhe causaram grave ruína moral e económica.
A 6 de Maio de 1588, a Congregação de São bento tomou posse dele e, em 1599, nomeou seu primeiro abade trienal a frei Mâncio da Cruz.
A comunidade beneditina, refeita do ponto de vista religioso e económico, manteve-se aqui até a extinção das ordens religiosas em 1834.
(Fonte consultada: Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo)
Fonte: http://www.jf-miranda.com/?m=historia&id=1






Fotos da autoria de vários habitantes da Freguesia de Miranda

Cumprindo a tradição, realizou-se hoje em Vila Franca do Lima a procissão com o desfile dos cestos floridos, demonstração única em Portugal. Remonta a 1622, o costume dos cestos floridos de Vila Franca, ocasião em que foi constituída a Confraria de Nossa Senhora do Rosário. Desde então, milhares de romeiros afluem a Vila Franca do Lima, todos os segundos domingos de Maio, em devoção ou simplesmente atraídos pela beleza singular da festa.

Desde há muito tempo que as Festas das Rosas se tornaram um cartaz turístico a atrair visitantes não apenas nacionais como estrangeiros, vindo deslumbrar-se com o colorido e a grandeza de uma das mais belas romarias minhotas.
Os cestos são revestidos e enfeitados com múltiplas flores naturais dos mais variados tons e matizes, pétalas e folhas que apresentam paisagens, monumentos, brasões e outros motivos decorativos que relevam bem o talento e a criatividade das mordomas que os transportam à cabeça e os vão oferecer a Nossa Senhora do Rosário. De referir que, cada cesto florido chega a pesar 50 quilos!
Os cestos serão expostos amanhã na Igreja Paroquial de Vila Franca do Lima e, para quem queira visitar o local, terá oportunidade de usufruir de um atendimento explicativo.
Fotos: Organização das Festas das Rosas













A imagem reproduz a gravura a água-forte e buril, da autoria de Domingos Sequeira, existente na Biblioteca Nacional de Portugal, representando a “Milagrosa imagem do Senhor Bom Jesus do Monte que se venera no Sanctuario de Braga”.
Acresce a esta a seguinte legenda:
“Os Summos Pontífices Clemente XIIII e Pio VI tem concedido innumeráveis Graças e Indulgencias e Remissões a todos os que Venerarem esta Imagem como consta das Authenticas existentes no Cartorio do dito Sanctuario”.
Termina amanhã em Lisboa mais a VII edição do Festival Internacional Máscara Ibérica. Entre a Praça do Município e o Rossio, desfilaram hoje 24 grupos oriundos do Norte e Centro de Portugal, Galiza, León, Zamora, Cáceres, Astúrias, País Basco e Salamanca, pela primeira vez presente no desfile a par de Ílhavo, Piornal e Montehermoso de Cáceres.

A Mostra das Regiões apresentou-se mais uma vez em Lisboa, transformando-a durante quatro dias consecutivos numa montra de produtos regionais, artesanato e destinos turísticos. Os visitantes tiveram oportunidade de descobrir e adquirir algumas das mais tradicionais iguarias como o fumeiro, a doçaria regional e peças artesanais nacionais e espanholas, espalhadas por 25 espaços. Zamora e Cáceres (Patronatos de Turismo) são algumas das províncias de Espanha que trouxeram à capital os seus produtos típicos, a que se junta o espólio gastronómico, vinícola e artesanal da Serra da Estrela, Nordeste da Beira, Beira Interior Sul, Região Centro, Baião, Mirandela, Vales do Sousa e Tâmega, entre outras regiões.
O Rossio contou ainda com animação de rua, música e danças tradicionais, artesanato ao vivo, provas de produtos e, para os mais pequenos, um cantinho infantil, que inclui workshops de máscaras.
A organização aposta na componente musical. Concertos de música folk de raiz tradicional europeia com elementos de fusão entre o ska, reggae e rock. A animação de rua foi assegurada pela La Bandina e los Sidros de Valdesoto provenientes das Astúrias, as portuguesas Tradballs, Vaidecaja e Escola de ritmos Dumdumba, Altsasuko Inauteria do País Basco e Folión de Viana do Bolo da Galiza.

A tradição pagã dos rituais da máscara, raramente vistos fora dos seus contextos de origem, tem por objetivo a divulgação de um dos elementos mais característicos do folclore dos povos, concretamente as máscaras tradicionais, ajudando a compreender todo o ritual que lhe está associado, desde as suas origens pagãs às festividades do Entrudo tradicional. O costume da máscara é comum a todos os povos e a todas as regiões, embora em muitos casos tenha caído no esquecimento. A título de exemplo, no Minho perdura ainda a tradição dos cabeçudos e gigantones, fazendo-se acompanhar pelas arruadas dos zés-pereiras, dando alegria e colorido às romarias.
A utilização tradicional das máscaras está associada à religiosidade primitiva que encarava o ciclo da vida e dos vegetais num perpétuo renascimento. O rito celebra o mito e assegura a interrupção do ciclo da natureza e da vida. Assim, como á morte sucede a vida, também ao Inverno e à morte dos vegetais sucede invariavelmente o seu renascimento. Ao Inverno estão associados um conjunto de rituais que se iniciam com o culto dos mortos em Novembro, na crença de que estes podem interferir favoravelmente no ciclo da natureza, culminando com a Serração da Velha a anunciar o regresso da Primavera. Pelo meio fica o Entrudo celebrado com as suas máscaras e os seus instrumentos ruidosos como as sarroncas e os zaquelitraques com vista a expulsar os demónios do Inverno.
Toda a representação se destina a exorcizar os maus espíritos do Inverno e incidem no universo rural, desde a representação de figuras demoníacas aos animais que fazem parte do quotidiano do lavrador. As máscaras são construídas a partir dos materiais disponíveis no espaço rural e concebidas com base no imaginário popular.
Os chocalhos prendidos à cinta do careto, símbolo da virilidade e da posse demoníaca, destinam-se a chocalhar as raparigas que se perdem pelos caminhos da aldeia. Os mascarados estão autorizados a invadir as casas e tomar para si alvíssaras, em regra uma peça do fumeiro.
Estas tradições eram comuns a todas as regiões do país e o Minho não constituía uma exceção. Cabe às associações culturais, mormente aos ranchos folclóricos, pesquisar, recolher e divulgar tais tradições como meio de as preservar.















Remonta às primeiras décadas do século passado o aparecimento das mais antigas coletividades de caráter regionalista, então correntemente designadas por grémios. Porém, o Estado Novo determinou a alteração da sua denominação, apadrinhou e procurou integrar as casas regionais na nova organização corporativa levando a que estas se agrupassem entre si criando o “Conselho Superior do Regionalismo Português”, o que jamais veio a concretizar-se.

Pelo caminho ficaram palavras eloquentes como as proferidas pelo deputado bracarense António Santos da Cunha, na sessão da Assembleia Nacional que teve lugar em 14 de fevereiro de 1967, com as quais se referiu à atividade das casas regionais, a sua importância política e incluiu rasgados e merecidos elogios ao jornalista Artur Maciel.
O deputado António Maria Santos da Cunha era natural de Braga. Foi Secretário da Comissão Distrital da União Nacional, de Braga, em 1953, Vice-presidente daquele órgão em 1965 e Presidente da Comissão Concelhia de Braga da União nacional. Foi ainda Presidente das câmaras municipais de Braga e da Póvoa de Lanhoso, da Comissão Municipal de Turismo de Braga e Procurador à Câmara Corporativa na VI Legislatura.
Pela importância que as mesmas se revestem para o estudo e compreensão do papel das casas regionais no contexto do Estado Novo, transcreve-se do Diário das Sessões o discurso do deputado António Santos Cunha, respeitando-se a grafia da época.

Estátua a António Maria Santos da Cunha, em Maximinos, na cidade de Braga
"sr Presidente. Na última sessão desta assembleia o Sr. Deputado Dr. Augusto Simões referiu-se larga e proficientemente ao papel que as casas regionais desempenham na vida nacional e à necessidade de o Estado as proteger e acarinhar, enaltecendo a acção que as mesmas têm desenvolvido. Apesar disso e porque estava já dentro do meu pensamento abordar o assunto não quero deixar de reforçar essas considerações, tendo acima de tudo em mento comentar o excelente editorial do Diário de Noticias de 5 de Fevereiro, editorial que transcendo o âmbito restrito, situando-se num plano de tão grande interesse geral que atinge mesmo os princípios básicos da nossa vida social.
Presta assim o grande jornal mais um louvável serviço à Nação, a juntar a tantos outros que ao longo da sua existência centenária tem prestado com assinalável acerto.
e boa vontade, com a consciência perfeita do papel que a imprensa cabe na construção de um amplo edifício onde todos os portugueses, quaisquer que sejam os seus credos e as suas origens, tenham um lugar digno, justo e livre, para que cada vez sintam com maior satisfação o orgulho de percentagem a uma comunidade que se mostra em plena pujança e vitalidade na tranquilidade do seu labor progressivo em terras metropolitanas.
Vozes:- Muito bem!
O Orador:- Só à base desta tranquilidade que tem de ser fruto natural que flui da liberdade do indivíduo dentro das suas associações naturais e da acção dessas associações como limitadores do poder do Estado e consequente estabelecimento do equilíbrio binário Estado-indivíduo, poderemos conscientemente utilizar e coordenar os esforços para mantermos a nossa posição no concerto internacional de modo a permitir-nos o prosseguimento da cruzada de defesa da integridade do nossos territórios ultramarinos e defendendo ao mesmo tempo os interesses humanos das suas populações, que não é de mais repetir sem a nossa protecção, seriam lançadas no caos.
A defesa de instituições públicas ou privadas que constituem núcleos de interesses materiais ou morais de grupos que têm pontos comuns é a base da nossa organização corporativa. E a constituição desses grupos corresponde à aplicação de um princípio de direito natural reconhecido na nossa Constituição Política e defendido na doutrina social da Igreja.
De facto, algo de novo se passa no Mundo. O crescimento do poder do Estado, a cedência que o indivíduo tem feito de parte das suas liberdades em troca da segurança necessária para poder desenvolver-se e viver com mais comodidade material, a estabilidade quase universal dos governos que caracteriza a nova era, tudo isto criou uma necessidade premente do estabelecimento de órgãos intermédios que deem conhecimento ao Governo de necessidades individuais ou colectivas em todos os sectores de actividade pessoal ou no âmbito das necessidades regionais com o fim de fazer desaparecer desequilíbrios prejudiciais ao desenvolvimento da Nação.
Por isso, a existência das casas regionais constitui uma necessidade que se justifica política e socialmente, mesmo para além daquilo que representam como factor sentimental, constituindo agrupamentos de pessoas que nascidas na mesma região, conseguem um intercâmbio espiritual mais frutuoso e mais simples por semelhança de sentimentos próprios de origem comum que exerce forte influência sobre a formação espiritual e sentimental de cada um.
Vozes:- Muito bem, muito bem!
O Orador:- A socialização, no sentido etimológico da palavra, constitui uma das grandes necessidades do nosso tempo. Se, por um lado, como disse pode constituir o fiel no equilíbrio social entre o Estado e o indivíduo ou entre o Poder Central e as autarquias locais, constitui eminentemente um traço de união entre indivíduos que tem pontos comuns de interesses materiais ou espirituais, com incidências sociais importantes no sector de relações.
O Sr. Cunha Araújo:- V. Exa. entende que o que está a dizer é factor de socialização ou de sociabilização?
É que me parece que esta última palavra define melhor o conceito que V. Exa. está a defender.
O Orador:- O significado que quero dar ao termo «socialização» não se assuste V. Exa. é de comunhão entre os homens. E emprego a palavra porque foi já empregada pelos sumos pontífices. É só por isso.
A própria actividade das diferentes casas regionais focada no oportuníssimo artigo do Diário de Noticias parece ser suficiente elucidativa e clara, não deixando dúvidas sobre a função múltipla dessas associações quer na satisfação de interesses de ordem material das regiões que abrangem promovendo ou acelerando soluções de problemas, apoiando iniciativas das regiões de origem, quer na promoção de propaganda de ordem turística do seu torrão natal, quer estudando problemas variados em congressos organizados, quer na nota de sentimentalismo que constitui o culto das tradições das suas terras funcionando como ponto de encontro de amigos e conterrâneos transformando horas de ócio em satisfação de necessidades espirituais.
A utilidade que foi focada justificada exuberantemente a sua existência. Mais ainda justificada e impões que o Governo da Nação tome uma posição clara e definida amparando eficazmente instituições deste género existentes promovendo a criação de novas, pois elas são verdadeiramente instituições de utilidade pública e de interesse nacional, e reconhecendo de uma maneira insofismável a sua função benéfica.
A própria reacção pública de simpatia e apoio feita perante o Diário de Noticias, posteriormente à publicação do artigo exercida através de individualidades do maior relevo e algumas de destaque na vida pública, demonstra à evidência que o problema é de tornem as necessárias providências para que organismos vivos como a Casa das Beiras e seus satélites, a Casa dos Açores e todas as casas regionais congéneres instaladas em Lisboa, de que destaco a do Minho, por bem conhecer a sua acção, sejam acarinhadas com a compreensão clara do seu valor social e político. O Estado, na sua verdadeira e única função de servir, servirá o País e os seus mais lídimos interesses defendendo estas instituições de carácter regionalista, dando-lhes o lugar que lhes compete no panorama social português, na certeza de que o faz a bom da Nação.
De facto a existência de agrupamentos regionais em Lisboa cérebro e fonte de vida do império e onde pulsa o coração da grei perto das fontes donde dimanam as forças de ordem material e espiritual para todos os pontos do País constitui ou poderá constituir, a presença dos diferentes pedaços da Pátria juntos dos poderes centrais se as Cortes Gerais, no tempo dos primórdios da Nacionalidade, se reuniam em diferentes cidades de Portugal que seja agora possível constituírem-se naturalmente na capital do império.
Funcionando como grupos de pressão e equilíbrio, poderão elas constituir grupos informativos, que tão úteis se podem tornar para o Governo como fornecedores de elementos capazes de permitir traçar planos de desenvolvimento e desenhar programas em que o estabelecimento de prioridades contribua para um nivelamento inter-regional indispensável ao desenvolvimento de País com a harmonia necessária.
O problema que era se levantar com o desaparecimento das sedes das Casas dos Açores e das Beiras julgamos, vem dar acuidade a uma questão que urge ser encarada pelo Governo com um sentido de larga visão e de modo que instituições similares mereçam um auxílio que lhes permite uma estabilidade de vida a que está intimamente ligada a estabilidade das suas sedes sociais.
A experiência demonstrou que a actividade destes organismos tem contribuído eficazmente para o desenvolvimento material das legiões que representam, para o desenvolvimento comunitário indispensável à vida da Nação, para a concretização de estudos sociais ou económicos indispensáveis á vida do País e também para centro de convivência de indivíduos ligados entre si por laços indissolúveis de origem comum.
A existência das organizações que abrigam os portugueses em várias cidades estrangeiras, nomeadamente no Brasil, o desvelo e o carinho que têm presidido ao seu funcionamento- e de cuja existência e actividades tanto o emigrante como o visitante português tão largos proveitos tem tirado, constituem exemplo justificativo para um olhar de bom senso e de justiça do Governo para com estas casas regionais com sede em Lisboa protegendo-as, acarinhando-as e criando-lhes ambiente em que possam desenvolver-se e progredir sem peias de nenhuma espécie e evitando factos lamentáveis como os que recentemente se deram.
Merecem, pois, o Diário de Noticias e o seu articulista uma palavra de louvor por terem levantado este problema e por terem acarinhado tanto desvelo, demais a mais com a autoridade verdadeiramente valiosa do seu egrégio director.
A Casa do Minho, a que actualmente preside o distinto jornalista e escritor Artur Maciel, tem desenvolvido uma tarefa que quero disso tenho obrigação especial destacar.
Ainda há poucos dias me foi dado tomar parte numa reunião, a que assistiram pessoas do maior valor, que serviu não só para denunciar mais uma vez as delícias da cozinha minhota, como para que convivessem os naturais da região das mais variadas classes e fossem discutidos problemas de grande interesse para a mesma.
Será que a sua esforçada e dinâmica direcção pensa em organizar uma semana de estudos na capital, semana em que os mais candentes problemas regionais serão abordados por autoridades competentes nas diferentes matérias, o que será contributo apreciável para a resolução dos mesmos, e ainda, o que muito é de Ter em conta, poderosa alavanca para a mentalização dos responsáveis quanto á necessidade de esses problemas serem encarados de frente.
O Governo tem, pois, de promulgar medidas que assegurem destacada posição dentro dos quadros do País a tão úteis instituições, que têm na verdade, um papel representativo digno de estímulo e podem, além dos mais contribuir, através de uma propaganda bem orientada, para um melhor conhecimento por parte dos grandes centros das necessidades vitais a um harmónico desenvolvimento nacional que tem de Ter em conta um desenvolvimento simultâneo das diferentes regiões do País.
Vozes:- Muito bem!
O Orador:- A constituição de um grupo de trabalho que pudesse propor ao Governo a natureza dessas medidas e a entrega de uma representação colectiva das casas regionais ao Sr. Presidente do Conselho seria, sem dúvida maneira eficiente de passarmos da apresentação de ideias à concretização das mesmas.
O Chefe do Governo tão arreigado às suas terras de origem, amante como poucos do seu cantinho natal, não deixará de ter em devida conta a legítima aspiração dos naturais da província que, perdidos nesta Lisboa de muitas e desvairadas gentes não esquecem o caminho da sua aldeia a rua da vida ou cidade onde nasceriam e passaram, possivelmente, os seus melhores dias e procuram fazer desse justo sentimento motivo de progresso e de bem-estar para as suas regiões."





Estará em breve nas livrarias a obra "D. Manuel II e D. Amélia - Cartas Inéditas do Exílio", da autoria de Fernando Amaro Monteiro. A edição tem a chancela da Editorial Estampa e o patrocínio da Fundação Dom Manuel II.
No ano em que se assinalam 80 anos sobre a morte d'O Rei Patriota, a obra traz à luz um vasto leque de correspondência inédita enviada e recebida pelos Monarcas, a sua maioria adormecida até hoje na referida Fundação. Trata-se de um espólio de elucidativas 148 Cartas, que permite esclarecer muitas dúvidas sobre o que foi exatamente a vida dos Reis - sobretudo a de D. Manuel II - e comprovar a forma devotada como serviram Portugal durante o exílio.
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